A acupuntura tem sido utilizada para o tratamento de distúrbios neurológicos em cães. Normalmente, a eutanásia é indicada em casos de distúrbios neurológicos com conseqüente paralisia de membros posteriores como seqüela de cinomose. Numa tese de mestrado realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), 52 cães acometidos de paralisia de membros posteriores e conseqüente paralisia de membros posteriores, causadas pela cinomose, foram divididos aleatoriamente em três grupos, após uma avaliação neurológica completa.
Destes, 17 cães foram tratados convencionalmente de acordo com a medicina ocidental, incluindo antibióticos, complexos vitamínicos e corticosteróides, quando necessário. Outros 18 cães foram tratados com acupuntura, sem nenhuma estimulação elétrica, e 17 cães não receberam tratamento algum. O tratamento com acupuntura foi realizado semanalmente durante o período de quatro semanas, ao final do qual um novo exame neurológico foi realizado e por meio de escore, comparado ao exame inicial, para análise estatística do efeito dos tratamentos nos diferentes grupos.
Considerou-se cura quando os animais eram capazes de andar novamente e ter uma vida normal, sem se observar seqüelas, tais como incontinência fecal ou urinária e outras. A cura foi observada em nove cães tratados com acupuntura, em apenas um dos cães tratados convencionalmente e em nenhum cão não tratado. Todos os cães tratados com acupuntura sobreviveram, enquanto que três cães tratados convencionalmente e cinco cães não tratados apresentaram óbito neste período de avaliação, demonstrando que o tratamento com acupuntura em pontos pré-estabelecidos apresentou bons resultados para o tratamento de distúrbios neurológicos produzidos pela cinomose em cães.
Normalmente, a prostaglandina é utilizada para indução
do abortamento em cães. Doses de 0,25 mg/kg duas vezes ao dia ou 0,1
mg/kg três vezes ao dia usualmente produzem abortamento em nove dias.
Entretanto, intensos efeitos colaterais tais como hipotermia, taquipnéia,
salivação, vômitos e convulsões são freqüentemente
observadas. A administração de 0,05 mg/kg ou 0,1 mg/kg de dinoprost
a cada 12 horas no ponto Bai Hui, localizado no espaço lombosacro,
em quatro cadelas com período de gestação entre 32 e
45 dias, induziu abortamento em todas elas, em 3,5 e 6,5 dias respectivamente.
A utilização deste mesmo produto na dose de 0,05 mg/kg a cada
12 horas em quatro cadelas com período de gestação mais
adiantado, entre 50 e 55 dias, induziu o abortamento em apenas duas cadelas
no terceiro dia de aplicação. A injeção de 1 ml
de água destilada a cada 12 horas neste mesmo acuponto, em quatro cadelas
com período de gestação entre 45 e 50 dias, não
surtiu efeito algum, já que o parto ocorreu dentro do período
previsto.
Observou-se nestes animais tratados com subdose de prostaglandina no acuponto
Baihui salivação intensa, taquipnéia e redução
da temperatura. Tais efeitos ficam mais acentuados dez minutos após
aplicação, com retorno ao normal após 30 minutos. A aplicação
de 0,1 mg/kg de prostaglandina no gradil costal produziu além dos efeitos
colaterais descritos anteriormente, vômito e defecação,
demonstrando que a injeção de subdose de prostaglandina no acuponto
Bai Hui foi efetiva para indução de abortamento em cadelas,
com a vantagem de minimizar os efeitos colaterais.
A eletroacupuntura tem sido utilizada para produzir hipoalgesia para realização de diversos procedimentos cirúrgicos nas espécies domésticas. A anestesia convencional produz depressão neurológica e cardiorrespiratória fetal e materna, levando a uma alta taxa de mortalidade neonatal. O grau de depressão neurológica e cardiorrespiratória foi avaliado em cães neonatos, após cesariana, cujas cadelas foram tranqüilizadas com levomepromazina (Neozine, Rhodia), nalbufina (Nubaim, Rhodia) e midazolam (Dormonid, Roche) e divididas em dois grupos.
Seis cadelas foram submetidas à eletroacupuntura nos pontos E36, IG4, VG1 e Bai Hui, utilizando-se estímulo elétrico até 9 v, freqüência f1 de l00 Hz e f2 de 200 Hz e em seis a indução da anestesia foi realizada com quetamina (Ketalar, Parke Davis) e a manutenção com enfluorano (Etrane, Abbott). As freqüências cardíaca e respiratória foram maiores nos filhotes de cadelas submetidas a eletroacupuntura e os reflexos neurológicos também tenderam a ser maiores nestes mesmos neonatos.
Duas de seis cadelas necessitaram uma suplementação de l a 2 mg/kg de quetamina numa ocasião durante a anestesia, demonstrando que há variação individual no tocante ao efeito analgésico e que hipoalgesia pode ocorrer ao invés de analgesia. A menor depressão neurológica e cardiorrespiratória em neonatos após cesariana é uma vantagem potencial do uso da acupuntura, quando comparado à anestesia convencional, mesmo necessitando uma complementação ocasional de fármacos para obtenção de uma analgesia satisfatória.
As concentrações séricas de anticorpos, proteína total, albumina, globulina, relação albumina/globulina, hemograma e linfócitos T e B foram mensuradas em cães vacinados contra a raiva e submetidos ou não à acupuntura nos pontos E36, IG11 e VG14. Observou-se um maior número de linfócitos nos animais tratados com acupuntura.
O efeito da acupuntura e moxabustão na resposta imuneinflamatória à picada do carrapato Rhipicephalus sanguineus foi estudada em cães e cobaios respectivamente. O uso de moxabustão prolongou a reação de hipersensibilidade tardia e reduziu o número de eosinófilos nos locais de teste de hipersensibilidade cutânea, quando comparado com cobaios não tratados. A acupuntura produziu uma redução do tamanho da reação induzida pelo teste de hipersensibilidade imediata a antígenos de carrapatos nos cães, quando comparada a animais não tratados, mostrando que tanto a moxabustão como a acupuntura interfere nas reações de hipersensibilidade.
O efeito da acupuntura na prevenção de lesões de mucosa gástrica produzidas pela indometacina (Indocid, Prodrome) foi investigado em ratos. Então, 48 ratos foram submetidos a jejum por 24 horas, tratados com indometacina e divididos em três grupos. Foram submetidos à eletroacupuntura (1 mV, 2Hz por 30 min) 16 animais, nos acupontos E36, E25 e VC12. Outros 16 foram submetidos à acupuntura sham (pontos falsos ao lado de pontos verdadeiros) e 16 não foram tratados.
Os animais foram submetidos a eutanásia seis horas após e
o estomago foi removido. A incidência de hemorragia, úlceras
e outras lesões na mucosa gástrica foi de 34,8% e 61,3% menor
nos animais tratados com acupuntura sham e acupuntura verdadeira, respectivamente,
quando comparado aos animais controle sem tratamento, demonstrando que a acupuntura
pode prevenir lesões da mucosa gástrica produzidas pela indometacina
em ratos. A incidência de distúrbios gastrintestinais em cães
é alta e os fármacos empregados para aumentar a motilidade intestinal
produzem efeitos colaterais intensos. Cinco cães foram submetidos à
eletroacupuntura (4,5 v; 5 Hz), por 30 minutos, nos pontos E36, IG4 e B25.
Os mesmos cães foram utilizados como controle, sendo submetidos à
eletroacupuntura sham (falsa) em pontos localizados ao lado dos pontos verdadeiros.
O intervalo entre a realização da eletroacupuntura verdadeira
e falsa foi de uma semana, utilizando-se uma ordem aleatória para os
tratamentos.
O tratamento foi realizado entre as 18 e 20 horas na moradia do animal, sem
alterar o manejo e o tipo e quantidade da ração oferecida. Foi
misturado óxido de cromo na ração duas horas antes do
tratamento, mensurando-se a taxa de excreção do mesmo por um
período de 60 horas. A freqüência de defecação
e a taxa de excreção de óxido de cromo foi significativamente
superior (p<0,03) em todos os cães submetidos a eletroacupuntura,
comparativamente à eletroacupuntura falsa, demonstrando que a eletroacupuntura
produz um aumento de peristaltismo em cães.
Um outro estudo confirmou os resultados acima. Seis cães anestesiados
com pentobarbital sódico foram submetidos à entubação
gástrica, seguido da administração de ferrita em pó.
Em seguida, a motilidade gástrica foi avaliada por meio do equipamento
biossusceptômetro, com o sensor posicionado na região epigástrica,
para detecção do movimento dos traçadores magnéticos
administrados pela sonda. A pressão intragástrica foi mensurada
por um tubo com balonete inserido no estomago e acoplado a um monitor de pressão.
Realizou-se acupuntura manual, seguida de eletroacupuntura nos pontos E36
e IG4. A freqüência de movimentos gástricos aumentou 23
vezes e a pressão intragástrica aumentou 53 vezes após
a acupuntura/eletroacupuntura, quando comparada aos valores basais, mostrando
que a acupuntura/eletroacupuntura pode ser utilizada com sucesso para aumentar
o peristaltismo gástrico em cães.
Fonte: www.bichoonline.com.br
...aposto que ,quando se submetem a um tratamento de canal, a única agulha que querem ver é uma injeção de novocaína. --Cecil Adams
A acupuntura é uma técnica medicinal chinesa de manipulação do chi (ch'i ou qi) para equilibrar as forças opostas do yin e yang. Supõe-se que o chi, uma suposta "energia" que permearia todas as coisas, fluiria através do corpo através de 14 caminhos principais chamados meridianos. Quando o yin e o yang estão em harmonia, o chi flui livremente pelo corpo, e a pessoa tem saúde. Quando a pessoa se sente mal, está doente ou ferida, acredita-se que haja uma obstrução do chi ao longo de um dos meridianos. A acupuntura consiste em inserir agulhas através de pontos específicos do corpo, supostamente removendo obstruções do chi prejudiciais à saúde, logo restaurando a distribuição do yin e yang. Às vezes as agulhas são giradas, aquecidas, ou mesmo estimuladas com correntes elétricas fracas, ultra-som, ou luz de certos comprimentos de onda. Mas, não importando a forma como ela seja feita, pesquisas científicas ao longo dos últimos vinte anos não conseguiram demonstrar que a acupuntura seja eficaz contra qualquer doença.
Uma das variações da acupuntura tradicional é a chamada auriculoterapia ou acupuntura auricular. É um método de diagnóstico e tratamento baseado na crença não comprovada de que a orelha seria o mapa dos órgãos do corpo. Um problema num órgão como o fígado deveria ser tratado cravando-se uma agulha num determinado ponto da orelha, que se supõe ser correspondente àquele órgão. Idéias similares, segundo as quais uma parte do corpo seria um mapa dos órgãos, são sustentadas pelos iridologistas (a íris é o mapa do corpo) e reflexologistas (o pé é o mapa do corpo). Uma variação da auriculoterapia é a grampopuntura, um método de tratamento que coloca grampos em pontos-chaves da orelha na esperança de se operar maravilhas, como ajudar as pessoas a parar de fumar. Não há nenhuma prova científica dando respaldo a qualquer dessas teorias ou práticas.
A acupuntura é usada na China há mais de 4.000 anos para aliviar dores e curar doenças. A medicina tradicional chinesa não é baseada no conhecimento da fisiologia, bioquímica, nutrição e anatomia modernas, ou qualquer dos mecanismos conhecidos de cura. Nem é baseada no conhecimento da química celular, circulação sangüínea, funções nervosas, ou na existência dos hormônios ou outras substâncias bioquímicas. Não há nenhuma correlação entre os meridianos usados na medicina tradicional chinesa e a disposição real dos órgãos e nervos no corpo humano. O National Council Against Health Fraud, Inc. (NCAHF) (agência privada, sem fins lucrativos e voluntária, com enfoque na má informação, fraude e charlatanismo na área de saúde, assim como em problemas de saúde pública) observa que, dos 46 jornais médicos publicados pela Associação Médica Chinesa, nenhum é dedicado à acupuntura ou outras práticas médicas chinesas tradicionais. Apesar disso, estima-se que algo entre 10 e 15 milhões de norte-americanos gastem aproximadamente 500 milhões de dólares por ano com acupuntura para qualquer coisa, desde aliviar dores e tratar dependência de drogas a combater a AIDS.
A escola de medicina da UCLA possui um dos maiores cursos de treinamento em acupuntura dos Estados Unidos para médicos licenciados. O programa de 200 horas prepara cerca de 600 médicos por ano. Segundo a Academia Americana de Acupuntura Médica, aproximadamente 4.000 médicos nos EUA possuem treinamento em acupuntura. *
A despeito da falta de respaldo científico, a acupuntura é usada no tratamento da depressão, alergia, asma, artrite, problemas de bexiga e rins, constipação, diarréia, resfriado, gripe, bronquite, vertigem, tabagismo, fadiga, distúrbios ginecológicos, dores de cabeça, enxaquecas, paralisia, pressão alta, TPM, ciática, disfunção sexual, stress, derrame, tendinite e problemas de visão. Assim, parece que, enquanto a China está avançando no tratamento científico da doença, muitos nos EUA e outras partes do mundo estão retrocedendo, procurando respostas metafísicas para seus problemas físicos.
Em março de 1996, o Federal Drug Administration (FDA) classificou as agulhas de acupuntura como instrumentos médicos para uso geral por profissionais treinados. Até então, as agulhas de acupuntura eram classificadas como instrumentos médicos Classe III, o que significa que sua segurança e utilidade eram tão incertas que podiam ser usadas apenas em projetos aprovados de pesquisa. Devido ao seu status "experimental", muitas companhias de seguros, assim como o Medicare e o Medicaid, tinham se recusado a cobrir a acupuntura. Essa nova designação significou a maior prática da acupuntura, assim como maior número de pesquisas sendo feitas usando agulhas. Também significou que as companhias de seguros podem não conseguir evitar ter de cobrir tratamentos inúteis ou altamente questionáveis por acupuntura para os mais variados males. Apesar disso, Wayne B. Jonas, diretor do Escritório de Medicina Alternativa do Instituto Nacional de Saúde, em Bethesda, MD, afirmou que a reclassificação das agulhas de acupuntura é "uma decisão muito sábia e lógica". O Escritório de Medicina Alternativa é bastante favorável (ou seja, disposto a gastar boas somas do dinheiro dos contribuintes) a novos estudos sobre a eficácia da acupuntura. No entanto, devido à natureza da mesma, o que vai ser testado nos EUA e outros países ocidentais não é a acupuntura, mas sim algo bem mais limitado. Estaremos testando a eficácia de se espetar agulhas em músculos. Se essa ação abaixar a pressão sangüínea, por exemplo, isso não será uma validação da acupuntura porque a acupuntura tradicional chinesa não é uma teoria científica, e sim metafísica, e teorias metafísicas não podem ser testadas empiricamente. De que forma uma agulha física afeta uma entidade metafísica como o chi provavelmente não vai ser um problema enfocado pelos que estiverem testando a acupuntura. Naturalmente, o lado positivo disso é que a acupuntura tradicional também não pode ser refutada. Temos uma perfeita harmonia entre a prova e a refutação: ambas são impossíveis.
Talvez a defesa mais freqüentemente oferecida pelos defensores da acupuntura, tanto no ocidente como no oriente, é a defesa pragmática: a acupuntura funciona! O que isso realmente quer dizer? Certamente não significa que cravar agulhas no corpo de alguém desbloqueie o chi. No máximo, significa que ela alivie alguma condição médica dolorosa. O NCAHF emitiu um parecer no qual afirma que "Pesquisas nos últimos vinte anos não conseguiram demonstrar que a acupuntura seja eficaz contra qualquer doença" e que "os efeitos percebidos da acupuntura se devem provavelmente a uma combinação de expectativa, sugestão, contra-irritação, reflexos condicionados e outros mecanismos psicológicos..." Em resumo, a maior parte dos efeitos benéficos percebidos na acupuntura se devem, provavelmente, ao poder da sugestão e ao efeito placebo.
A área em que os defensores da acupuntura mais comumente alegam sucesso é o controle da dor. Estudos mostraram que muitos pontos da acupuntura são mais ricos em terminações nervosas que as áreas da pele ao redor. Há algumas pesquisas que indicam que a introdução de agulhas em certos pontos afeta o sistema nervoso e estimula a produção pelo corpo de substâncias químicas analgésicas, como as endorfinas e encefalinas, e disparam a liberação de certos hormônios neurais, inclusive a serotonina. Outra teoria sugere que a acupuntura bloqueie a transmissão de impulsos dolorosos de partes do corpo ao sistema nervoso central. Essas teorias a respeito de estimulação química e bloqueio de sinais nervosos são empiricamente testáveis. São expressas nos termos da visão científica ocidental do sistema anatômico e neurológico do corpo. Mesmo assim, entretanto, a maioria das provas da eficácia da acupuntura são idênticas às da maioria das que temos para qualquer prática de saúde dita "alternativa": são puramente depoimentos. Infelizmente, para cada relato de alguém cuja dor foi aliviada pela acupuntura, há outro relato de alguém cuja dor não foi. Para algumas, o alívio é real, mas de curta duração. O tratamento é semelhante à anestesia. O paciente tem que ser auxiliado para caminhar depois, levado para casa, sente-se bem por algum tempo, então a dor retorna em um dia ou dois. Tudo o que sabemos com certeza no momento é que introduzir agulhas em pessoas em vários pontos tradicionais da acupuntura muitas vezes parece ser eficaz no alívio da dor. No entanto, a maioria dos pesquisadores da dor concordam que em 30% a 50% dos indivíduos a dor melhora por sugestão ou efeito placebo, não importando qual seja o tratamento.
Há outras dificuldades que qualquer estudo da dor encontra. Não só a medição da dor é inteiramente subjetiva como os acupunturistas avaliam o sucesso do tratamento de forma quase que inteiramente subjetiva, confiando em suas próprias observações e relatos de pacientes, ao invés de em testes objetivos de laboratório. Além disso, muitos indivíduos que confiam totalmente na acupuntura (ou toque terapêutico, reiki, iridologia, meditação, suplementos minerais, etc.) freqüentemente fazem várias mudanças em suas vidas de uma só vez, tornando assim difícil isolar os fatores causais significativos num estudo controlado.
Se estudos controlados demonstrarem que espetar agulhas em pessoas realmente ajuda mesmo os viciados em drogas ou cura a AIDS, será que os acupunturistas poderão cantar vitória? Será que dirão que o chi flui pelos mesmos caminhos que o sangue e os impulsos nervosos, que existe um universo paralelo ao físico, um tipo de harmonia pré estabelecida entre chi/yin/yang e o corpo físico? Teoricamente, o que quer que seja demonstrado com relação à liberação de endorfinas, por exemplo, pode ser também atribuído ao chi, a despeito da inutilidade e do caráter supérfluo dessa teoria. Mas, e se for constatado que espetar agulhas nas pessoas não reduz a pressão alta ou cura a bronquite? Isso será considerado prova de que o chi é uma quimera?
Alguns dos estudos da acupuntura apoiados pelo Escritório de Medicina Alternativa dos Institutos Nacionais de Saúde tentam imitar os estudos tradicionais com grupos de controle, mas nenhum estudo controlado pode testar a presença do chi, yin, yang, ou qualquer outra entidade metafísica. Foram tentados alguns estudos em que pacientes eram aleatoriamente divididos entre os que iriam receber tratamento com acupuntura e os que receberiam "acupuntura simulada". Esse último tratamento consistia na inserção de agulhas de acupuntura em pontos "errados" (ou seja, nenhum dos 500 pontos tradicionais). Parece muito ingênuo comparar pessoas espetadas com uma agulha num ponto "certo" contra um ponto "errado", a não ser que já se saiba que espetar as pessoas possa ajudar a aliviar a dor e que só se esteja tentando encontrar o lugar correto para espetá-las. Os pontos falsos foram considerados análogos a um tratamento placebo, mas será que são mesmo? Se resultados melhores forem atingidos espetando-se os pontos tradicionais, isso confirma a acupuntura tradicional? Claro que não. O que um resultado como esse mostra é que após 4.000 anos os chineses descobriram os melhores lugares a serem cravados para se aliviar a dor, etc. Mas nenhum estudo como esses revelará se o chi foi desbloqueado, ou se o yin e yang estão em desarmonia. Estudos de controle usando medições objetivas de sucesso no tratamento podem determinar, no entanto, quanto do sucesso da acupuntura se deve a nada mais que a avaliação subjetiva pelas partes interessadas. Esses estudos poderiam também determinar se qualquer efeito da acupuntura é de curto ou longo prazo.
Para concluir, será que se está fazendo algum mal às pessoas que se submetem à acupuntura? Bem, além daquelas que não estão sendo tratadas de doenças e lesões que a medicina moderna poderia tratar eficazmente, há alguns outros riscos. Têm havido relatos de perfurações de pulmão ou bexiga, agulhas quebradas, e reações alérgicas a agulhas contendo substâncias outras que não o aço cirúrgico. A acupuntura pode ser prejudicial ao feto no início da gestação, já que pode estimular a produção do hormônio adrenocorticotrópico (ACTH) e da oxitocina que afeta o parto. E, é claro, há sempre a possibilidade da infecção por agulhas não esterilizadas.
Fonte: skepdic.com
Conhecida e desenvolvida pelos chineses em tempos remotos, tornou-se hoje uma opção a mais de terapia, em que o profissional, além de adquirir novos conhecimentos, encontra um campo aberto a novas pesquisas na área de Saúde.
A acupuntura tem se destacado devido ao grande número de trabalhos científicos publicados recentemente, que muito têm contribuído para a sua compreensão. Um grande número de profissionais já aderiram à prática, em razão da sua eficácia. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cada ano são realizados de 9 a 12 milhões de tratamentos por meio da Acupuntura, segundo estimativa da FDA (Food and Drug Administration).
Por Acupuntura entende-se o conjunto de conhecimentos teórico-empíricos que visa à terapia e à cura das doenças através de aplicação de agulhas e de moxas, além de outras técnicas. Visando estimular a sua prática, a própria OMS, através de seu diretor geral, em 1990, na França, oficializou amplo apoio à Acupuntura. No Brasil, desde 1995, o Conselho Federal de Medicina reconheceu a acupuntura como uma especialidade.
Acredita-se que a Acupuntura já era conhecida e praticada na Idade da Pedra. Achados arqueológicos em várias partes da China confirmam essa hipótese; junto a outros instrumentos de cura, foram encontradas agulha de pedra, que eram diferentes das de costura. A sua prática desenvolveu-se como um segredo de família, transmitida somente aos membros pertencentes ao clã, até a época do legendário Imperador Amarelo, tendo sido escrito em vinte e quatro volumes o Nei-Ching, o primeiro livro que tratou detalhadamente da Acupuntura. À partir de então, a técnica foi aperfeiçoada, e as agulhas, inicialmente de pedra, hoje são fabricadas com ligas de prata, ouro e aço inoxidável.
No ocidente, as primeiras referências à Acupuntura chegaram através dos missionários jesuítas, sendo que os seus relatos, apesar de serem interessantes, eram vagos. Somente em 1928, pela publicação do relato de Soulié de Morant, de forma completa e acurada, pôde-se dispor de um tratado que, pelo seu conteúdo, serve de referência até os dias de hoje.
A Acupuntura consiste, conforme indica a origem da palavra (acus: agulha; punctura: punctura), na inserção, na profundidade de alguns milímetros, de agulhas finas, em pontos da pele especificamente determinados, em diferentes direções, dependendo da localização do ponto e do objetivo a ser alcançado, sendo deixadas por um determinado período de tempo e depois removidas.
São linhas onde existem pontos distribuídos (pontos de acupuntura),
que são associados a órgãos internos, e que se prolongam
pelas partes principais do corpo e terminam nas pontas dos dedos das mãos
ou dos pés. Na verdade, trata-se de um sistema de canais imateriais,
no conceito dos chineses.
De uma maneira bem simplista, pode-se dizer que a prática da Acupuntura,
prevenindo ou curando certas doenças, consiste na aplicação
de agulhas em pontos (pontos de acupuntura) localizados nos meridianos, visando
a tonificação ou sedação dos mesmos.
É mais utilizada na analgesia dentária ou como complemento da anestesia. Há indicações eficazes, porém menos difundidas, como auxiliar na mobilidade dentária, correção ortodôntica e doença periodontal, bruxismo, ansiedade da cadeira do dentista e outros narrados pela literatura internacional. A acupuntura é útil também para analgesia pós-procedimentos odontológicos, fato comprovado cientificamente por estudos internacionais, à partir de resultado do "NIH Acupuncture Consensus Conference".
A acupuntura substitui os tratamentos tradicionais?
Não. O seu papel é auxiliar, complementar ou otimizar o tratamento.
Ela não tem nenhuma pretensão de substituir nada.
Pode ser de grande valia a indicação da acupuntura para o paciente ansioso, estressado e com fobia ao tratamento odontológico, assim como para pacientes hipertensos e portadores de doenças sistêmicas, possibilitando um atendimento menos traumático. Nos casos de cirurgia, esse condicionamento prévio pode resultar numa melhor condição de hemostasia e num pós-peratório mais tranqüilo.
A analgesia tem sido descrita como uma aplicação das mais utilizadas, tanto em procedimentos de Dentística, Endodontia, Periodontia e em Cirurgia, sendo um procedimento menos traumático que a anestesia convencional.
A Acupuntura pode ser coadjuvante no tratamento da disfunção da ATM (articulação têmporo-mandibular), do trismo, bruxismo, além de outras sintomatologias mastigatórias miofasciais. É de grande valia a efetividade no controle da dor nesses casos.
O controle da dor no período pós-cirúrgico possibilita ao paciente um certo grau de conforto, além de um menor consumo de medicamentos. Pacientes que passaram por radioterapia na região de cabeça e pescoço também podem se beneficiar com o uso da Acupuntura.
Como pode ser observado, existem várias indicações odontológicas para o uso da Acupuntura, que vão sendo aos poucos incorporadas à prática clínica, de acordo com a sua comprovação científica.
Fonte: odontologika.uol.com.br
A Acupuntura é uma terapêutica milenar que utiliza agulhas, moxas e outros instrumentos para liberar substâncias químicas no organismo com efeito analgésico e/ou antiinflamatório e assim, aliviar dor e outros sintomas decorrentes de determinadas doenças.
A denominação Acupuntura é atribuída a um jesuíta europeu no século XVII que adaptou os termos chineses Zhen Jiu, juntando as palavras latinas Acum (que significa agulha) e Punctum (picada ou punção). A tradução literal, no entanto, é bem diferente. O correto seria Zhen (agulha) e Jiu (moxa). A moxa ou mogusa (termo de origem japonesa) é confeccionada com as folhas secas da planta Artemisia sinensis, usada na moxibustão, ou seja, queima de pequenas porções desse vegetal associada ao tratamento com as agulhas.
A acupuntura é um método terapêutico antigo, utilizado há aproximadamente 5000 anos no oriente. Foi criada na China, sendo mais tarde incorporada ao arsenal terapêutico da medicina em outros países orientais como o Japão, Coréia e Vietnã.
Achados arqueológicos da Dinastia Shang (1.766 - 1123 AC) incluíam até agulhas de acupuntura e carapaças de tartarugas e ossos, nos quais estavam gravadas discussões sobre patologia médica. Mas o primeiro texto médico conhecido e ainda utilizado pela Medicina Tradicional Chinesa é o Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo (Nei Jing Su Wen), escrito na forma de diálogo entre o lendário Imperador Amarelo (Hwang-Ti) e seu ministro, Qi Bha, sobre os assuntos da medicina, segundo alguns autores durante a Dinastia Chou (1122 – 256 AC). Outros textos clássicos surgiram posteriormente, entre eles a Discussão das Doenças Causadas pelo Frio, O Clássico sobre o Pulso, O Clássico das Dificuldades (Nan Ching) e o Clássico sobre Sistematização da Acupuntura e Moxa.
A palavra acupuntura origina-se do latim, sendo que acus significa agulha e punctura significa puncionar. A acupuntura se refere, portanto, à inserção de agulhas através da pele nos tecidos subjacentes em diferentes profundidades e em pontos estratégicos do corpo para produzir o efeito terapêutico desejado. Mas, na verdade, acupuntura é uma tradução incompleta da palavra chinesa Jin Huo (ou Tsen Tsio) que significa metal e fogo. Para tornar uma longa história curta: os pontos de acupuntura distribuídos pelo corpo podem ser puncionados com agulhas ou aquecidos com o calor produzido pela queima da erva Artemisia vulgaris, (mais conhecida como moxa ou moxabustão). Podem ainda ser estimulados por ventosas, pressão, estímulos elétricos e, mais recentemente, lasers. Acupuntura e moxabustão fazem parte da chamada Medicina Tradicional Chinesa que inclui ainda uma fitoterapia bastante sofisticada.
Os chineses, ao longo destes milhares de anos, descreveram cerca de 1.000 pontos de acupuntura, dos quais 365 foram classificados em catorze grupos principais. Todos os pontos que pertencem a um dos grupos são ligados por uma linha imaginária na superfície do corpo denominada meridiano. Os doze meridianos principais controlam o pulmão, o intestino grosso, o estômago, o baço, o coração, o intestino delgado, a bexiga, o rim, o pericárdio, o “triplo-aquecedor”, a vesícula e o fígado. Existem também dois meridianos localizados no centro do corpo, um que passa pela frente e outro pelas costas. Todos os pontos de acupuntura ao longo destes meridianos afetam o órgão mencionado, mas não necessariamente da mesma maneira. Para os chineses tradicionais, nosso organismo é formado de matéria e energia e é justamente a parte energética, a força vital ou Chi que circularia nestes meridianos e todas as doenças seriam conseqüentes a um distúrbio da circulação do Chi. Embora este conceito tenha norteado a prática da acupuntura ao longo destes milhares de anos é um pouco metafísico demais para ser compreendido e aceito pelo mundo científico atual.
Evidências científicas acumulam-se acerca da eficácia da acupuntura, e a intimidade de seu mecanismo de ação está sendo pesquisada em muitos centros médicos do mundo, incluindo Escolas Médicas e Hospitais Universitários na China e no nosso próprio país. No Brasil, a acupuntura foi recentemente considerada uma especialidade médica pelo conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), tendo sido realizado, em outubro de 1999, o primeiro concurso para o Título de Especialista em Acupuntura, no qual mais de 800 médicos foram aprovados.
No Ocidente, a acupuntura ganhou credibilidade principalmente por seu efeito no alívio da dor, seja ela de várias origens. Esta é uma das razões para a ênfase atual da pesquisa no estudo dos mecanismos analgésicos da acupuntura. O foco de atenção tem sido o papel dos opióides endógenos neste mecanismo. Ao longo de sua evolução, o cérebro desenvolveu sistemas complexos de modulação (aumentar ou diminuir) da percepção da dor. Em especial o sistema opióide (semelhante à morfina) e o sistema não opióide de analgesia (os neurotransmissores) suprimem a percepção da dor, enquanto que o sistema antiopióide (por ex., colecistoquinina) trabalha contra a analgesia opióide. Opióides são liberados durante acupuntura e a administração prévia de naloxona (droga bloqueadora que reverte os efeitos da heroína, morfina e de outras drogas semelhantes) anula o efeito da acupuntura; porém se a acupuntura for realizada previamente à administração de naloxona não há bloqueio do seu efeito. Além disto observou-se aumento da concentração de endorfinas e também de serotonina no líquido cefaloraquidiano de doentes submetidos à acupuntura.
Mas a acupuntura não causa apenas um efeito analgésico, ela provoca múltiplas respostas biológicas. Estudos em animais e humanos mostram que o estímulo por acupuntura pode ativar o hipotálamo e a glândula pituitária, resultando num amplo espectro de efeitos sistêmicos, aumento na taxa de secreção de neurotransmissores e neurohormônios, melhora do fluxo sanguíneo, e também a estimulação da função imunológica são alguns dos efeitos já demonstrados.
A Organização Mundial da Saúde lista mais de 40 doenças para as quais a acupuntura é indicada. Para os chineses tradicionais existem cerca de 300 doenças tratáveis por acupuntura, entre elas, sinusite, rinite, resfriado, faringite, amigdalite aguda, zumbido, dor no peito, palpitações, enfizema, bronquite crônica, asma brônquica, alterações menstruais, cólica menstrual, lombalgia durante a gravidez, ansiedade, depressão, insônia, mal-estar provocado pela quimioterapia, dores associadas com câncer, tendinites, fibromialgia, dores pós-cirúrgicas, síndrome complexa de dor regional, dermatites, gastrite, úlcera gástrica, úlcera duodenal, colites, diarréia, constipação, cefaléias, enxaqueca, paralisia facial, seqüelas de acidente vascular cerebral, lombalgia, ciatalgia, artrose, artrite, entre tantas outras.
A pesquisa em acupuntura é importante não apenas para elucidar os fenômenos associados ao seu mecanismo de ação mas também pelo potencial para explorar novos caminhos na fisiologia humana ainda não examinados de maneira sistemática.
Fonte: www.clinicahong.com.br