A Mata Atlântica, quando aqui chegaram os navegadores europeus, em 1500, cobria uma área de aproximadamente 1 milhão de km2 do território brasileiro. Esta área corresponde a 12% do País. Ela formava, com a floresta amazônica, o conjunto das duas maiores e mais importantes florestas do continente. A partir dela foi alavancada a colonização do País e a conquista de outros territórios que hoje compõem a nação brasileira. Abrigou os ciclos do pau-brasil, que deu seu nome à nação, e os da cana-de-açúcar, do ouro e do café, entre outros. Sua madeira serviu à construção das naus e foi usada em tudo o que se edificou nessa mesma região, no Brasil, assim como na reconstrução de Lisboa, depois do terremoto que destruiu esta cidade quase que completamente, no século XVIII.

Depois de 500 anos de utilização contínua, restam da Mata Atlântica apenas cerca de 4% de sua área original de matas primitivas e outros 4% em florestas secundárias. Apesar de toda essa devastação, ela ainda abriga um dos mais importantes conjuntos de plantas e animais de todo o planeta. As florestas tropicais, por suas condições de umidade e calor, são os ecossistemas terrestres que dispõem da maior diversidade de seres vivos.
Entre elas, a Mata Atlântica é, segundo estudos realizados por pesquisadores do estado da Bahia juntamente com o Jardim Botânico de Nova York, a floresta que apresentou, até o momento, a maior quantidade de espécies arbóreas. Nela, foram localizadas mais de 450 diferentes espécies de árvores em um único hectare de mata no sul da Bahia. Numa comparação simplificada, existe mais diversidade de plantas e animais em um hectare de Mata Atlântica do que em toda a Alemanha. Essa condição é resultado, entre outras razões, da distribuição Norte-Sul dessa floresta e da existência de consideráveis diferenças de altitude nas serranias costeiras cobertas por essa mata. Com isso, há maior possibilidade de variação de climas, nichos, solos, temperaturas e insolação, o que aumenta a tendência à evolução e diversificação de espécies.
Associados à Mata Atlântica existe uma série de ecossistemas, como as florestas de restinga das baixadas litorâneas e o jundu da beira das praias e campos de altitude, que mantém com a primeira uma grande relação de afinidade e complementaridade, e que é também fundamental preservar.
Depois dos 500 anos de ocupação, o que restou da Mata Atlântica está confinado aos poucos corredores ainda existentes ao longo das encostas onde era mais difícil cortar, em especial nas regiões Sul e Sudeste, ao longo das Serras do Mar, Geral e da Mantiqueira. Além desses remanescentes, o que ficou são ilhas isoladas no planalto e na região Nordeste. Muitas dessas ilhas de mata hoje abrigam espécies importantíssimas e não dispõem de área suficiente para conservá-las. Para salvar esse precioso patrimônio é necessário ampliar sua área ou unir duas ilhas próximas através da recomposição de corredores biológicos.
A razão principal para se lutar pela proteção da biodiversidade é a importância desta para o desenvolvimento de remédios e de nossa alimentação. Além disso, a floresta é o melhor protetor de mananciais de água, é importante para a estabilidade de encostas contra deslizamentos e serve também como amparo a culturas tradicionais. Ela é, ainda, com suas belas paisagens, elemento de suporte ao turismo, que é a indústria que mais cresce hoje no mundo.
Para garantir a proteção da Mata Atlântica em tempos mais recentes, o governo brasileiro criou, a partir da década de 30, um sistema de unidades de conservação, tendo o primeiro parque nacional, o Parque Nacional do Itatiaia, sido criado na Serra da Mantiqueira, no domínio dessa floresta. Também nessa época ocorre a decretação do Código Florestal, que passa a proteger as encostas de maior declividade, os topos de morro, as nascentes, as beiras de rio e os manguezais, formulando, assim, a figura das áreas de preservação permanente.
Nos anos 80, ocorre em São Paulo o escorregamento da Serra do Mar em Cubatão, cidade onde se instalara um amplo complexo industrial. A forte poluição despejada incessantemente pelas fábricas sobre a floresta matou a vegetação e enfraqueceu a proteção das encostas. Numa chuva mais forte, em janeiro de 1985, a Serra desabou, ameaçando as indústrias e trazendo pânico para a população da Baixada Santista. Para prevenir novas situações como esta, o governo resolveu declarar como patrimônio natural e cultural do estado de São Paulo, através do tombamento, toda a Serra do Mar, da divisa do Rio de Janeiro à do Paraná.
Os paranaenses gostaram da idéia e fizeram o tombamento de sua porção da Serra, em 1986. As iniciativas ensejaram a criação de um grupo de trabalho pela proteção da Serra do Mar, envolvendo os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Unidos, resolveram formalizar o Consórcio Mata Atlântica, o que ocorreu em 1988. Em 89, aderiram a esse Consórcio, mediante convite, os estados da Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. E, em 92, o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Para viabilizar seus projetos, esses estados foram em busca de financiamento. Os cinco primeiros formadores do Consórcio conseguiram recursos da ordem de US$ 25 milhões junto ao Programa Nacional para o Meio Ambiente (PNMA), do governo brasileiro e do Banco Mundial, com a colaboração da KFW, agência de financiamento alemã. Isto, com o compromisso de oficializar o tombamento da Mata Atlântica em seus territórios e de buscar, com visão ampla, o reconhecimento dos remanescentes dessa floresta como uma abrangente Reserva da Biosfera, do programa O Homem e a Biosfera - Programa MAB, do inglês Man and Biosphere, da Unesco.
O Sistema de Reservas da Biosfera do MAB-Unesco foi consolidado na década de 70, sob a influência da Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente. As Reservas da Biosfera têm três prioridades como base de todos os trabalhos a serem nelas desenvolvidos: a conservação da natureza e de sua biodiversidade, o desenvolvimento social sustentado das populações que vivem na Reserva, com ênfase para as comunidades tradicionais, e o aprofundamento da educação ambiental e do conhecimento científico. Para viabilizar esses objetivos, elas devem obedecer a um zoneamento que está centrado em três áreas principais.
Numa outra imagem culinária, a Reserva da Biosfera corresponde a uma cebola cujas áreas mais restritivas ao uso estão no centro e cada camada de dentro para fora tem menos condicionantes. No nosso caso, dada a complexidade de localização dos remanescentes de Mata Atlântica, temos uma reserva de múltiplos núcleos que corresponderia a uma fritada de ovos de diversos tamanhos.
Além disso, as Reservas da Biosfera participam de redes de cooperação e comparação onde as experiências de uma ajudam o desenvolvimento de outra. Assim, foi formada uma rede íbero-americana de Reservas da Biosfera, que serve de apoio e inspiração a todo o Sistema. A Unesco também promove, de tempos em tempos, encontros internacionais para avaliar a situação de suas reservas, proporcionando, nessas ocasiões, contatos de grande interesse.
A razão pela qual o Brasil aderiu ao Sistema de Reservas da Biosfera é que este é o mais alto reconhecimento internacional que se pode almejar para a proteção de um ecossistema. A declaração da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica endossa a sua situação de floresta tropical mais ameaçada do mundo, sendo, em conseqüência, a primeira prioridade planetária para a conservação da biodiversidade.
Esta Reserva da Biosfera, que abriga os principais remanescentes de Mata Atlântica e ecossistemas associados do Ceará ao Rio Grande do Sul, foi reconhecida pela Unesco em várias fases consecutivas, entre 1991 e 1992. Contribuiu positivamente para esse reconhecimento a Conferência Rio-92. Apesar desse trabalho resultar de um grande esforço coletivo, ainda não foi possível incluir a Mata Atlântica existente no oeste de São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e em áreas dos estados de Goiás e do Mato Grosso do Sul como parte desta Reserva.
Está também integrada à Reserva da Biosfera da Mata Atlântica - e, portanto, é reconhecida pela Unesco - uma área que nasceu de um processo independente e hoje é conhecida como a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo. Mais recentemente, foi também reconhecida pela Unesco a Reserva da Biosfera do Cerrado. O comitê brasileiro do Programa MAB, que é liderado pelo Itamaraty, está para analisar a proposta de uma Reserva da Biosfera da Amazônia Central e a fase II da Reserva do Cerrado.
Sob o aspecto da biodiversidade, os principais problemas da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica são garantir a implantação das mais de 200 áreas protegidas por ela abrangidas, reverter o quadro de devastação dos remanescentes dessa floresta e buscar a recuperação de áreas degradadas, recompondo corredores biológicos. Para a primeira tarefa já tivemos recursos do PNMA, porém ela precisará ainda de muito esforço conjunto. Para a recomposição de áreas degradadas, o Governo Federal lançou recentemente um programa que está sendo apoiado pelo Conselho desta Reserva da Biosfera. Como colaboração internacional Sul-Sul, tem-se desenvolvido uma crescente cooperação com nossos vizinhos uruguaios e argentinos. Falta ainda aprofundar trabalhos de desenvolvimento sustentado.
Em resumo, a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica nada mais é que um instrumento de planejamento. Sua principal conquista está na aceitação de sua metodologia de princípios e de trabalho por todos os 14 estados que a ela aderiram. Ela também alcançou o zoneamento em escala 1:250.000 da maior parte dos remanescentes desse bioma. Para isso, muito contribuíram os governos estaduais, o Governo Federal, ONGs e cientistas que voluntariamente trabalham há anos pela sua consolidação.
Para gerir esta Reserva, o MAB-Unesco preconiza a necessidade de participação da população. Com a aprovação do comitê brasileiro do programa MAB, foi criado um Conselho de Gestão formado por 36 membros, sendo a metade governamental e outra metade da sociedade civil. Entre os governamentais estão um representante de cada um dos 14 estados que aderiram a esse programa e quatro do Governo Federal. Entre os da sociedade civil há seis em cada região (Nordeste, Sudeste e Sul). Em cada uma destas há dois ambientalistas, dois representantes da comunidade residente e dois cientistas. Além do Conselho estão sendo constituídos Comitês Estaduais com a tarefa de objetivar a implantação da Reserva em seus territórios. Já foram definidas uma série de áreas piloto em cada estado. O Conselho trabalha também com seminários nacionais, regionais e temáticos e tem feito um esforço constante para buscar, através da divulgação, a maior consolidação dessa Reserva.
Fonte: www.mre.gov.br
Cerca de 1 milhão de anos após ter se formado, a Terra era rochosa e quente, com alguma água acumulada na superfície. Sua atmosfera era provavelmente constituída por metano, amônia, gás hidrogênio e vapor d'água, entre outros compostos. À medida que o planeta foi se esfriando, acumulou-se água nas depressões da crosta, e assim se originaram os primeiros lagos e mares da Terra .Com o aparecimento dos seres vivos, uma nova camada passou a fazer parte da constituição da Terra: além da litosfera (constituída pelas rochas e pelo solo), da hidrosfera (constituída pelas águas) e da atmosfera (constituída pelo ar), passou a existir a biosfera, representada pelos seres vivos e pelo ambiente em que vivem.
Biosfera, em sua definição mais simples, é o conjunto de regiões da Terra onde existe vida. O termo "biosfera" foi introduzido em 1875 pelo geólogo austríaco Eduard Suess (1831-1914), durante uma discussão sobre os vários envoltórios da Terra. Em 1926 e 1929, o mineralogista russo Vladimir Vernandsky (1863-1945) consagrou definitivamente o termo, utilizando-o em duas conferências de sucesso. Embora a palavra "biosfera" nos leve a pensar em uma camada contínua de regiões propícias à vida em torno da Terra, isso não é exatamente verdade. A espessura da biosfera é um tanto irregular, devido ao fato de haver locais onde a vida é escassa ou mesmo inexistente. Por exemplo, em mares, lagos, florestas, pântanos e campos ,a vida é abundante e variada. Há, porém, áreas tão secas ou tão frias que dificultam, ou até impedem, o desenvolvimento da maioria dos seres vivos.
É o caso das regiões quentes e desertas localizadas na faixa equatorial e das regiões geladas situadas junto aos pólos, onde poucas espécies conseguem viver. A maioria dos seres terrestres vivem em regiões situadas até 5 mil metros acima do nível do mar. Entretanto, no Monte Everest, foi encontrada uma aranha vivendo a quase 7 mil metros de altitude, e já se observou aves migradoras voando a 8,8 mil metros de altitude. No mar, a maioria dos seres vivos habita a faixa que vai da superfície até 150 metros de profundidade, embora algumas espécies de animais e de bactérias vivam a mais de 9 mil metros de profundidade .De acordo com essas considerações, a biosfera teria espessura máxima de aproximadamente 17 ou 18 Km, formando uma película finíssima quando comparada aos 13.000 Km de diâmetro da Terra. Se o planeta fosse comparado a uma laranja, a biosfera não passaria de um fino papel de seda sobre sua superfície.
As diversas espécies que vivem em uma mesma região constituem uma comunidade biológica, também chamada biota ou biocenose. O termo "biocenose" (do grego bios, vida, e koinos, comum, público) foi criado pelo zoólogo alemão K.A. Möbius, em 1877, para ressaltar a relação de vida em comum dos seres que habitam determinada região. A biocenose de uma floresta, por exemplo, compões-se de populações de arbustos, árvores, pássaros, formigas, microorganismos etc., que convivem e se inter-relacionam.
Para viver, a biocenose depende de fatores componentes físicos e químicos do ambiente. Em seu conjunto, esses componentes formam o biótopo (do grego bios, vida, e topos, lugar), que significa "o local onde vive a biocenose". No exemplo da floresta, o biótopo é a área que contém o solo (com seus minerais e água) e a atmosfera (com seus gases, umidade, temperatura, grau de luminosidade etc.). Os fatores abióticos do biótopo afetam diretamente a biocenose, e também são por ela influenciados. O desenvolvimento de uma floresta, por exemplo, modifica a umidade do ar e a temperatura de uma região.
Habitat significa "o local onde vive determinada espécie". Tem sentido mais restrito de que biótopo, que se refere ao local onde vive toda a biocenose. Se quisermos falar do local onde vivem as girafas, devemos usar o termo habitat. Mas se quisermos nos referir ao local onde vive a biocenose da savana, falamos em biótopo.
O conjunto vivo formado pela biocenose e pelo biótopo em interação é chamado ecossistema. Uma floresta, considerada em sua totalidade, isto é, com seus fatores abióticos e comunidades de seres vivos em interação, constitui um ecossistema.
A destruição das Espécies e dos Ecossistemas Na Europa , 400 anos atrás, havia cerca de 9 milhões de quilometros quadrados de florestas, hoje existem menos de 2 milhões. Do século XVII até hoje, foram exterminadas centenas de espécies de aves e mamíferos e outras tantas estão ameaçadas de extinção. Também alguns Ecossistemas são destruídos e ameaçados, juntamente com as especies de animais que vivem neles. Exemplo disso, é a eliminação sistemática dos pântanos nas regiões temperadas. Isso é um erro, porque os pântanos funcionam como esponjas, regulando os níveis dos lençois de água subterrânea : alimentam esses lençois no verão e recolhem a água nas estações chuvosas, evitando inundações. Outros Ecossistemas que correm grave risco são as florestas tropicais.
Elas são destruídas para dar lugar a lavouras, estradas, instalações industriais, e, para extração de madeira. Com o desmatamento, elimina-se a cobertura vegetal que protege o solo da erosão provocada pelas águas correntes e isso facilita as inundações. O desmatamento de grandes extensões provoca mudanças no clima, que se torna mais árido. A ECOLOGIA nos ensina que que a manutenção das espécies e dos Ecossistemas, é um dos aspectos mais importantes da conservação da natureza. Pântanos e florestas, e também todos os outros ecossistemas devem ser respeitados, porque constituem um elemento fundamental do grandioso mecanismo da vida na natureza. Exemplos de Ecossitemas No fundo do mar : Mesmo onde a água é muito rasa, o fundo do mar abriga uma grande variedade de animais que, em sua maioria, vivem fixados às pedras ou se deslocam muito lentamente.
Os mais típicos e numerosos habitantes do fundo, pertencem ao grupo dos Equinodermos( do grego, pele espinhosa), entre eles estão o ouriço-do-mar, as estrelas do mar e os Holuturióides, também chamados de pepino-do -mar. Num costão rochoso : Nesse ambiente agitado, só conseguem viver animais capazes de permanecer firmemente aderidos às rochas, senão seriam varridos pelas ondas. Nesse ambiente vivem também outros animais, como cracas, crustáceos fixos de aparência curiosa e pequenos caranguejos que se movimentam agilmente entre as irregularidades das rochas. Debaixo das pedras : Levantando-se uma pedra, no campo, em qualquer jardim, é quase certo que encontraremos numerosos animaizinhos, geralmente tatuzinho, lacraias, centopéias, besouro, carrapatos.
Em uma fonte : Qualquer fonte de jardim, pode constituir um pequeno ambiente muito rico em formas de vida. Nos tanques, se a água estiver limpa, pode-se observar no fundo, uma espécie de algodão verde, formado por muitos filamentos, são as algas verdes. Nos parques e jardins : localizados no interior das cidades, estes parques e jardins são tranquilas ilhas de vegetação, abrigando uma fauna muito rica em pardais, sabiás, pombas, esquilos, serelepes e uma infinidade de outras aves e animais. Mas nestes parques, os animais são tratados e alimentados pelo homem, o que já não acontece na periferia urbana, sobretudo nos campos e terrenos baldios, colonizados por uma flora muito especial. Aí, sem a interferência humana, criou-se um habitat natural para uma enorme quantidade de pequenos animais. "Mesmo entre prédios, ruas, carros, enfim, no ambiente artificial de uma cidade, os animais e plantas são capazes de invadir e até de conquistar pequenos ambientes, onde sobrevivem e se reproduzem".
Água, madeira, solo, plantas, minerais, são recursos que existem na Terra, para melhorar a vida do Homem. Mas tem havido um exagero nesse aproveitamento e, como as riquezas na Terra não são inesgotáveis, está havendo uma devastação generalizada desses recursos. A prática da monocultura, torna as terras improdutivas, que logo são abandonadas. A destruição da cobertura vegetal protetora, os cultivos errados, o excesso de pastagens, acabam com a vegetação. A erosão, que provoca uma desertificação, a aridez, enfim, tudo isso torna os ambientes inabitáveis.
Desertificação é o empobrecimento dos ecossistemas áridos, semi-áridos e subúmidos em virtude de atividades humanas predatórias e, em menor grau, de mudanças naturais. Atualmente, 34% (49.384.500 km²) das terras emersas do planeta são propensas à desertificação. As áreas mais afetadas são o oeste da América do Sul, o Nordeste do Brasil, o norte e o sul da África, o Oriente Médio, a Ásia Central, a Austrália e o sudoeste dos Estados Unidos.
Desde a primeira Conferência Mundial sobre Desertificação, no Quênia, em 1977, os cientistas têm mostrado que o aumento das regiões áridas do mundo não decorre somente da progressão natural dos desertos , em geral resultado de alterações climáticas e fenômenos tectônicos ao longo de milhares de anos. Esse alastramento vem sendo provocado principalmente pelo homem, por meio do desmatamento de extensas áreas de floresta; da agropecuária predatória, que emprega técnicas inadequadas de cultivo e pastoreio; e de alguns tipos de mineração, como a extração dos cristais de rocha, que removem a camada superficial do solo. Essas atividades levam à diminuição da cobertura vegetal, ao surgimento de dunas, ao esgotamento dos solos, à perda de água do subsolo, à erosão e ao assoreamento dos rios e lagos. E o problema é agravado pelo efeito estufa , pela chuva ácida e pelo buraco na camada de ozônio.
Quando o solo se desertifica, as populações buscam outras terras, onde repetem os mesmos erros cometidos anteriormente. Com isso criam novas áreas desertificadas, num ciclo contínuo. A conseqüência é a migração, que acaba formando cinturões de pobreza ao redor dos centros urbanos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem atualmente 500 milhões de refugiados ecológicos em todo o mundo, número que deve dobrar até o final da década. Esses refugiados foram obrigados a abandonar suas terras devido à degradação ambiental. A desertificação, a longo prazo, poderá causar uma diminuição drástica das terras férteis, o que, aliado ao aumento da demanda por alimentos, pode levar a um aumento da fome no mundo. Para evitar que isso ocorra, é necessário conter o avanço dos desertos com medidas como o reflorestamento, o controle do movimento das dunas e a rotação de culturas. É possível também controlar a erosão com o plantio em terraços e curvas de nível nos terrenos inclinados e o cultivo direto sobre os restos da cultura anterior, evitando a exposição do solo ao sol, à chuva e ao vento.
Na medida em que o gelo derrete das calotas polares, o nível do mar se eleva, provocando a inundação de terras mais baixas e, talvez, a submersão de países inteiros no Oceano Pacífico. O derretimento das geleiras das montanhas poderá provocar avalanches, erosão dos solos e mudanças no fluxo dos rios, aumentando o risco de enchentes. Alterações bruscas na composição da Atmosfera poderão desencadear mudanças dramáticas no clima. Furacões, tormentas e enchentes, de um lado, secas graves, de outro, poderão se tornar mais frequentes. Tudo isso vai repercutir negativamente na produção dos alimentos, levando à extinção de várias espécies. Se a temperatura do planeta aumenta, aumentam também as ocorrências de epidemias, a proliferação de bactérias e outros organismos prejudiciais à saúde humana.
Fonte: br.geocities.com