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Piauí

História do Piauí

A descoberta dos sítios arqueológicos do Piauí

No município de São Raimundo Nonato, Piauí, Niède Guidon e a equipe de arqueólogos brasileiros e franceses que a auxiliam descobriram pedaços de carvão que seriam restos de fogões pré-históricos; foram encontrados também fragmentos de instrumentos de pedra (machados, facas e raspadores), pinturas rupestres e restos de cerâmica de diferentes épocas. A partir do estudo desses vestígios, os pesquisadores têm procurado reconstituir a história da ocupação humana dessa região.

Segundo Niède Guidon, os achados mais antigos datam de aproximadamente 48 mil anos. Eles permitem imaginar que, naquela época, o homem vivia em pequenos bandos de caçadores e coletores nômades, sempre em busca de fontes de alimento. Eles dominavam o fogo, que era utilizado para cozinhar, iluminar e como arma de defesa e ataque.

As datações com mais de 12500 anos são, entretanto, questionada pela maior parte dos arqueólogos.

De acordo com os fósseis de animais encontrados junto aos vestígios humanos do Piauí, sabe-se que as principais vítimas daqueles caçadores eram o cavalo, uma espécie de camelo, o tigre de dente-de-sabre; a preguiça, o tatu gigante, lagartos e capivaras. A presença desses animais indica que o clima região era úmido. Os fósseis de plantas, por sua vez, revelam que essa região do Nordeste brasileiro, atualmente desértica, era recoberta por uma densa floresta tropical.

Os homens que aí viviam começaram a fazer pinturas nas paredes de seus abrigos naturais. Esses artistas pré-históricos representavam animais, plantas e suas próprias atividades humanas: a caça, a guerra, o nascimento, as festas.

Utilizando pigmentos minerais, nas cores: vermelha, laranja, branca e preta, eles foram aprimorando a técnica, que atingiu sua maior expressão entre 12 mil e 8 mil anos atrás.

É dessa época, justamente, o mais antigo esqueleto humano encontrado em São Raimundo Nonato: o crânio de uma mulher que morreu aos 25 anos de idade.

Posteriormente ocorreu um empobrecimento na arte de pintar: as figuras nas paredes das cavernas tornaram-se desproporcionais, seus traços tornaram-se mais simples e passaram a ser pintados com uma única cor.

O que teria ocorrido na região: a dominação de um povo por outro, mais rústico, que exterminou a antiga cultura?

Por volta de 3 mil anos atrás, os antigos habitantes do Piauí adotaram a agricultura e a cerâmica. Organizaram-se também em comunidades permanentes, semelhantes às aldeias indígenas encontradas pelos portugueses, cerca de 2500 anos depois.

Índios do solo piauiense

Nômade por natureza, sempre em busca de alimento nos rios, nas matas e nos campos, imigrando constantemente por causa das guerras contínuas, é difícil e quase impossível situar, com precisão rigorosa, o indígena no solo piauiense. Podemos, entretanto, faze-lo, à luz de documentação escassa, em determinados períodos de tempo, mormente nos lances da conquista. Fora disso, qualquer afirmação seria mera fantasia. Uma tribo que hoje estava no médio Parnaíba poderia amanhã se deslocar para o rio do Sono, já no interior de Goiás.

Feita esta ressalva, necessária, vamos situar as nossas tribos, tanto quanto possível, valendo-nos do testemunho dos exploradores que com elas se bateram em guerras de conquista e extermínio.

Os Tremembés, exímios nadadores e valentes guerreiros, dominavam o baixo Parnaíba e seu delta.

Os Pimenteiras, nos limites com Pernambuco. Os Gueguês, na região central do Estado.

Os Gamelas, Jenipapos e Guaranis, que durante algum tempo vagaram pelas margens do Parnaíba, retiraram-se para o Maranhão, logo após o levante de 1713. Foram seguidos do Cabuçus, Muipuras, Aitatus, Amoipirás.

Os índios que povoavam grandes áreas brasileiras "fervilhavam como formigas nos vales dos rios do Piauí". Nos primeiros tempos da colonização, ocupavam as terras de forma primitiva, em "regime comunal de propriedade", delas tirando o seu sustento cotidiano. Quando da chegada dos primeiros colonizadores, numerosas tribos e nações sediavam desde o baixo e médio delta do Parnaíba às cabeceiras do rio Poti e, nos limites com Pernambuco e Ceará, ocupando praticamente todo o território piauiense.

As populações indígenas, que habitavam o Piauí, foram extintas, restando uma memória difusa e quase apagada na sociedade piauiense atual. Determinados costumes e hábitos indígenas ainda permanecem, mas não são assimilados como tais: a população desconhece de onde vêm. Tudo foi destruído e, a pesar das estatísticas sobre a população indígena serem contraditórias pode-se apontar um número de mais de 150 tribos existentes no Piauí.

Piauí, corredor de migração

O Piauí é uma ponte bem definida ligando duas regiões distintas da América do Sul. Ocupa um lugar na extensa faixa de campos e florestas que se estendem de norte a sul, entre o Oceano e a beira oriental do grande planalto brasileiro. Nele demoram os campos mais setentrionais de toda América meridional.

A variedade de clima denuncia-lhe o caráter de elemento de transição entre duas regiões bem diferenciadas. "Ao norte, o clima é quente e seco. A canícula no verão é debilitante, sendo as noites refrescadas pelos ventos oceânicos, que pouco vão ao sul de Teresina. Ao sudeste, predomina o clima da região do médio São Francisco. As noites são frias, de maio a agosto, para logo depois aparecer o calor rigoroso da estação das águas do nosso interior. Ao sudoeste, porém, o aspecto climatério vai se mudando à proporção que se avança para os limites maranhenses: os invernos são regulares, a umidade é quase nula, e nas noites de verão já se experimenta a sensação do frio do interior goiano. Esta configuração determinou, sem dúvida, a transformação deste vasto território num corredor de migração para as tribos selvagens, que se deslocavam da bacia do São Francisco e do litoral nordestino para a bacia do Amazonas e vice-versa. Aqui endosso a opinião de Odilon Nunes, um dos maiores conhecedores da História do Piauí.

Antes da instalação dos primeiros povoadores das terras piauienses, estas já eram conhecidas. Não se justifica tratar esses ocupadores como "descobridores" (várias vezes a expressão foi utilizada com relação a dois grandes vultos dos primórdios da história do Piauí: Domingos Jorge Velho e Domingos Afonso Mafrense) das terras piauienses. Desde o século XVI diversas expedições se sucederam percorrendo todo o território, e através delas, pouco a pouco divulgavam informações sobre a Bacia do Parnaíba e a serra do Ibiapaba. Porém eram estas expedições passageiras. Nada preciso objetivavam no território, visto que as vagas esperanças de encontrar ouro logo se esvaeceram. Em geral, estavam de passagem do Maranhão para o Pernambuco ou vice-versa. Nada os detinha no Piauí. É por volta de 1600 - 1700 que a região torno-se objeto de penetração mais intensa: bandeirantes paulistas, predadores de índios visitam-na por diversas vezes, e fazendeiros baianos, fazendo guerra aos índios, começam a marcar igualmente suas presenças. A primeira atração oferecida pelo Piauí é, pois, o índio, objeto de caça, que se prestava tanto, para a mão-de-obra como para elemento militar.

Fonte: www.piauihp.com.br

Piauí

O Piauí é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado a noroeste da região Nordeste e tem como limites o oceano Atlântico (N), Ceará e Pernambuco (L), Bahia (S e SE), Tocantins (SO) e Maranhão (O e NO). Ocupa uma área de 252.378 km²[1] (pouco maior que o Reino Unido). Sua capital é a cidade de Teresina.

As cidades mais populosas são Teresina, Parnaíba, Picos e Floriano. O relevo é moderado e a topografia regular, com mais de 53% abaixo dos 300 metros. Parnaíba, Poti, Canindé, Piauí e São Nicolau são os rios principais.

Geografia

Relevo

O relevo piauiense abrange planícies litorâneas e aluvionares, nas faixas das margens do rio Parnaíba e de seus afluentes, que permeiam a parte central e norte do Estado. Ao longo das fronteiras com o Ceará, Pernambuco e Bahia, nas chapadas de Ibiapaba e do Araripe, a leste, e da Tabatinga e Mangabeira, ao sul, encontram-se as maiores altitudes da região, situadas em torno de 900 metros de altitude. Entre essas zonas elevadas e o curso dos rios que permeiam o Estado, como, por exemplo, o Gurguéia, Fidalgo, Urubu Preto e o Parnaíba, encontram-se formações tabulares, contornadas por escarpas íngremes, resultantes da áreas erosivas das águas.

Hidrografia

Enquanto os estados do Nordeste oriental contam com apenas um rio perene, o rio São Francisco, com aproximadamente 1.800 km dentro de seus territórios, o Piauí conta com o rio Parnaíba e alguns de seus afluentes, entre eles o Uruçuí Preto e o Gurguéia que, somando-se seus cursos permanentes, ultrapassam 2.600 km de extensão. O Estado conta ainda com lagoas de notável expressão, tais como a de Parnaguá, Buriti e Cajueiro, que vém sendo aproveitadas em projetos de irrigação e abastecimento de água na região.

A perenidade dos rios piauienses, entretanto, encontra-se ameaçada. Os rios sofrem intenso processo de assoreamento, sempre crescente, em decorrência do desmatamento acentuado que ocorre no Estado, principalmente nas nascentes e nas margens dos rios.

Vegetação

Predenominam quatro classes vegetacionais: caatinga, cerrado, Mata de cocais e floresta.

Caatinga: tem sua ocorrência registrada no sul e sudeste do estado; é composta por cactos, arbustos e árvores de pequeno porte.

Cerrado: estende-se nas porções norte e leste, apresenta os característicos arbustos e árvores retorcidas e algumas gramíneas cobrindo as áreas.

Floresta: encontrada ao longo do Vale do Paraíba; é composta por palmeiras, principalmente espécies como carnaúba, babaçú e buriti. Estas espécies de floresta também podem ser encontradas no cerrado local e na mata do Parnaíba.

A Mata de cocais está situada entre a Amazônia e a caatinga nos estados do Maranhão, Piauí e norte do Tocantins, existem florestas dominadas pelas palmeiras babaçu e carnaúba, além do buriti e da oiticica, a Mata dos Cocais.

Clima

Duas tipologias climáticas ocorrem no estado. A primeira, classificada por Köppen como tropical quente e úmido (Aw); domina a maior parte do território variando entre 25 e 27°C. As chuvas na área de ocorrência deste clima também são variáveis. Ao sul, indicam cerca de 700mm anuais, mais ao norte a pluviosidade aumenta, atingindo índices próximos a 1.200mm/ano.

O segundo tipo de clima predomina na porção sudeste do estado, sendo classificado como semi-árido quente (Bsh). As chuvas ocorrem durante o verão, distribuindo-se irregularmente, alcançando índices de 600mm/ano; pela baixa pluviosidade, a estação seca é prolongada (oito meses mais ou menos) sendo mais drástica no centro da Serra da Ibiapaba. As temperaturas giram na casa dos 24 a 40°C, tendo seus invernos secos.

História

Em começo do século XVII, fazendeiros do São Francisco procuravam expandir suas criações de gado,quando os vaqueiros, vindos principalmente da Bahia, chegaram procurando pastos. Em 1718, o território, até então sob a jurisdição da Bahia, passou para a do Maranhão e passaram a ocupar as terras às margens do rio Gurguéia. Para estas terras existiam cartas de sesmarias. O capitão Domingos Afonso Mafrense ou capitão Domingos Sertão como era conhecido, era um desses sesmeiros; possuía trinta fazendas de gado e foi o mais alto colonizador da região doando suas fazendas - após sua morte - aos padres jesuítas da Companhia de Jesus.

A contribuição dos padres jesuítas foi decisiva, principalmente no desenvolvimento da pecuária que em meados do século XVIII atingiu seu auge. A região Nordeste, o Maranhão e as províncias do sul eram abastecidas pelos rebanhos originários do Piauí; até a expulsão dos jesuítas (período pombalino), quando as fazendas foram incorporadas à Coroa e entraram em declínio. Quanto à colonização esta se deu do litoral para o interior.

Em 1811, o Piauí tornou-se uma capitania independente. Por ocasião da Independência, em 1822, a cidade de Parnaíba foi ocupada por tropas fiéis a Portugal; o grupo recebeu adesões, mas acabou derrotado em 1823, por ocasião da Batalha do Jenipapo, em Campo Maior, o qual saiu enfraquecido e acabou por ser preso em Caxias. Alguns anos depois, movimentos revoltosos, como a Confederação do Equador e a Balaiada, atingiram também o Piauí.

Em 1852, a capital foi transferida de Oeiras para Teresina, tendo início um período de crescimento econômico. A partir da república, o Estado apresentou tranqüilidade no terreno político, mas grandes dificuldades no desenvolvimento econômico-social.

Economia

A economia do Estado é baseada no setor de serviços (comércio), na indústria (química, têxtil, de bebidas), na agricultura (soja, algodão, arroz, cana-de-açúcar, mandioca) e na pecuária extensiva. O turismo apresenta-se mais forte na região norte do estado, nos municípios de Parnaíba e Luís Correia, no litoral, e também nos diversos parques nacionais, em sua maioria, no sul do estado.

Ainda merecem destaque a produção de mel, o caju e o setor terciário em Picos e produção de biodiesel através da mamona em Floriano. O Piauí é considerado um dos estados mais pobres do Brasil, perdendo o primeiro lugar apenas para o Alagoas.[carece de fontes?].

No setor de mineração, a Vale do Rio Doce está em operação no município de Capitão Gervásio Oliveira, onde foi encontrada a segunda maior reserva de níquel do Brasil. Está em processo de pesquisa para verificar a viabilidade de exploração de petróleo e gás natural ao longo do Rio Parnaíba, provavelmente, em Floriano.

No tocante à industrialização, ressalta-se a multinacional Bunge, instalada em Uruçuí para exploração da soja e da empresa de cimento Nassau, em Fronteiras, onde se obtém matéria-prima para sua produção.

A agricultura é forte em Altos (manga) e União (cana-de-açúcar). Há previsão da construção de um porto seco em Teresina e, também, da construção de oito novas usinas hidrelétricas no Piauí, para tornar possível a navegação do Rio Parnaíba e gerar mais energia elétrica.

Extrativismo vegetal

Ocorre principalmente nos vales úmidos, onde predominam as matas de babaçu e carnaúba Estudos de laboratário sobre a carnauba demonstraram ser possível a elevado do nível tecnologico de seu aproveitamento, sendo a celulose o derivado de maior potencial para viabilizar a exploração dessa imensa riqueza natural do Estado. A castanha de caju deixou de ser um produto extrativo para se constituir numa cultura desenvolvida em grande escala e que boas perspectivas oferece ? economia do Estado.

Extrativismo mineral

Diversos estudos geológicos demonstram a existência de potencial bastante promissor de exploração mineral. Entre as ocorrências de maior interesse econômico, encontram-se o Mármore, o amianto, as gemas, a ardósia, o níquel, o talco e a vermiculita. Vale ressaltar que o Piauí á dotado de grandes reservas de águas subterrâneas artesianas e possui a segunda maior jazida de níquel do Brasil, localizada no município de São João do Piauí.

Pecuária

A pecuária foi a primeira atividade econômica desenvolvida no Estado, fazendo parte de sua tradição histórica. O folclore e os costumes regionais derivam em grande parte da atividade pastoril. Entre os rebanhos, destacam-se os caprinos, bovinos, suínos,ovinos e asininos. A Caprinocultura, por sua capacidade de adaptação a condições climáticas inispitas, tem sido incentivada pelo Governo, proporcionando meio de vida a significantes parcelas da populção carente, principalmente nas regiões de Campo Maior e Alto Piauí.

Agricultura

A agricultura no Piauí desenvolveu-se paralelamente á pecuária,como atividade quase que exclusivamente de subsistância. Posteriormente, adquiriu maior caráter comercial, embora de forma lenta e insuficiente para abastecer o crescente mercado interno do Estado. Entre as culturas tradicionais temporárias sobressaem-se o milho, o feijão, o arroz, a mandioca, o algodão herbceo, a cana-de-açúcar e a soja. Entre as culturas permanentes, destacam-se a manga, a laranja, castanha-de-caju e o algodão.

Fonte: pt.wikipedia.org