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Johannes Brahms

Johannes Brahms (Hamburgo, 7 de maio de 1833 – Viena, 3 de abril de 1897) foi um compositor alemão, uma das mais importantes figuras do Romantismo musical europeu do século XIX.

No dia 7 de maio de 1833, em Hamburgo, nasceu Johannes Brahms. Seu pai, Johan Jacob, era contrabaixista e ganhava a vida tocando nos bares e nas tavernas da cidade portuária. Logo ele percebeu os dotes incomuns do filho e quando este completava 7 anos, contratou o excelente professor Otto Cossel para dar-lhe aulas de piano. Aos 10 anos, fez seu primeiro concerto público, interpretando Mozart e Beethoven. Também aos 10 anos, freqüentava tabernas com seu pai e tocava lá durante parte da noite.

Não tardou em receber um convite para tocar nas cervejarias da noite hamburguesa, ao lado de seu pai. Enquanto trabalhava como músico profissional, Johannes tinha aulas com Eduard Marxsen, regente da Filarmônica de Hamburgo e compositor. Foi Marxsen quem lhe deu as primeiras noções de composição, para sua grande alegria.

Na noite, Brahms conhece Eduard Reményi, violinista húngaro que havia se refugiado em Hamburgo. Combinam uma turnê pela Alemanha. Foi um sucesso, mas por causa dos excessivos malabarismos de Reményi. Johannes não fica muito contente com esta postura, mas usufrui a viagem - acaba conhecendo Joseph Joachim, famoso violinista, que se tornaria um de seus maiores amigos, Liszt e, principalmente, os Schumann.

Em sua casa em Düsseldorf, no ano de 1853, Robert e Clara Schumann o receberam como gênio. Robert logo tratou de recomendar as obras de Brahms aos seus editores e escreveu um famoso artigo na Nova Gazeta Musical, entitulado Novos Caminhos, onde era chamado de "jovem águia" e de "Eleito". Quanto à Clara, existem muitas hipóteses de que os dois teriam tido um relacionamento amoroso, mas nenhuma prova - ambos destruíram cartas e outros documentos que poderiam afirmar isso. Restou apenas a dúvida.

Brahms ficou alguns anos perambulando entre as cidades da Alemanha, "fixando-se" em duas residências - a de Joachim em Hannover e a de Schumann em Düsseldorf. Esta vida de errante haveria de terminar em 1856, com a trágica morte de Schumann. Foi quando conseguiu o emprego de mestre de capela do pequeno principado de Lippe-Detmold.

Em 1860, comete um grande erro: assina, junto com Joachim e outros dois músicos, um manifesto contra a chamada escola neo-alemã, de Liszt e Wagner, e sua "música do futuro". Embora Brahms nunca fosse afeito a polêmicas, acabou entrando nessa, o que lhe valeu a pecha de reacionário, derrubada apenas no nosso século pelo famoso ensaio de Schoenberg, Brahms, o Progressista.

Então, três anos mais tarde, resolve morar em Viena. Seu primeiro emprego na capital austríaca foi como diretor da Singakademie, onde regia o coro e elaborava os programas. Apesar do relativo sucesso que obteve, pediu demissão em um ano, para poder dedicar-se à composição. A partir daí, sempre conseguiu sustentar-se apenas com a edição de suas obras e com seus concertos e recitais.

Em Viena, conseguiu o apoio e admiração do importante crítico Eduard Hanslick (mais um Eduard em sua vida!), mas isso não era suficiente para garantir-lhe fama. Foi só a partir da estréia do Réquiem Alemão, em 1868, que Brahms começou a ser reconhecido como grande compositor. O reflexo disso é que, em 1872, foi convidado para dirigir a Sociedade dos Amigos da Música, a mais célebre instituição musical vienense. Ficaria lá até 1875.

Em 1876, um fato marcante: estréia sua Primeira Sinfonia, ansiosamente aguardada. Foi um grande sucesso e Brahms ficou marcado como sucessor de Beethoven - o maestro Hans von Bülow até apelidou a sinfonia de Décima.

Como alguém já observou, a vida de Brahms vai-se ralentando em razão contrária de sua produção. Os anos que se seguem são tranqüilos, marcados pela solidão (manteve-se solteiro), pelas estréias de suas obras, pelas longas temporadas de verão e pelas viagens (principalmente à Itália).

Em 1890, após concluir o Quinteto de Cordas op. 111, decide parar de compor e até prepara um testamento. Mas não ficaria muito tempo longe da atividade; no ano seguinte, encontra-se com o clarinetista Richard Mülhfeld, e, encantado com o instrumento, escreve inúmeras obras de câmara para clarinete.

Sua última obra publicada foi o ciclo Quatro Canções Sérias, onde praticamente despede-se da vida. Ele deu a coletânea a si mesmo de presente no aniversário de 1896. Johannes Brahms viria a morrer um ano depois, em 3 de abril de 1897.

Brahms dedicou-se a todas as formas, exceto balé e ópera, que não lhe interessavam - seu domínio era realmente a música pura, onde reinou absoluto em seu tempo. Podemos dizer que Brahms ocupou o espaço deixado por Wagner, que se dedicava à ópera, e com ele dominou a música da segunda metade do século XIX.

A obra brahmsiniana representa a fusão da expressividade romântica com a preocupação formal clássica. Em uma época onde a vanguarda estava com a música programática de Liszt e o cromatismo wagneriano, Brahms compôs música pura e diatônica, e ainda assim conseguiu impor-se. Talvez este seja um de seus maiores méritos.

Porém, a contragosto, Brahms viu-se no meio da querela entre os conservadores, capitaneados pelo crítico Hanslick, e os "modernistas", principalmente Hugo Wolf, sendo adotado pelo lado "reacionário". Como os wagnerianos acabaram por dominar a maior parte da crítica na virada do século, demorou muito para que a obra de Brahms fosse colocada no lugar que merecia.

Um dos que mais contribuiram para mudar esse estado de coisas foi Arnold Schoenberg, pai do dodecafonismo. Ele expôs, em uma conferência realizada nos Estados Unidos, em 1933, o quanto Brahms era inovador e até mesmo revolucionário. Hoje em dia, esta é a idéia predominante, e Brahms é um dos compositores mais conhecidos.

Os estudiosos dividem em quatro fases a obra brahmsiniana. A primeira é a juventude, onde apresenta um romantismo exuberante e áspero, como no primeiro Concerto para Piano. Ela vai até 1855. A segunda corresponde à fase de consolidação como compositor, que culmina no triunfo do Réquiem Alemão, em 1868. Aqui, ele toma gosto pela música de câmara e pelo estudo dos clássicos. A terceira fase é a maturidade, das obras sinfônicas e corais. Brahms atinge a perfeição formal e grande equilíbrio. O último período começa em 1890, quando, no final da vida, pensa em parar de compor. As obras tornam-se mais simples e concentradas, com destaque para a música de câmara e pianística. O Quinteto para Clarinete é exemplo típico dessa fase outonal.

Brahms dedicou grande parte de sua obra ao piano, principalmente na juventude e na velhice. As obras juvenis, como as três sonatas (em Fá Sustenido Maior, Dó Maior e Fá Menor), são vigorosas e apaixonadas, superabundantes em termos temáticos.

Resolvidos os desafios da sonata, Brahms entrou no gênero em que se revelaria um mestre: a variação. O primeiro conjunto publicado foi a das Dezesseis Variações sobre um Tema de Schumann, escritas em 1854, onde já demonstra seu domínio técnico. Mas foi com as 25 Variações e Fuga sobre um Tema de Handel que Brahms atingiu o máximo no campo. Outras obras-primas são os dois grupos de Variações sobre um Tema de Paganini, de dificílima execução, e as Variações sobre um Tema de Haydn, para dois pianos, que ficariam célebres em sua versão orquestral.

No campo das formas mais livres, destacam-se na produção pianística de Brahms as Baladas op. 10, da juventude, os Intermezzos op. 117 e as Klavierstücke op. 118 e 119, da velhice.

Este foi o gênero brahmsiniano por excelência, tendo exemplares em todas suas quatro fases. Entre as primeiras, destacam-se o ardente Trio op. 8, que seria revisado 35 anos mais tarde, o impressionante Sexteto de Cordas no. 1 e o exuberante Quarteto para Piano op. 25 - o último seria orquestrado por Schoenberg, que queria demonstrar as potencialidades sinfônicas da obra.

Mais maduros, os dois Quartetos de Cordas op. 51 demonstram a capacidade de síntese e concentração que viria a caracterizar a maturidade artística de Brahms. O terceiro quarteto, opus 67, seria menos tenso. Composto já no final da vida, o Quinteto de Cordas op. 111, considerado perfeito pelo compositor, é mais vigoroso e alegre.

Este Opus 111 levou Brahms a ensaiar uma aposentadoria, mas ela não veio. Ainda comporia mais quatro obras camerísticas, todas dedicadas ao clarinete. Destaque para o quinteto e para as duas sonatas compostas para o instrumento, suas últimas peças no gênero.

No campo da sonata de câmara, Brahms compôs três grandes sonatas para violino e piano (a primeira é a mais conhecida) e duas sonatas para violoncelo e piano.

Brahms foi um grande compositor de canções. Numericamente, os lieder formam a maior parte da obra brahmsiniana. Entre os ciclos mais conhecidos encontram-se Romanzen aus Magelone e as Quatro Canções Sérias, este último sua obra derradeira.

Na música coral de Brahms, destacam-se o Réquiem Alemão, talvez sua obra mais famosa, que o consagrou definitivamente, a Canção do Destino e a Rapsódia para Contralto, magnífica peça que encantou até Hugo Wolf, habitual crítico.

Brahms levou relativamente um longo tempo para compor suas obras orquestrais: apenas na sua fase madura é que o gênero é explorado em peças de fôlego.

Sua primeira obra-prima no campo é o majestoso Concerto para Piano no. 1, que tem um caráter quase de sinfonia. As duas serenatas, opus 11 e 16, são bem mais leves e têm um sabor clássico.

Mas foram as Variações sobre um Tema de Haydn em sua versão orquestral que realmente impulsionaram Brahms no gênero e abriram terreno para sua Primeira Sinfonia. Solene e dramática, esta sinfonia tem forte afinidade com as similares de Beethoven, principalmente com a Terceira e Quinta.

Já a Segunda Sinfonia é mais mozartiana e pastoral - chega a lembrar a Sexta de Beethoven - com sua orquestração leve e brilhante. A Terceira, com dois movimentos lentos e um finale sombrio, que retoma as idéias do início, é, das suas sinfonias, a mais pessoal e enigmática.

A Quarta Sinfonia é a mais conhecida delas, e talvez a maior de todas. Sua orquestração compacta e a monumental chacona do finale remetem o ouvinte à música pré-clássica, principalmente Bach.

Além das sinfonias, Brahms escreveu também duas aberturas. A Abertura Festival Acadêmico é uma obra alegre e circunstancial, em contraste com a a Abertura Trágica, composta ao mesmo tempo, uma obra de uma nobreza quase sombria.

No campo do concerto, a primeira obra da maturidade é o Concerto para Violino, de difícil execução mas de grande expressividade. É uma de suas peças mais populares. O segundo Concerto para Piano remete ao primeiro, composto 23 anos antes, em seu caráter sinfônico, com seus grandiosos quatro movimentos.

A última obra orquestral de Brahms é o Concerto Duplo, para Violino e Violoncelo. É uma de suas obras mais apaixonantes. O diálogo entre os solistas no movimento lento é um dos pontos altos de toda a produção brahmsiniana, e vale como um resumo de sua obra: os mais complexos e contraditórios sentimentos são aqui pintados em delicados meios-tons.

Como bem disse Romain Goldron, "nada é deixado ao acaso nessas páginas onde reinam as penumbras, os meios-tons, os mistérios da floresta, na qual, a todo instante, parece que vamos nos perder".

Fonte: www.lastfm.com.br

Johannes Brahms

Johannes Brahms
Johannes Brahms

Brahms nasceu no dia 7 de maio de 1833, em Hamburg, filho de Johan Jacob, músico contrabaixista. O pai que ganhava a vida tocando nos bares nas tavernas da cidade, descobriu os dotes do filho. Assim quando Brahms completou 7 anos, contratou o excelente professor Otto Cosselpara dar-lhe aulas de piano. Aos 10 anos, fez seu primeiro concerto público, interpretando Mozart e Beethoven.

Logo recebeu convites para tocar nas cervejarias da cidade. Enquanto trabalhava como músico profissional, Bramhs tinha aulas com Eduard Marxsen, regente da Filarmônica de Hamburgo e compositor, que lhe deu as primeiras noções de composição. Foi trabalhando na noite que conheceu Eduard Reményi, violinista húngaro que havia se refugiado em Hamburgo. Combinam uma turnê pela Alemanha onde conhece Joseph Joachim, famoso violinista. Tornaram-se maiores amigos, assim como Liszt e, principalmente, os Schumann.

Em 1.853 vai para Düsseldorf, onde é recebido Robert e Clara Schumann, que o recomendam aos seus editores. Robert escreve artigo na Nova Gazeta Musical, intitulado "Novos Caminhos", no qual tratava Brahms como "jovem águia" e de "Eleito". Quanto à Clara, supõe-se que tiveram um relacionamento amoroso.

Brahms ficou alguns anos viajando pelas cidades da Alemanha, "fixando-se" em duas residências : a de Joachim em Hannover e a de Schumann em Düsseldorf, o que persistiu até 1.856, quando aconteceu a trágica morte de Schumann. Em 1860, comete um grande erro: assina, junto com Joachime outros dois músicos, um manifesto contra a chamada escola neo-alemã, de Liszt e Wagner, apesar de nunca ter se envolvido em polêmicas.

Em1863, resolve morar em Viena. Lá seu primeiro emprego foi como diretor da Singakademie, onde regia o coro e elaborava os programas. Apesar do relativo sucesso que obteve, pediu demissão em um ano, para poder dedicar-se à composição, passando a sustentar-se apenas com a edição de suas obras e com seus concertos e recitais. Foi a partir da estréia do Réquiem Alemão, em 1868, que Brahms começou a ser reconhecido como grande compositor. Em 1872, foi convidado para dirigir a Sociedade dos Amigos da Música, a mais célebre instituição musical vienense, onde se manteve até 1875.

No ano seguinte estréia sua Primeira Sinfonia. Foi um grande sucesso de Brahms, ficou marcado como sucessor de Beethoven, tendo sua sinfonia recebido o apelido de Décima, em virtude da 9ª sinfonia de Beethoven. Os anos que se seguem na vida do compositor são tranqüilos, marcados pela solidão (manteve-se solteiro), pelas estréias de suas obras, pelas longas temporadas de verão e pelas viagens

Brahms dedicou-se a todas as formas de composição musical, exceto bale e ópera, que não lhe interessavam - seu domínio era realmente a música pura, onde reinou absoluto em seu tempo. Em 1890, após concluir o Quinteto de Cordas op. 111, decide parar de compor e até preparar um testamento. Mas não ficaria muito tempo longe da atividade. No ano seguinte, encontra-se com o clarinetista Richard Mülhfeld. Encantado como o instrumento, escreve inúmeras obras de câmara para clarinete. Sua última obra publicada foi o ciclo Quatro Canções Sérias, onde praticamente despede-se da vida. Brahms morreu em 3 de abril de 1897.

Sua obra representa a fusão da expressividade romântica com a preocupação formal clássica, em numa época onde a vanguarda estava com a música programática de Liszt o cromatismo wagneriano. Brahms dedicou grande parte de sua obra ao piano, principalmente na juventude e na velhice. Como suas obras juvenis, temos:três Sonatas (em Fá Sustenido Maior, Dó Maior e Fá Menor).

Os estudiosos dividem sua obra em quatro fases. A primeira é a juventude, onde apresenta um romantismo exuberante e áspero, como no primeiro Concerto para Piano. Ela vai até 1855. A segunda corresponde à fase de consolidação como compositor, que culmina no triunfo do Réquiem Alemão, em 1868, onde demonstra o gosto pela música de câmara e pelo estudo dos clássicos. A terceira fase é da maturidade, das obras sinfônicas e corais. Brahms atinge a perfeição formal e grande equilíbrio. O último período começa em 1890. As obras tornam-se mais simples e concentradas, com destaque para a música de câmara e pianística, como " O Quinteto" para Clarinete". Brahms revelou-se um mestre no gênero variação. O primeiro conjunto publicado foi a das Dezesseis Variações sobre um Tema de Schumann, escritas em 1854. Foi com as 25 variações da Fuga sobre um Tema de Handel que Brahms atingiu o máximo nesse campo. Outras obras-primas são os dois grupos de Variações sobre um Tema de Paganini, e as Variações sobre um Tema de Haydn, para dois pianos.

A Música de Câmara foi o gênero brahmsiniano por excelência Destacam-se o ardente Trio op. 8, que seria revisado 35 anos mais tarde, o Sexteto de Cordas no. 1 e o Quarteto para Piano op. 25. Composto já no final da vida, o Quinteto de Cordas op. 111, considerado perfeito pelo compositor, é mais vigoroso e alegre. Após o Opus Brahms queria abandonar a composição, o que acabou por não acontecer. Ele comporia mais quatro obras dedicadas ao clarinete.

No campo da Sonata de Câmara, Brahms compôs três grandes sonatas para violino e piano e duas sonatas para violoncelo e piano. Entre tantas outras, compôs a Sonata para Clarinet e Piano- Opus Nº 1 em Fá que você poderá ouvir dando um clique. . A composição que você deve ter ouvido ao entrar nessa página chama-se Valse-nº15b-. Brahms foi um grande compositor de canções. Entre as mais conhecida temos Romanzen aus Magelone e as Quatro Canções Sérias, sendo esta última sua obra derradeira. Na música coral de Brahms, destacam-se o Réquiem Alemão, sua obra mais famosa, a Canção do Destino e a Rapsódia para Contralto.

Brahms levou relativamente um longo tempo para compor suas obras orquestrais: Concerto para Piano no. 1, as duas Serenatas, opus 11 e 16, entre outras. Mas foram as Variações sobre um Tema de Haydn em sua versão orquestral que realmente impulsionaram Brahms no gênero abriram terreno para sua Primeira Sinfonia. A Quarta Sinfonia é a mais conhecida delas.

Além das sinfonias, Brahms escreveu também duas Aberturas ( Abertura Festival do Acadêmico) e concertos (Concerto paraViolino ). Sendo que a última obra orquestral de Brahms é o Concerto Duplo, para Violino e violancelo.

Fonte: www.angelfire.com

Johannes Brahms

Johannes Brahms
Johannes Brahms

Brahms, compositor alemão, recebeu as primeiras lições de música de seu pai, pouco endinheirado contrabaixista que desejava fazer do filho um instrumentista de orquestra. Este, porém, revelava forte atração para o piano, e foi por isso entregue aos cuidados de um professor de mérito, Eduard Marxsen. Brahms começou cedo ganhando a sua vida, tocando em cafés freqüentados principalmente por marinheiros. O encontro, em 1850, com o violinista húngaro Reményi, refugiado político, foi decisivo para o seu futuro. Durante uma viagem de concertos ele conhece Liszt e Schumann, que o recebe com toda cordialidade. As relações com os Schumanns são da mais profunda afeição. Brahms assiste à família nos tempos que puseram tragicamente termo à ida do grande compositor. Ele permanece dois anos em Dusseldorf para acompanhar no seu luto Clara Schumann. Os laços que o ficam prendendo a esta e a influência artística que dela recebeu deviam durar até a morte da admirável mulher, ocorrido um ano antes da sua.

Em 1863 ele aceita o lugar de diretor da Singakademie de Viena, que abandona ao cabo de um ano. Viena, no entanto, estava destinada a tornar-se a sua segunda pátria, e o compositor ali se fixa, com efeito, em 1869 depois de vários atritos com a família. Entretanto, havia realizado algumas viagens e dado a conhecer a obra que verdadeiramente chamou para ele as atenções como compositor: o Réquiem alemão, executado pela primeira vez, ainda não na sua forma completa, em Brema, em 1868, e logo no ano seguinte, na sua versão definitiva, em Leipzig.

Em 1875, Brahms resigna-se do lugar de diretor de Gesellschaft der Musikfreunde e passa a dedicar-se apenas a sua criatividade criadora. Em 1887 é-lhe conferida a ordem prussiana Pour le mérite e em 1889 é feito cidadão honorário de Hamburgo, honraria que lhe dá grande satisfação. Prematuramente envelhecido, Brahms consagra as suas últimas forças criadoras quase exclusivamente à música de câmara, ao piano e às melodias, em que se havia mostrado o mais ilustre continuador do lirismo de Schubert e Schumann. A morte, em 1896, de Clara Schumann, produz-lhe profundo abalo. A sua saúde declina rapidamente e, em 1897, passa ao outro mundo vítima de cancro no fígado.

Embora Brahms tem sido chamado até de o " terceiro B" (comparando-o assim a Bach e Beethoven) sua personalidade artística tem sido das mais discutidas. Nos paises latinos só a muito custo a sua música tem obtido aceitação, ao passo que na Alemanha e Inglaterra, por exemplo, ela goza de indubitável prestígio.

Apesar de a estréia do RÉQUIEM ALEMÃO ter acontecido em l869, os esboços remontam a l861; a intensificação da atividade aconteceu após a morte de sua mãe em l866. Sua mensagem de esperança se apóia numa rígida estrutura simétrica e o texto está formado por passagens escolhidas da Bíblia, a partir da tradução realizada por Lutero. Nos estático clima criado por violoncelos, contrabaixo, trompas e órgão, sobre uma única nota e nos seus registros mais graves surge um motivo, primeiro nos violoncelos e logo depois nas violas, que prepara a aparição do coro, flutuante, quase incorpóreo, com as palavras "Selig seid, die da Leid tragen", estabelecendo assim o clima emocional que domina a obra: a tranqüila aceitação da morte. Tranqüilidade obscura, já que o compositor elimina todo o brilho ao anular violinos, clarinetes e trombetas. As vozes adquirem uma maior mobilidade na segunda seção:

"Die mit Tränen säen werden mit Freuden ernten". O encontro entre estas duas ressonâncias, onde os centros são as palavras "selig"e "Freude", cria uma equilibrada tensão. Estes elementos voltam a se alternar, recuperando as palavras iniciais e desatando um breve clímax com o acompanhamento, belíssimo e variável, da seção das madeiras, que junto com os desvanecidos sons da harpa e aos pizzicatti das cordas, encerra o movimento.

Uma marcha monumental inicia a segunda parte. Estranha dança da morte, comparada com freqüência a um canto de peregrinos, que anuncia a inexorável extinção. Essa marcha dá lugar a uma passagem, com a frase "so seid geduldig"cantada por tenores e contraltos e seguida por todo coro, que anuncia a seção final e na que se destaca o solo de flauta, que continua até a reaparição da marcha. Uma breve transição leva a um hino de júbilo, numa fuga que começa com a voz dos baixos com uma poderosa orquestração, para logo sublinhar, de um modo magnífico, o contraste entre as notas, quase dolorosamente alongadas e graves das palavras "Schmerz und Seufzen", e as breves, precisas e rápidas de "wird weg müssen". O otimismo se desvanece numa seção mais tranqüila, onde uma melodia, expressando a eterna alegria da salvação, corrobora o triunfo sobre a fatalidade da marcha fúnebre.

As cores escuras do primeiro movimento reaparecem no terceiro: sobre o som das trompas, tímbales e cordas, o barítono inicia um lamento. O tom declamatório, bem próximo do recitativo, revela-se idôneo para expressar a íntima inquietação do homem diante da natureza imprevisivel da morte. O coro repete o texto com efeito de eco, como se a comunidade fosse incapaz de aliviar a solidão do indivíduo diante da morte. Após um crescendo rapidamente abafado, desenvolvem-se as variações sobre "Ich muss davon". Um grito súbito sobre a última palavra leva a um progressivo e tenso diminuendo da orquestra; um pizzicatto das cordas é a derradeira e frágil ressonância ante o silêncio. Depois do vazio vem o consolo: motivos de instrumentos de sopro acompanham as reflexões acerca da futilidade de uma vida dominada pelos interesses materiais. De novo aparece a pergunta-chave, latente, e com ela o desespero "Nun Herr, wess soll ich mich trösten". O coro, como um remanso, reafirma a esperança e o ambiente transfigura-se com uma impressionante fuga: a permanente instabilidade, que até agora dominava, desaparece ante uma sólida e imponente forma reforçada sobre um ré, extraordinariamente alongado, mantido por contrabaixos e órgão.. Base firme, como a mão do Senhor, à qual se submete a humanidade.

O quarto movimento constitui o centro da obra. Sem correspondência na estrutura simétrica, funciona como o seu eixo: neste, a dialética entre a esperança e o terror, entre a luz e a sombra, resolve-se decididamente a favor das primeiras. O coro descreve as excelências da glória eterna. A seção dos sopros, sobretudo flautas e clarinetas, desenha frases num clima de tranqüilidade. Ressalta o crescendo descritivo da frase "Meine Seele verlanget und sehnet sich" e os toques de corda, quase palpitações, em "Mein Leib und Seele freuen sich".

O quinto movimento continua acentuando o consolo. Agora a voz solista é a de um soprano. Numa total intimidade, as cordas em surdina, a linha vocal emerge recolhida, quase abrigada, em uma delicada e suave textura, nos instrumentos de madeira e coro, que a rodeia e abraça maternalmente. Entre os numerosos detalhes de uma prodigiosa orquestração, são maravilhosos os solos de oboé e violoncelo em "Ihr habt nun Traurigkeit" e a sublime melancolia da parte final "ich will euch trösten, wie einem seine Mutter tröstet", referência explícita à pessoa cuja morte inspirou a criação da obra.

O contraste do sexto movimento é ainda mais eficaz. Começa, mantendo a simetria, com uma marcha, tal como no segundo movimento. Das vozes do coro surge, enérgico, o barítono, com uma impressionante intensidade, para revelar o segredo da Ressurreição. As vozes repetem suas frases hipnoticamente, com assombro e reverência, até que um crescendo nos transporta à pessoalíssima interpretação que Brahms realiza do Dies Irae. Orquestra, coro e órgão anunciam a hora do chamado final, enfatizando a vitória sobre a morte - e não o juízo ou o castigo, como é tradicional na liturgia católica.

O jogo reflexivo e o caminho conceitual terminam no sétimo movimento, que recupera exatamente o mesmo espírito do primeiro. O texto selecionado é similar. A melodia dos sopranos é contestada pelos baixos, mas em vez de um movimento fugado, como era de se esperar, surge um movimento coral compacto em que aparecem, com continuidade, elementos imitativos. A seguir é exposta a idéia do descanso, numa clara referencia à missa católica, para voltar aos versos iniciais que, se num princípio usam o mesmo material temático, passam depois de um breve crescendo à música do primeiro movimento, reforçando a esperança sobre a sombria orquestração e finalizando com a extinção dos pizzicatti, da seção das madeiras e harpa. Com perfeição circular afirma-se a vitória sobre a morte.

Fonte: www.unb.br

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