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CLONAGEM DE RATOS

Cronologia 1966 / Junho Gurdon e Uehlinger relatam que rãs adultas foram desenvolvidas a partir de transferência nuclear de células intestinais de girino em ovos Xenopus enucleados. 1975 / Agosto Gurdon et al. relatam que a transferência nuclear de células de pele de rãs adultas para ovos Xenopus enucleados permite o desenvolvimento de girinos até o estágio de batimentos cardíacos, mas não até o estágio adulto.

Genética

O primeiro macho

Cientistas da Universidade do Havaí clonam mamífero adulto do sexo masculino. É o rato Fibro clonagem deixou de ser uma técnica aplicável exclusivamente às fêmeas. Cientistas da Universidade do Havaí clonaram o primeiro mamífero adulto do sexo masculino. Trata-se de um camundongo batizado de Fibro, uma brincadeira com a palavra fibroblasto, tipo de célula usada na criação do animal. Desde a ovelha Dolly, acreditava-se que apenas as fêmeas poderiam ser clonadas. Num exercício de imaginação envolvendo humanos, uma supermodelo como Cindy Crawford seria capaz de produzir uma cópia de si mesma sem precisar de um espermatozóide.

Bastaria que um óvulo fosse preenchido com material extraído de uma célula mamária. Agora, os pesquisadores Ryuzo Yanagimachi e Teruhiko Wakayama mostram que um macho adulto também pode ser replicado, segundo trabalho publicado na revista Nature Genetics. Em vez de utilizar células relacionadas ao sistema reprodutivo feminino para preencher os óvulos, como havia sido feito até agora, os cientistas criaram Fibro a partir de um pedaço do rabo de um camundongo. Eles colheram 700 óvulos produzidos por ratas e descartaram o núcleo deles. O material foi substituído por células extraídas da cauda do doador.

Apenas 274 embriões resultaram dessa operação e foram implantados em 25 ratinhas que funcionaram como "mães de aluguel".

O índice de sucesso, assim como ocorreu nos outros casos famosos de clonagem, foi baixíssimo. Apenas Fibro sobreviveu. Ele é fértil e em breve cruzará com fêmeas também criadas por clonagem. Resta saber se Fibro envelhecerá precocemente. Há duas semanas, o criador de Dolly, Ian Wilmut, disse que o material genético de Dolly é típico de animais mais velhos. Mas não convenceu Yanagimachi. "O último estudo de Wilmut está sendo criticado por muitos cientistas, porque é prematuro afirmar que Dolly é biologicamente mais velha", diz.

As atenções agora estão voltadas ao estudo dos telômeros, fragmentos de gene envolvidos no processo de envelhecimento. "Estamos medindo o comprimento dos telômeros de cinco gerações de ratas clonadas para esclarecer se elas são mais velhas", explica. O "pai" de Fibro quer provar que não.

A ninhada fluorescente

Cientistas criam camundongos verdes para aperfeiçoar transplante de órgãos

Mais uma invenção para a galeria das experiências genéticas aparentemente bizarras. Cientistas da Universidade do Havaí, em Honolulu, criaram camundongos que exibem um brilho esverdeado quando colocados sob luz ultravioleta. O trabalho publicado na sexta 14 pela revista Science provoca uma irresistível pergunta: qual é a utilidade de uma pesquisa dessas? Por incrível que pareça, a técnica poderá colaborar para a produção, em animais, de órgãos humanos para transplante. Desta vez, os cientistas criaram uma forma de gerar mamíferos transgênicos por meio de alterações nos espermatozóides. Com tratamentos químicos, os técnicos provocaram lesões na membrana que reveste a cabeça dos espermatozóides dos ratos e colocaram dentro deles DNA retirado de uma água-viva.

O gene adicionado é responsável pela produção de uma proteína fluorescente que brilha quando recebe luz ultravioleta. Os espermatozóides alterados foram introduzidos com uma pipeta nos óvulos extraídos das ratas, dando origem aos embriões. O DNA "estrangeiro" ligou-se ao código genético determinado pelos espermatozóides e foi transmitido aos filhotes.

Cerca de um em cada cinco ratinhos nasceu com a curiosa capacidade de produzir a proteína da água-viva. Esse índice de 20% de sucesso é considerado um resultado muito bom pelo veterinário Rodolfo Rumpf, especialista em Biotecnologia da Reprodução na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "A técnica tradicional para criar animais transgênicos funciona em 4,4% dos ratos e em 0,7% dos bovinos", explica. Pelo método convencional, o DNA "estrangeiro" é injetado no espermatozóide após a fecundação, justamente no momento em que a célula reprodutiva masculina já criou um pró-núcleo que depois junta-se ao pró-núcleo do óvulo para formar o embrião.

Os cientistas do Havaí conseguiram melhores resultados porque fizeram a modificação antes da fecundação. Eles queriam que os ratos transgênicos fossem visivelmente diferentes dos normais e, por isso, optaram por introduzir o gene da proteína fluorescente."Ela prova que a experiência funcionou, mas acreditamos que a técnica também dará certo com outros genes e mamíferos", conta Tony Perry, do departamento de Anatomia e Biologia Reprodutiva da Universidade do Ha- vaí. A idéia é usar o método para transmitir genes humanos a porcos e vacas e reduzir os riscos de rejeição em transplantes. "Se funcionar, daremos uma boa contribuição à medicina", diz. Perry desenvolveu o trabalho com Teruhiko Wakayama e japoneses da Universidade de Osaka. Trata-se do mesmo grupo que virou notícia em julho passado ao criar duas gerações de ratos clonados.

Fonte: col1107.vilabol.uol.com.br