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LIRA DOS VINTE ANOS

alvares de azevedo

HINOS DO PROFETA

UM CANTO DO SÉCULO

Spiritus meus attenuabitur, dies mei

Breviabuntur, et solum mihi superest

Sepulchrum.

JOB

Debalde nos meus sonhos de ventura

Tento alentar minha esperança morta

E volto-me ao porvir:

A minha alma só canta a sepultura

E nem última ilusão beija e conforta

Meu suarento dormir...

Debalde! que exauriu-me o desalento:

A flor que aos lábios meus um anjo dera

Mirrou na solidão...

Do meu inverno pelo céu nevoento

Não se levantará nem primavera,

Nem raio de verão!

Invejo as flores que murchando morrem,

E as aves que desmaiam-se cantando

E expiram sem sofrer...

As minhas veias inda ardentes correm...

E na febre da vida agonizando

Eu me sinto morrer!

Tenho febre! meu cérebro transborda...

Eu morrerei mancebo, inda sonhando

Da esperança o fulgor...

Oh! cantemos ainda: a última corda

Inda palpita... morrerei cantando

O meu hino de amor!

Meu sonho foi a glória dos valentes,

De um nome de guerreiro a eternidade

Nos hinos seculares,

Foi nas praças, de sangue ainda quentes,

Desdobrar o pendão da liberdade

Nas frontes populares!

Meu amor foi a verde laranjeira,

Cheia de sombra, à noite abrindo as flores,

Melhor que ao meio-dia,

A várzea longa... a lua forasteira

Que pálida, como eu, sonhando amores,

De névoa se cobria.

Meu amor foi o sol que madrugava,

O canto matinal dos passarinhos

E a rosa predileta...

Fui um louco, meu Deus! quando tentava

Descorado e febril manchar no vinho,

Meus louros de poeta!

Meu amor foi o sonho dos poetas

— O belo, o gênio, de um porvir liberto

A sagrada utopia!...

E, à noite, pranteei como os profetas,

Dei lágrimas de sangue no deserto

Dos povos à agonia!...

Meu amor!?... foi a mãe que me alentava,

Que viveu, esperou por minha vida

E pranteia por mim...

E a sombra solitária que eu sonhava

Lânguida como vibração perdida

De roto bandolim...

E agora o único amor!... o amor eterno,

Que no fundo do peito aqui murmura

E acende os sonhos meus,

Que lança algum luar no meu inverno,

Que minha vida no penar apura,

— É o amor de meu Deus!

É só no eflúvio desse amor imenso

Que a alma derrama as emoções cativas

Em suspiros sem dor...

E no vapor do consagrado incenso

Que as sombras da esperança redivivas

Nos beijam o palor...

Eu vaguei pela vida sem conforto,

Esperei minha amante noite e dia

E o ideal não veio...

Farto de vida, breve serei morto...

Nem poderei ao menos na agonia

Descansar-lhe no seio...

Passei como Don Juan entre as donzelas,

Suspirei as canções mais doloridas

E ninguém me escutou...

Oh! nunca à virgem flor das faces belas

Sorvi o mel, nas longas despedidas...

Meu Deus! ninguém me amou!

Vivi na solidão, odeio o mundo...

E no orgulho embucei meu rosto pálido

Como um astro nublado...

Ri-me da vida — lupanar imundo,

Onde se volve o libertino esquálido

Na treva... profanado

Quantos hei visto desbotarem frios,

Manchados de embriaguez da orgia em meio

Nas infâmias do vício!

E quantos morreram inda sombrios,

Sem remorso dos negros devaneios...

Sentindo o precipício!

Quanta alma pura... e virgem menestrel,

Que adormeceu no tremedal sem fundo,

No lodo se manchou!

Que liras estaladas no bordel!

E que poetas que perdeu o mundo

Em Bocage e Marlowe!

Morrer! ali na sombra, na taverna,

A alma que em si continha um canto aéreo

No peito solitário!

Sublime como a nota obscura, eterna,

Que o bronze vibra em noites de mistério

No escuro campanário!

O meus amigos, deve ser terrível

Sobre as tábuas imundas, inda ebrioso,

Na solidão morrer!

Sentir as sombras dessa noite horrível

Surgirem dentre o leito pavoroso...

Sem um Deus para crer!

Sentir que a alma, desbotado lírio,

Dum mundo ignoto vagará chorando

Na treva mais escura...

E o cadáver sem lágrimas, nem círio,

Na calçada da rua, desbotando,

Não terá sepultura...

Perdoa-lhes, meu Deus! o sol da vida

Nas artérias inflama o sangue em lava

E o cérebro varia...

O século na vaga enfurecida

Mergulha a geração que se acordava...

E nuta de agonia.

São tristes deste século os destinos!...

Seiva mortal as flores que despontam

Infecta em seu abrir...

E o cadafalso e a voz dos Girondinos

Não falam mais na glória e não apontam

A aurora do porvir...

Fora belo talvez, em pé, de novo,

Como Byron, surgir, ou na tormenta

O homem de Waterloo!

Com sua idéia iluminar um povo,

Como o trovão da nuvem que rebenta

E o raio derramou...

Fora belo talvez sentir no crânio

A alma de Goethe e resumir na fibra

Milton, Homero e Dante,

Sonhar-se, num delírio momentâneo,

A alma da criação e o som que vibra

A terra palpitante...

Mas ah! o viajor nos cemitérios

Nessas nuas caveiras não escuta

Vossas almas errantes...

Do estandarte medonho nos impérios

A morte, leviana prostituta,

Não distingue os amantes!...

Eu, pobre sonhador! eu, terra inculta

Onde não fecundou-se uma semente,

Convosco dormirei...

E dentre nós a multidão estulta

Não vos distinguirá a fronte ardente

Do crânio que animei...

Ó morte! a que mistério me destinas?

Esse átomo de luz, que inda me alenta,

Quando o corpo morrer,

Voltará amanhã!... aziagas sinas!...

À terra numa face macilenta

Esperar e sofrer?

Meu Deus! antes, meu Deus! que uma outra vida,

Com teu braço eternal meu ser esmaga

E minh’alma aniquila:

A estrela de verão no céu perdida

Também, às vezes, seu alento apaga

Numa noite tranqüila!...

II

LÁGRIMAS DE SANGUE

Taedet animam meam vitae meae.

JOB

Ao pé das aras, ao clarão dos círios,

Eu te devera consagrar meus dias...

Perdão, meu Deus! perdão...

Se neguei meu Senhor nos meus delírios

E um canto de enganosas melodias

Levou meu coração!

Só tu, só tu podias o meu peito

Fartar de imenso amor e luz infinda

E uma saudade calma!

Ao sol de tua fé doirar meu leito

E de fulgores inundar ainda

A aurora na minh’alma.

Pela treva do espírito lancei-me,

P’ras esperanças suicidei-me rindo...

Sufocando-as sem dó...

No vale dos cadáveres sentei-me

E minhas flores semeei sorrindo

Dos túmulos no pó.

 

Indolente Vestal, deixei no templo

A pira se apagar! na noite escura

O meu gênio descreu...

Voltei-me para a vida... só contemplo

A cinza da ilusão que ali murmura:

Morre! — tudo morreu!

Cinzas, cinzas... Meu Deus! só tu podias

À alma que se perdeu bradar de novo:

— Ressurge-te ao amor!

Macilento, das minhas agonias

Eu deixaria as multidões do povo

 

Para amar o Senhor!

Do leito aonde o vício acalentou-me

O meu primeiro amor fugiu chorando...

Pobre virgem de Deus!

Um vendaval sem norte arrebatou-me,

Acordei-me na treva... profanando

Os puros sonhos meus!

Oh! se eu pudesse amar!... — É impossível!

Mão fatal escreveu na minha vida...

A dor me envelheceu...

O desespero pálido, impassível,

Agoirou minha aurora entristecida,

De meu astro descreu...

Oh! se eu pudesse amar! Mas não: agora

Que a dor emurcheceu meus breves dias,

Quero na cruz sanguenta

Derramá-los na lágrima que implora,

Que mendiga perdão pela agonia

Da noite lutulenta!

Quero na solidão... nas ermas grutas

A tua sombra procurar chorando

Com meu olhar incerto...

As pálpebras doridas nunca enxutas

Queimarei... teus fantasmas invocando

No vento do deserto.

De meus dias a lâmpada se apaga,

Roeram meu viver mortais venenos,

Curvo-me ao vento forte:

Teu fúnebre clarão que a noite alaga,

Como a estrela oriental, me guie ao menos

‘ Té ao vale da morte!

No mar dos vivos o cadáver bóia,

A lua é descorada como um crânio,

Este sol não reluz...

Quando na morte a pálpebra se engóia,

O anjo desperta em nós e subitânio

Voa ao mundo da luz!

Do val de Josafá pelas gargantas

Uiva na treva o temporal sem norte

E os fantasmas murmuram...

Irei deitar-me nessas trevas santas,

Banhar-me na friez lustral da morte,

Onde as almas se apuram!

Mordendo as clinas do corcel da sombra,

Sufocado, arquejante passarei

Na noite do infinito...

Ouvirei essa voz que a treva assombra,

Dos lábios de minh’alma entornarei

O meu cântico aflito!

Flores cheias de aroma e de alegria,

Por que na primavera abrir cheirosas

E orvalhar-vos abrindo?

As torrentes da morte vêm sombrias,

Hão de amanhã nas águas tenebrosas

Vos arrastar bramindo.

Morrer! morrer! — É voz das sepulturas!

Como a lua nas salas festivais

A morte em nós se estampa!

E os pobres sonhadores de venturas

Roxeiam amanhã nos funerais

E vão rolar na campa!

Que vale a glória, a saudação que enleva

Dos hinos triunfais na ardente nota

E as turbas devaneia?

Tudo isso é vão e cala-se na treva...

— Tudo é vão, como em lábios de idiota

Cantiga sem idéia.

Que importa? quando a morte se descarna,

A esperança do céu flutua e brilha

Do túmulo no leito:

O sepulcro é o ventre onde se encarna

Um verbo divinal que Deus perfilha

E abisma no seu peito!

Não chorem! que essa lágrima profunda

Ao cadáver sem luz não dá conforto...

Não o acorda um momento!

Quando a treva medonha o peito inunda,

Derrama-se nas pálpebras do morto

Luar de esquecimento!

Caminha no deserto a caravana,

Numa noite sem lua arqueja e chora...

O termo... é um sigilo!

O meu peito cansou da vida insana,

Da cruz à sombra, junto aos meus, agora,

Eu dormirei tranqüilo!

Dorme ali muito amor... muitas amantes,

Donzelas puras que eu sonhei chorando

E vi adormecer...

Ouço da terra cânticos cânticos errantes

E as almas saudosas suspirando

Que falam em morrer...

Aqui dormem sagradas esperanças,

Almas sublimes que o amor erguia...

E gelaram tão cedo!

Meu pobre sonhador! aí descansas,

Coração que a existência consumia

E roeu em segredo!

Quando o trovão romper as sepulturas,

Os crânios confundidos acordando

No lodo tremerão...

No lodo pelas tênebras impuras

Os ossos estalados tiritando

Dos vales surgirão!

Como rugindo a chama encarcerada

Dos negros flancos do vulcão rebenta

Golfejando nos céus,

Entre nuvem ardente e trovejada

Minh’alma se erguerá, fria, sangrenta,

Ao trono de meu Deus...

Perdoa, meu Senhor! O errante crente

Nos desesperos em que a mente abrasas

Não o arrojes p’lo crime!

Se eu fui um anjo que descreu demente

E no oceano do mal rompeu as asas,

Perdão! arrependi-me!

III

A TEMPESTADE

FRAGMENTO

Profeta escarnecido pelas turbas

Disse-lhes rindo — adeus!

Vim adorar na serrania escura

A sombra de meu Deus!

O céu enegreceu: lá no ocidente

Rubro o sol se apagou;

E galopa o corcel da tempestade

Nas nuvens que rasgou...

Da gruta negra a catarata rola,

Alaga a serra bronca,

Esbarra pelo abismo, escuma uivando

E pelas trevas ronca...

O chão nu e escarvado p’las torrentes

Trêmulo se fendeu...

Da serrania a lomba escaveirada

O raio enegreceu.

Cede a floresta ao arquejar fremente

Do rijo temporal,

Ribomba e rola o raio, nos abismos

Sibila o vendaval.

Nas trevas o relâmpago fascina,

A selva se incendeia...

Chuva de fogo pelas serras hirtas

Fantástica serpeia...

Amo a voz da tempestade,

Porque agita o coração...

E o espírito inflamado

Abre as asas no trovão!

A minh’alma se devora

Na vida morta e tranqüila...

Quero sentir emoções,

Ver o raio que vacila!

Enquanto as raças medrosas

Banham de prantos o chão,

Eu quero erguer-me na treva,

Saudar glorioso trovão!

Jeová! derrama em chuva

Os teus raios incendidos!

Tua voz na tempestade

Reboa nos meus ouvidos!

É quando as nuvens ribombam

E a selva medonha está,

Que no relâmpago surge

A face de Jeová!

A tuba da tempestade

Rouqueja nos longos céus,

De joelhos na montanha

Espero agora meu Deus!

O caminho rasgou-se: mil torrentes

Rebentam bravejando,

Rodam na espuma as rochas gigantescas

Pelo abismo tombando.

Como em noite do caos, os elementos

incandescentes lutam.

Negra — a terra, o céu — rubro, o mar — vozeia

— E as florestas escutam...

Tudo se escureceu e pela treva,

No chão sem sepultura,

Os mortos se revolvem tiritando

Na longa noite escura.

..............................................................................

Profeta escarnecido pelas turbas

Disse-lhes rindo — adeus!

Vim fitar ao clarão da tempestade

— A sombra de meu Deus!

LEMBRANÇA DE MORRER

No more! O never more!

SHELLEY

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,

Que o espírito enlaça à dor vivente,

Não derramem por mim nem uma lágrima

Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura

A flor do vale que adormece ao vento:

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto o poento caminheiro...

Como as horas de um longo pesadelo

Que se desfaz ao dobre de um sineiro...

Como o desterro de minh’alma errante,

Onde fogo insensato a consumia,

Só levo uma saudade — é desses tempos

Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade — e dessas sombras

Que eu sentia velar nas noites minhas...

E de ti, ó minha mãe! pobre coitada

Que por minhas tristezas te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,

Poucos, — bem poucos! e que não zombavam

Quando, em noites de febre endoudecido,

Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,

Se um suspiro nos seios treme ainda,

É pela virgem que sonhei!... que nunca

Aos lábios me encostou a face linda!

Ó tu, que à mocidade sonhadora

Do pálido poeta deste flores...

Se vivi... foi por ti! e de esperança

De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,

Verei cristalizar-se o sonho amigo...

Ó minha virgem dos errantes sonhos,

Filha do céu! eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário

Na floresta dos homens esquecida,

À sombra de uma cruz! e escrevam nela:

— Foi poeta, sonhou e amou na vida. —

Sombras do vale, noites da montanha,

Que minh’alma cantou e amava tanto,

Protejei o meu corpo abandonado,

E no silêncio derramai-lhe um canto!

Mas quando preludia ave d’aurora

E quando, à meia-noite, o céu repousa,

Arvoredos do bosque, abri as ramas...

Deixai a lua pratear-me a lousa!

Cuidado, leitor, ao voltar esta página!

Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico. Vamos entrar num mundo novo, terra fantástica, verdadeira ilha Baratária de D. Quixote, onde Sancho é rei e vivem Panúrgio, sir John Falstaff, Bardolph, Fígaro e o Sganarello de D. João Tenório: — a pátria dos sonhos de Cervantes e Shakespeare. Quase que depois de Ariel esbarramos em Caliban. A razão é simples. É que a unidade deste livro funda-se numa binomia: — duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco mais ou menos de poeta escreveram este livro, verdadeira medalha de duas faces. Demais, perdoem-me os poetas do tempo, isto aqui é um tema, senão mais novo, menos esgotado ao menos que o sentimentalismo tão fasbionable desde Werther até René. Por um espírito de contradição, quando os homens se vêem inundados de páginas amorosas preferem um conto de Bocaccio, uma caricatura de Rabelais, uma cena de Falstaff no Henrique IV de Shakespeare, um provérbio fantástico daquele polisson Alfredo de Musset, a todas as ternuras elegíacas dessa poesia de arremedo que anda na moda e reduz as moedas de oiro sem liga dos grandes poetas ao troco de cobre, divisível até ao extremo, dos liliputianos poetastros. Antes da Quaresma há o Carnaval. Há uma crise nos séculos como nos homens. É quando a poesia cegou deslumbrada de fitar-se no misticismo e caiu do céu sentindo exaustas as suas asas de oiro. O poeta acorda na terra. Demais, o poeta é homem: Homo sum, como dizia o célebre Romano. Vê, ouve, sente e, o que é mais, sonha de noite as belas visões palpáveis de acordado. Tem nervos, tem fibra e tem artérias — isto é, antes e depois de ser um ente idealista, é um ente que tem corpo. E, digam o que quiserem, sem esses elementos, que sou o primeiro a reconhecer muito prosaicos, não há poesia. O que acontece? Na exaustão causada pelo sentimentalismo, a alma ainda trêmula e ressoante da febre do sangue, a alma que ama e canta, porque sua vida é amor e canto, o que pode senão fazer o poema dos amores da vida real? Poema talvez novo, mas que encerra em si muita verdade e muita natureza, e que sem ser obsceno pode ser erótico, sem ser monótono. Digam e creiam o que quiserem: — todo o vaporoso da visão abstrata não interessa tanto como a realidade formosa da bela mulher a quem amamos. O poema então começa pelos últimos crepúsculos do misticismo, brilhando sobre a vida como a tarde sobre a terra. A poesia puríssima banha com seu reflexo ideal a beleza sensível e nua. Depois a doença da vida, que não dá ao mundo objetivo cores tão azuladas como o nome britânico de blue devils, descarna e injeta de fel cada vez mais o coração. Nos mesmos lábios onde suspirava a monodia amorosa, vem a sátira que morde. É assim. Depois dos poemas épicos, Homero escreveu o poema irônico. Goethe depois de Werther criou o Faust. Depois de Parisina e o Giaour de Byron vem o Cain e Don Juan – Don Juan que começa como Cain pelo amor e acaba como ele pela descrença venenosa e sarcástica. Agora basta. Ficarás tão adiantado agora, meu leitor, como se não lesses essas páginas, destinadas a não serem lidas. Deus me perdoe! assim é tudo!... até prefácios!