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Ioga

Ioga é uma prática ancestral de origem indiana que visa objetivos diversos, tais como auto-conhecimento, equilíbrio entre corpo e mente, saúde física e espiritual e comunhão entre o indivíduo e o todo. Há dezenas de linhas de Ioga no mundo, que propõem não necessariamente caminhos contraditórios, mas sim, diversos caminhos para alcançar os mesmos objetivos.

Mais particularmente no Brasil, mas também em Portugal e outros países, entretanto, há contrariedade e negação entre duas vertentes. Essa polémica abrange desde a própria grafia da palavra Ioga (“Ioga” é a forma aportuguesada usada por dicionários e também adotada na Wikipedia. As outras grafias propostas são “Yoga” e “Yôga”.) até suas definições, seus objetivos, suas metodologias e práticas.

Instrutora de Ioga em Eka Pada Rajakapodasana, a Postura do Pombo Real.
Instrutora de Ioga em Eka Pada Rajakapodasana, a Postura do Pombo Real.

Uma das vertentes é a do SwáSthya Yôga que tem como seu principal expoente o brasileiro Mestre DeRose. Nesta escola se usa a grafia “Yôga” e adota-se a definição: "Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi.", do próprio Mestre DeRose. O SwáSthya Yôga é ensinado apenas por instrutores formados na Universidade de Yôga.

A outra vertente abrange todas as demais linhagens, tais como Hatha Yoga, Ashtanga Vinyasa Yoga, Iyengar Yoga e etc, na grande maioria derivadas do Ioga de Pátañjali (Pátañjala Yoga). Nelas grafa-se “Yoga” e a definição mais utilizada é a encontrada nos Yoga Sutras de Pátañjali que pode ser traduzida do sânscrito por “Yoga é a cessação da agitação mental.” ou diversas outras variações. A formação de professores e instrutores dessas linhagens é livre e auto-regulamentada.

SwaSthya Yôga

"Yôga é qualquer meodologia estritamente prática que conduza ao samádhi". Esta é definição de Ioga feita pelo Mestre DeRose que completa definindo samádhi como "um estado de hiperconsciência, megalucidez, que só o Yôga proporciona". Como diz o Mestre Sérgio Santos: "Yôga é a integração consigo mesmo, com os outros seres e com o Universo".

No Brasil, o primeiro trabalho sobre Ioga foi realizado pelo Prof. Caio Miranda, inspirado na tradição teosófica.

O SwáSthya Yôga foi sistematizado na década de 60 do século XX pelo Mestre DeRose a partir do Dakshinacharatantrika-Nirísharasámkhya Yôga - um Ioga estritamente técnico. Sua prática compreende oito feixes de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá e samyama). É conhecido pela forma de execução das técnicas corporais, feitas em forma de coreografia.

Patanjala Yoga

Yoga (do devanagari da raiz sânscrita yuj), nomeia a canga que se usa para unir a junta de bois ao arar a terra, por extensão, união. Objetiva a união que é libertação: a união do eu ou consciência individual com o espírito divino interior, que recebe o nome de samadhi.

Pátañjali é a principal referência, organizando nos Yoga Sutras, em quatro capítulos, os principais aspectos da prática.

Patañjali deixa bem claro no início de sua obra a finalidade do Ioga quando no segundo trecho de seu livro Yoga Sutras, nos diz: "Yoga é a cessação das flutuações da mente". Constitui-se de uma filosofia cujo conjunto de técnicas visam o autoconhecimento do praticante. Vários são os métodos e escolas para se atingir esta meta, porém ela sempre é o referencial. As escolas mais antigas utilizam-se de métodos estritamente técnicos. As escolas mais modernas tem uma conotação tendendo mais ao espiritualismo, fruto da difusão do Vêdanta na época medieval. Desenvolveu-se ao longo da história no oriente, particularmente na Índia, e que nos dias de hoje está amplamente difundido no mundo todo, inclusive no ocidente.

Na Índia, país de origem do Ioga, Krishnamacharya (B.K.S. Iyengar, Pattabhi Jois e Desikachar), Shivananda, Swami Vivekananda e Sri Auribindo são as principais referências.

Ashtanga: os oito pilares do Yoga Clássico

Referidos como etapas, são passos que se sobrepõem à medida que se avança no caminho. O discípulo somente passa a etapa seguinte quando já dominou o precedente. São:

1 - Yama ou cinco prescrições morais

1.1 -Ahimsa ou não-violência

1.2 -Satya ou não mentir

1.3 -Asteya ou não-roubar

1.4 -Brahmacharya ou não dissipar a sexualidade

1.5 -Aparigraha ou não cobiçar

2 - Niyama ou cinco prescrições éticas

2.1 -Saucha ou limpeza

higiene corporal externa, e interna pelos "Asanas" e "Pranayamas" da mente, do intelecto, da alimentação do lugar em que se pratica ioga

2.2 -Santosha ou contentamento

2.3 -Tapas ou auto-superação esforço do corpo, da fala e da mente

2.4 -Svadhyaya ou auto-estudo

2.5 -Ishvara pranidhama ou auto-entrega

3 - Asana ou posições psicofísicas

4 - Pranayama ou expansão (ayama) da força vital (prána) através de exercícios respiratórios

5 - Pratyahara ou abstração dos sentidos externos

6 - Dharana ou concentração mental

7 - Dhyana ou meditação

8 - Samadhi ou estado de hiperconsciência, absorção

Fonte: pt.wikipedia.org

Ioga

Quem pratica não pode entrar na inércia, pois o ideal é permanecer calmamente ativo e ativamente calmo, num equilíbrio total de energias e junção dos opostos.

Ioga - Imagem Ilustrativa

A filosofia e a prática da Ioga vem da Índia e remonta de 8000 anos a.C.. Ela significa basicamente união: a reunião dos nossos aspectos físicos, emocionais e espirituais. Não traz apenas o bem estar do corpo, mas busca um caminho em direção a um sentido de vida mais profundo, unindo o físico ao espiritual.

No antigo idioma sânscrito, os alongamentos ou posturas de Ioga são chamados de Asanas,

que significa sentar-se ou manter-se em uma posição específica silenciosamente. Diz-se que os Asanas trazem serenidade, estabilidade, tranqüilidade, felicidade e força.

Os Asanas da Ioga, podem ajudar muito os seus praticantes, fortalecendo fisicamente e atuando em vários sistemas do corpo, como o digestivo, o endócrino, o respiratório, o circulatório, o nervoso, e imunológico, além de equilibrar toda a parte emocional e harmonizar a mente e o corpo. Você encontrará condições para manter-se calma, alerta, e capaz de concentração. Fazendo Ioga regularmente você ficará surpresa ao ver como estes alongamentos (que parecem simples) são realmente poderosos.

Você deverá fazer as aulas semanais e também aproveitar alguns momentos do seu dia para realizar algumas posições que poderão lhe trazer um enorme bem estar, como por exemplo: ao acordar, no trânsito, no escritório, antes e depois das reuniões, antes de dormir, sempre que sentir necessidade.

Podem praticar todos os tipos de alunos, desde aqueles que querem fugir do estresse do dia-a-dia até atletas profissionais, buscando o aperfeiçoamento da sua performance. Experimente e veja os resultados.

Fonte: www1.uol.com.br

Ioga

Comprovado: Ioga emagrece!

Pense nas atividades físicas que podem ajudá-la a perder os quilinhos a mais. Caminhada, corrida, natação? Ok, elas são boas aliadas. Mas aposto como você nunca imaginou que a ioga pudesse fazer parte dessa lista. Pois saiba que está provado que a prática indiana, que surgiu há cerca de 5 mil anos, atua no controle da ansiedade, a bandida que faz você devorar uma caixa de bombons enquanto aguarda o telefonema do gato que conheceu naquela festa.

Apesar de nem todos os benefícios da ioga terem sido estudados por médicos e cientistas, professores e praticantes não se cansam de alardear, por exemplo, que a atividade estimula o metabolismo e regulariza a produção de hormônios. “Os asanas (posturas) fazem uma espécie de massagem na tireóide e a estimulação dessa glândula tende a provocar o emagrecimento”, diz Fernanda Neis, professora da Universidade de Yôga, em São Paulo (SP). Além disso, a queima de caloria não pode ser desprezada quando se trata dos estilos mais vigorosos.

“Estima-se que sejam gastas 500 calorias em uma hora de power yoga, quantia semelhante a uma aula de step mais puxada, para alunas avançadas”, diz Andrea Loschiavo, 28 anos, professora de ioga da academia Life Sport, em São Paulo (SP). Já os estilos mais suaves, como a hatha yoga, provocam a queima de 225 calorias, pouco menos do que uma caminhada em ritmo acelerado (350 calorias).

Mais autocontrole

Andrea se apaixonou pela prática indiana há um ano, quando fazia faculdade de educação física, e resolveu se especializar para poder dar aulas. “Emagreci 3 quilos com a ioga. Nunca imaginei que isso aconteceria”, conta. Ela atribui a perda de peso a um maior controle emocional. “Comia direito nas refeições, mas atacava chocolate à tarde e à noite. Quanto maior a correria do meu dia, mais me descontrolava e descontava nos doces. A ioga me deixou mais equilibrada e resistente à gula”, diz.

A designer de jóias Renata Rea Knese, 30 anos, passou por uma experiência parecida. Sem esforço, eliminou 3 quilos desde que começou a praticar ioga duas vezes por semana. “Minha ansiedade diminuiu muito”, diz Renata, que procurava ser disciplinada à mesa, mas nem sempre conseguia se controlar. “Às sextas-feiras, janto fora, e quando faço ioga antes de sair, como apenas o necessário para não sentir fome, por melhor que seja o restaurante. Hoje, não busco um prazer exagerado na comida”, diz. A designer, que nunca foi sedentária — ela pratica dança e caminhada — está feliz também com a tonicidade muscular conquistada. “Meu corpo ficou mais durinho e bonito.”

Ansiedade dominada

Renata não estava sozinha: quem nunca se pegou comendo sem fome? “A ansiedade faz com que a gente exegere na comida”, explica Marcos Rojo, professor de educação física da Universidade de São Paulo (USP), especializado em ioga pela escola Kaivalyadhama, na Índia, e coordenador do curso de pós-graduação de ioga da Faculdades Metropolitanas Unidas (UniFMU), em São Paulo. Na opinião de Rojo, a correria, os muitos compromissos e atividades e o excesso de estímulos da vida moderna podem gerar insatisfação, descontada à mesa. “É fácil encontrar prazer comendo”, diz.

Rojo lembra também o quanto pode ser frustrante fazer um esforço físico intenso e repor as calorias queimadas num piscar de olhos. “Uma hora de caminhada na esteira queima por volta de 350 calorias e basta uma fatia de torta com creme para você ganhar tudo de novo”, fala Rojo, que acredita que os exercícios muito intensos podem causar ainda mais agitação mental. “A ginástica ajuda a emagrecer porque queima calorias, mas o controle da ansiedade só é conseguido com práticas introspectivas, que põem a aluna em contato com ela mesma, como ioga e tai chi chuan”, defende.

Para Shotaro Shimada, professor há 45 anos em São Paulo, a prática atua em um processo fundamental para o emagrecimento, que é a mudança da atitude mental. “Como a ioga não tem movimentos automatizados e exige que se mantenha as posturas e a respiração, ela acaba treinando o controle da mente, a disciplina e a concentração”, explica. Com o autocontrole desenvolvido, fica mais fácil, inclusive, mudar seus hábitos alimentares. Sabe aquele último pedaço de pizza que fica “olhando” para você? Pois não será tão difícil deixá-lo na fôrma.

Obstáculos vencidos

“A complexidade das posturas reproduz as situações do dia-a-dia”, diz Anderson Allegro, professor de power yoga, de São Paulo. Nos asanas, sempre que surge uma dificuldade — ficar em pé apoiada em uma perna só, por exemplo —, a aluna é orientada a manter a respiração fluindo normalmente. Fazendo um paralelo com a vida, quando nos deparamos com um problema, a tendência é travar a respiração, aumentando ainda mais a ansiedade. Já uma respiração completa, lenta e profunda, ajuda a apaziguar a mente. “Quem leva a prática a sério aprende a encarar os desafios de maneira estimulante, como obstáculos que podem ser superados e não como um castigo divino, o que é um pensamento comum e recorrente toda vez que somos postos contra a parede”, fala Allegro.

O caso de Vivian Casalenovo, estudante de fisioterapia, 23 anos, é prova disso. “Vivia em dieta, mas não conseguia emagrecer. Bastaram dois meses de ioga para perder 5 quilos”, conta. A explicação? “Passei a encarar melhor os desafios e a perceber que eles podem ser superados. A partir daí, resistir às guloseimas ficou mais fácil.” E então? Animada para experimentar?

Fonte: boaforma.abril.ig.com.br

IOGA

IOGA, TÉCNICA INDIANA que une exercícios, relaxamento, controle respiratório e meditação, era usada no Ocidente, até pouco tempo atrás, apenas com essas finalidades relaxar, controlar respiração e meditar. Recentemente, porém, ocorreu uma transformação significativa na maneira como o Ocidente vê a ioga. Ela se transformou num poderoso auxiliar no tratamento de doenças, com eficácia comprovada por vários estudos acadêmicos. Os três principais sites americanos de pesquisas médicas relacionam 515 estudos sobre ioga nos últimos cinco nos. Os testes clínicos mostraram que a ioga, aliada à medicina convencional, pode ter um papel importante no tratamento das seguintes doenças:

• hipertensão
• diabetes
• depressão
•asma
•artrite
•irritações no intestino
•alcoolismo

ANTEFLEXÃO COM A CABEÇA NO JOELHO
ANTEFLEXÃO COM A CABEÇA NO JOELHO (em sânscrito, parivrtta janu sirsasana) Esta posição (imagem ao centro) massageia os órgãos internos do abdome e alonga a região lombar e a parte posterior das coxas. Nesta reportagem, a professora de ioga Renata Broglia Mendes mostra algumas posições

Bem-vindo o mundo da iogaterapia. Trata-se de um exemplo de quão produtivo pode ser o encontro, sem preconceitos, da cultura ocidental com a oriental. "A ioga é minha terapia favorita, porque une meditação e atividade física", diz o cardiologista Mehmet Oz, diretor do Instituto de Doenças Cardiovasculares da Universidade Colúmbia, em Nova York. "Ela pode ser praticada mesmo por pessoas que estejam extremamente doentes". Alguns mestres indianos podem se arrepiar ao ouvir ocidentais de avental falando de ioga como quem se refere a pílulas ou injeções. Para eles, a ioga é uma imensa biblioteca de conceitos e técnicas, ou uma base de sua visão de mundo. Sim, suas diversas escolas têm como objetivo uma vida mais saudável (leia quadro na sequência da matéria). Mas sobretudo o progresso espiritual e a "paralisação dos turbilhões da mente", na definição do mais antigo tratado sobre o assunto, o Yoga Sutra, escrito por volta de 500 a.C. pelo sábio indiano Patañjali (leia quadro na sequência da matéria). Mesmo entre esses mestres indianos, no entanto, é cada vez maior a aceitação da aplicação da ioga pela medicina ocidental - desde que ela venha acompanhada de uma compreensão profunda dos princípios originais.

CONTRA A DEPRESSÃO
CONTRA A DEPRESSÃO
A professora de Filosofia Gabriela Lafetá Borges faz a "postura do guerreiro 2", no Parque da Cidade, em Brasília. "Ioga, para mim, é uma questão de sobrevivência", diz

Os médicos que usam seriamente a ioga no tratamento de doenças também enfatizam essa necessidade. "Se me perguntarem para que casos eu a indico, eu espondo: para todos", diz Cesar Devesa, pesquisador do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, centro de referência da medicina brasileira. "Mas não se trata apenas de repetir uma série de exercícios. É um tratamento holístico, que implica mudar a vida. Quando encontramos alguém com um problema cardíaco, não consideramos que seja apenas um defeito do coração. É um problema sistêmico, que se manifesta no coração." Eis o que afirma o professor de Educação Física Marcos Rojo, da Universidade de São Paulo, que fez doutorado em Ioga na Índia: "A ioga tem ambições muito maiores que curar uma dor de cabeça. Para isso, seria melhor tomar um analgésico". Os dois usam a ioga no tratamento de doentes. "Mas dentro de uma perspectiva integral", diz Devesa. "Precisamos ser honestos com a ioga."

Nunca a técnica indiana foi tão utilizada por ocidentais. Nos Estados Unidos, cerca de 15 milhões de pessoas a praticam. Celebridades como Madonna ou Sharon Stone são adeptas (leia quadro na sequência da matéria). Madonna incluiu posições de ioga na coreografia de sua turnê Re-Invention. No Brasil, a Cia Athletica, uma das maiores redes de academias do país, viu a procura pela modalidade triplicar nos últimos três anos. Desde fevereiro, as matrículas aumentaram 10% na concorente Bio ritmo. No site Submarino, o maior de venda de livros no país, há 120 títulos com as palavras "ioga" e "yoga". (Em português, os dicionários ecomendam a grafia ioga, e a palavra é um substantivo feminino. Muitos praticantes, no entanto, preferem dizer "o yôga", com circunflexo no "o" , pois em sânscrito o termo é masculino.)

Fonte: revistaepoca.globo.com

Ioga

Ele tem se popularizado cada vez mais, a ponto de conquistar inclusive as salas das academias. Entretanto, o ioga, tradição indiana de mais de cinco mil anos, tem mostrado aos praticantes que é muito mais que uma simples atividade física.

De uns tempos para cá, ele se popularizou. Ficou famoso por ganhar adeptos mundialmente conhecidos, foi tema para muitas reportagens de TV e revistas, que relataram seus benefícios para a saúde e bem-estar. Hoje, não tem quem não tenha ouvido falar no ioga. O número de praticantes aumenta a cada dia, acompanhando a proliferação de estabelecimentos que oferecem aulas da prática. Pois é, essa tradição indiana, com mais de cinco mil anos, chegou até às academias das grandes cidades ocidentais. Assim, acabou cooptando gente que mal tinha idéia do que se tratava e que, muitas vezes, procurava somente mais uma maneira de entrar em forma. Realmente o ioga também serve para isso. Mas quem experimenta sente, não só na pele, como também na mente e no coração, o poder tranqüilizante, apaziguante e até mesmo de cura que essa técnica oferece.

Naturalmente, os tipos de ioga que foram mais aceitos e difundidos desse lado de cá do Meridiano de Greenwich são aqueles ligados mais intimamente ao trabalho do corpo físico, originados no hatha yoga. "Acredito que houve mais aceitação do hatha yoga à medida que o ocidente está preocupado com o corpo e com a questão da vaidade. E também pelos benefícios na saúde, uma vez que os nossos hábitos são tão prejudiciais: a alimentação, o fumo, o sedentarismo", argumenta a universitária Julia Ventura, que pratica ioga há mais de quatro anos e está na metade do curso para se tornar instrutora. Você deve estar se perguntando: se esse tal de hatha yoga, que originou as tendências que conhecemos aqui, é o ioga do corpo, que outros tipos existem? "Todas as correntes têm o mesmo objetivo, mas o buscam de forma diferente. A base do raja yoga, por exemplo, é a meditação, você não faz nenhuma prática física. Existe também o jnana yoga, onde o meio de as pessoas entrarem em contato com Deus, com seu interior, é o intelecto. O bhakti yoga é o ioga da devoção e o karma yoga, o da ação, que constitui em servir ao próximo, que seria um pouco o que os santos faziam", esclarece a praticante, mostrando intimidade no assunto.

Todo mundo está cansado de saber dessa íntima relação do ioga com a espiritualidade. Meditação, concentração, enfim, toda aquela coisa de gente zen... Sem dúvida, muitas pessoas ainda não se aventuraram a entrar numa aula de ioga por se sentir meio fora desse mundo. O surgimento dessa prática nas academias talvez tenha sido o pontapé inicial para o rompimento dessa barreira. "Toda aula tem alguém novo, gente que não sabe nem o que é. Tem desde pessoas jovens a idosos e isso é muito legal. As pessoas procuram o ioga como uma forma de diminuir o estresse, para respirar melhor, porque fazemos muitos exercícios respiratórios, para se autoconhecerem e até mesmo por causa de dores na coluna ou alguma patologia. Médicos e outros profissionais têm receitado ioga a seus pacientes", explica Edno Serafim, professor de ioga da A!Body Tech, do Rio de Janeiro.

Mas se estamos aqui para falar de beleza, vamos direto ao ponto: a prática do ioga realmente traz resultados físicos? O analista de rede Cristiano Nunes afirma que sim, apesar de ainda ser um novato no assunto. "Eu só fiz um mês de aula, por enquanto. Mas uma coisa eu posso te garantir, é puxado! É bastante cansativo, eu saio da aula muito suado, porque você tem que ficar o tempo todo concentrado, e se concentrar desgasta, sabia? Além do que, as posições exigem força e flexibilidade", conta ele. As posições a que Cristiano se refere são os ásanas, geralmente feitos na parte central e mais longa da aula, depois do momento inicial de concentração e antes do relaxamento final. "Os ásanas são as posturas físicas e psicofísicas do ioga, que trabalham força, elasticidade, equilíbrio, postura, respiração, gerando aumento de vitalidade, fortalecimento muscular e administração do estresse", esclarece o professor Edno, que, nas aulas da A!Body Tech, costuma misturar diferentes linhas, como o power yoga, o yoga integral e o ashtanga.

Não pense você que os ásanas são como qualquer outra atividade física, tipo ginástica aeróbica, cooper ou esteira. "O mais importante é ter consciência do próprio corpo. O ioga é uma prática tridimensional, pois os ásanas precisam ser feitos com base em três fatores: posição física, respiração coordenada e atitude interior. O dia-a-dia nos causa um excesso de preocupações e quando a mente se agita é como um mar agitado, que não se consegue entrar. O ioga significa a união do corpo com a mente, criando um estado de paz e silêncio, em que a pessoa se conhece mais", frisa Edno. Não tem problema se você procurou o ioga pensando simplesmente nos benefícios estéticos que ele poderia te trazer. Você será aceita nas aulas da mesma forma, mas logo vai ver que o buraco é bem mais embaixo. "A pessoa vem para cá buscando a parte física, mas vê que o bem-estar conta mais que o aumento do tônus muscular. Porque os ásanas trabalham o nível físico, energético e emocional. Dependendo da postura, você vai estar desenvolvendo um lado emocional diferente, que pode ajudar muitas pessoas a resolver questões internas. Todo o trabalho dos ásanas é feito para que o corpo fique cansado, a mente fique absorta, abstraída e o aluno consiga sentar e meditar", explica Maria de Lourdes Alegro, professora de yoga tradicional, formada pela escola Aruna Power Yoga, em São Paulo.

Existem, hoje, mais de 100 linhas de ioga. Todas com a mesma essência, mas com características um pouco diferentes. Grande parte das aulas que vem sendo oferecidas nas academias segue a linha do power yoga, por ser mais dinâmico e vigoroso. "O power yoga e o ashtanga yoga também são práticas que forçam bastante o corpo. Você fica muito tempo em posições de força e isso não deixa de funcionar como uma malhação. As pessoas que fazem sentem o efeito", conta Julia Ventura. Entretanto, muitos professores têm preferido mesclar diversas linhas, intercalando aulas mais e menos intensas. "Eu vejo muito a necessidade dos alunos. Quando sinto que eles estão estressados, faço uma aula para relaxar. Se estão preguiçosos, dou uma aula mais energética e vigorosa. Eu utilizo várias técnicas porque acredito que assim os alunos terão a oportunidade de, aos poucos, perceberem aquilo que mais gostam. Uma pessoa muito preguiçosa e parada, por exemplo, tem que fazer o power ou o ashtanga, se não vai dormir na aula", sugere o professor Edno, que fez cursos de power, ashtanga e yoga integral, uma linha, digamos, mais espiritual e que é uma espécie de mix de diferentes técnicas, visando o aperfeiçoamento do ser.

A Julia, por exemplo, pratica yoga integral. E não é por ser menos vigoroso e mais espiritual que os efeitos são menores, não. "O ioga que eu faço também utiliza força nas posturas, mas não tanto. O que eu mais sinto é que ele traz harmonia e equilíbrio para o metabolismo do meu corpo. Você fica mais tranqüila, menos ansiosa e, conseqüentemente, começa a comer menos, porque não se descontrola na hora de se alimentar. Sua auto-estima aumenta e você passa a se cuidar mais. São coisas que se misturam. E levando para o lado mais espiritual, a pessoa começa a enxergar o corpo como um templo, que dá suporte a vida dela. E que, por isso, deve ser cuidado, não deve ser poluído com álcool, fumo e alimentos prejudiciais. Mas isso tudo na verdade é conseqüência. Conseqüência de um estado de espírito mais harmonioso", assegura Julia Ventura, concluindo que saúde também é beleza.

Fonte: www.bolsademulher.com