
Embora com clima seco, uma chuva forte caiu durante toda a nossa primeira noite em La Paz. Com as ruas molhadas, deixamos a cidade logo cedo, no dia 16 de janeiro. O Terminal de Buses de La Paz, uma construção da primeira metade do século, muito charmosa, sintetiza a cidade. Nos primeiros guichês, uma ladainha interminável oferecia passagens para Oruroruroruroruroruroruro... Escolhemos um horário, negociamos um preço, pagamos a taxa de embarque(para aqueles que querem economizar, peguem o ônibus na saída da rodoviária, assim não é necessário pagar a taxa de embarue, a qual não está inclusa no preço da passagem!), o uso dos banheiros públicos (preparem-se, pois nem todo ônibus tem banheiro e quase nenhuma viagem faz parada), e saímos às 10 horas em direção a Oruro (U$ 1,25).
Com a chuva a temperatura caiu e, à medida que nos aproximávamos de El Alto, percebemos que os canteiros e acostamento estavam nevados. Em pleno janeiro! Parada de mais de meia hora no terminal de El Alto até que o ônibus completou a lotação (algumas pessoas usam se acomodar no colo de outras ou tomam o ônibus quando lotado, para pagar menos). Alguns vendedores e mensageiros fizeram suas falas e quase às 11 horas partimos pelo trecho rodoviário mais comentado da Bolívia. Seus 240 km formam o leito para um tráfego enorme entre as duas cidades e dão acesso à rodovia internacional que liga Arica, no Chile, a La Paz. Com uma única pista, embora reta e plana, a estrada tinha acabado de viver um acidente chocante. Assim, os passageiros ao mesmo tempo em que apressavam o motorista para partir de El Alto, pediam que viajasse de vagar.
A paisagem da periferia metropolitana (casas sem acabamento, telhados de zinco, ruas sem calçadas nem pavimento) logo se transformou em extensos descampados ladeados pelos nevados da Cordilheira Real, ocupados por pequenos povoados com casinhas de barro, agricultura em terraços se aproximando das encostas, e índias e crianças cuidando do gado (ovelhas e llamas).
Nossa escolha de Oruro tinha duas intenções. Inicialmente,
pretendia-se fazer a rota do Parque Nacional de Sajama (vulcão com
6.542 m que se constitui no segundo pico mais alto do país) e dos sítios
arqueológicos pré-hispânicos (Rota Chipaya, com igrejas
do século XVII e XIX e o povoado do mesmo nome), Rota Poopó
(santuário de Quillacas, povoados de Sora-Sora, Poopó, Pazña,
Challapata, Machacamarca, que além de igrejas, oferecem banhos termais,
e os lagos Poopó e Uru Uru).
Essa intenção foi adiada pelas condições do tempo
e pelo fato de que o acesso ao Parque está na metade do caminho entre
Oruro e La Paz, a partir de Patacamayo (exatamente na rodovia Arica/La Paz).
Estando em La Paz, o ideal é fazer a rota a partir de lá. Assim descartamos essa intenção, e iniciamos uma outra: chegar em Oruro para seguir viajem para Uyuni de trem, no início da noite. Partem de lá para Uyuni dois trens: o Expreso del Sur (terças e sextas às 15:30 horas) e o Wara Wara del Sur (domingos e quartas às 19 horas), levando aproximadamente 7 horas até o destino. Esses trens têm dois tipos de vagões de passageiros: o executivo e o salão, com custos respectivamente de U$ 10 e U$6, para o Expreso, e de U$ 8,5 e U$ 4, para o Wara Wara.
Os sites e as agências de turismo indicam essa alternativa como a única que dá acesso a Uyuni. No entanto, há ônibus diários e em vários horários partindo de Oruro, La Paz e outras cidades bolivianas. Quando chegamos em Oruro, 3,5 horas após a partida, mudamos radicalmente os planos. A entrada desta cidade é muito feia, não muito diferentemente de seu centro, e os arredores são um verdadeiro lixão, nos desencorajando de permanecer alí por uma noite sequer. Em vez de ficar até à noite esperando o horário do trem, pegamos um ônibus imediatamente para Potosí, Em pouco mais do que meia hora, compramos as passagens (Bustillo, 14:30 horas, U$ 2,5), umas empanadas, água, alguns conseguiram até ir ao banheiro, e partimos, deixando Oruro encharcada pela chuva, mas em plena preparação para o seu famoso Carnaval ou...
O Carnaval ou A Diablada - representação da luta entre o bem e o mal, com a vitória do primeiro. O curioso do carnaval de Oruro é ser uma festa verdadeiramente sagrada e profana. Começa na semana anterior ao Carnaval, com o que chamam de convite em devoção à Virgem do Socavão (uma Nossa Senhora que apareceu numa mina, num dia 2 de fevereiro), que é quando os conjuntos visitam o templo. Na sexta-feira seguinte os fiéis realizam a bênção ("ch'alla") das paragens mineiras e no sábado os grupos dançam até o romper da aurora, quando acontece a saudação à Virgem do Socavão: os dançarinos entram na gruta do Cerro Pie de Gallo e as várias bandas locais começam a tocar músicas diversas, simultaneamente. As ruas da cidade ficam reservadas para essa explosão de som (bandas com muitos metais e melodias simples) e cores (máscaras bastante ornamentadas), e para sucessivas celebrações (como ao Tio, entidade que vela nas entranhas da terra) e bênçãos. Essa festividade foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade.
Embora não tenhamos permanecido para a festa, as músicas de suas bandas nos acompanharam por longo percurso da viagem. Em pleno salar de Uyuni, por entre lagunas altiplânicas, aos pés de vulcões e na fumaça dos geisers, era o Carnaval de Oruro que entrava como "trilha sonora" de nossa viagem, numa única fita trazida pelo Senhor Nestor, o motorista, que incansavelmente, repetia, repetia, repetia...
Fonte: roteirosandinos.altamontanha.com

A cidade de Oruro está localizada a oeste da Bolívia.
O principal atrativo turístico desta cidade é o famoso Carnaval de Oruro, o único no mundo por seu sentido religioso, onde é feita uma homenagem à virgem local com utilização de máscaras representando cobras, lagartos e sapos, representando um espetáculo de luta do bem contra o mal, uma realização de fé e teatro popular.
Fonte: www.geocities.com
Oruro é uma cidade da Bolívia, capital do departamento de Oruro e da província de Cercado. De acordo com o censo de 2001, possui uma população de 215.660 habitantes. Está localizada entre as cidades de La Paz e Sucre, a 3.706 metros de altitude.
A cidade foi fundada em 1 de novembro de 1606 como um centro de minério de prata. Chamava-se “Villa de San Felipe de Austria”, em homenagem ao monarca espanhol Felipe III.
O Carnaval de Oruro é considerado um dos maiores eventos folclóricos da América Latina graças a suas danças típicas, sendo a “Diablada” uma das mais conhecidas.
Fonte: pt.wikipedia.org