
Os corais, juntamente com várias outras espécies de animais, vivem nas zonas de recifes de coral (como o próprio nome diz), porém, estes na grande maioria vivem em associação com micro-algas (Zooxantelae spp.). Estas algas vivem dentro dos tecidos dos corais em uma cooperação que beneficia ambos organismos - tanto as algas quanto os corais necessitam um do outro para sobreviverem. Os corais promovem abrigo e liberam grandes quantidades de produtos excretados pelo metabolismo para nutrição destas algas e as mesmas algas promovem muitos nutrientes que são fundamentais para a sobrevivência dos corais. Devido a esta relação, os corais ganham cor e formas variadas, que enfeitam nossos mares e oceanos. As algas estão totalmente ligadas aos recifes de coral. Por razões que ainda não estão totalmente claras, esta relação entre corais e algas está entrando em colapso, o que pode gerar um triste fim. Devido ao stress sofrido pelos corais, estas algas estão abandonando suas moradias ou simplesmente deixando os tecidos dos corais. Neste estágio podemos dizer que o coral não esta morto, mas se transformou e adquiriu uma viva cor branca, como se tivesse sido mergulhado no cloro. Os corais freqüentemente se recuperam deste evento, porém isto não está ocorrendo. Se a causa do stress alcançar altos níveis ou durar por um grande período de tempo, os corais podem morrer. Um número de diferentes tipos de stress tem sido relatado como a causa do branqueamento dos corais, incluindo altas e baixas temperaturas, poluição e, raramente, pelas altas e baixas taxas de luz. A causa mais provável pode estar ligada a variações de temperatura. Corais são extremamente afinados com seu ambiente e qualquer pequena alteração neste pode causar stress. Temperaturas alteradas em 1 ou 2 graus Celsius a mais ou a menos do que as normais nos períodos de maior calor no ano são suficientes para "branquear" os corais.
Desde o fim do ano de 1997, relatos destes branqueamentos têm aparecido em diferentes áreas do globo terrestre. Um pouco antes deste período, (uns 3 meses) eu mesmo presenciei este fato quando estava mergulhando na Laje de Santos. Neste dia a água estava com aproximadamente 20 metros de visibilidade, e devido a isso alguns dos tripulantes da mesma embarcação começaram a gritar afoitos: "Nossa ! Que água maravilhosa, dá até pra ver aquelas pedrinhas brancas lá embaixo"!!!!. Pois estas pedrinhas brancas eram na verdade corais cérebro totalmente brancos, porém ainda vivos. Como se estivessem com a saúde perfeita, inchados e vistosos , porém totalmente brancos.
Incidentes do fato foram reportados em várias regiões do globo entre 1997 e 1998.As datas reportadas são de 32 países, de todos os oceanos e mares: Pacífico, Atlântico, Indico, Mar Vermelho, Caribe, Golfo da Arábia e alguns do Mediterrâneo (Onde existem alguns corais, mas não recifes verdadeiros). Sem dúvida esta é o acontecimento geográfico mais divulgado. Não é completamente ubíquo (que esta em todas as partes), mas temos que assumir que o fato do branqueamento dos corais tem sido divulgado mais do que simplesmente qualquer outro fato destas regiões, ou seja - não tivemos outro assunto em torno de corais mais analisado no ano internacional dos corais. Em adição ao acontecimento geográfico deste evento, ainda aparenta ser que o impacto tem sido o mais severo do que qualquer outro relato em outros anos que vieram a ocorrer em algumas áreas. Atualmente a morte de corais é alta, em torno de 95% em algumas áreas. Em poucos lugares, mesmo bancos de corais antigos e maciços têm morrido. É importante notar que em algumas áreas têm se recuperado, com perda de apenas alguns corais. A maior causa do Branqueamento está muito além do fato de variações de temperatura. Estas variações vieram ocorrer devido ao maior e mais contínuo evento do século, El Niño. A ligação entre El Niño e as mudanças climáticas induzidas pelo homem é ainda algo não muito esclarecido, mas não temos dúvidas em dizer que eventos extremos naturais estão se erguendo devido ao impacto humano. Desta forma, a temperatura oceânica de fundo também aumenta, colaborando com os efeitos do El Niño. Outros estresses como a poluição e sedimentação podem ter sua ligação devido às mudanças induzidas nas alterações climáticas.
Recifes de Corais são importantes fontes de sobrevivência para milhões de pessoas, promovendo suprimentos alimentícios, protegendo a costa de erosões, aliviando a pobreza e fornecendo a base para o presente e futuro do desenvolvimento da economia, particularmente para pesca e turismo. Cientistas e estudiosos estão ainda incertos nos possíveis impactos destes eventos. A morte de corais pode ter um imediato impacto no turismo do mergulho em algumas áreas. O impacto nas comunidades de peixes não será catastrófico, embora seja inevitável que algumas mudanças ocorram: alguns peixes irão sentirpela falta dos corais, assim como outros iram se beneficiar dos montes de algas que se formaram. Devido a todo este problema, o que piora a situação é o fato das estruturas coralíneas (recifes) estarem propensas ao impacto gradual das ações erosivas dos organismos, assim como a fragilidade diante das terríveis tempestades ou práticas de pesca destrutívas, portanto a perda destas estruturas coralíneas terão um profundo impacto na pesca, no turismo subaquático, na proteção da costa e conseqüentemente na estrutura da mesma.
Os recifes de coral estão presentes no mundo por mais de 200 milhões de anos e não será agradável se eles desaparecerem. Nós provavelmente não estamos vendo o aforamento dos recifes por sí, mas testemunhando um significante declínio em condições gerais de uma proporção também significante dos recifes mundiais. Com o retorno de melhores condições ambientais, não teremos dúvidas de que é possível a regeneração, e embora isto pareça muito bom, um recife afetado pode demorar décadas para se recuperar. O fato que mais preocupa é como os recifes afetados irão se recuperar, continuando com elevadas pressões como a pesca predatória, poluição e sedimentação. De modo geral, estas são as principais considerações de como mudanças climáticas afetarão a recuperação dos recifes. Os oceanos mundiais estão vagarosamente em aquecimento e isto pode aumentar de 1 a 2 graus Celsius a temperatura média nos próximos 50 anos. Tais mudanças irão reforçar qualquer futuro evento de El Niño, portanto temos de nos perguntar se será dada uma chance para a recuperação dos recifes, antes de futuros eventos como este aparecerem.
Este problema está em todo ecossistema e ultimamente a única solução é cortar a emissão de gases poluentes.
É urgente que precisamos de um melhor controle dos recifes de coral e suporte de comunidades baseados em projetos para redução do stress dos mesmos, assim como também melhorar a utilização sustentável deste recurso. Tais ações NÃO devem se limitar a um pequeno número de exemplos em textos de livros, mas deve-se espalhar ao redor dos países que tenham recifes de coral.
Nem todos os corais irão morrer nestes eventos, e os restantes (que nós esperamos ter algum ressalto natural a altas temperaturas) irão promover novas larvas que poderão suportar as agressões, formando recifes mais distantes (larvas de coral são arrastadas para grandes distâncias devido às correntes oceânicas). A criação de uma global proteção para os recifes pode ser o único meio para a defesa de algo que nunca foi tão importante.
Fonte: www.aqua.brz.net