Formou-se um consenso entre os especialistas que a grande maioria dos povos primitivos, mensurava o tempo, através da visualização dos astros. Relacionavam o surgimento das constelações, ao por do Sol, com as precipitações atmosféricas que influíam sobremaneira nas atividades primárias, ou seja, estações secas e chuvosas. Estabeleceram períodos, ou ciclos, contando as lunações entre essas estações. Utilizando a estrela Siriús, da constelação do cão, nas conjunções sucessivas, em relação a alvos fixos, os Egípcios, antes de 4000 ª.C, já haviam fixado a duração do ano em 365 dias.
A sombra solar ou lunar foi muito utilizada na medição do tempo; dos métodos utilizados, selecionamos os seguintes:
Esse instrumento, através das sombras do Sol, ou da Lua, pelos seus movimentos naturais, projetavam-se de uma forma a poder medir o tempo decorrido entre posicionamentos preestabelecidos.
Não se sabe ao certo em que época surgiram; na Judéia, como registro escrito, podemos citar as escrituras sagradas em:
ISAIAS 38.8
"EIS QUE FAREI RETROCEDER DEZ GRAUS A SOMBRA LANÇADA PELO SOL DECLINANTE NO RELÓGIO DE ACAZ. ASSIM RETROCEDEU O SOL OS DEZ GRAUS QUE JÁ HAVIA DECLINADO"
Acaz, tornou-se rei de Judá por ocasião do falecimento de seu pai Jotão (735 ª. C).
Por volta de 400 ª. C, o Egito toma conhecimento desse relógio solar.
A medição do tempo, através das sombras logicamente pelas suas limitações quanto a precisão, fomentava uma natural busca ao seu aperfeiçoamento.
O ângulo que a sombra do aparelho faz com o chamado meridiano é o azimute do Sol que, evidentemente, não é o mesmo em todas as estações, dependendo da declinação do Sol.

Essas oscilações, extremamente negativas numa aferição de tempo, desabilitava cada vez mais o relógio solar; eis então que surge o quadrante solar.
Com o ponteiro apontado para a estrela solar, os astrônomos podiam regular (graduar) a escala em divisões que correspondiam, em uma equivalência, as estações do ano.
Em outras palavras, o ponteiro do quadrante assemelhava-se a um triângulo em pé, cuja ponta superior apontava para a estrela polar; seu vértice menor tocava o eixo polar, a sua base constituía-se no meridiano norte-sul. Grosso modo, isso significava que o ângulo formado pelo vértice menor eqüivalia-se a latitude do lugar que o quadrante estava montado.
Deve-se, originalmente, a invenção do quadrante aos árabes.

Sabedores das deficiências dos primitivos relógios de sombra, os astrônomos árabes conseguiram minimizar as oscilações, utilizando um estratagema engenhoso para, através de uma calibragem, ajustar o instrumento.
A figura principal para esse evento era a Estrela Polar e o seu eixo imaginário na Terra, ou, Eixo Polar da Terra.
Uma base, ou pilastra, construída perpendicularmente ao eixo polar, um ponteiro regulável, uma escala, constituíam-se nos outros componentes. As escalas da base estavam reguladas, com ajustes trigonométricos para àquele exato lugar; evidentemente, se transportássemos esse aparelho para outro local, ficaria totalmente descalibrado.
Posteriormente, Animandro de Mileto (380 ªC) aperfeiçoou o quadrante.
Essa nova versão, com uma placa que iluminada pelo Sol, refletia num marco situado estrategicamente na borda do mecanismo, a sombra e cuja regulagem trigonométrica possibilitava a leitura das horas correspondentes.
Apesar da precisa marcação das horas, suas subdivisões (minutos e segundos) eram medidas impraticáveis de se conseguir.
Além da insatisfação dos astrônomos quanto a medidas mais exatas, dependiam totalmente da benevolência das condições climáticas o que, convenhamos, era um grande inconveniente para àqueles cientistas do passado, que viviam a observar e registrar os fenômenos astronômicos.
A evolução dos conhecimentos e a pura necessidade impeliam os artífices na tentativa de se construir algo mais preciso na aferição do tempo.
Há desencontros quanto a exata paternidade da Clepsidra.
Marco Vitrúvio Pólio, célebre arquiteto romano do século I ªC., atribui sua invenção ao mecânico Ctesibio ou Ctézibro.
Existe uma corrente que atribui a Platão, filósofo grego, esse privilégio; como foi um emérito viajante, pode muito bem ter sido apenas o portador desse invento. Por outro lado, chineses e egípcios também se arrogam essa prerrogativa.
A única realidade objetiva é a de que esse invento e seus derivados, contribuíram exponencialmente para o aperfeiçoamento da medida do tempo.
Os astrônomos já não necessitavam da luz dos astros e benesses da mãe-natureza para as suas constantes e importantes mensurações.
A Clepsidra, em seu estágio mais aperfeiçoado, tinha como principio, a manutenção da água em um pequeno reservatório, sendo o seu escoamento controlado e calibrado pelo fluir através de um orifício na sua base, para outro compartimento receptor do líquido.
No interior daquele reservatório, uma bóia atrelada a um ponteiro, a medida que a água ia abaixando, servia de marcador de nível e, consequentemente, das horas.
A escala ou mostrador prostava-se, no lado de fora, ao redor do reservatório.
Todavia, a preocupação dos astrônomos e outros cientistas não se dissipou totalmente; os líquidos sofriam influencias, tais como: temperatura, pressões atmosféricas, cristanilidade dos líquidos, etc, que influíam na correta aferição do tempo.
No inverno, por exemplo, em países com temperaturas muito baixas, o líquido dos aparelhos, simplesmente congelavam, relegando as Clepsidras em objetos de adorno.
Com a introdução do mercúrio e do álcool, paliativos, diminuiu, um pouco, alguns inconvenientes.
Nesse ínterim, abrimos um parênteses para enaltecer-mos a figura de Arquimedes, ilustre geômetra da Antigüidade, nascido em Siracusa por volta de 287 e falecido em 212 ªC.
Dentre seus inúmeros feitos e invenções, a da roda dentada por volta de 250 ª.C, foi talvez a alavanca (*) propulsora para o desenvolvimento da mecânica e , principalmente, da evolução dos marcadores de tempo (relógios).
Após a descoberta da roda dentada e utilização das cremalheiras, as Clepsidras puderam ser mais aperfeiçoadas.
Por volta de 100 ªC, como aperfeiçoador e não inventor da Clepsidra, entra o mecânico de Alexandria, Ctesibio que apresentou, pela primeira vez, esse mecanismo com sistema de cremalheira e roda dentada conectada a um só ponteiro, que girando sob o seu eixo, fazia aparecer um mostrador, as horas decorridas.
O principio propulsor era praticamente o mesmo das Clepsidras primitivas.
O líquido que fluía do reservatório superior, enchia um reservatório em nível inferior que ia deslocando para cima, através de uma bóia; a cremalheira, por sua vez, fazia girar a roda dentada do ponteiro das horas.
(*) trocadilho em homenagem, também, ao descobridor da alavanca. Ficou celebre a sua frase:




A Ampulheta, denominada pelos romanos de AMPULLA (Redoma), praticamente foi desenvolvida pelos povos do Oriente Médio.
Em um lugar aonde a água era escassa e a areia abundante, nada mais natural do que utilizá-la para a fabricação de um aparelho de medição das horas.
O seu princípio é bem simples e assemelha-se, em parte, com o princípio da Clepsidra, tendo como agente, ao invés de líquido, areia fina.
Basicamente, a Ampulheta constitui-se de duas ampolas cônicas de vidro, sobrepostas, em oposição uma da outra, com um orifício bem fino, ligando os seus vértices.
A parte superior, contém uma porção de areia que em função da lei da gravidade, escoa para baixo, paulatinamente, o seu conteúdo; quando todo o conteúdo da ampola superior passa para a de baixo, termina um ciclo, ou, um período de tempo.
Para continuar essa aferição, simplesmente vira-se ou inverte-se as ampolas, sendo a que estava em cima fica em baixo.
A Ampulheta restringia-se a determinar ciclos ou períodos de tempo, sem porém, marcar as horas o que, evidentemente, limitava a sua utilidade.
Todavia, pela sua praticidade de locomoção, fácil utilização, tornou-se bastante popular e, houve muita resistência no abandono de sua utilização.
As chamadas velas de cera, parafina ou sebo, além das funções místicas ou, simplesmente, para clarear os ambientes, serviam também, com adaptações, de marcadores do tempo.
Ao longo do corpo das vela, eram colocados marcadores, perfeitamente calibrados com a ação de queima, que determinavam o tempo decorrido, ou traços coloridos que iam sendo consumidos pela ação das chamas.
Evidentemente, esse processo só podia ser utilizado por castas abastadas, pois eram muito caros e, convenhamos, a sua precisão questionada, pois deveriam ser utilizadas em ambientes fechados, sem a correnteza de ar e outras intempéries que influenciavam na precisão.
Na Idade Média, utilizavam-se dessas velas especiais para marcar o período noturno e pela prática, fixavam o consumo de três velas, num equivalente a uma noite, precisão evidentemente duvidosa.
Constam dos registros que esse processo teve maior difusão na Inglaterra. A fabricação dessas velas dependiam de um "MIX" operacional e de matéria prima, dignos de nota: o material utilizado, além dos componentes químicos, necessitava de uma compactação para dar a dureza exata às velas, para serem consumidas proporcionalmente.
Padronizadas, eram confeccionadas com 12 polegadas de comprimento (304,80 milímetros), para um consumo de 3 polegadas a cada hora, ou seja, uma vela a cada 4 horas, ou 6 velas durante o dia.
Praticamente no mesmo período das Clepsidras, tivemos os relógios incandescentes, cujo elemento combustor era o azeite.
Constituía-se, basicamente, de um reservatório de vidro com azeite (tipo candeeiro) cuja parte inferior possuía uma saliência (bico) que ardia em chamas, consumindo paulatinamente o azeite, fazendo baixar o nível, calibrado com divisões do tempo.
Por volta de 1800, os brilhantes Popp e Resch, inauguraram em Paris, um relógio pneumático, que funcionava propulsionado pelo ar comprimido, transmitido por intermédio de uma tubulação.
Talvez o mais importante, se é que teve mais, foi o relógio, construído pela firma Jager-Le Coultre, denominado "Atmos", um acrônimo da palavra atmosfera, impulsionado pelo ar.
Provavelmente o primeiro movimento ecológico ligado a arte da relojoaria (Relógio de Flora).
Credita-se esse feito ao botânico sueco Lineu, denominado de Relógio de Flora a um conjunto de flores, classificadas segundo a hora do dia a que abre cada uma delas.
Evidentemente, esse relógio não era exato para os padrões aleatórios impostos pelo homem, mas sim, determinados pela lógica da Mãe- Natureza e, dependia da sua localização no Globo Terrestre, sujeitos a variações de longitude, latitude, da altitude e, evidentemente, do clima.
Nota:- Na América do Norte, temos uma planta chamada Relógio que têm a seguinte peculiaridade: de manhã: cor branca; meio-dia cor vermelha e à noite, cor azul.
Provavelmente, na área, o relógio biológico seja a última fronteira do homem, na busca de um aperfeiçoamento da medida do tempo. Cientistas, mais precisamente fisiologistas, discutem sem cessar, em reuniões, congressos, sociedades científicas, etc, a existência de um dispositivo orgânico que regulo as funções dos animais, especialmente dos homens.
A negligencia e o desrespeito desse gerenciador biológico, conduz sistematicamente a doenças físicas e psíquicas, em um profundo e perigoso desajuste cronobiológico.
Estudos desenvolvidos em países adiantados, dão conta de que ocorrem, por exemplo, mais gestações no verão do que no inverno e, ao estudarem essas manifestações, tomaram cuidado de ponderarem fatores extras, como etnia, cultura, posição social, etc..
No entender desses abnegados da ciência, essas manifestações conduzem não só a compreensão da existência de um "relógio", mas também a de um "calendário biológico" o que, bem desenvolvido, traria inúmeros benefícios a humanidade.
Para os que gostam de estatísticas, somente no Hemisfério Norte, existem aproximadamente 80 milhões de trabalhadores que pelo revezamento constante, alternam seus turnos de trabalho: pela manhã, tarde e noite, numa verdadeira "roda viva".
Colocados sob observações, amostralmente, vários desses trabalhadores manifestaram ser portadores de distúrbios orgânicos de difícil cura.
Àqueles submetidos a tratamento e curados, pela constante alternância nos turnos de trabalho, voltaram a sentir os mesmos ou outros sintomas desarmoniosos.
É evidente que necessitam de uma resincronização, ou, através de alguma droga ou de um calendário biológico, para obterem a cura, o qual, em nossa opinião, seria o desejável.
Com a evolução das ciências, num crescente que poderíamos classificar de geométrico, fez com que os homens criassem, especificamente no campo da Horometria, verdadeiras maravilhas, principalmente no casamento perfeito da mecânica com a eletricidade e , posteriormente, da eletrônica. Com o advento do domínio atômico então, chegamos bem próximo da perfeição na arte de mensurar o tempo.
Longe de pretendermos abranger toda a evolução havida, visto não ser o propósito deste Site, procuramos dar um extrato sucinto desse crescimento, sem preocuparmo-nos com a cronologia dos fatos e nem a importância dos mesmos, correndo o risco, provavelmente, de prováveis injustiças em declinarmos o nome de algumas personalidades que contribuíram para tal desenvolvimento.
Esses relógios, basicamente, tem como componentes principais, engrenagens que se movem através de pesos e a sua precisão poderia ser chamada, se comparada com as posteriores, de grosseira.
Antagônicos e de certa forma surpreendentes, são os registros da época e do efetivo invento desses instrumentos (entre 800 e 1000 da nossa era).
Pela sua difícil construção e manutenção, principalmente aos cidadãos comuns, restringiram-se essas máquinas a ornamentos e registros do tempo em igrejas e outros locais públicos.
Um dos mais célebres relógios de peso foi exibido por volta do ano de 1286, na catedral de São Paulo, em Londres.
Dessa forma, as Clepsidras e Ampulhetas, por muitos anos ainda deram as cartas.
Por volta de 1500, Pedro Henlein, da cidade de Nuremberg fabrica o primeiro relógio de bolso, cognominado pela forma, tamanho e procedência, de "Ovo de Nuremberg".
Era todo de ferro, com corda para quarenta horas e precursor da "Mola Espiral", utilizando-se do pêlo de porco; constituía-se de um Indicador e de um complexo mecanismo para badalar.
Foi sem dúvida, em muitos países, o acelerador para diversas invenções e melhorias, principalmente na Europa , desenvolvendo-se de maneira vertiginosa à indústria relojeira.
Atualmente, muito se fala em controle de qualidade, qualidade total, capabilidade, etc..
Já naquela época, preocupados com a manutenção dos padrões de qualidade na fabricação dos relógios de bolso, mais populares, e, também mais acessíveis ao bolso do cidadão comum, na França, país que teve um desenvolvimento nessa industria de forma fantástica, Francisco I, baixou um estatuto que poderíamos chamar de:
UM DOS PRIMEIROS CÓDIGOS DO DIREITO DO CONSUMIDOR
Um dos itens de maior contundência, autorizava aos seis inspetores ou jurados à:
"ENTRAR A QUALQUER HORA NA CASA DOS MESTRERS RELOJEIROS E QUEBRAR, DEPOIS DE REUNIDOS EM JULGAMENTO, TODAS AS PEÇAS QUE ENCONTRASSEM DEFEITUOSAS"