"Como conhecer jamais o menino? Para conhecê-lo tenho que esperar que ele se deteriore, e só então ele estará ao meu alcance. Lá está ele, um ponto no infinito. Ninguém conhecerá o hoje dele. Nem ele próprio. Quanto a mim, olho, e é inútil: não consigo entender coisa apenas atual. Totalmente atual. O que conheço dele é a sua situação: o menino é aquele em quem acabaram de nascer os primeiros dentes, e é o mesmo que será médico ou carpinteiro. Enquanto isso - lá está ele sentado no chão, de um real que tenho de chamar de vegetativo para poder entender. Tinha mil desses meninos sentados no chão, teriam eles a chance de construir um mundo outro, um que levasse em conta a memória da atualidade absoluta a que um dia já pertencemos? A união faria a força. Lá está ele sentado, iniciando tudo de novo, mas, para a própria proteção futura dele, sem nenhuma chance verdadeira de realmente iniciar."
Fonte: br.geocities.com