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O Mau Monge

Charles Baudelaire

Um convento de antanho em suas arcarias
Desdobra os painéis da mística verdade
Cujo efeito, aquecendo as entranhas mais pias,
Mal temperava o frio de sua austeridade.

Tempo em que tu, ó Cristo, em meses florescias!
Mais de um monge dos teus, hoje na obscuridade,
Pondo-se a trabalhar entre as tumbas sombrias
Glorificava a Morte com simplicidade.

- A minha alma é um sepulcro em que mau cenobita
Por tempo sem início e sem fim anda e habita.
A beleza sumiu deste claustro de abrolhos.

Quando eu irei fazer, ó monge sempre em férias,
Desta farsa que eu sou, de tão triste misérias,
Ação para o meu braço e amor para os meus olhos?

Fonte: www.geocities.com