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CLONAGEM DE MACACOS

O primeiro primata geneticamente modificado do mundo, criado por cientistas nos Estados Unidos, teve um gene do animal marinho inserido em seu DNA.

O gene codifica uma proteína verde fluorescente, sem aplicação para pesquisas clínicas. A técnica usada para alterar o genoma do macaco, no entanto, poderá ser reproduzida com genes ligados a doenças humanas, criando-se um novo tipo de cobaia transgênica, muito mais semelhante ao homem do que os já tradicionais ratos modificados de laboratório.

"A única maneira de estudar uma doença causada por um gene defeituoso é reproduzir essa condição genética", explicou, em entrevista ao Estado, o pesquisador Anthony Chan, da equipe da Oregon Health Sciences University, em Portland. "Muitas doenças não podem ser reproduzidas em ratos. Com o macaco transgênico, poderemos estudar doenças de forma muito mais semelhante ao que ocorre nos seres humanos."

O trabalho, chefiado pelo cientista Gerald Schatten, foi publicado hoje na revista Science. - Os macacos usados no experimento são do tipo rhesus, cujo genoma é cerca de 98% idêntico ao do homem (o do rato é 92%). Para chegar ao macaquinho transgênico, batizado de ANDi (DNA inserido, em inglês, ao contrário), os cientistas começaram com 224 óvulos. No código genético de cada um foi inserido como marcador o gene GFP, natural da água-viva, que expressa uma proteína verde fluorescente, facilmente detectada pelos pesquisadores em pêlos e unhas. O vetor usado para transportar o gene e incorporá-lo ao DNA do óvulo foi um retrovírus, que usa o material genético da célula para se reproduzir, mas é inofensivo.

Os óvulos modificados foram então fecundados, produzindo 40 embriões. Esses foram implantados em 20 fêmeas, resultando em cinco gestações. Três bebês nasceram sadios no início de outubro, mas um par de gêmeos foi abortado. Apenas ANDi e os gêmeos incorporaram o gene. A fluorescência, no entanto, obervada sob uma luz especial, só foi detectada nos dois fetos abortados. Em ANDi, a presença do gene foi confirmada por exames de tecidos e urina. "Sabemos que o gene está lá, mas talvez ainda não esteja ativado ou produzindo a proteína em quantidade suficiente", disse Chan. Segundo os cientistas, o aborto dos gêmeos seria uma ocorrência natural, pelo fato de gestações múltiplas serem muito raras em macacos rhesus. O próximo passo será escolher a doença e o gene correspondente que serão estudados em futuros macacos transgênicos.

Fonte: col1107.vilabol.uol.com.br