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Ó Retrato da Morte! Ó Noite Amiga

bocage

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,

Por cuja escuridão suspiro há tanto!

Calada testemunha de meu pranto,

De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti sòmente os diga

Dá-lhes pio agasalho no teu manto;

Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto

Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,

Fantasmas vagos, mochos piadores,

Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;

Quero a vossa medonha sociedade,

Quero fartar o meu coração de horrores.

Fonte: www.revista.agulha.nom.br