A professora entra na sala sorridente, carregando livros nos braços. A coordenadora apresenta a mais nova funcionária. Já na primeira reunião pedagógica, ela expõe suas idéias e seus projetos e propõe mudanças. A postura incomoda os colegas mais experientes. "Como alguém que está chegando acha que pode nos ensinar aquilo que já sabemos?"
Você provavelmente já passou por essa situação, certo? Os novatos vêm cheios de energia e vontade de dinamizar o trabalho, mas muitas vezes também têm aquela atitude um tanto arrogante de criticar o que existia antes. Desconsideram a sabedoria acumulada e acham que os veteranos são resistentes. Estes, por sua vez, imaginam que os iniciantes não sabem nada — e, cá entre nós, muitas vezes ficam quietos, para não arrumar "mais trabalho".
Para a psicopedagoga Maria Helena Bartholo, do Centro de Estudos da Família, Adolescência e Infância, do Rio de Janeiro, a solução é conversar. "Estabelecendo um canal de diálogo, as pessoas se conhecem e passam a respeitar o que a outras sabem", afirma. A chave para o bom relacionamento, portanto, é deixar o preconceito de lado. Ao reconhecer o que todos têm de positivo, fica fácil desarticular qualquer tipo de resistência ou defesa. "E isso vale tanto para quem está começando quanto para quem leciona há mais tempo", destaca Maria Helena.
A mistura da experiência com a energia do iniciante pode fortalecer a equipe e transformar divergências em parcerias. A coordenação tem um papel importante nesse processo de adaptação. É ela que orienta todos a formar um time, que joga unido.
Maria Estellita Lins tem 15 anos de Magistério. Obviamente, já foi novata. Passou para o lado dos experientes e hoje uma de suas atribuições é mediar os conflitos que surgem na Escola de Educação Infantil Nossa Casa, em São Paulo. "Na coordenação, procuro estimular o diálogo e fazer cada um defender seus pontos de vista. Assim, a equipe entra em acordo." As lembranças das dificuldades por que passou no início da carreira são uma das razões que levam Maria Estellita a incentivar quem está começando. Ela aconselha admitir que se tem menos experiência. "Eu mostrava às minhas colegas a aula que pretendia dar e pedia sugestões." Ao mesmo tempo, diz para não desanimar. "Até as idéias mais difíceis muitas vezes funcionam."
Se você chegou agora, mas já percebeu que existe algo a ser
mudado ou melhorado, fale de uma maneira que não agrida ou subestime
seus colegas. Primeiro valorize os pontos positivos do trabalho que vem sendo
realizado. Só então comece a sugerir formas diferentes de fazer
o que está bom ficar ainda melhor.
Socialize as idéias. Deixe claro, de preferência em reuniões,
que suas sugestões são apenas o início de algo a ser
incrementado. Se cada um opinar ou der novas idéias, a ação
passa a ser de todos. Dessa forma você divide as expectativas, o sucesso
ou o fracasso e passa a fazer parte do time.
Abandone a idéia de que as pessoas mais experientes são sempre
resistentes a qualquer tipo de novidade. Pensando assim, é você
quem coloca, de início, uma barreira no relacionamento com os demais
e dificulta a concretização de seus projetos.
Cuide para que os novos educadores sejam bem acolhidos e logo façam
parte do time da escola.
Estimule conversas que permitam a todos conhecer os colegas que acabam de
se unir ao grupo.
Estar ciente de que os conflitos são naturais e vão sempre existir
é um bom começo para administrá-los com sucesso. Quando
uma nova idéia surgir, não pense sobre quem é seu autor,
mas sim no impacto que ela causará no grupo e na melhor forma de fazer
todos se sentirem responsáveis. Quem pode transformar conflito em resultado
é você.
Reflita sobre que sentimentos a presença de um novo profissional na
escola desperta em você: insegurança, desconforto? Ele o ameaça
de alguma forma? É difícil acolher alguém em um grupo
que já funciona bem? Com base nessas considerações, pense
em como receber seu colega de forma que isso não atrapalhe o futuro
relacionamento entre vocês.
Não subestime seus colegas que têm pouca experiência. Eles
geralmente são muito dedicados e interessados, o que pode beneficiar
a escola. Ouça-os, pergunte o que já fizeram, se trabalharam
em outros lugares antes, enfim, tente conhecê-los.
Quem acaba de chegar tem mais facilidade de perceber o funcionamento da escola
e mostrar o que estava bem à frente de todos e ninguém percebia.
Às vezes a rotina faz com que você não note como é
possível melhorar ou dinamizar o trabalho.
Fonte: novaescola.abril.com.br