
País de dois oceanos (Atlântico e Índico), três capitais (Pretória, a administrativa, Cidade do Cabo, a legislativa, e Bloemfontein, a judiciária), dos Big Five (leão, leopardo, elefante, hipopótamo e rinoceronte), da próxima Copa do Mundo...

Durban
Cosmopolita, ela mistura as culturas hindu e zulu - e se deixa levar pela influência dos turistas que circulam por ali
Dentro do Victoria Street Market, indianos vendem temperos, carnes, peixes, saris e quase tudo o que puder imaginar. Mas se o que se procura é um elixir do amor ou algum outro feitiço, aí é preciso visitar um sangoma, o tradicional curandeiro zulu. Sem problemas. Você está em Durban. Terceiro centro urbano do país, com 3 milhões de habitantes, a cidade concentra a maioria da numerosa etnia zulu e é a maior cidade indiana fora da Índia: 1 milhão de descendentes.

Sua diversidade atrai o grosso do turismo doméstico. A 588 quilômetros de Johanesburgo, ela tem um dos trechos do litoral sul-africano mais agradáveis. Banhadas pelo Oceano Índico, suas praias são aquecidas pelas correntes quentes vindas de Moçambique, sempre a apenas 2 ou 3 graus abaixo da temperatura ambiente.
O trecho de seis quilômetros, conhecido como Golden Mile é dividido em pontos para surfe, para bodyboard ou para fazer nada mesmo - todos protegidos por redes, para manter os tubarões afastados... O calçadão, com aquele jeito de praia turística, concentra os principais hotéis e resorts, restaurantes, bares, feirinhas de artesanato, passeios de riquixá... Uma festa.
A lembrar a passagem pioneira de Vasco da Gama em seu caminho para a Índia, o monumental relógio Da Gama, construído em 1897, domina uma das pontas do The Point and Victoria Embankment, área que reúne lojas, restaurantes, teatro, o mercado de peixe e também o uShaka Marine World . O complexo engloba um dos maiores aquários do mundo, com mais tubarões do que qualquer outro; um parque Wet'n Wild e shows de golfinhos.
Difícil, na África do Sul, é escolher o melhor roteiro: no sul, a viagem rodoviária por algumas das paisagens litorâneas mais bonitas do hemisfério, a Rota Jardim; no leste, o gosto de curry da multiétnica Durban; ou um dos melhores safáris do mundo, no Parque Kruger, já na fronteira com Moçambique, que tem savana e floresta com os bichos vivendo soltos, livres, sem medo a não ser de seus predadores.
É claro que ainda são visíveis as cicatrizes do regime de segregação racial (o apartheid), interrompido em 1994 com a primeira eleição multirracial. Após mais de uma década de experiência democrática, persistem altos índices de pobreza e criminalidade, embora o país tenha o maior PIB do continente. Mas a África do Sul vai superando essas mazelas aos poucos e tem atrativos para os turistas muito além dos estereótipos.
O viajante upscale pode se isolar em hotéis de luxo na Cidade do Cabo sem nem imaginar que a Costa Selvagem faz a delícia dos mochileiros e os safáris, a dos turistas básicos, por exemplo. Na contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2010, o interesse pelo país tende a crescer. E muito. A África do Sul já começou a se movimentar para receber a competição e os milhões de turistas que a descobrirão como um belo destino turístico.

Rota Jardim
A rota que tem mar, florestas, dunas, cavernas, tubarões, pingüins e outras histórias.
São 309 quilômetros de viagem pela estrada costeira mais sensacional da África do Sul. Seu nome oficial é N2, em turistiquês: Rota Jardim (do inglês Garden Route).
Até há litorais no mundo com um recorte mais bonito, como a nossa Rio-Santos, mas nenhum que misture tantas praias e paisagens inspiradoras - algumas espremidas entre lagoas, mar, dunas e florestas - com atrações tão variadas. Tem cavernas com superinfra de visitação, tem turismo de aventura, tem fazendas de ostra ou avestruz, e até mergulho com tubarões.
As florestas cheias de flores é que dão nome ao roteiro. Alugue um carro e, em Mossel Bay, zere o contador de quilometragem.
Se puder pare em outros pontos. Stellenbosch, a rota do vinho. Cabo da Boa Esperança, a curva do mundo. Table Mountain, de lá, é como se a vista fosse oferecida numa bandeja, dos novos mirantes debruçados sobre o precipício. Ilha Robben, sua vocação antilibertária vinha desde o século 17, quando foi usada como colônia penal primeiro pelos britânicos, mais tarde pelos holandeses. Depois, no auge da luta anti-apartheid, durante os anos 60/70, tornou-se uma prisão de segurança máxima onde Nelson Mandela permaneceu trancafiado por 18 anos. Após ser desativada, em 1991, a Ilha Robben foi transformada em colônia de reprodução de aves marinhas. É dali que se tem a melhor vista da Table Mountain.

Parque Kruger
São mais de 3 milhões de hectares dedicados aos parques nacionais e às reservas, entre os quais, se destaca o Kruger Park.
Quem é rei nunca perde a majestade: o legendário Kruger, um dos mais antigos parques de toda a África, continua sendo um dos lugares mais espetaculares para se observar animais selvagens. Estabelecido em 1898 pelo então presidente sul-africano Paul Kruger, foi se expandindo ao longo dos anos. Hoje, tem dois milhões de hectares, distribuídos por 350 quilômetros de comprimento e 60 quilômetros, em média, de largura. Nem cercas o separam das reservas vizinhas (Sabi Sands, Klaserie, Kapama, Timbavati e Thornybush).
E mais: em breve, outras reservas serão anexadas deixando o complexo
todo com 35.000 quilômetros quadrados, área maior do que a Suíça.
Seis rios alimentam a região. Por isso a vegetação varia
muito - são dezesseis diferentes zonas, pelas quais trezentas espécies
de árvores e 1980 tipos de plantas distribuem-se. Por este tapete verdejante,
desfila a realeza: 147 espécies de mamíferos, mais de 500 tipos
de pássaros, 114 de répteis e 49 de peixes.
É a maior diversidade de animais de todo o sul da África, coroada por búfalos, elefantes, rinocerontes, leopardos e, obviamente, reis leões - os chamados Big Five. Embora a viagem solo seja possível, o safári guiado é muito mais interessante. Não é tão fácil assim localizar animais, e o conhecimento e experiência dos guias ajudam muito.
O coração do parque fica na área onde os rios Sabie e Sand se cruzam. O sul da reserva é chamado de "O circo" - muitos turistas, bastante bicho. A área central é chamada de "O zoológico" - muita abundância de animais, com destaque aos predadores. Ao norte, muitas árvores, pequenas colinas com resquícios pré-históricos, boa quantidade de elefantes, zebras, búfalos e avestruzes. Aliás, quanto mais ao norte se vai, mais selvagem, árido e plano fica o Kruger.

Pretória
A capital da África do Sul guarda belos jardins, prédios antigos e a história de grandes líderes
Pretória é tanto a capital administrativa da África do Sul, como a capital dos jacarandás: características que definem bem a cidade. Há belas construções governamentais, rodeadas por cuidadosos jardins, e a atmosfera é muito mais tranqüila que em Johannesburgo (cinqüenta e três quilômetros ao sul).
Pretória foi assim batizada em homenagem a Andries Pretorius, herói dos Boers (Trekboers, fazendeiros pioneiros, que chegaram ao país no século dezessete, vindos principalmente da Holanda). Afrikaners até hoje se reúnem, todo dia dezesseis de dezembro, em torno do monumento Voortrekker, que comemora a vitória de seus antepassados contra os Zulus (1838). Anos atrás a cidade ganhou, porém, outro herói, e de tribo diferente. Steve Bilko, líder carismático do movimento Consciência Negra, morreu em Pretória em 1977, após três dias em coma, vítima de espancamento por policiais.
Heróis e vilões dos dias de hoje, assim como dicas culturais, são bem retratados pelo jornal Pretoria Post.
Há vários ônibus saindo de Johannesburgo rumo a Pretória. A rodoviária da capital administrativa fica próxima ao centro, e é fácil de ser localizada. Para os que preferem excursões, é muito provável que o próprio hotel organize tardes em Pretória. Se isso não for o caso, há agências que fazem o roteiro.
Fonte: viajeaqui.abril.com.br