Escolher uma profissão não é uma tarefa fácil. A tomada de decisão é sempre cercada de dúvidas, emoções e influências. Nessa hora, você precisa pesar cada opinião, desejo e vocação para fazer a escolha certa.
Nunca desconsidere as pressões familiares, elas são inevitáveis. Afinal, seguir a profissão do pai e manter a tradição familiar ou ser o "primeiro médico na família" é o sonho de muitos lares. Nada de errado, desde que lhe respeitem e que isto se encaixe em seus planos.
Outra base de influência são os amigos. Fazer uma faculdade para manter o grupo de colegas da escola unido ou espelhar-se no sucesso de um amigo mais velho que já está na faculdade é bem comum. Nesta hora, você precisa parar e analisar se o que é bom neste modelo é adequado para você e seus anseios profissionais. Para descobrir isso, converse muito. Fale com amigos, sua família, seus professores, profissionais da área. Com essa "bagagem", você terá condições de tomar uma decisão mais tranqüila e com maiores chances de acerto.
O mercado e as perspectivas de futuro crescimento também têm que ser levadas em conta. Muitas carreiras têm grande oferta de profissionais e fraca demanda de vagas, provocando altos índices de desemprego. Além disso, a avaliação das "profissões do momento e do futuro" podem abrir seus olhos para opções até então desvalorizadas.
O fator "grana" também pesa muito nesta hora. Se você tem que trabalhar e estudar ao mesmo tempo, o sonho de ser médico (ou qualquer carreira que exija curso de período integral) terá que ser descartado.
A seguir, descubra suas habilidades e interesses. Interesse é aquilo que desperta em você atração, curiosidade e motivação. Em outras palavras, é aquilo que te dá "tesão" em fazer.
Já habilidade é a demonstração prática do interesse. A habilidade de se relacionar com pessoas, manipular dados e informações ou ter "intimidade" com máquinas de tecnologia avançada indicam um caminho que pode ser seguido.
Se a dúvida persistir depois de pesar com ponderação todas as influências, descobrir seus interesses e habilidades e conversar com os mais próximos, não hesite em procurar um psicólogo ou um orientador vocacional. Eles têm ferramentas apropriadas para identificar habilidades e interesses que estejam claramente presentes, além daqueles "adormecidos" que podem fazer você "pagar para ver".
Seguir uma carreira tradicional ou apostar em alguma profissão que esteja despontando é outra dúvida freqüente. Uma carreira tradicional tem como vantagem trilhar um caminho mais conhecido. Mas a disputa por uma vaga nas faculdades e no mercado de trabalho é bem mais acirrada. Excesso de profissionais em determinadas carreiras muitas vezes obrigam a adaptação profissional como médico trabalhando em laboratórios farmacêuticos ou engenheiros em áreas administrativas.
Já as oportunidades de trabalho nas carreiras emergentes tendem a ser maiores. A chegada da "nova economia" (cultura, lazer, entretenimento, saúde, qualidade de vida, Internet) trouxe mais glamour a cursos não tradicionais como turismo, hotelaria, fisioterapia e educação física. Desta adequação surgiram novas e rentáveis atividades como webdesign, parques temáticos, gastronomia e personal training.
A mescla de atividades tradicionais com as da nova economia também geram oportunidades de trabalho. Jornalistas atuam como gestores de conteúdo nas empresas de Internet e biologistas passam a ser biotecnólogos desenvolvendo produtos e tecnologia que vão desde a clonagem de animais à sementes modificadas geneticamente.
Carreira escolhida e vestibular feito, as aulas começam e você descobre que o curso não tem nada a ver com você. Aí vem o dilema: acabar o curso que já começou, só para tentar aproveitar o tempo ou dinheiro já investidos? Pode ser, desde que você não se violente com isso. Caso contrário, pare e refaça o caminho. Mesmo que seja para mudar de Medicina para Letras ou de Engenharia para Turismo. Não faz sentido ir em frente para ser infeliz. E se não acertar desta segunda vez, tente a terceira.
Também não se esqueça de desenvolver e aprimorar suas habilidades realizando cursos e treinamentos. Esta ação pode melhorar as suas chances na hora de ingressar no competitivo mercado de trabalho.
Correndo sempre o risco de generalizar, tudo isso diz respeito a você.
Faça o balanço do que leu até agora e tome sua decisão com um grande objetivo: SER FELIZ, pessoal, profissional e financeiramente, se possível os três.
Luiz Carlos de Q. Cabrera
Luiz Alberto Franco Bueno
Fonte: Aprendiz