
Por definição, Apoptose ou Morte Celular Programada é um tipo de "autodestruição celular" que requer energia e síntese protéica para a sua execução. Está relacionado com a homeostase na regulação fisiológica do tamanho dos tecidos, exercendo um papel oposto ao da mitose. O termo é derivado do grego "apoptwsiz", que referia-se à queda das folhas das árvores no outono - um exemplo de morte programada fisiológica e apropriada que também implica em renovação.
Fisiologicamente, esse suicídio celular ocorre no desenvolvimento embrionário, na organogênese, na renovação de células epiteliais e hematopoiéticas, na involução cíclica dos órgãos reprodutivos da mulher, na atrofia induzida pela remoção de fatores de crescimento ou hormônios, na involução de alguns órgãos e ainda na regressão de tumores. Portanto consiste em um tipo de morte programada, desejável e necessária que participa na formação dos órgãos e que persiste em alguns sistemas adultos como a pele e o sistema imunológico.

Seqüência de eventos na apoptose. Através de um mecanismo ainda desconhecido, o estímulo apoptótico ativa a expressão de "genes letais" que induzirão a síntese e ativação de uma endonuclease Ca+2 e Mg+2 dependente e de uma transglutaminase. A endonuclease causará a fragmentação internucleossômica do DNA, levando ao clássico "padrão em escada" na eletroforese em gel de agarose. A transglutaminase aumenta as ligações cruzadas das proteínas celulares, aumentando a estabilidade da membrana plasmática, limitando assim o vazamento de constituintes citoplasmáticos durante a fragmentação celular em corpos apoptóticos.
-Apoptose Fisiológica
-Membranas interdigitais
-Desenvolvimento da mucosa intestinal
-Fusão do palato
-Involução normal de tecidos hormônio-dependentes
-Atresia folicular ovariana
-Leucócitos
-Maturação linfóide e prevenção de autoimunidade
-Citotoxidade
A apoptose é um processo rápido, que se completa em aproximadamente 3 horas e não é sincronizado por todo o órgão, portanto diferentes estágios de apoptose coexistem em diversas secções dos tecidos. Devido à taxa rápida de destruição celular é necessário que apenas 2 a 3% das células estejam em apoptose em determinado momento para que se obtenha uma regressão substancial de tecido, atingindo mesmo a proporção de 25% por dia
| Características |
APOPTOSE
Morte Celular Programada |
NECROSE
Morte Celular Acidental |
| Estímulo
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Fisiológico (Ativação
de um relógio bioquímico, geneticamente regulado) ou patológico. |
Patológico (Agressão
ou ambiente hostil).
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| Ocorrência
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Acomete células
individuais, de maneira assincrônica. Eliminação
seletiva de células. |
Acomete um grupo de células.
Fenômeno degenerativo, conseqüência de lesão
celular severa e irreversível. |
| Reversibilidade |
Irreversível, depois
da ativação da endonuclease.
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Irreversível, após
o "ponto de não retorno"- Deposição de material
floculento e amorfo na matriz mitocondrial. |
| Ativação
da Endonuclease |
Sim, aparentemente Ca+2
e Mg+2 dependente, peso molecular varia entre 12 e 32 Kilodaltons. |
Não. |
| Morfologia:
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Perda (precoce). |
Perda (tardia). |
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Tumefação
tardia.
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Tumefação
precoce. |
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Ausente. |
Presente. |
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Convolução
e fragmentação da membrana nuclear (cariorrexe). |
Desaparecimento (picnose,
cariorrexe e cariólise). |
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Compactação
em massas densas uniformes, alinhadas no lado interno da membrana nuclear
(Crescentes). |
Formação
de grumos grosseiros e de limites imprecisos.
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Presente, antes mesmo da
lise celular ("Canibalismo celular"). |
Ausente - Macrofagocitose
pode ocorrer, após a lise celular. |
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Ausente. Não há
liberação de componentes celulares para o espaço
extracelular. |
Presente, induzida pela
liberação de componentes celulares para o espaço
extracelular. |
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Ausente. |
Pode ocorrer, se a área
de necrose for ampla. |
| Fragmentação
do DNA |
Internucleossômica,
detectável em 1 ou 2 horas (máxima em 24 horas). Processo
de "tudo ou nada ", de curta duração. |
Aleatória. |
| Padrão na Eletroforese
do DNA em gel Agarose |
Em fragmentos com 180-200
pares de base ou múltiplo integrais, produzindo o típico
"Padrão em escada ". |
" Padrão em esfregaço". |

Microscopicamente ocorre fragmentação nuclear e celular em vesículas apoptóticas. Diferente da necrose, não existe liberação do conteúdo celular para o interstício e portanto não se observa inflamação ao redor da célula morta. Outro fato importante é a fragmentação internucleossômica do DNA, sem nenhuma especificidade de seqüência, porém mais intensamente na cromatina em configuração aberta; conseqüência da atividade de uma endonuclease.
Essa fragmentação característica do genoma pode ser identificada in situ pela técnica de TUNEL (Terminal deoxinucleotidil transferase Uracil Nick End Labeling). Pode ser também facilmente visualizada laboratorialmente pela eletroforese do DNA em gel de agarose, produzindo o clássico "padrão em escada", com a formação de bandas contendo múltiplos de 180-200 pb
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Imunodeficiência dos Símios Leucemia Felina a vírus Imunodeficiência Felina a vírus Doença Infecciosa da Bolsa de Fabricio Doença de Newcastle |
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A necrose difere da apoptose por representar um fenômeno degenerativo irreversível, causado por um agressão intensa. Trata-se pois da degradação progressiva das estruturas celulares sempre que existam agressões ambientais severas
É interessante salientar que o mesmo agente etiológico pode provocar tanto necrose quanto apoptose; sendo que a severidade da agressão parece ser o fator determinante do tipo de morte celular. Vários agentes etiológicos já foram confirmados como indutores de apoptose, entre eles diversas viroses, isquemia, hipertermia e várias toxinas
Evidências recentes suportam o conceito de que o crescimento tumoral "in vivo" depende da evasão dos mecanismos homeostáticos de controle que operam via indução de morte celular por apoptose. A indução de apoptose seja através de mecanismos imunológicos, seja por outros mecanismos homeostáticos específicos, parece ser extremamente importante no processo de eliminação de células sofrendo transformação maligna. Danos não reparáveis no DNA (por mutações ou infecções virais) aparentemente iniciam o processo de apoptose. É importante salientar que muitos dos genes que condicionam a proliferação celular (chamados oncogenes e genes supressores de tumores) estão também envolvidos na iniciação do processo de apoptose e que a inibição por si só do processo fisiológico da apoptose leva à sobrevivência prolongada das células, favorecendo o acúmulo de mutações e a transformação maligna. Assim, a apoptose representa um mecanismo de eliminação seletiva de células cuja sobrevivência poderia prejudicar o bem estar do organismo.
Fonte: www.icb.ufmg.br