Biosfera é a porção da Terra onde a vida se faz presente. Envolve a crosta terrestre, as águas, a atmosfera e, hoje, sofre alterações significativas, rápidas e desastrosas, com a destruição sistemática de seus habitats e recursos naturais de que depende a comunidade planetária.
Reserva da Biosfera é um instrumento de conservação que favorece a descoberta de soluções para problemas como o desmatamento das florestas tropicais, a desertificação, a poluição atmosférica, o efeito estufa etc.
A Reserva privilegia o uso sustentável dos recursos naturais nas áreas assim protegidas. A UNESCO mantém um sistema de informações que assegura o equacionamento de seus problemas, segundo a melhor tecnologia disponível.
Cada Reserva da Biosfera é uma coleção representativa dos ecossistemas característicos da região onde se estabelece.
Terrestre ou marinha, busca otimizar a convivência homem-natureza em
projetos que se norteiam pela preservação dos ambientes significativos,
pela convivência com áreas que lhe são vizinhas, pelo
uso sustentável de seus recursos.
A Reserva é um centro de monitoramento, pesquisas, educação
ambiental e gerenciamento de ecossistemas, bem como centro de informação
e desenvolvimento profissional dos técnicos em seu manejo.
Seu gerenciamento é o trabalho conjunto de instituições governamentais, não governamentais e centros de pesquisa. Esta integração busca o atendimento às necessidades da comunidade local e o melhor relacionamento entre os seres humanos e o meio ambiente.
Esse gerenciamento se dá através do zoneamento de sua área em três categorias de uso que se interrelacionam:
1ª) zona núcleo ou zona principal, que abrange a região mais preservada de um ecossistema representativo, habitat favorável ao desenvolvimento de numerosas espécies de plantas, animais e seu cenário de convivência com seus predadores naturais.
Registra-se, aí, a ocorrência de endemismos, espécimes raros de importante valor genético e lugares de excepcional interesse científico.
Amparada sempre em proteção legal segura, só se permitirá em seus limites atividades que não prejudiquem ou alterem os processos naturais e a vida selvagem. Exemplo: a zona inatingível de um Parque ou de uma Estação Ecológica, uma Reserva Biológica ou áreas de preservação permanente;
2ª) zonas tampão ou zonas intermediárias são as que envolvem as zonas núcleos. Nelas, as atividades econômicas e o uso da terra devem garantir a integridade das zonas núcleos.
3ª) zonas de transição são as mais externas da Reserva. Nelas, incentiva-se o uso sustentado da terra e atividades de pesquisa que serão úteis à região no entorno da Reserva da Biosfera.
Seus limites não têm definição geográfica precisa porque sua demarcação se faz em conseqüência de ajustes periódicos ditados pelos conhecimentos conservacionistas, sendo conquistados na dinâmica da relação planejamento-execução das atividades econômicas características da região.
Além dessas, o zoneamento de uma Reserva da Biosfera contempla também a definição de Áreas Experimentais de Pesquisa e Áreas de Uso Tradicional, tanto nas Zonas Tampão quanto na de Transição.
As Áreas Experimentais de Pesquisa têm por finalidade a realização de experimentos que visem a obtenção das melhores formas de manejo da flora, da fauna, das áreas de produção e dos recursos naturais, bem como o incremento e a recuperação da diversidade biológica e dos processos de conservação.
As Áreas de Uso Tradicional são as que apresentam uma exploração econômica baseada em práticas tradicionais, onde são procurados manejos mais eficientes sem, contudo, adulterar seus procedimentos básicos.
Numa Reserva da Biosfera, as áreas de agricultura de subsistência permanecem como tal, buscando-se que suas práticas se adeqüem ao plano de manejo definido para todo o conjunto.
Fonte: www.unesco.org.br
Além de interferir nos ambientes através da produção de resíduos e poluentes, a humanidade tem alterado o equilíbrio dos ecossistemas, quando introduz espécies estranhas em ecossistemas naturais, ou leva inúmeras espécies à extinção. A interferência em comunidades equilibradas pode colocar em risco toda a intrincada trama de relações, que levou centenas ou milhares de anos para se estabelecer.
A expansão dos terras cultivadas e o crescimento das cidades têm levado à destruição das florestas naturais. Calcula-se que o mundo perde, todo ano, enormes extensões de florestas tropicais. As matas são derrubadas, prejudicando o solo e causando poluição atmosférica.
Os desmatamentos indiscriminados, além de levarem comunidades e espécies à extinção, têm outras graves conseqüências: a erosão e o empobrecimento do solo. A erosão é causada principalmente pelas chuvas e pelo vento que , sem a proteção da cobertura vegetal, carregam a camada fértil do solo, que se torna pobre e acidentado.
Assim como a introdução de novas espécies, a extinção também pode causar sérios distúrbios ao equilíbrio de um ecossistema. Embora o fenômeno da extinção de espécies seja comum na natureza, a extinção recente de um grande número de espécies é conseqüência da atividade humana.
A destruição de seus habitats e a caça e a pesca excessivas, denominadas caça e pesca predatórias, têm levado inúmeras espécies à extinção. O tamanho mínimo que uma população tem de atingir para não se extinguir varia de espécie para espécie. Ele depende da sua capacidade reprodutiva, da sua vulnerabilidade às influências do meio e da duração de seu ciclo vital, entre outras coisas. Das espécies que o homem caça atualmente, muitas estão ameaçadas de extinção, uma vez que suas populações já estão atingindo o limite de tamanho mínimo necessário para sua manutenção. Outras, mesmo que a caça para imediatamente, já não terão capacidade de se recuperar e, fatalmente, se extinguirão.
Fala-se que a espécie humana, por agredir a natureza, está a caminho da auto destruição. Será que corremos riscos reais de catástrofes causadas pela poluição, ou de se esgotarem as fontes de energia e outros importantes recursos naturais?
Jornais e revistas disparam informações desencontradas. A maioria dos estudiosos acredita que a humanidade se encontra muito perto de provocar danos irreparáveis ou planeta. De vez em quando, porém, alguns proclamam que os alertas dos ecologistas são exagerados e que a humanidade saberá solucionar todos os problemas que criar. Em quem acreditar?
Em primeiro lugar, é preciso ficar claro que espécie humana não pode sobreviver se não explorando os recursos do ambiente. Temos, necessariamente, de matar para viver. Ao comermos plantas e animais, deles extraímos energia e matéria-prima para nossa vida. Além disso, temos de combater as espécies que nos causam doenças (bactérias, fungos, vermes, insetos etc.) e também aquelas que competem conosco pelo alimento (parasitas e predadores de nossas lavouras e rebanhos).
A civilização moderna está voltada para uma alto consumo de energia. Atualmente , a maior parte da energia empregada nas sociedades industrializadas provém de combustíveis fósseis: carvão e petróleo.
Os combustíveis fósseis são recursos não-renováveis, isto é, que se esgotarão em um futuro relativamente próximo, e sua duração depende de como forem utilizados e economizados. Enquanto isso a humanidade precisa pesquisar formas alternativas de produção de energia.
A energia hidroelétrica é uma das formas mais "limpas" de produzir energia, mas também não deixa de produzir impacto sobre o ambiente, uma vez que é necessário desviar cursos de rios e alagar regiões para construir as usinas hidroelétricas, o que pode provocar alterações no clima e levar à extinção comunidades que habitam a região alagada.
A energia nuclear tem se revelado perigosa. Não se pode ignorar a gravidade dos acidentes nucleares, dos quais a Usina de Chernobyl, na ex-União Soviética, é o mais recente exemplo.
A produção de combustíveis renováveis, como o álcool e o biogás (metano), obtidos através da fermentação, constituem alternativas viáveis para suprir parte da demanda energética.
A energia solar e uma das maiores esperanças da humanidade. Ainda em fase de estudos, a energia solar não é utilizada em larga escala, mas as pesquisas indicam possibilidades promissoras, a médio prazo.
A natureza pode suportar a atividade exploradora do homem, desde que ele não ultrapasse certos limites. Teoricamente a humanidade pode viver em harmonia com o ambiente. O que se vê, porém, é flagrantemente o contrário: os problemas da humanidade parecem aumentar vertiginosamente, e nada parece capaz de deter a marcha da destruição do ambiente natural. Muitos ainda não se deram conta da gravidade e da extensão dos danos causados à natureza, mas, dentro de pouco tempo, a defesa do ambiente natural será uma das prioridades de todos os povos.
Teoria formulada no final dos anos 60 pelo físico inglês James Lovelock e pela microbiologista norte-americana Lynn Margulis. Afirma que as características da Terra teriam sido criadas pelos organismos vivos nela existentes, ao longo do seu processo de evolução. Para os dois cientistas, são os seres vivos que moldam o meio ambiente às suas características e criam as condições necessárias para sua sobrevivência. Desse modo, contradizem a teoria tradicional que defende o raciocínio exatamente inverso: o de que a vida teria surgido e se desenvolvido de acordo com as condições atmosféricas e climáticas.
Pela Hipótese Gaia, o planeta se comportaria como um organismo inteligente, capaz de enfrentar e superar situações ameaçadoras e recriar a harmonia. A adaptação das espécies a novas condições, a extinção de muitas delas e o surgimento de outras fazem parte desse processo de reequilíbrio. Esses mecanismos reguladores foram chamados pelos dois cientistas de Gaia, como era chamada a deusa Terra dos gregos antigos. Vem daí o nome da hipótese, que influencia fortemente o movimento ambientalista.
Fonte: www.chavedotempo.hpg.ig.com.br

A noção de Biosfera foi criada há mais de uma centena de anos atrás. Em 1875 o geólogo austríaco Edouard Zuss utilizou esse termo pela primeira vez, ao se referir aos vários invólucros do globo terrestre.
Em 1926, as conferências do mineralogista russo V.I.Vernadsky foram publicadas. Esse cientista considerou a biosfera como sendo aqueles estratos da crosta terrestre que tinham estado sob a influência dos organismos vivos por toda a história geológica. Assim, no estrato superior dos dois invólucros: na litosfera e na hidrosfera, estariam situados todos os seres vivos. Contudo, a biosfera não termina naquelas áreas não atingidas pela luz. Devido à gravidade, o fluxo de energia alonga-se mais: a partir do estrato iluminado descem incessantemente para as profundezas do oceano excrementos e organismos vivos e mortos.
Os organismos vivos penetram na litosfera em uma profundidade infinitesimal. A grande maioria deles está na camada superior do solo, a qual tem algumas dezenas de centímetros de espessura. Muito raramente algum atinge alguns metros ou algumas dezenas de metros em profundidade (raízes de plantas, vermes terrestres). Animais e bactérias podem descer a grandes profundidades (2,5-3km) utilizando fendas na crosta terrestre, minas e perfurações. O óleo que com freqüência permanece profundamente enterrado abaixo da superfície terrestre tem uma flora bacteriológica peculiar. A penetração profunda na litosfera por plantas verdes é impossível por causa da falta de luz. Os animais não encontram alimento ali, e propriedades mecânicas das rochas da litosfera também impedem nelas o desenvolvimento da vida. No mínimo, enquanto se move para baixo, dentro das entranhas da Terra, a temperatura aumenta, e à profundidade de três quilômetros ela atinge 100 C. Isto significa que à uma profundidade de mais do que três quilômetros da superfície da Terra os organismos vivos não podem existir. A partir da superfície da litosfera, os organismos vivos situam-se à uma altura desde a alguns centímetros a alguns metros. Insetos, morcegos e pássaros atingem algumas centenas de metros dentro da atmosfera. Correntes de ar ascendentes podem carregar estágios de dormência (esporos, cistos, sementes) de animais e plantas à uma altura de alguns quilômetros. Contudo, são desconhecidos organismos que passem toda a sua vida no ar, isto é, ligados a ele como seu principal ambiente.
A hidrosfera, ao contrário da atmosfera e da litosfera, é cheia de vida em toda a sua espessura. Os pesquisadores encontraram nela organismos vivos em todos os locais distantes ou profundos onde os instrumentos de coleta puderam penetrar. Então nós podemos concluir que a água líquida é mais importante como fator limitante para a presença dos organismos do que a luz.
Nas partes mais altas, a extensão da biosfera á limitada pela falta de água líquida e pela baixa pressão parcial e dióxido de carbono. Nas montanhas, plantas clorofiladas não podem viver à uma altura maior do que 6220 metros (como o Himalaia). A área montanhosa da biosfera é chamada zona eólica.
Se os fatores limitantes da biosfera são a água líquida e a luz solar, o ótimo da vida situa-se na interface dos ambientes. Pesquisas em fotossíntese mostraram que a maior produção de matéria orgânica é sempre atingida pelas plantas que sejam capazes de utilizar as três fases: sólida, líquida e gasosa. Numerosos esforços foram feitos para compreender e estimar a produção inicial da biosfera. As enormes áreas da Terra são de baixa produção em virtude de fatores limitantes como água (em desertos) ou nutrientes (em mar aberto). Embora a área terrestre seja cerca que 1/4 da área total do Globo, ela ultrapassa os oceanos em produtividade porque a maior parte das águas oceânicas é "desértica".
No mundo oceânico, os valores da produção primária diferem grandemente em diferentes regiões. Os recifes de coral são os mais produtivos, e eles são tão bons como florestas tropicais. A produtividade das áreas oceânicas abertas é menor do que a produtividade das zonas de ressurgência e do que áreas costeiras, e é próxima àquela da tundra.
Em grandes áreas marinhas, análises de avaliações de valores médios mostram que a produtividade flutua entre dois valores: de 200 a 20000 quilocalorias por metro quadrado por ano, enquanto que a produtividade média da Terra como um todo é de cerca de 1018 quilocalorias por ano.
A circulação dos elementos químicos gerais não necessita parar nos limites da biosfera para existir. Os padrões desses processos podem ser diferentes. O leito oceânico move-se lentamente para faixas orogenéticas nas partes distantes dos continentes. O cálcio retorna à terra. Aparentemente a circulação só é terminada após algumas centenas de milhões de anos. Sabe-se que a circulação do fósforo é como a circulação do cálcio, e a circulação do nitrogênio é semelhante à do carbono, embora haja mais nitrogênio na atmosfera.
Em várias áreas da biosfera o desenvolvimento da vida é limitado por diferentes substâncias. Podemos dizer que nos desertos a vida é limitada pela falta do hidrogênio e do oxigênio que formam a água. Em mar aberto, o ferro é freqüentemente um fator limitante. O ferro em geral existe como hidróxido de ferro, que é inacessível para os organismos. Em outras circunstâncias, por exemplo, no solo de locais muito úmidos, nos lagos, e nos mares litorâneos, é o fósforo que constantemente se constitui o fator limitante.
Fonte: www.ecositebr.bio.br
É a região do planeta que encerra os seres vivos e na qual a vida é possível de uma maneira permanente.
Entretanto, considerando-se a totalidade do globo terrestre, esta região não excede a uma fina camada de alguns poucos quilômetros, englobando parte da litosfera, parte da hidrosfera e parte da atmosfera.
OBS.: São chamadas de regiões parabiosféricas aquelas nas quais a vida não é permanente, mas sim esporádica. Ex.: regiões polares e, a partir de 1969, a lua.
A biosfera, por apresentar componentes bióticos (seres vivos) e abióticos (seres inanimados) trocando matéria e energia, pode ser considerada um enorme ecossistema. A rigor, a biosfera deve ser encarada como tal, mas, devido as suas proporções gigantescas, costuma ser dividida em ecossistemas menores, conforme a situação que ocupam em relação aos três grandes substratos de nosso planeta. Assim, a litosfera é o substrato sólido do epinociclo (biociclo do meio terrestre) e a hidrosfera o substrato líquido de dois biociclos importantes; o talassociclo (meio marinho) e o limnociclo (meio dulcícola). A atmosfera interfere diretamente no epinociclo e indiretamente, pela difusão dos gases nela existentes, no talassociclo e no limnociclo.
A biosfera formou-se no curso de uma longa evolução, sendo seqüência de longos processos de adaptação entre as espécies e o meio ambiente. Como ecossistema, a biosfera é um conjunto altamente dinâmico que tende auto-regulação e capaz de resistir, pelo menos dentro de certos limites, às modificações do meio ambiente e às bruscas variações de densidade das populações causadas por agentes naturais. Considerando-se a evolução da biosfera, podemos considerá-la como resultado da ação de dois grupos de agentes: os físicos e os biológicos.
São dois os principais agentes físicos que interferem na evolução da biosfera: a água e a luz. A água por ser condição essencial para existência da vida, a luz por ser a fonte primária de energia de todos os componentes bióticos.
É sabido que a ação dos agentes biológicos sobre a biosfera depende das condições gerais (físicas, químicas, etc.) impostas pelo meio ambiente. Assim, por seleção natural, os componentes bióticos da biosfera vão se adaptando às condições determinadas pelos agentes abióticos somadas às exigências impostas pela comunidade da qual fazem parte.
Podemos descrever fisicamente nosso planeta, como uma bola rochosa (a litosfera), parcialmente recoberta de águas (a hidrosfera), dentro de uma capa gasosa (a atmosfera).
É a camada sólida externa da Terra. É formada por uma grande variedade de rochas e a sua superfície está geralmente coberta por uma camada de solo e outros depósitos de sedimentação. A profundidade em média é de 50 Km de profundidade.
Abrange todas as águas naturais da Terra. Os oceanos, mares, lagos e rios cobrem, aproximadamente, 3/4 de sua superfície. Abaixo do solo, em profundidade que varia de poucos a milhares de metros, encontramos água subterrânea (lençóis freáticos). Assim, existe um manto de água, quase contínuo, ao redor da Terra. Se ela fosse distribuída uniformemente sobre a superfície de nosso planeta, a qual consideraríamos plana, formaria um único oceano com, em torno de, 2.700 m de profundidade.
É a capa de gases e vapor d’água que envolve a Terra. Está constituída essencialmente por uma mistura de nitrogênio (78%) e oxigênio (21%), com quantidades menores de gás carbônico (0,03%), gases nobres (argônio = 0,93%; outros gases = 0,04%) e vapor d’água.
Dimensões Km
Diâmetro equatorial....................... 12.757
Diâmetro polar............................ 12.714
Circunferência equad. .................... 40.077
Circunferência do meridiano............... 40.000
Superfície Milhões em Km2
Fundo oceânico (70,78%)................... 361
Terras emersas (29,22%)................... 149
Superfície total da Terra................. 510
Maior altura conhecida (Monte Everest) .... 8.840 m sobre o nível/mar
Altura média da Terra ..................... 825 m sobre o nível/mar
Nível médio da superfície (terra e mar) ... 250 m sobre
o nível/mar
Nível médio da litosfera .................. 2.450 m abaixo do
nível/mar
Profundidade média do mar ................. 3.800 m abaixo do nível/mar
Segundo Arthur Holmes (1951)
A biosfera é o resultado da soma dos chamados biociclos: o talassociclo, limnociclo e epinociclo que são, respectivamente, o meio marinho, o meio das águas doces e o meio terrestre. Cada biociclo representa um ecossistema em equilíbrio e, por este fato, necessita-se saber os fatores que condicionam o mesmo.
O oceano é, não só o berço da vida, como o maior reservatório, que da própria vida, quer dos elementos que lhe são essenciais. O mar é assim a maior força para moldar as condições de vida, tanto na terra como na água doce.
As características do mar que apresentam maior interesse ecológico podem ser apontadas como segue:
Todos os oceanos se comunicam entre si. A temperatura, a salinidade e a profundidade são as principais barreiras que se opõem à livre deslocação dos organismos marítimos. Mas com pouca importância se comparadas com as barreiras do outros dois biociclos.
Compreende organismos fixados no fundo (bênton séssil) e organismos móveis (bênton vagante) que só se desloca nas vizinhanças imediatas. O bênton séssil é constituído por vegetais (algas principalmente) e por animais muito diversos, tais como os cnidários, briozoários e protocordados. O bênton vagante contém crustáceos, peixes, equinodermas. Incluem-se também no bênton os animais escavadores que se instalam no lodo.
Compreende o conjunto dos organismo flutuantes que se deixam transportar pelas correntes às quais são incapazes de resistir. O fitoplâncton compreende vegetais (algas) e o zooplâncon os animais. Entre estes distingue-se o plâncton temporário ou meroplâncton, constituído pelos ovos e as larvas de espécies bênticas ou nectônicas (larvas de poliquetas, de moluscos, de equinodermas) e o plâncton permanente ou holoplâncton rico em foraminíferos, celenterados, rotíferos, crustáceos, etc.
É o conjunto das espécies capazes de viver em plena água e de se deslocar ativamente contra as correntes marinhas. Compreende a maioria dos peixes pelágicos, os mamíferos marinhos, ou cefalópodos e diversos crustáceos.
Deve-se distinguir primeiramente o domínio pelágico de águas plenas e o domínio bêntico. Cada um destes domínios subdivide-se no sentido vertical, conforme a profundidade, em diversas zonas.
No que se refere ao relevo do fundo dos mares, distingue-se:
Os habitantes de água doce podem considerar-se convenientemente divididos em duas séries, como segue:
Os "habitats" aquáticos transformam-se por vezes muito rapidamente, como no caso duma lagoa repleta de vegetação transformando-se num pântano. Por outro lado, os grandes lagos e os cursos de água sofrem alterações mais lentas, e podem apresentar-se relativamente estáveis ao longo de várias gerações humanas.
Os fatores limitantes, que são provavelmente de especial importância na água doce e que por isso conviria medir em qualquer estudo minucioso dum ecossistema aquático, são os seguintes: temperatura; transparência; corrente, concentração de gases respiratório; concentração de sais bio-gênicos.
Primeiro, os organismo podem ser classificados quanto aos principais nichos, relativamente à sua posição na cadeia alimentar ou energética do seguinte modo: produtores, consumidores e decompositores.
Em segundo lugar, os organismo aquáticos podem ser classificados com base no seu tipo fisionômico ou nos seus hábitos de vida, de acordo com o modo de vida que possuam, da seguinte maneira: Bênton: organismos que permanecem fixados ou que vivem nos sedimentos do fundo; Plâncton: organismos flutuantes cujos movimentos estão mais ou menos dependentes das correntes; Nécton: organismos capazes de nadar e de navegar livremente; Nêuston: organismos capazes de permanecer ou nadar à superfície.
É o biociclo onde as influências do meio físico ou fatores ecológicos, luz, temperatura e umidade, variam intensamente, impondo assim maiores variações climáticas, influenciando a dispersão dos organismos de modo mais acentuado e característico.
Considerando a biomassa, a flora predomina sobre a fauna.
A variedade de formas é enorme e superior dos dois outros biociclos.
Os biótipos, ou seja, os indivíduos de uma população homogênea e de mesmo equipamento hereditário, caracterizam áreas restritas de dispersão, como nas comunidades das ilhas, florestas, montanhas, etc.
Ao comparar-se o "habitat" terrestre com o aquático, deve se ter em conta os seguintes pontos:
O solo, e não o ar, é a fonte de nutrientes muito variados (nitratos, fosfatos, etc.); constitui também por si só um ecossistema altamente desenvolvido.
A evolução no meio terrestre fez sobressair o desenvolvimento das categorias taxonômicas superiores, tanto no reino animal como vegetal. Deste modo, os organismo mais complexos e especializados, notadamente as plantas superiores, os insetos e os vertebrados de sangue quente, são presentemente os dominantes na terra. Os últimos incluem uma população humana crescente que, de ano para ano, exerce maior influência no funcionamento dos ecossistemas. Isto não quer dizer que muitas formas mais pequenas estejam ausentes ou tenham pouca importância; as bactérias, por exemplo, desempenham funções vitais nos ecossistemas terrestres.
Embora o homem e seus associados mais próximos apresentem uma vasta distribuição por todo o globo, cada área continental tende a possuir a sua flora e fauna próprias.
As ilhas diferem muitas vezes grandemente do continente.
Situação de Equilíbrio atualmente alcançado pela Biosfera
A biosfera alcançou, através do tempo, um equilíbrio dinâmico que se caracteriza por uma elevada funcionalidade e uma grande estabilidade. Como resultado verifica-se um perfeito equilíbrio, tanto no n0 de indivíduos como no n0 de espécies. A manutenção desse equilíbrio de numerosos fatores dentre os quais citamos: - densidade populacional; competição intraespecífica e interespecífica; - mortalidade devido ao predatismo e outras doenças; - valor adaptativo das populações (fundo genético); - modificações do meio ambiente; - etc.
As populações que integram as comunidades da biosfera, no início de seu desenvolvimento, possuem uma taxa de natalidade maior que a taxa de mortalidade e crescem quase em progressão geométrica. Entretanto, este crescimento retarda, quando a população, ao atingir um determinado tamanho, começa a sentir as influências dos fatores limitantes. A partir desse momento, o seu tamanho passa a oscilar, aumentando ou diminuindo, mas sempre flutuando ao redor de um valor médio. Neste caso, a população atingiu um equilíbrio que é mantido pela equivalência de suas taxas de natalidade e mortalidade. Se um dos fatores limitantes aumentar de intensidade, ele poderá tirar a população de seu equilíbrio. Supondo-se, por exemplo, que sobrevenha sobre a população uma grave doença epidêmica, tornando a taxa da mortalidade maior que a de natalidade.
Esta doença terá um caráter seletivo; no caso da população apresentar uma variabilidade genética capaz de resistir a esta pressão seletiva, a população poderá se recuperar e, depois de algum tempo, voltar ao seu equilíbrio. A sobrevivência da população será mantida, porque os indivíduos com o genótipo que confere a resistência à doença vão continuar a se reproduzir e garantir a natalidade; seus filhos herdarão a resistência e poderão, também, se reproduzir e, assim, a população se manterá.
A instabilidade ambiental apresenta desafios aos indivíduos de uma espécie, a uma comunidade ou mesmo ao ecossistema todo. Para se manterem em harmonia com um ambiente em processo de mudança (provocada por agentes bióticos ou abióticos), os organismos não só precisam ser adaptados, mas adaptáveis. As espécies, além de possuírem variabilidade genética, apresentam também a capacidade de produzir variedades genéticas por mutação. Alguns variantes genéticos podem tornar-se menos freqüentes ou serem eliminados; outros podem tornar-se mais freqüentes e serem fixados como uma nova norma para a [população de uma espécie que, por sua vez, provocará uma reação em cadeia nas comunidades das quais venha a participar, selecionando aqueles mais adaptados e conferindo ao ecossistema e a biosfera um novo equilíbrio dinâmico (climax).
Concluindo, podemos dizer que as populações naturais, através de suas múltiplas interações com outras populações e com as condições físicas do ambiente, mantêm-se estáveis e, consequentemente, a biosfera também.
Fonte: www.photographia.com.br
Caatinga ocupa uma área de 734.478km² e é o único bioma tipicamente brasileiro. Sua biodiversidade também é única no mundo e sua vegetação diversificada inclui pelo menos 932 espécies, sendo 380 endêmicas, ou seja, exclusivas da Caatinga.

O termo Caatinga é originário do tupi-guarani e significa mata branca. Localizada em área de clima semi-árido, apresenta temperaturas médias anuais que oscilam entre 25ºC e 29ºC.
A fauna é rica, com 148 espécies de mamíferos, das quais dez são endêmicas. Entre as 348 espécies de aves, quinze são endêmicas e 20 encontram-se ameaçadas de extinção.
Em razão da semi-aridez e do predomínio de rios temporários, era de se esperar que a biota aquática da Caatinga fosse pouco diversificada. Mas já foram identificadas pelo menos 185 espécies de peixes, distribuídas em mais de cem gêneros. A maioria delas (57,3%) é endêmica.
Cerca de 100 mil hectares da chamada mata branca apresentam mostras significativas de degradação pela ação do homem na luta pela sobrevivência. As principais ações de desmatamento são as queimadas para produção de lenha e carvão e para agropecuária. A identificação de áreas e ações prioritárias para a conservação da Caatinga é um importante instrumento para a proteção de sua biodiversidade.
Fonte: www.rbma.org.br