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Radiação

Definição

Num sentido amplo, radiação é aquilo que irradia (sai em raios) de algum lugar. Em física, o termo refere-se usualmente a partículas e campos que se propagam (transferindo energia) no espaço (preenchido ou não por matéria).

Partículas e ondas

A radiação pode ser de natureza particulada (de partículas) ou ondulatória (de ondas).

A radiação de natureza particulada é caracterizada por sua carga, massa e velocidade: pode ser carregada ou neutra, leve ou pesada, lenta ou rápida. Prótons, nêutrons e elétrons ejetados de átomos ou núcleos atômicos são exemplos de radiação particulada.

A radiação eletromagnética é constituída por campos elétricos e magnéticos variando no espaço e no tempo. É caracterizada pela amplitude (tamanho) e pela freqüência (ou, alternativamente, pelo comprimento de onda) da oscilação.

A velocidade de propagação da radiação eletromagnética num dado meio é sempre constante, atingindo seu valor máximo no vácuo (cerca de 300.000 km/s). Apesar de não possuir carga ou massa, carrega energia e momento. A radiação eletromagnética é absorvida e emitida pela matéria em quanta (plural de quantum, palavra grega para "pacote") de energia. As ondas de rádio, a luz visível e os raios-X são exemplos de radiação eletromagnética.

Radiação ionizante e não-ionizante

As radiações (partículas ou ondas) podem ser ionizantes ou não ionizantes. A ionização acontece quando a energia da radiação incidente sobre um material é suficiente para arrancar elétrons dos seus átomos. A radiação é dita não ionizante quando sua energia não é suficiente para arrancar elétrons dos átomos. Neste caso pode ocorrer a excitação do átomo, onde elétrons são levados a camadas mais externas do átomo, sem serem ejetados.

Para a excitação de um átomo, a energia fornecida pela radiação deve ser igual à diferença de energia entre os níveis de origem e de destino do elétron. Este fato ocorre porque os elétrons se encontram em níveis de energia bem definidos nas camadas eletrônicas dos átomos.

Unidades de energia

A unidade padrão do Sistema Internacional (SI) para energia é o joule, mas, por ser uma unidade macroscópica, não é adequada para uso em fenômenos atômicos. No domínio atômico é utilizado o elétron-volt (eV), definido como a energia que um elétron adquire ao atravessar uma diferença de potencial de 1 volt. Numericamente:

1 eV = 1,6 x 10-19 J

Fontes de radiação

Radiações podem ser emitidas por elementos químicos com núcleos atômicos instáveis ou por equipamentos construídos pelo homem. Elementos químicos radioativos podem ser encontrados na natureza (como o urânio natural ou o tório das areias monazíticas) ou produzidos pelo homem através de reações específicas em aceleradores de partículas ou reatores nucleares.

Aceleradores de partículas e tubos de raios-X são fontes de radiação sem a utilização de elementos químicos radioativos. Quando desligados, aceleradores e tubos de raios-X não emitem radiação.

1. Fontes de elétrons

1.1. Aceleradores

Feixes de elétrons podem ser produzidos artificialmente por aceleradores de elétrons. Os elétrons são produzidos por um filamento aquecido pela passagem de uma corrente elétrica e acelerados por uma diferença de potencial.

1.2. Decaimento beta

Feixes de elétrons também são obtidos através do decaimento de núcleos atômicos excitados. Os elétrons assim obtidos são chamados de radiação beta (da letra grega b) e são idênticos aos elétrons da camada eletrônica, diferindo destes apenas quanto à sua origem. A radiação beta é sempre acompanhada de uma outra partícula, o neutrino (n). Por não possuir carga e ter massa extremamente pequena o neutrino praticamente não interage com a matéria sendo, portanto, de difícil detecção. Estrôncio-90 (90Sr), tecnécio-99 (99Tc) e cálcio-45 (45Ca) são exemplos de fontes de radiação beta.

O decaimento beta é usualmente representado segundo o esquema:

X ® Y + b + n,

que indica que o elemento X decai no elemento Y mais uma partícula beta (elétron) e um neutrino.

1.3. Conversão interna

Outro processo natural que produz a emissão de elétrons é a conversão interna. Neste decaimento, energia de excitação do núcleo é transferida diretamente para um elétron orbital que é ejetado do átomo com uma energia dada pela diferença entre a energia de excitação EEx do átomo e a energia de ligação do elétron na eletrosfera EB:

Ee = EEx - EB

césio-137 (137Cs), cádmio-109 (109Cd) e bismuto-207 (207Bi) são exemplos de fontes de elétrons de conversão.

1.4. Produção de pares

A produção de um par elétron-pósitron (pósitron é a anti-partícula do elétron, uma partícula com as mesmas propriedades porém carga oposta) pode ser produzido quando uma onda eletromagnética com energia de no mínimo 1,02 MeV passa perto do núcleo.

Partículas alfa

O decaimento alfa (da letra grega a) acontece quando um núcleo (natural ou produzido artificialmente), em geral pesado, emite uma partícula composta por dois prótons e dois nêutrons, ou seja, por um núcleo de Hélio. As partículas alfa são emitidas sempre com a mesma energia. O (238U) urânio-238, urânio-235 (235U), plutônio-239 (239Pu) e o paládio-231 (231Pa) são exemplos de emissores alfa.

O decaimento alfa é usualmente representado segundo o esquema:

X ® Y + a

Nêutrons

Nêutrons são em geral obtidos a partir da fissão espontânea ou em reações nucleares específicas, pois os decaimentos radioativos por emissão de nêutrons têm uma meia vida (tempo necessário para que metade dos átomos de uma amostra decaiam) tão curta que em geral não são aproveitáveis no laboratório.

Na fissão espontânea um núcleo pesado se parte em dois mais leves, emitindo alguns nêutrons, como acontece com o califórnio-252. Em fontes de rádio-berílio acontecem reações nucleares em que uma partícula alfa emitida pelo núcleo do rádio é absorvida por um núcleo de berílio e o novo núcleo assim formado decai emitindo um nêutron.

Raios cósmicos

Os raios cósmicos são partículas carregadas e íons pesados de altíssima energia produzidos por reações nucleares em toda galáxia e no Sol. Ao interagir com a atmosfera terrestre os raios cósmicos produzem chuveiro de partículas (múons, píons, káons, anti-prótons, elétrons etc.) que atingem a superfície da Terra a uma taxa de aproximadamente 500 por metro quadrado por segundo.

Fontes de radiação eletromagnética

Aceleradores

São equipamentos que não possuem material radioativo em seu sistema, mas utilizam partículas como os elétrons, produzidos a partir do aquecimento de um filamento e acelerados em direção a um alvo, para produzir radiação eletromagnética (em geral raios-X).

Ao colidirem no alvo os elétrons sofrem o chamado efeito bremsstrahlung (radiação de freiamento, em alemão), que é a emissão de raios-X com um amplo espectro de energia devido à desaceleração brusca dos elétrons no alvo.

No alvo também ocorrem os efeitos de excitação e deexcitação eletrônica, em que a energia dos elétrons incidentes é transferida aos elétrons dos átomos do alvo, fazendo com que mudem de nível eletrônico (excitação). Ao regressarem ao seu estado fundamental (deexcitação) emitem o excesso de energia sob a forma de raio-x. A energia dos raios-X emitidos desta maneira depende da diferença entre as energias dos níveis dos átomos do alvo, e por isso é denominada de radiação característica.

Decaimento radioativo

Radiação eletromagnética pode ser produzida em decaimentos radioativos e em reações nucleares, onde a radiação eletromagnética é emitida para retirar o excesso de energia dos núcleos, geralmente após algum outro tipo de decaimento. Por ser de origem nuclear (diferentemente dos raios-X, que são de origem atômica) é denominada radiação gama. O cobalto-60 (60Co), o césio-137 (137Cs) e o sódio-22 (22Na) são exemplos de elementos que emitem raios gama (além de outros tipos de radiação).

Raios-x também podem ser produzidos em decaimentos radioativos em que acontece a "captura" de um elétron pelo núcleo, deixando um "buraco" na camada eletrônica. O rearranjo dos elétrons orbitais para preencher este "buraco" provoca a emissão emissão de raios-X característicos.

Aniquilação de pares

A aniquilação de pares ocorre quando uma partícula encontra a sua antipartícula e, na interação, desaparecem, produzindo radiação eletromagnética. Na aniquilação do par elétron-pósitron um elétron encontra-se com um pósitron produzido, por exemplo, num decaimento nuclear e ambos desaparecem originando um par de fótons (radiação gama) com uma energia mínima de 0,511 MeV cada (a massa de repouso do elétron).

Lei do decaimento radioativo

A lei do decaimento radioativo é uma função que descreve quantos núcleos radioativos existem numa amostra a partir do conhecimento do número inicial de núcleos radioativos e da taxa de decaimento. É obtida a partir da hipótese de que o número dN de núcleos que decaem num intervalo de tempo dt é proporcional ao número de núcleos radioativos existentes e ao próprio intervalo dt:

dN = - l N dt,

onde l é a constante de decaimento do material. Integrando-se a expressão acima obtém-se a lei do decaimento radioativo:

N(t) = N0 e-lt

onde N(t)é o número de átomos radioativos no instante t, N0é o número de átomos radioativos no instante t = 0 e l é a constante de decaimento do material.

Atividade

A atividade A(t) de uma fonte é a taxa com que os núcleos radioativos decaem, ou seja, a razão do número de desintegrações nucleares dN num intervalo de tempo dt.

A(t) = dN(t)/dt

Substituindo a expressão para N(t) e fazendo a derivada obtém-se:

A = A0 e-lt,

onde A0 = l N0é a atividade da fonte no instante t = 0.

Em 1977 a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP) definiu como unidade padrão de atividade o becquerel (Bq), definido como uma desintegração por segundo (1 Bq = 1 s-1).

Até recentemente a unidade utilizada era o curie (Ci), definido originalmente como a atividade de um grama de rádio e depois padronizada como 3,7 x 1010 desintegrações por segundo (exatamente).

Meia vida (T1/2) e vida média (tm)

A meia vida é definida como o tempo necessário para que metade dos átomos instáveis de uma amostra decaiam. A meia vida não sofre interferências de alterações químicas ou físicas da amostra e está relacionada à constante de decaimento radioativo através de:

T1/2 = ln2 / l

A vida média de um elemento radioativo é avaliada como sendo a soma das idades de todos os átomos, dividida pelo número total de átomos. Está relacionada à constante de decaimento através de:

tm = 1 / l.

Fonte: www.fsc.ufsc.br

Radiação

TIPOS DE RADIAÇÃO

Radiação Alfa

é uma partícula formada por um átomo de hélio com carga positiva. A distância que uma partícula percorre antes de parar é chamada alcance. Num dado meio, partículas alfa de igual energia têm o mesmo alcance. O alcance das partículas alfa é muito pequeno, o que faz que elas sejam facilmente blindadas. Uma folha fina de alumínio barra completamente um feixe de partículas de 5MeV. A inalação ou ingestão de partículas alfa é muito perigosa.

Partículas alfa

Radiação Beta é também uma partícula, de carga negativa, o elétron. Sua constituição é feita por partículas beta que são emitidas pela maioria dos nuclídeos radioativos naturais ou artificiais e tem maior penetração que as partículas alfa. O 32 P dá uma radiação beta até 1,7 MeV com uma penetração média de 2 a 3 mm na pele, e alcança, em pequena proporção, 8 mm. Se o emissor beta é ingerido, como acontece nos casos de diagnóstico e terapêutica, os efeitos são muito mais extensos.
Radiação Gama é uma onda eletromagnética. As substâncias radiativas emitem continuamente calor e têm a capacidade de ionizar o ar e torná-lo condutor de corrente elétrica. São penetrantes e ao atravessarem uma substância chocam-se com suas moléculas. A radiação gama tem seu poder de penetração muito grande. Sua emissão é obtida pela maioria, não totalidade, dos nuclídeos radioativos habitualmente empregados. Quando a fonte de material radioativo for beta ou gama é necessário colocação de uma barreira entre o operador e fonte.

Infra-Vermelho

Radiação eletromagnética invisível, emitida por corpos aquecidos. Pode ser detectada por meio de células fotoelétricas, possui muitas aplicações. Desde o aquecimento de interiores até o tratamento de doenças de pele e dos músculos. Para produzir o infravermelho, em geral empregam-se lâmpadas de vapor de mercúrio a de filamento longo incandescente.

A radiação infravermelha é usada para obter fotos de objetos distantes encobertos pela atmosfera, também muito utilizada por astrônomos para observar estrelas e nebulosas que são invisíveis com luz normal. Uma outra utilidade deste tipo de radiação é o uso nas fotografias infravermelhas, que são muito precisas. O infravermelho foi muito utilizado na II Guerra Mundial.

Alguns exemplos de Infra-vermelho.

Esq.: radiografia da flor da columbina. Dir.: registro em filme do calor deixado no chão por
Esq.: radiografia da flor da columbina. Dir.: registro em filme do calor deixado no chão por
um cadáver, logo após um crime, por meio de infra-vermelhos

Ultravioleta

Produzida por descargas elétricas em tubos de gás. Cerca de 5% da energia mandada pelo Sol consiste nesta radiação, mas a maior parte da que incide sobre a Terra é filtrada pelo O e pelo ozônio na atmosfera, estes protegem a vida na Terra. Esta radiação é impregnada principalmente em tubos fluorescentes, mas também em aplicações médicas que incluem lâmpadas germicidas, o tratamento do Raquitismo e doenças de pele, enriquecimento de leite e ovos com vitamina D.
É dividida em três classes: UV-A, UV-B e UV-C. As ondas de menor período são as mais nocivas aos organismos vivos. A UV-A é a mais perigosa e tem período entre 4000A (ângstrons) e 3150A. UV-B tem período entre 3150A e 2800A e causa queimaduras na pele.

Radiação de Fundo

Toda vida, em nosso planeta, está exposta à radiação cósmica* e à radiação proveniente de elementos naturais radioativos existentes na crosta terrestre como potássio, césio etc. A intensidade dessa radiação tem permanecido constante por milhares de anos e se chama radiação natural ou radiação de fundo, e provém de muitas fontes.
Cerca de 30% a 40% dessa radiação se deve aos raios cósmicos. Alguns materiais radioativos -- como potássio-40, carbono-14, urânio, tório etc. – estão presentes em quantidades variáveis nos alimentos.
Uma quantidade raoável de radiação vem do solo e de materiais de construção. Assim, pois, a radiação de fundo pode variar de local para local.
O valor médio da radiação de fundo em locais habitados é de 1,25 milisievert (mSv) ao ano.

Raios Catódicos

São feixes de partículas produzidos por um eletrodo negativo (cátodo) de um tubo contendo gás comprimido. São resultado da ionização do gás e provocam luminosidade. Os raios catódicos são identificados no final do século passado por Willian Crookes. O tubo de raios catódicos é usado em osciloscópios e televisões.

Raio X

São capazes de atravessar o corpo humano, durante a travessia, o feixe sofre um certo enfraquecimento. Ele provoca a iluminação de certos sais minerais.

O uso do raio X tem sido uma importante ferramenta de diagnóstico e terapia. Os raios X são absorvidos pelos ossos enquanto passam facilmente pelos outros tecidos.

Em 1895 Wilhelm Konrad von Röntgen descobre acidentalmente os raios X quando estudava válvulas de raios catódicos. Verificou que algo acontecia fora da válvula e fazia brilhar no escuro focos fluorescentes. Eram raios capazes de impressionar chapas fotográficas através de papel preto. Produziam fotografias que revelavam moedas nos bolsos e os ossos das mãos. Estes raios desconhecidos são chamados simplesmente de "x".

Radiação de Neutrons

Nêutrons são partículas muito penetrantes. Elas se originam do espaço externo, por colisões de átomos na atmosfera, e por quebra ou ficção de certos átomos dentro do reator nuclear. Água e concreto são as formas mais comuns usadas como barreiras contra radiação por nêutrons.

Fonte: www.fisica.net

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