O Acre é um dos 27 estados brasileiros. Ele é o 15º em extensão territorial, com uma superfície de 164.221,36 Km², correspondente a 4,26% da Região Norte e a 1,92% do território nacional.
O Estado está situado num planalto com altitude média de 200 m, localizado no sudoeste da Região Norte, entre as latitudes de -7°06´56 N e longitude - 73º 48' 05"N, latitude de - 11º 08' 41"S e longitude - 68º 42' 59"S.
Os limites do Estado são formados por fronteiras internacionais com Peru (O) e Bolívia (S) e por divisas estaduais com os estados do Amazonas (N) e Rondônia (L). As cidades mais populosas são: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Feijó, Tarauacá e Sena Madureira.
O nome Acre surgiu de “Aquiri”, que significa “rio dos jacarés” na língua nativa dos índios Apurinãs, os habitantes originais da região banhada pelo rio que empresta o nome ao estado. Os exploradores da região transcreveram o nome do dialeto indígena, dando origem ao nome Acre. Os primeiros habitantes da região eram os índios, até 1877, quando imigrantes nordestinos arregimentados por seringalistas para trabalhar na extração do látex, devido aos altos preços da borracha no mercado internacional, iniciaram a abertura de seringais. Este território, antes pertencente à Bolívia e ao Peru, foi aos poucos sendo ocupado por brasileiros. O imigrantes avançaram pelas vias hidrográficas do rio Acre, Alto-Purus e Alto-Juruá, o que aumentou a população de local de brancos em cerca de quatro vezes em um ano.
Buscando garantir o domínio da área, os bolivianos instituíram a cobrança de impostos sobre a extração da borracha e a fundação da cidade de Puerto Alonso. Após conflitos armados a cidade foi retomada por brasileiros e rebatizada como Porto Acre. A revolta dos brasileiros diante destas medidas resultou em conflitos que só tiveram fim com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 17 de novembro de 1903, no qual o Brasil adquiriu o território do Acre. Na região de fronteira com o Peru também houve controvérsias quanto aos limites territoriais. Em setembro de 1903, os peruanos foram expulsos das áreas ocupadas, sendo resolvido o impasse territorial em 8 de setembro de 1909, tendo como representante nas negociações o Barão do Rio Branco, então Ministro das Relações Exteriores.
Unificada a partir de 1920, a administração do Acre passou a ser exercida por um governador nomeado pelo Presidente da República. Até que em 15 de Junho de 1962 foi sancionada pelo Presidente da República João Goulart a Lei 4.070, que elevou o Acre a categoria de Estado. E em Outubro de 1962 foi eleito o primeiro governador do Estado do Acre, José Augusto de Araújo.
O desejo da elite regional amazônica de incorporar essas terras ao Brasil desencadeou os conflitos armados que resultaram na criação passageira de um “Estado Independente do Acre”, sob o comando do espanhol Luis Galvez e o conflito conhecido como “Revolução Acreana”, liderado pelo gaúcho Plácido de Castro. O desfecho desta história se deu através da habilidade diplomática do Ministro das Relações Exteriores Barão do Rio Branco, com a anexação do Acre ao Brasil em 1903. O ajuste das fronteiras com o Peru foi concluído em 1912, quando o Acre já havia sido decretado como Território Federal (decreto 5.188, de 7 de abril de 1904), integrando o Brasil. O Território do Acre permaneceu nessa condição política até a sua elevação a Estado em 1962. O passado dos tempos áureos da borracha ainda está presente nas paisagens acreanas, com muitos seringais espalhados pela exuberante floresta e seus rios sinuosos. A eles se somam as cidades, que passaram a abrigar a maior parte da população do Estado a partir da década de 1970.
Assim como a chegada dos brancos no século XIX desencadeou diversos conflitos com os habitantes indígenas, a chegada da estrada (BR 364) e de incentivos governamentais para a conversão da floresta em grandes projetos empresariais de produção pecuária (década de 1970), chocou-se com a as aspirações de milhares de famílias de posseiros espalhadas pelos antigos seringais. A luta dos seringueiros para manter a floresta em pé e regularizar a situação fundiária das populações remanescentes do ciclo da borracha, projetou lideranças populares e sindicais como as de Wilson Pinheiro e Chico Mendes, ambos cruelmente assassinados. Fruto da luta deste movimento, de sua articulação com os povos indígenas e as organizações nacionais e internacionais preocupadas com o futuro da floresta amazônica e seus habitantes tradicionais, surgiram em 1989 os Projetos de Assentamento Extrativistas (PAE) criados pelo INCRA. Em 1990, foram criadas as Reservas Extrativistas (RESEX), que são um tipo de assentamento em Unidade de Conservação, sob os cuidados do IBAMA. As RESEX existem atualmente também em outras partes do Brasil, estendendo os seus benefícios a milhares de seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, pescadores e outras populações que praticam atividades tradicionais e de baixo impacto ambiental.
Com vinte e dois municípios em todo o Estado, o Acre guarda muitas peculiaridades. É o caso de Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter, que possuem as densidades demográficas mais baixas. Chega-se a esses municípios somente de avião ou navegando pelos rios, que ainda são os caminhos tradicionais na Amazônia Brasileira. O município mais populoso na região do Alto Juruá é Cruzeiro do Sul, com a segunda maior população do Estado. A região é acessível por terra pela Rodovia BR 364 somente durante os meses do verão amazônico (junho a agosto). Os municípios como Tarauacá, Feijó e Manuel Urbano - ao longo desta rodovia, contam com a mesma sorte, enquanto aguardam o avanço da pavimentação já em andamento.
A situação muda bastante no leste acreano, na região da Capital. Com muitos assentamentos de reforma agrária e fazendas de gado, esta região tem a sua cobertura vegetal original bastante alterada. A ocupação humana é mais densa e há uma rede de ramais e rodovias que dão suporte às atividades econômicas entre os municípios da região. A Capital Rio Branco é o município mais populoso, com seus 314.127 habitantes. Nela se concentra a maior parte da infra-estrutura administrativa do Estado, dos serviços de saúde e de outros setores que polarizam a vida na região e em todo Estado.
Ao longo da Rodovia BR 317 que segue para o oeste, há muitas fazendas, além de municípios mais novos como Senador Guiomard e Capixaba. Nesta região, no vale do Acre está Xapurí, a “Princesinha do Acre”, que guarda lembranças do Ciclo da Borracha, da luta contra o domínio boliviano e também de um de seus filhos mais famosos, Chico Mendes. As cidades gêmeas, Epitaciolândia e Brasiléia, se localizam no Alto Acre, que ali define a fronteira internacional com a Bolívia. Do outro lado do rio fica Cobija, uma zona franca boliviana, que atrai compradores de várias regiões com seus produtos a preços baixos. Seguindo para o Oeste se encontra Assis Brasil, município localizado na tríplice fronteira com Bolívia e Peru, por onde passa a rodovia que integrará esta região do Brasil aos vizinhos sul-americanos e ao Oceano Pacífico.
Os povos indígenas representam a diversidade e a riqueza da cultura amazônica tradicional. Suas práticas culturais incluem um conhecimento complexo e detalhado da diversidade biológica amazônica, como atestam o uso tradicional da “ayahuasca”, da vacina do sapo “kampô” e muitas outras. A população indígena do Acre é bastante diversificada e composta por etnias do tronco lingüístico Aruak, tradicional da região amazônica, e do tronco lingüístico Pano, originário da região andina. Estes últimos migraram para a bacia amazônica após sucessivos confrontos com os invasores espanhóis que invadiam suas terras a partir do Oceano Pacífico. Essas etnias representadas pelos povos Kaxinawá, Yawanawá, Katukina, Jaminawa, Kulina, Ashaninka, Nukini, Poyanawa, Manchineri, Arara, Apurinã, Kaxarari, índios isolados e outros que vivem e transitam pela região de fronteira com o Peru, representam aproximadamente 14.451 indivíduos. Estes vivem em cerca de 146 aldeias espalhadas por diversas Terras Indígenas. Estas terras, com uma extensão de 2.234.265 hectares, cobrem 13,61% do território acreano.
Os rios do estado constituem um meio de transporte muito importante. A maioria das cidades e povoados acreanos se originou às margens dos rios. Os principais cursos d’água da rede hidrográfica do estado correm na direção Nordeste e são afluentes da margem direita do rio Solimões, que a partir de Manaus recebe o nome de Amazonas. Estes rios são cheios de curvas, chamadas de “meandros”, uma forma típica dos rios de planície. No estado há ocorrências de cachoeiras, corredeiras e quedas d’água somente na região da Serra do Divisor, pois o restante do estado é formado por terras planas e de origem sedimentar. Os principais cursos d'água são os Rios Tarauacá, Purus, Gregório, Envira, Acre e Juruá. Eles formam a rede hidrográfica estadual, dividida entre a Bacia do Acre-Purus e a Bacia do Juruá.
De acordo com a Classificação de Köppen, o clima acreano é do tipo equatorial, quente e úmido. Com temperaturas médias anuais variando ent re 24,5ºC e 32ºC (máxima), permanecendo uniforme em todo o estado e predominando em toda a região amazônica. Ocorrem duas estações distintas: uma seca e uma chuvosa.
Durante a estação seca, que se inicia no mês de maio prolongando-se até o mês de outubro, desaparecem as chuvas, sendo comuns as ¨friagens¨. Estas são resultantes do avanço de uma Frente Polar impulsionada por uma Massa de Ar Polar Atlântica que avança pela Planície do Chaco até a Amazônia Ocidental provocando queda de temperatura (até 10ºC).
A estação chuvosa, ocorre de novembro a abril, sendo caracterizado por chuvas constantes e abundantes. A umidade relativa do ar atinge 90%, índice bastante elevado se comparado ao de outras regiões brasileiras. Já os índices pluviométricos variam de 1.600 mm a 2.750 mm/ano.
A estrutura do relevo do Estado do Acre está representada pela Depressão Amazônica, pelo Planalto Rebaixado da Amazônia Ocidental e pela Planície Amazônica. Caracterizados, respectivamente, por uma extensa superfície rebaixada, baixos platôs e grandes áreas alagadiças e lagos.
Fonte: IBGE e Govinda Terra - Geógrafo.
Sigla: AC
Habitante: acreano
Capital: Rio Branco
População: 686.652 (estimativa IBGE/2006)
Área: 164.221 km²
Densidade populacional: 4,18 hab/km²
Hora local (em relação à Brasília): -2h.
Localização: sudoeste da região Norte.
Limites: Amazonas (N); Rondônia (L); Bolívia (SE); Peru (S e O).
Características: planalto (maior parte do território); Serra da Contamana (O).
Clima: equatorial.
Rios principais: Juruá, Tarauacá, Muru, Envira, Xapuri, Purus, Iaco, Acre.
Número de municípios: 22
Governador: Arnóbio Marques de Almeida Junior (Binho) - PT
Vice: Carlos César Messias - PP
Rio Branco – Capital: 314.127 hab. (8.831 Km²)
Cruzeiro do Sul: 86.725 hab. (8.816 Km²)
Feijó: 39.365 hab. (27.964 Km²)
Sena Madureira: 33.614 hab. (23.732 Km²)
Tarauacá: 30.711hab. (20.199 Km²)
Senador Guiomard: 21.000 hab. (2.321 Km²)
Fonte: IBGE, 2006; CPI dos limites do Estado do Acre, 2006.
Fonte: www.ac.gov.br

Conhecer o Acre é um privilégio para aqueles que admiram o espírito guerreiro do povo Amazônico. Marcado na história como "o Brasil que o Brasil não queria", o Estado hoje é um dos principais exemplos de persistência e amor à soberania nacional. Palco de um passado glorioso, o Estado é o berço de grandes personalidades como Chico Mendes, Marechal Rio Branco e Galvez, o "Imperador do Acre".
Abrigo dos nordestinos, de estrangeiros e outros que se aventuraram em busca da riqueza no Ciclo da Borracha, o Acre possui tudo que um turista procura: desde histórias e tradições encantadoras até belas praias e um patrimônio cultural deslumbrante. A Culinária não deixa a desejar e o roteiro turístico é encantador.

Se na década de 70 os nordestinos chegaram no Estado em busca da riqueza do látex, hoje os filhos da terra buscam o desenvolvimento e a abertura para o mercado internacional.
Seus 22 municípios refletem toda essa beleza e suas particularidades só enriquecem mais ainda a natureza selvagem e atraente da Amazônia. A capital do Acre, Rio Branco, no início Porto Acre disputa em hospitalidade, beleza e simpatia dos nativos com os demais municípios, principalmente Xapurí, um dos principais pólos turísticos do Estado. Visitar o Acre é, sem dúvida, fazer parte dessa história gloriosa.
Fonte: www.amazonia.com.br

A história do Acre começa a se definir em 1895 quando uma comissão demarcatória foi encarregada de definir limites entre Brasil e Bolívia, com base no Tratado de Ayacucho, de 1867.
No processo demarcatório foi constatado, no ponto inicial da linha divisória entre os dois países (nascente do Javari), que a Bolívia ficaria com uma região rica em látex, na época ocupada por brasileiros.
Reconhecida legalmente a fronteira Brasil-Bolívia, em 12 de setembro de 1898 a Bolívia quis tomar posse da região então ocupada por seringueiros brasileiros, na vila de Xapuri. Os brasileiros não aceitaram e obrigaram os bolivianos a se retirar da região.
No início de 1899, desembarcou em Puerto Alonso o ministro boliviano, Dom José Paravicini, com apoio do governo brasileiro, impôs decretos, inclusive o de abertura dos rios amazônicos ao comércio internacional, cobrou altos impostos sobre a borracha, demarcou seringais e oprimiu os nativos da região.
O período dessa atuação ficou na história como os "Cem dias de Paravicini". A Insurreição Acreana ganha seu primeiro ensaio em 1º de maio de 1899, quando seringalistas se reúnem no seringal Bom Destino, de Joaquim Vitor, liderados pelo jornalista José Carvalho, e decidem lutar contra o domínio boliviano.
O momento coincidia com a viagem de Paravivini para Belém. O Delegado que o substituía, Moisés Santivanez, foi expulso. Começava a Revolução Acreana. Sem armas ou tiros, os revolucionários brasileiros restabeleceram o domínio e criaram a Junta Central Revolucionária.
Em 03 de junho de 1899, entra no cenário da Revolução do Acre o jornalista espanhol Luis Galvez, que denuncia nos jornais paraenses uma aliança entre Bolívia e Estados Unidos.
Os EUA apoiariam militarmente os bolivianos em caso de guerra contra o Brasil. Enquanto o governo brasileiro continuava reconhecendo os direitos da Bolívia sobre a região, revolucionários decidem pela fundação do Estado Independente do Acre.
Os revolucionários, em 14 de julho de 1899 - escolhida por ser a data de aniversário da Queda da Bastilha durante a Revolução Francesa - concretizam a criação do Estado Independente do Acre, com capital na Cidade do Acre, antes chamado Puerto Alonso.
Luis Galvez foi aclamado presidente do novo país. Galvez buscou o reconhecimento internacional e elaborou a legislação.
Porém, ele desagradou seringalistas, aviadores e exportadores e acabou sendo deposto em 28 de dezembro de 1899 pelo seringalista Antônio de Souza Braga, que não se garantiu no comando e devolveu o posto a Galvez, em 30 de janeiro de 1900.
Em 15 de março de 1900, o governo federal enviou força da marinha brasileira para o Acre. Galvez foi destituído e o Acre voltou ao domínio Boliviano.
O governo do Amazonas também tinha pretensões de anexar o Acre ao estado e decidiu financiar a expedição Floriano Peixoto ou Expedição dos Poetas, que levou para a área boêmios e profissionais liberais de Manaus.
Em 29 de dezembro de 1900, em Puerto Alonso, os poetas foram derrotados. Em 11 de julho de 1901, a Bolívia assina contrato de arrendamento do Acre com capitalistas norte-americanos e ingleses, que chegaram para instalar o Bolivian Syndicate, o que, para a opinião pública, era uma ameaça à soberania nacional.
O governo federal finalmente percebe os riscos e possíveis perdas e interfere, salvando a Amazônia do domínio imperialista.
Com novo apoio do governo do Amazonas seringueiros e seringalistas revolucionários partiram mais uma vez para a luta em 6 de agosto de 1902, em Xapuri.
A luta armada se estendeu até 24 de janeiro de 1903, data de retomada do poder aos brasileiros e reinstalação do Estado Independente do Acre. Com a substituição, na República brasileira, de Campos Sales (1898/1902) por Rodrigues Alves (1902/1906) muda a postura do governo federal sobre o assunto.
A partir das negociações do ministro das Relações Exteriores, Rio Branco, foi estabelecido o Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903, que anexava o Acre ao Brasil. Em 8 de setembro de 1909, mediante o Tratado do Rio de Janeiro, foi resolvida também a questão de fronteiras com o Peru.
Fonte: Secretaria de Turismo do Estado do Acre