
Estimativas apontam que mais de 1 milhão de nativos habitavam o atual território brasileiro quando Pedro Álvares Cabral aportou na costa leste, em 1500, e reivindicou a área para Portugal. Poucos vestígios restaram das muitas culturas nativas originais.
A colonização iniciou-se lentamente e desenvolveu-se ao longo de várias décadas. Depois de 1650, a expansão portuguesa acelerou-se, permanecendo até a transição para um Brasil independente em 1822. A cultura do Brasil moderno formou-se de um rico passado de tradições étnicas. Os primeiros colonos portugueses adotaram muitos costumes e palavras dos idiomas da população nativa. Durante o período colonial, do século XVI ao século XIX, milhões de africanos trazidos como escravos para o Brasil acrescentaram um elemento africano à vida cultural brasileira.
A população brasileira compreende ainda descendentes de imigrantes de diferentes nações européias. Foi inicialmente colonizado pelos portugueses, franceses (no Rio de Janeiro) e holandeses.
A partir de 1850, vieram os italianos, alemães e espanhóis, entre outros. Esses grupos de imigrantes estabeleceram-se na parte sul do país, mantendo comunidades étnicas.
O Brasil abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão. No território brasileiro restam poucos nativos que não se mesclaram com outros grupos étnicos.
A maior parte vive na região do Rio Amazonas, incluindo aqueles que têm um contato muito limitado com a sociedade moderna. Grupos nativos como os yanomamis estão ameaçados de extinção devido à expansão de pistas de pouso e estradas e à mineração em seus tradicionais territórios. A população afro-brasileira vive principalmente nos estados do nordeste, como a Bahia.
Todos esses grupos influenciam a diversificada cultura brasileira. Cerca de 90% da população vive em 10% do território - a maior parte na costa leste - em vilas e cidades, de Fortaleza à fronteira uruguaia. O Brasil é o maior e mais populoso país da América do Sul. Diferentemente do resto da América Latina, o português é a língua oficial do Brasil. Embora o espanhol seja, de uma maneira geral, compreendido pelos povos de língua portuguesa, o português, normalmente, não é compreendido pelos povos de língua espanhola.
Muitos brasileiros falam o alemão e o italiano, especialmente nas cidades do sul, e o japonês e o árabe, particularmente em São Paulo, áreas brasileiras que receberam grandes levas de imigrantes estrangeiros. Entre as línguas indígenas, as mais faladas são o tucuna (Amazonia, com 23 mil falantes), o macuxi (Roraima, 15 mil), o terena (Amazonas, 15 mil) e o guarani (Mato Grosso e Região Sul, 15 mil falantes). Quase 88% dos habitantes do Brasil se definem como católicos romanos. Contudo, aproximadamente vinte milhões de católicos também praticam algum tipo de culto ritual de origem africana.
Sob a influência do catolicismo, os orixás africanos, ou divindades, foram identificados com santos católicos. Essa fusão da religião ioruba (originária da atual Nigéria) e do catolicismo romano resultou em singulares religiões afro-brasileiras. A mais influente é provavelmente o candomblé, praticado por milhões de brasileiros, particularmente na Região Nordeste. No Sudeste, a umbanda - combinando elementos de religiões nativas, africanas e européias - possui uma massa de seguidores. Existem ainda pelo menos cinco milhões de protestantes, entre os quais se inclui um número importante de luteranos, metodistas e episcopais, e uma pequena comunidade de judeus.
A maioria dos indígenas americanos professam religiões tradicionais. Sob o domínio português, a Igreja Católica Romana exerceu uma grande influência na política. Desde a fundação da República em 1889, entretanto, houve a separação do estado e da igreja e a garantia de liberdade religiosa. O Carnaval, o período de três dias que precede a Quarta-feira de Cinzas em fevereiro ou março, é a mais famosa festa brasileira. Porém, não há um Carnaval brasileiro, há carnavais com diferentes celebrações regionais. As mais significativas são as das cidades do Rio de Janeiro, Olinda, Recife e Salvador. No Rio, em 1853, uma portaria da polícia proibiu o entrudo - hábito de os transeuntes jogarem uns nos outros água e talco - pela sua violência. Esta proibição foi a senha para que sambistas como Cartola, Donga, Sinhô, Zé da Baiana e Heitor dos Prazeres - com suas músicas divulgadas em libretos e nos discos -, estruturarem outro tipo de Carnaval.
As Escolas de Samba foram institucionalizadas ao serem obrigadas a se registrar sob a sigla GRES (Grêmio Recreativo e Escola de Samba). Hoje as grandes escolas como a Estação Primeira da Mangueira, Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel, Grêmio Recreativo Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Salgueiro, Beija-Flor de Nilópolis e Imperatriz Leopoldinense, entre outras, dominam o Carnaval carioca.
Na Bahia, o trio elétrico - o mais famoso é o de "Armandinho, Dodô e Osmar" - comanda o Carnaval a partir da praça Castro Alves. Motorizados, os trios arrastam multidões pela cidade. Há, ainda, os afoxés - blocos carnavalescos que cantam canções de candomblé em ioruba - e a micareta, esta última realizada na Quaresma. Em Olinda e Recife, o maracatu é uma encenação de enredo especial, com coroamento solene de um rei. O frevo é o gênero musical predominante.
Fonte: www.timebrazil.com.br