As algas atuais podem ser classificadas em 2 ou 3 diferentes reinos, com notáveis diferenças entre um autor e outro. Em 1969, R. H. Whittaker (1924-1980) propôs uma nova classificação dos seres vivos em 5 Reinos (New Concepts of Kingdoms of Organisms); segundo esta proposta, universalmente aceita durante muitos anos, teríamos:
As unicelulares procariontes, cianofíceas ou cianobactérias, são classificadas no reino Monera.
As unicelulares eucariontes e seus descendentes mais imediatos, como são as algas pluricelulares filogeneticamente aparentadas, são classificadas no reino Protista ou Proctotista.
3. São incluídas no reino Plantae, Vegetalia, ou ainda Metaphyta, as algas pluricelulares, autotróficas e fotossintéticas, com cloroplastos e parede celular composta essencialmente de celulose, um polímero de glicose, com substância de reserva característica que é o amido, outro polímero de glicose; isto inclui as algas pluricelulares, divididas em três grandes grupos: clorofíceas (algas verdes), feofíceas (algas pardas) e rodofíceas (algas vermelhas). Pertencem, entre as plantas, ao grupo das talófitas, plantas que possuem o corpo em forma de talo, sem diferenciação de tecidos, e, por isto, organismos que não possuem raízes, caule, folhas, flores ou sementes.
Hoje, o reino Protista inclui os organismos eucariontes unicelulares, como a maioria das algas e os protozoários, e seus descendentes mais imediatos, como são as algas pluricelulares, que se inclui neste grupo por sua estrutura simples e as claras relações com as formas unicelulares. Mas os protistas estão representados por muitas linhas evolutivas cujos limites são difíceis de definir.
O Reino Protoctista foi proposto em substituição ao Reino Protista, que originalmente continha apenas organismos exclusivamente eucariontes e unicelulares, como uma alternativa didática para receber uma grande quantidade de táxons eucariontes unicelulares e pluricelulares que não se encaixavam na definição de animais, plantas ou fungos. É, portanto, um Reino artificial, isto é merofilético, ou seja seus integrantes não possuem um só ancestral comum. Para estes autores, as algas pluricelulares incluidas no reino Vegetal deveriam ser classificadas como Protoctistas. A polêmica exige a postura de que ela faz ciência e que os Protoctista são tão diferentes entre si que provavelmente serão classificados futuramente em vários Reinos.
As cianofíceas ou cianobactérias são fotossintéticas, podendo viver isoladamente ou em colônias. Quando em colônias, muitas vezes há uma cápsula mucilaginosa que envolve toda a colônia,ocorrendo por vezes também colônias filamentosas, e, no caso do gênero Nostoc formam-se filamentos de células, sendo cada célula um heterocisto (Contêm uma enzima que transforma o N2 em NH3, que depois é incorporado em compostos orgânicos). São autótrofos fotossintetizantes, apresentam clorofila, porém sem cloroplastos e bons assimiladores de do nitrogênio do ar, razão pela qual são consideras pioneiras na instalação das sucessões ecológicas. Reproduzem-se por cissiparidade. São comuns em solo úmido e em rochas, bem como na água, tanto doce quanto salgada. A despeito de serem tradicionalmente conhecidas como algas azuis, podem revelar-se em coloração vermelha, pardas e até negras.
Outrossim, por sua estrutura, estão muito mais próximas das bactérias do que das verdadeiras algas. Apresentam um rudimento de retículo endoplasmático na periferia do seu citoplasma, e nas membranas desse proto-retículo se localizam os pigmentos de clorofila. Não possuem flagelos, embora algumas espécies se locomovam por meio de movimentos oscilatórios. Os principais exemplos pertencem aos gêneros Oscillatoria, Anabaena e Nostoc.

Nostoc
Euglenófitas : protistas com dois tipos de nutrição (mixotróficos). Há uma série de semelhanças entre os euglenófilos e os flagelados, como a película envolvente, sem celulose, e que permite alterações de forma e movimentos amebóides, a presença de flagelos e de um vacúolo contrátil, além do tipo de divisão binária longitudinal. Por outro lado, a presença de cloroplastos afasta os euglenófitos dos protozoários, aproximando-se das algas. Os euglenófilos são organismos quase sempre unicelulares, a maioria de água doce. O gênero mais comum é a Euglena. Havendo luz e nutrientes inorgânicos, o processo de nutrição utilizado por esses organismos é a fotossíntese. Eles possuem uma organela fotossensível, o estigma, que orienta o organismo em direção à luz(fototactismo). Na ausência de condições para a fotossíntese, ocorre nutrição heterotrófica. Se o meio não tem alimento , ela passa a fazer fotossíntese , mas se ocorre o contrário ela assume um perfil heterotrófico As euglenófitas representam um pequeno grupo de algas unicelulares que habitam, em sua maioria,a água doce. Contém clorofila a e b e armazenam carboidratos sob forma de uma sustância amilácea não usual, o paramido. As células não apresentam parede celular mas uma série de franjas protéicas flexíveis. Não é conhecido o ciclo sexual.

Pirrófitas: são biflagelados unicelulares, muitos marinhos. Possuem paredes nuas ou com celulose. Algumas poucas formas são heterotróficas, mas apresentam também uma parede espessa de celulose, o que nos permite enquadrá-las nessa divisão. Possuem dois sulcos em forma de cinta, cada qual apresentando um flagelo. O batimento desses flagelos provoca no organismo um movimento de pião. Vem desse fato o nome do grupo, pois dinoflagelado significa "flagelado que roda".

São geralmente, amarelo-pardos ou amarelo-esverdeados. O aumento excessivo da população de alguns dinoflagelados provoca desequilíbrio ecológico conhecido como maré-vermelha, pois a água, nos locais em que há excesso desses dinoflagelados, adquire comumente coloração vermelha ou marrom, e as algas secretam substâncias, como o ácido domóico, que inibem o desenvolvimento de outras espécies (amensalismo). Alguns pesquisadores relacionam a sétima praga do Egito, narrada em Êxodos, na Bíblia, a uma maré vermelha. O capítulo narra que, entre outras pragas, a água do Nilo se tornou sangue e imprópria para o consumo. De fato, conforme os organismos presentes na água, esta se torna imprópria para o consumo humano e também a outros organismos.

A alga pirrófita Gonyaulax é uma das responsáveis pela ocorrência das marés-vermelhas ou floração das águas, devido a formação de grandes populações. O problema está na elevada toxicidade das substâncias produzidas por estas algas e Diatomáceas como Pseudo-nitzchia multiseries, P. pseudodelicatis e P. australis, que envenenam peixes, moluscos e outros seres aquáticos e, ingeridaspelo homem, acumulam-se no seu organismo, atuando como neurotoxinas.

Molécula do ácido domoico, uma neurotoxina, antagonista do glutamato, que causa, entre outros, a perda da memória recente em pessoas intoxicadas com doses elevadas.
As ficotoxinas que podem chegar ao homem via ingestão de mariscos
contaminados são agrupadas em 4 grupos: envenenamento paralisante por
consumo de mariscos (PSP - paralytic shellfish poisoning), envenenamento diarréico
por consumo de mariscos (DSP - diarrhetic shellfish poisoning), envenenamento
amnésico por consumo de mariscos (ASP - amnesic shellfish poisoning)
e envenenamento neurotóxico por consumo de mariscos (NSP - neurotoxic
shellfish poisoning).
Alguns dinoflagelados têm a característica de serem bioluminescentes
(Noctiluca), isto é, conseguem transformar energia química em
luz, parecendo minúsculas "gotas de geléia transparente"
no mar, sendo responsáveis pela luminosidade observada nas ondas do
mar ou na areia da praia, à noite. Segundo alguns autores, o nome do
grupo teria origem nesse fato (piro = fogo).

Algas douradas ou Crisófitas: os mais citados representantes desta divisão são as diatomáceas, algas microscópicas que constituem os principais componentes do fitoplâncton marinho e de água doce. Além de servirem de alimente para outros animais aquáticos, elas produzem a maior parte do oxigênio do planeta, através de fotossíntese. Além da clorofila, possuem caroteno e outros pigmentos que lhes conferem a cor dourada característica (criso = dourado). A carapaça, geralmente impregnada de sílica, forma uma estrutura rígida típica, com duas metades que se encaixam uma na outra. Os depósitos dessas carapaças silicosas, carapaças de sílica denominadas frústulas, desenvolvidos ao longo do tempo, formam uma terra muito fina, chamada terra de diatomáceas, utilizada como abrasivos nos polidores de metais e em pastas de dente. As crisófitas, diatomáceas e algas pardas douradas, são componentes importantes do fitoplâncton, dulciaqüícola e marinho. São unicelulares. Podem reproduzir-se assexuadamente.

Algas que foram incluídas por Wittacker no reino Plantae: repetindo, não esquecer que para serem incluídas neste reino devem ser pluricelulares, autotróficas fotossintetizantes, com cloroplastos e parede celular composta essencialmente de celulose, um polímero de glicose. A substância de reserva característica deve ser o amido, outro polímero de glicose. São divididas em três grandes grupos: clorófitas (algas verdes), feófitas (algas pardas) e rodófitas (algas vermelhas).
As clorofíceas (do gr. khloros, "verde"; phycon, "alga") ou clorófitas (do gr. phyton, "vegetal"), são as algas mais comuns, ocorrendo vastamente em água doce e do mar, mas também em ambientes terrestres úmidos, sobre troncos de árvores e associadas a fungos, formando uma estrutura mutualística denominada líquen. Podem ser unicelulares ou pluricelulares, coloniais ou de vida livre. Possuem clorofilas a e b, carotenos e xantofilas. São verdes justamente pelo fato de a clorofila predominar em relação aos demais pigmentos. Apresentam o amido como reserva e sua parede celular é de celulose. Tais características aproximam as clorófitas dos vegetais terrestres (intermediários e superiores), sendo sustentada a hipótese da evolução dessas plantas a partir das algas verdes. Isso leva-nos a estudar algumas algas unicelulares dentro deste grupo, e não no filo Protista.
A organização da célula é eucariótica. Sua parede celular é constituída por uma estrutura fibrilar de celulose embebida numa matriz. Alguns gêneros apresentam deposição de carbonato de cálcio na parede. Algas verdes calcificadas são importantes como a maior contribuição para o sedimento marinho. Alguns autores chamam de Chlorophyta toda a linhagem de organismos eucarióticos que possuem clorofila a e b. Esse grupo monofilético bem caracterizado engloba as algas verdes, briófitas e as traqueófitas.
Porém, análises ao microscópio eletrônico, levaram a novas interpretações. Observando a presença de fragmoplastos (na formação da lamela média ao final da mitose) ou ficoplastos e o sentido de deposição da parede celular, as plantas verdes foram divididas em duas linhagens: a linhagem das Clorofíceas, onde os microtúbulos se arranjam paralelamente ao plano de divisão (ficoplastos), e a linhagem das Carofíceas, onde esse arranjo se dá perpendicularmente ao plano de divisão (fragmoplastos). Esta última linhagem seria grupo irmão das plantas terrestres. A reprodução pode ser tanto assexuada como sexuada. Como formas de reprodução assexuada, encontramos a bipartição nos unicelulares, produção de zoósporos (esporos flagelados) ou simples fragmentação (hormogonia). Sexuadamente, pode produzir gametas masculinos e femininos de mesma forma e tamanho (isogamia), gametas femininos maiores (anisogamia ou heterogamia) ou gametas femininos grandes e imóveis e gametas masculinos pequenos e móveis (oogamia). Há ainda uma reprodução sexuada mais simples, a conjugação. É o grupo predominante do plâncton de água doce correspondendo a 90% do fitoplâncton. Apresenta uma ampla distribuição pelo planeta.
Algumas algas verdes podem viver em áreas congeladas como a Clamydomonas, ou sob troncos de árvores ou barrancos úmidos. Certas espécies vivem em simbiose com protozoários, hidras, fungos e mamíferos (nos pêlos de bicho-preguiça), além de formas saprófitas sem pigmentos. As colonias são chamadas de cenóbio. As formas filamentosas podem ser celulares ou cenocíticas, uma curiosa estrutura acelular. O talo de uma alga, como em espécies de Caulerpa, pode ser considerado uma "célula" gigante onde as estruturas estão compartimentadas em vesículas de proporções avantajadas e com um número variável de núcleos. A importância econômica das algas verdes se diz respeito à utilização como alimento, no caso de espécies marinhas, e na extração de beta-caroteno. O gênero Dunaliella cultivada em lagos altamente salinos acumula mais de 5% desse importante anti-oxidante natural. A sua grande importância ecológica está ligada a grande produção primária, especialmente no ambiente límnico.

Acetabularia sp.
As rodofíceas (do gr. rhodon, "vermelho") ou rodófitas são pluricelulares, predominantemente marinhas, mas com algumas espécies dulcícolas. O pigmento predominante é a ficoeritrina, que confere a cor característica do grupo, mas também apresentam ficocianina e clorofilas a e d. Delas são retiradas duas mucilagens importantes. A primeira é o ágar (ágar-ágar) ou gelose, um polímero da glicose, utilizado na cultura de bactérias e na indústria farmacêutica (laxante); é um subproduto obtido principalmente das espécies: Gelidium corneum, Gelidium sesquipedale e Pterocladia capillacea, que por isso também se denominam por algas agaríferas. O Agar-agar é uma mistura de polissacáridos complexos, basicamente agarosos (polímero de galactose sem enxofre) e agaropectina (formada por galactose e ácido urónico esterificados com ácido sulfúrico). Caracteriza-se por não ser deteriorável pelos ácidos gástricos nem absorvível, factores que a fazem ideal como complemento para correcção da prisão de ventre, protecção da mucosa gástrica e regulação do trânsito intestinal. O Agar-agar é muito utilizado na fabricação de geleias, produtos de confeitaria, gelados, xaropes, maioneses e queijos, sendo o produto responsável pela consistência mole, mas suficientemente firme, que apresentam. A segunda é a carragem, muito utilizada pela indústria de alimentos, em especial de sorvetes. As rodófitas apresentam reprodução sexuada e assexuada, sendo todas haplodiplobiontes.

As feofíceas (do gr. phaios, "pardo", "marrom") ou feófitas são pluricelulares e predominantemente marinhas. Têm essa coloração devido a um pigmento carotenóide, a fucoxantina. Possuem também clorofilas a e c e sua parede, além de celulose, possui polissacarídeos, como a algina, utilizada na fabricação de sorvetes, na indústria alimentícia e farmacêutica. Como reserva apresentam um polissacarídeo característico, a laminarina. Os alginatos obtidos de espécies como a Laminaria são empregados como estabilizadores de maioneses, goma de mascar e cremes gelados. Os alginatos são digeríveis pelo organismo, ao contrário do agar-agar, que é quase inatacável pelo suco gástrico e intestinal. Predominantemente marinhas, muito evoluídas, podendo apresentar falsos tecidos. De sua membrana é extraido o ácido algínico, usado na industria de alimentos e por dentistas. Formam o "mar dos sagassos", podem ser comestíveis e são usadas como adubo. Em geral, as feófitas são de grande porte, sendo que algumas espécies apresentam estruturas especializadas a determinadas funções, aproximando-se de folhas (filóides), caules (caulóides) e raízes (rizóides). Podem apresentar estruturas de fixação, flutuação e reprodução, por exemplo. Reproduzem-se sexuada e assexuadamente. Há organismos haplodiplobiontes (Laminaria) e diplobiontes (Fucus e Sargassum). Sob o nome de Fucus, agrupam-se numerosas espécies, entre as que se destacam: Fucus vesiculosus, Fucus spiralis, Fucus serratus, Fucus ceranoides, e Ascophillum nodosum. Destacam-se na sua composição a algina (ácido algínico e os seus sais), manitol, iodo em quantidades notáveis, assim como vitaminas A, B, C, e E, e fucoidina (polissacarídeo mucilaginoso com uns 30 a 70 % de L-Fucosa). Integra frequentemente complementos de dietas de emagrecimento, devido à sua riqueza em iodo e à importância que este tem sobre o metabolismo humano.

Fonte: www.marcobueno.net