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CLASSE CHONDRICHTHYES

PEIXES CARTILAGINOSOS

A classe Chondrichthyes (grego Chondros, cartilagem + ichthys, peixe), também conhecida por Elasmosbranchii, éra dos peixes cartilaginosos. Cartilagem é o tecido elástico do nosso nariz e orelhas. Apareceram no final do Devônio e desenvolveram-se no Carbônico. Os peixes desta classe não possuem ossos verdadeiros, seu esqueleto é feito dç cartilagem fracamente calcificada. Todos predadores, tem a pele rija coberta de pequenas escamas placóides. Também não possuem bexiga natatória, órgão membranoso que o animal enche e esvazia de gás (02, N2 ou C02) permitindo que seu corpo fique neutro na água, como o colete equilibrador de mergulho autônomo. Por isso, a maioria das espécies desta classe ficam em constante movimento para não afundar, os que não nadam ficam apoiados no fundo. O figado abrange mais ou menos 20% do peso do corpo e é rico em vitamina A. Possuem de 5 a 7 fendas branquiais de cada lado da cabeça.


Figura 1: Tubarões, os reis dos mares.

Os três representantes vivos da classe são Tubarão, Raia e Quimera . A Quimera é um animal de diftcil encontro e não nos oferece risco, nos interessam o Tubarão e a Raia. Ambos costumam ter a companhia de duas espécies de peixes, o Piloto , que nada na frente ou ao lado da cabeça e a Rêmora, que através de uma ventosa dorsal se fixa indo de carona. A rêmora também se fixa em tartarugas, cetáceos e em cascos de barcos.

Identificação

Superclasse: Peixes

Classe: Chondrichthyes (Cartilaginosos)

Subclasse: Selachii (Tubarão e raia)

Ordem: Squaliformes / Pleurotremata (Tubarão)

Ordem: Rajiformes / Hypotremata (Raia)

Subclasse: Holocephali

Ordem: Chimaeriforrnes (Quimera)

TUBARÃO

Quando ouvimos esta palavra logo imaginamos um terrível e implacável devorador que, ao ver um ser humano, não hesita em atacá-lo até a morte. Porém, apesar do ceticismo popular, a realidade é totalmente diferente. Não há dúvida que na água ele é um verdadeiro rei, apareceu na Terra no Período Devoniano há mais de 300 milhões de anos, antes dos dinossauros, sendo que habita o mar até hoje. Teve durante todos estes milhões de anos apenas poucas mudanças biológicas, o que demostra ser um animal perfeitamente evoluído e adaptado em seu meio. No Brasil foi encontrado um fóssil de 220 milhões de anos. Vive em todos os oceanos do mundo podendo-se encontrar algumas espécies em rios e lagos, como no lago Nicarágua, norte da América do Sul. No mar vive desde a superficie até a profundidades de mais de 1.800 metros, possuindo neste caso orgãos luminosos como o Dwarf-shark(Squaliolus Iaticaudus).


Figura 2: Arcadas dentárias de tubarão.

São fusiformes e perfeitamente hidrodinâmicos, atingindo grandes velocidades. Espécies como o Mako e o Branco atingem até 70 km/h. A pele é acinzentada no dorso e esbranquiçada no ventre. Possuí a barbatana dorsal em forma de ponta de asa e o corpo revestido por pequenas escamas placóídes dentadas que não se sobrepõem.

Possui uma aguçada sensibilidade do meio. A visão, que é melhor que a do gato, focaliza objetos sete vezes melhor que um mergulhador. Sua linha lateral sente perfeitamente qualquer variação hidrostática. Seu órgão conhecido como Ampolas de Lorenzini, que têm os pontos de sensibilidade sob o focinho, são sensíveis a mínimas variações elétricas e magnéticas. Pressentem descargas de 1,5 Volts a 1.500 Km de distância. Percebe a presença humana a enormes distâncias. O cérebro é pequeno e quase insensível à dor.


Figura 3: Tubarão martelo - órgãos sensoriais complexos.

Tem uma boca ventral com enorme mandíbula que pode conter, dependendo da espécie, de 10 (tubarão de 7 fendas) a mais de 100 (tubarão Baleia) dentes dispostos em 5 ou 6 fileiras. Quando ele perde um dente, o de traz se desloca para a frente até tomar seu lugar, este deslocamento pode demorar de 24 horas (tubarão Branco) a uma semana (cação Limão). O tubarão troca de dentes com certa freqüência, são milhares os trocados durante sua vida. Algumas espécies típicas de regiões bentônicas possuem o corpo achatado como o caso do tubarão Anjo. Há cerca de 360 espécies e seu tamanho varia de 20 cm, tubarão Bicudo (Squaliolus laticaudus) de 150 a 200 gramas de peso até 18 metros, tubarão Baleia com 15 a 20 toneladas, o maior peixe do mundo. A maioria é pequena, 65% medem até 1,2 metros, 29% ficam entre 1,2 e 3,7 metros e apenas 60% medem mais que 3,7 metros. O macho se distingue da fêmea por possuir um par de apêndices copuladores formados por expansões de cada uma das suas barbatanas pélvicas.


Figura 4: Tubarão Baleia - o maior peixe do mundo é inofensivo para o homem.

Predadores por excelência, se alimentam de tudo o que for comestível, até do que não o é, vivendo cerca de 25 anos. A carne deste peixe está cada vez mais sendo aceita para consumo e suas nadadeiras secas são muito apreciadas no oriente. Os orientais são inclusive grandes responsáveis pela aniquilação da espécie. Vi um filme deprimente e revoltante de pescadores japoneses em grandes barcos matando uma quantidade enorme de tubarões só para retirar as nadadeiras, jogando o corpo sem condições de sobrevivência de volta ao mar, um absurdo de desperdício de recursos naturais.


Figura 5: Tubarão Tigre - ataques a surfistas no Nordeste do Brasil.

CAÇÃO - TUBARÃO

Sabe qual é a diferença entre cação e tubarão? Há mais de 14 anos, digo aos meus alunos que depende do agente devorador. Se o encontramos na água onde ele nos devora, étubarão e, se o compramos na peixaria, situação que somos nós que o devoramos, é cação. Na verdade o que existe na nomenclatura é uma diferença regional, o animal que échamado de cação no Sudeste/Sul, é conhecido como tubarão no Nordeste. Os pescadores costumam chamar de cação os pequenos tubarões, inclusive havendo o lado psicológico da venda, é muito mais fácil vendê-lo chamando de cação. Um “cação” comum no nosso litoral e comercializado sem alarde, o Martelo, é um dos mais perigosos tubarões que existem. A realidade é que o animal é um só, principalmente se o avistamos na água, com certeza, independente do tamanho, vai ser sempre um tubarão.


Figura 6: Tubarão branco - personagem de filmes de Spielberg.

ENCONTRO / ATAQUE

É certo que o temor que temos de um ataque é exagerado, principalmente pela imagem que sempre nos foi passada pela imprensa e filmes. Em 1972, foi publicado um artigo por uma conceituada editora onde dizia que o Tubarão atacava por esporte, um absurdo a imagem que se fazia. O da série Tubarão — de Spielberg, que na verdade eram três bonecos mecânicos de poliuretano com 7 metros, tinha até sentimento de vingança, uma coisa inadmissível em um peixe. Sempre se cultuou a idéia de um animal feroz, agressivo e que atacava por prazer. Lógico que temos que ter respeito e evitar o encontro, mas, este ocorrendo, não significa um ataque iminente, O risco entre mergulhadores é maior para caçadores submarinos que, devido ao sangue do peixe arpoado, estimulam os esqualos.

Um trecho de Bernard Gorsky, caçador da expedição Moana, “...Nada os deteve, nem os berros, nem o barulho que fazíamos batendo com a palma da mão na água. Roger puxou a faca. Nadávamos recuando, com quanta força tínhamos. A goela aberta de um tubarão alcançou uma das nadadeiras de Roger. Outra perseguia as minhas, cheguei a sentí-la. Batíamos violentamente com os pés, provocando um borbulhar em que tudo desaparecia. Todos os nossos sonhos e esperanças dependiam do movimento daquelas fauces de tubarão. Momentos Atrozes...”. Este trecho mostra um “ataque” de tubarões a caçadores submarinos que se salvaram sem ferimentos. Isto se deu devido ao estímulo: todo animal com fome, medo, ou provocado tende a atacar.


Figura 7: Mako - agressividade.

O encontro com um tubarão certamente é algo inesquecível e vai causar um tremendo susto. Só que este susto muitas vezes é recíproco, o animal provavelmente vai embora. Um encontro de Hans Hass, “. . .Só reparou em mim depois de ter passado. Com uma ligeireza de um gato — quase impossível de imaginar num corpo tão grande e maciço voltou-se, virando para mim um dos lados de sua cabeça disforme. Ainda hoje recordo a extremidade achatada do martelo e o olho redondo e sem brilho. Parecia olhar-me espantado. Senti um calafrio atravessar-me o corpo. Mas o estranho é que o animal assustou-se tanto quanto eu: o seu corpo foi atravessado por um calafrio semelhante. Voltou-se e fugiu como um coelho acossado...”. Este encontro foi com um dos mais perigosos tubarões, o Martelo, de uns quatro metros de comprimento e num local de grande incidência de “ataques”, Austrália. Mesmo assim o esqualo fugiu.

Um cachorro ameaçado ataca mais, nem por isso deixamos de sair à rua com medo de um encontro com um. Assim, não se deve deixar de mergulhar pelo fato de um dia poder se encontrar um tubarão. A probabilidade de uma pessoa ser “atacada” é de 1 em 300 milhões e de vir a falecer devido a este “ataque” 1 em 1,5 bilhão, bem menor que ser abatido por um raio que é 1 em 1 milhão. De 50 a 100 ataques” anuais no mundo apenas 15 a 25 pessoas morrem. Um dado comparativo é que animais como abelhas, cobras e porcos matam mais humanos que tubarões.

“Ataques” de tubarões a mergulhadores são raríssimos e não há um só caso comprovado no Brasil de “ataque” a um mergulhador autônomo. O tubarão não costuma atacar o ser humano e sim morde-o quando é incomodado, estimulado ou por engano. Mesmo após uma mordida normalmente a pessoa consegue se salvar, se o esqualo fosse assim tão abominável ficaria até “palitar os dentes com os ossos”. Os casos de morte que ocorrem costumam ser por hemorragia, perda de sangue. Além disso, é importante frisar que os “ataques” costumam ser a surfistas e nadadores, além de haver regiões delimitadas em que ocorrem. Sabe-se que os ataques” a surflstas se dão pelo animal confundi-los com uma tartaruga ou foca, pratos de seu cardápio. Por debaixo da água é esta a visão que se tem. O mesmo ocorre com nadadores ou pessoas na água se agitando. Os maiores responsáveis pelas mortes são o Branco, o Tigre e o Cabeça Chata.


Figura 8: Tubarão lixa - praticamente inofensivo.

No Brasil, onde há aproximadamente 70 espécies, já ocorreram cerca de 80 “ataques” com mais ou menos 28 vítimas fatais. O primeiro “ataque” a surfista se deu na Praia do ltararé — São Vicente. A maioria dos “ataques” se deu em Recife a partir de 1992, após a construção do Porto de Suape, com certeza uma resposta do meio a interferência do homem. Os casos estudados mostraram que os tubarões responsáveis foram o Tigre e o Cabeça Chata. Há diversos estudiosos no mundo que trabalham levantando dados a cerca dos “ataques”. Em nosso país temos o grande pesquisador Otto Bismarck Gadig.

O risco de um “ataque” é maior para mergulhos no oceano Pacífico; mais da metade ocorreram na Austrália além de haverem vários casos na Califórnia — EUA. A África também é outro ponto de grande número de “ataques”. A temperatura da água também influi, o ponto crítico é em torno de 21 graus. Existem estímulos que atraem os esqualos, dentro eles variações elétricas, variações mecânicas da água como explosões e, sem dúvida, o sangue.

Além de seus dentes, podem provocar graves escoriações sua pele, revestida de escamas cortantes, e sua barbatana. O tubarão não precisa, como muitos pensam, virar de lado para morder, ele pode fazê-lo em qualquer posição. Na hora da mordida, sua mandíbula se desloca para frente e seus dentes para fora. E uma mudança grande, rápida e eficiente. Segundos antes da mordida, o tubarão fecha a membrana protetora dos olhos (a maioria possui esta membrana). Certamente, quem já viu uma cena de uma tubarão mordendo, o que a maioria já deve ter visto por interesse de mídia, ficou com uma imagem marcante e assustadora.

PROCEDIMENTOS

Se ele for visto antes do mergulho, aborte-o, pois a presença de um na água não é nada convidativo e, se for visto durante o mergulho procure ficar perto do costão ou do fundo e imóvel, o que é até fácil devido ao medo. O ideal édeixarmos os braços junto ao corpo e as pernas fechadas. Normalmente o esqualo vai embora, pois não fazemos parte de seu cardápio, mas, se ele não se afastar, começar a fazer círculos ou se aproximar demonstrando um “ataque” iminente, lembre-se sempre que a única coisa que voce não pode fazer é tentar fugir batendo as nadadeiras desesperadamente, pois, para ele, suas pernas vão, parecer um animal ferido em fuga e isto o atrai, desperta o seu instinto de caça. Se ele chegar demasiadamente perto, a parte que podemos tentar atingir é o focinho. Se o mergulhador já for para a imersão sabendo da existência de esqualos na região, é conveniente levar um bastão comprido com uma ponta metálica para, no caso de aproximação, cutucá-lo. O ideal, sem dúvida, é não freqüentar lugares que tenham tubarões, a não ser em mergulhos específicos para isto, com guia qualificado.

Se ocorrer uma mordida, a primeira providência é estancar o sangue, compressa para o tronco e torniquete para membros. Tomar analgésicos e líquidos. Se tiver soro é melhor. Tudo vai depender da mordida e conseqüentemente da perda de sangue.

Mergulho a 15 anos em mar aberto e nunca vi nenhum durante o mergulho. Não nego que já vi barbatanas durante a viagem, mas isso sempre ocorreu no meio do mar, longe de costão. Um que muitos mergulhadores se gabam de terem visto e chegado perto é o tubarão Lixa (Lambarú — gênero Ginglymostoma) que é inofensivo, ficando parado no fundo até alguém o incomodar e o espantar. Inclusive este é o tubarão preferido dos grandes aquários pois, além de ficar parado, possibilitando um volume menor de água, não oferece risco aos tratadores.


Figura 9: Tubarão dos recifes caribenhos - "Shark-dive".

Uma espécie de mergulho que está se difundindo muito é a do mergulho com tubarões. Mergulhadores ficam em um círculo enquanto o guia, no centro, alimenta tubarões. Apesar da atividade já ter sido apreciada por milhares de pessoas, nunca se registrou nenhum “ataque”. Nem pense em fazer isso sozinho, se quiser experimentar contacte sua operadora.

ESPÉCIES PERIGOSAS

Somente poucas espécies são consideradas potencialmente perigosas. Algumas das mais agressivas são:

Branco ou Anequim (Carcharodon carcharias)

Tigre ou Tintureira (Galeocerdo cuvier)

Cabeça Chata (Carcharhinus leucas)

Mako (Isurus oxyrinchus)

Martelo (Sphyrna zygaena)

Azul (Prionace glauca)

Limão (Negaprion brevirostris) e

Galha Branca (Carcharhintts longimanits)

Destas o Branco é o mais temido, considerado o maior predador. Estas espécies costumam ter de 2 a 4 metros. Assim como temos espécies potencialmente perigosas também temos as inofensivas como o Marracho, Peregrino (até 10 metros de comprimento), Baleia (até 18 metros), Anjo e Lixa (Lambarú).

O tubarão Baleia, assim como o Peregrino, é comedor de plâncton e pequenos organismos. Para quem não conhece sua passividade, é um verdadeiro monstro. Imagine encontrar um gigantesco tubarão com mais de 15 metros. No Brasil, um exemplar de 10,60 metros e 10 toneladas encalhou no litoral do Rio de Janeiro. Ele vive em grandes profundidades, subindo raramente à superficie, normalmente na primavera para se alimentar de plâncton. Assim como nos mamíferos, os maiores são mansos e inofensivos.

INIMIGOS

Os inimigos naturais do tubarão que podem ferí-lo ou até matá-lo são a Orca, Cachalote, grupo de Golfinhos, Crocodilo marinho e Lula gigante. O homem se tornou um grande se não o maior inimigo do tubarão, inclusive gerando preocupação com relação à pesca predatória deles. Há possibilidade de serem extintas diversas espécies, devido àpesca indiscriminada e descontrolada.

IDENTIFICAÇÃO

Ordem — Squaliformes/Pleurotremata (TUBARÃO) Principais Famílas

- Orectolobidae (Lambarú)

- Alopiidae (Raposa)

- Carchariidae (Mangona)

- Lamnidae (Branco/Mako)

- Sphyrnidae (Martelo)

- Carcharminidae (AzulIGalha Branca/Tigre)

- Rhincodontidae (Baleia)

- Cetorhinidae (Peregrino)

- Triakidae (Canejo)

- Squalidae (Prego)

- Squatinidae (Anjo)

RAIA


Figura 10: Raia Jamanta - Laje de Santos, 2001.

Como o Tubarão, existem desde a era Primária há mais de 300 milhões de anos. Possuem o corpo achatado, nadadeiras peitoraís muito desenvolvidas no mesmo plano do corpo formando um disco e cauda normalmente fina onde se alojam os ferrões. Estes, quando presentes, são o maior risco, pois possuem a forma de ponta de flecha, todo farpado. Povos da Oceania usavam estes ferrões, que alcançam até 40 cm, na ponta de lanças. Alimentam-se ao entardecer e reproduzem-se de março a abril.

O maior risco de ferimento é com relação às raias que vivem em fundos arenosos. Quando ela sente-se ameaçada, levanta o ferrão que fica perpendicular ao fundo. Uma pessoa, entrando ou saindo do mar por uma praia, pode ter o pé espetado por este eficiente dardo de defesa, que causa muita dor e, às vezes, séria inflamação. E lógico que a raia não vai ficar parada à espera de ser pisada, isso só acontece quando ela é acuada. A raia não pode, como muitos já me perguntaram, disparar o ferrão contra o mergulhador.

Existe raia em água doce e no mar. Das marinhas, destaco as 4 espécies mais comentadas e temidas.

RAIA MANTEIGA

De pequeno porte, comum de 50 cm a um metro, possui 2 ferrões na cauda. Fica semi enterrada na areia à espera da presa. O risco é pisarmos em cima de uma, machucando o pé no ferrão. A carne desta raia é uma das poucas apreciadas, entre as raias, para se comer.


Figura 11: Raia Manteiga - comestível.

RAIA ELÉTRICA

Também é conhecida como Treme-Treme, pois dá descargas elétricas. São aproximadamente 38 espécies em 10 gêneros. De 40 a 50 cm, possui o corpo quase circular, cauda grossa com nadadeiras e a parte ventral com manchas. Vivendo em fundos arenosos ou de cascalho, fica semi-enterrada à espera da presa. Não possui ferrão mas possui dois orgãos entre a cabeça e a nadadeira peitoral, com células geradoras de corrente elétrica, que descarregam 150 choques por segundo de 45 a 220 Volts e com 2.000 W. Após a descarga, a raia precisa de um grande tempo para se recarregar. Esses choques podem levar, além da tontura, ao desmaio. Ela se utiliza da descarga elétrica para defesa e algumas vezes para captura de presas. É de difícil aproximação. Em 1985, em Ilha Bela, fiquei bem uns 15 minutos atrás de uma para conseguir fotografá-la. É lógico que devemos manter uma distância respeitável, pois uma descarga elétrica sob a água pode causar afogamento.


Figura 12: Raia Elétrica.

RAIA CHITA

Tem este nome pois seu dorso possui manchas redondasclaras. E de grande porte e formato losangular, alcançando 2,50 metros com 250 Kg. De natação livre, possui de 1 a 5 ferrões na cauda, tendo a cabeça saliente com um focinho parecido com um bico de pato. Também é de dificil aproximação. Fica perto da superffcie, como as Jamantas, e se alimenta de pequenos moluscos. Por vezes pula fora da água. Já encontrei algumas grandes, mas nunca consegui chegar muito perto, o que é ideal, devemos manter boa distância.


Figura 13: Raia Chita

RAIA JAMANTA

A raia Jamanta, apesar de não oferecer risco com relação a ferrão, pode ser perigosa devido ao seu grande tamanho. Há dois gêneros muito parecidos: a Manta e a Mobula. As do gênero Manta são as maiores, chegando a medir 5 metros de comprimento por 8 de largura, com peso de 3 toneladas. A Mobula atinge cerca de 2 metros e possui um ferrão pouco desenvolvido. O corpo da Jamanta é em formato losanguiar, como a chita, só que possui duas projeções carnosas ao lado da boca, que é terminal e não ventrai. Devido a estas projeções em forma de chifre, que são, na verdade, nadadeiras cefáiicas, era conhecida como diabo marinho ou demônio do mar. Um dos livros que narra aventuras com este peixe, do grande pesquisador submarino Hans Hass, tem o título de “Demônio do Mar Vermelho”. Possui coloração preto-escuro no dorso e branca no ventre. Nada lentamente perto da superfície inclusive por vezes deixando sair as pontas das nadadeiras para fora. Quando nos deparamos com uma Jamanta, nos impressio. na não só o seu enorme tamanho, como o fato dela vir em nossa direção, passando a uma distância muitas vezes inferior a 2 metros. Devido à localização e abertura de sua boca, é nos dado a sensação de que vamos ser engolidos, o que é irreal, pois o animal tem dentes muito pequenos e só se alimenta de plânctons e pequenos crustáceos, utilizando, por vezes, o par de nadadeiras cefálicas para direcionar o alimento à sua boca. As menores são mais curiosas e ficam mais tempo em nossa volta.

O meu primeiro contato com uma Jamanta, em 1981, foi assustador. Eu estava começando na atividade e não fazia idéia do que era um peixe daquele tamanho. Mergulhava calmamente na ilha Laje de Santos, um pouco afastado do costão, quando senti um enorme vulto por cima de mim. Quando levantei a cabeça, deu-me a impressão de um filme espacial, onde aquelas enormes naves ficam passando na teia como se não tivessem fim. Aquele vulto, a poucos metros da minha cabeça, passava sem parar, pois ainda tive a sorte de logo deparar com uma raia de uns 5 metros de largura. Eu me apavoreí e nadei feito um doido para tentar me enfiar entre as pedras. Tive, além de uma intoxicação por Dióxido de Carbono (Gás Carbônico), um encontro realmente marcante. Com o tempo, acostumei-me inclusive, a pegar carona no animal e garanto que é uma emoção indescritível, imagino como um vôo de asa deita submarino. Para quem vai se aventurar a pegar carona, quatro conselhos úteis: o primeiro é nunca se aproximar pela frente, pois isso assusta a raia que pode dar uma guinada brusca para o lado pondo em risco o mergulhador, uma “asada” de sua nadadeira deve equivaler a um soco de Mike Tyson (!). Devemos nos aproximar por cima e por trás, deitando suavemente sobre seu dorso. O segundo conselho é não abusar no malabarismo sobre ela pois, depois que pegamos confiança, começamos a fazer estripulías que podem assustar o animal. O terceiro é tomar cuidado com a variação de profundidade, na excitação da carona descuidamos da compensação e, como a Jamanta varia muito a profundidade, perto da superficie, pode facilmente nos ocorrer um barotrauma, principalmente de ouvido, O último é: só se aventure se tiver boa experiência de mergulho e se sentir perfeitamente seguro.


Figura 14: Raia Jamanta - dócil.

OUTRAS RAIAS

Há outras raias, normalmente de pequeno porte, Sapo, Ticonha, Borboleta, Lixa, Pintada e Santa, que ficam nadando perto do fundo e raia Amarela que fica semi-enterrada na areia. Estas pouco encontramos.


Figura 15: Raia de pintas azuis.

Identificação

Ordem: Rajiformes / Hypotremata (Raia)

Subordem: Batoidea

Principais Famílias:

- Myliobatidae (Chita, Ticonha, Sapo)

- Dasyatidae (Manteiga, Borboleta)

- Mobulidae (Jamanta)

Subordem : Narcobatoidea

Família: Torpedinidae (Elétrica)

Fonte: www.anestesiologia.com.br

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