
O profeta Amós chama a atenção, pois é muito diferente dos demais. Está posicionado no extremo esquerdo do muro mais externo, sendo representado como um pastor, como de fato foi. Amós viveu no século VIII a.C. e foi pastor de carneiros em Belém, antes de desenvolver seus dons proféticos.
O pergaminho que segura traz a seguinte inscrição, traduzida e adaptada do latim: "Feito primeiro pastor, e em seguida profeta, dirijo-me contra as vacas gordas e os chefes de Israel." A explicação para as palavras "vacas gordas" é que estas sugerem as riquezas acumuladas pelas classes dominantes, em oposição à extrema pobreza de outros.
Pelo fato de ter sido pastor, sua figura é adornada com elementos característicos: o casaco que veste é contornado com fios de lã de carneiro e na cabeça tem um gorro que ainda hoje é usado por pastores de Portugal. Sobre o casaco, um manto descreve um labirinto de dobras magnificamente esculpidas. Sob o casaco, uma camisa franzida é arrematada por um colarinho que envolve o pescoço.
Aleijadinho adornou os profetas com vestes que eram comuns nas gravuras européias que chegavam no Brasil Colônia de então. Era comum na Europa a representação dos profetas e outros personagens bíblicos vestidos com casacos, túnicas e mantos debruados com desenhos curvilíneos e turbantes exóticos, estes 'à moda turca'.
O profeta Amós tem o rosto largo e sem barbas. Seu semblante é tranqüilo, um pouco risonho, despreocupado. Assim como Daniel e Jonas, foi entalhado numa pedra única; há uma pequenina emenda na parte superior de seu gorro. Seus dedos da mão direita, espalmada em direção ao céu, foram incompreensível e anonimamente quebrados por alguém insensível e tristemente ignorante e alienado dos valores criativos da humanidade.
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No ponto extremo do adro, à esquerda, na parte superior do arco de circunferência que une os muros extremos dianteiro e laterais do Santuário, encontra-se a estátua do Profeta Amós.
Amós difere totalmente dos demais profetas do conjunto e essa diferença se faz notar tanto no tipo físico, quanto na indumentária. Seu rosto largo e imberbe tem a expressão calma, quase bonachona, como convém a um homem do campo. Suas vestes condizem com a sua condição de pastor. Amós está vestido com uma espécie de casaco debruado de pele de carneiro e traz na cabeça um gorro, de forma semelhante ao que usam ainda hoje os camponeses portugueses da região.
Dada a grande altura do muro em que está colocada, a escultura parece ter sido concebida para ser vista pelo lado esquerdo, já que o lado direito dela apresenta deformações, como, por exemplo, a omissão da perna da calça deste lado. Como a estátua de Daniel, é uma peça praticamente monolítica, com apenas uma pequena emenda na parte superior do gorro.
Fonte: www.degeo.ufop.br