Desde a descoberta da radioactividade, que os cientistas se ocupam cada vez mais a evitar acidentes ou prejuízos para a saúde , o que ocorre com alguma freqência nas fases iniciais das investigações.
A opinião pública tem plena consciência do perigo que podem representar as radiações radioactivas, mas muito pouca gente sabe que a exposição à radiação é absolutamente natural, que faz parte do nosso cotidiano, e que existem mecanismos de defesas naturais que o nosso sistema imunitário possui, mas que também tem limites.
Os efeitos da radioactividade nos seres vivos manifestam-se a dois níveis:
nível somático, cuja expressão máxima é
a morte;
nível genético, responsável pelo aumento de mutações
cromossómicas, podendo originar aberrações genéticas
nas gerações posteriores.
Estes efeitos estão dependentes essencialmente da natureza da radiação do radionuclido, do seu tempo de vida, da quantidade assimilada e dos orgãos onde esta é acumulada. Tal como variam os efeitos dos vários tipos de radiação, também variam a sua capacidade de penetração nos tecidos.
Os neutrões e os raios gama são os que podem alcançar o interior do nosso corpo e são justamente esses dois tipos de radiações que se libertam em explosões nucleares ou em caso de acidente nos reactores.
As partículas a e b só são prejudiciais se entrarem directamente no organismo, por via da alimentação ou pelo ar que respiramos.
Quando uma radiação incide num tecido biológico, altera as características químicas das moléculas destes tecidos, formando-se radicais intracelulares que, ou matam a célula, ou originam divisões não controláveis.
No primeiro caso, o organismo elimina e substitui as células mortas, mas no segundo caso, geralmente formam-se tumores malignos.
Por estas razões são muito perigosas as consequências das explosões nucleares. O pó radioactivo extremamente fino, com facilidade pode introduzir-se nos nossos corpos e aí se acumular.
Realizam-se investigações consecutivas sobre a possível relação entre certas doenças, em particular as do tipo cancerígeno, e a exposição à radioactividade, no entanto, surgem suspeitas sobre possíveis manipulações da informação, dada a complexidade do tema. Por vezes têm-se a sensação de que as investigações levam aos resultados que convêm a quem os realiza, especialmente nos trabalhos que devem provar a perigosidade, ou não, da utilização da energia nuclear.
Na realidade, as centrais térmicas convencionais têm uma maior incidência nas condições de vida à sua volta, devido às emanações gasosas e à radiação térmica, do que uma central nuclear em funcionamento normal. Mas há relatórios que indicam um aumento de casos de leucemia infantil entre a população que vive perto de uma central nuclear.

A tabela seguinte foi feita através de conclusões tiradas de investigações feitas em animais, nas vítimas e sobreviventes de Hiroxima e Nagasaki, e em pessoas expostas a radiações nucleares. O objectivo é perceber a relação entre as doses de radiação recebidas (exposição distribuida uniformemente em todo o organismo) e os efeitos das mesmas no oganismo humano.

Tabela 1 – Relação entre as doses de radiação
e o seu efeito no organismo humano
Para proteger as pessoas expostas e para garantir a segurança do ambiente, é necessário ter um controlo rigoroso de todas as fontes de radioactividade.
O organismo pode refazer-se de possíveis lesões celulares causados por radiações, para tal é necessário seguir 3 regras fundamentais:
Aumentar a distância à fonte de radiação;
Reduzir o mais possível o tempo de exposição à radiação;
Protecção com o material mais adequado e de maior espessura possível.
Fonte: energianuclear.naturlink.pt