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O céu, de Opacas Sombras Abafado

bocage

O céu, de opacas sombras abafado,

Tornando mais medonha a noite fea,

Mugindo sobre as rochas, que saltea,

O mar, em crespos montes levantado;

Desfeito em furacões o vento irado;

Pelos ares zunindo a solta area;

O pássaro nocturno, que vozea

No agoireiro cipreste além pousado;

Formam quadro terrível, mas aceito,

Mas grato aos olhos meus, grato à fereza

Do ciúme e saudade, a que ando afeito.

Quer no horror igualar-me a Natureza;

Porém cansa-se em vão, que no meu peito

Há mais escuridade, há mais tristeza.

Fonte: www.revista.agulha.nom.br