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ENERGIA, DESENVOLVIMENTO E PROBLEMAS AMBIENTAIS

É difícil para uma pessoa nascida nos últimos 50 anos, imaginar a vida sem energia.

Como preparar alimentos sem fogão e conservá-los sem usar a geladeira? A lavagem de roupas é muito mais fácil e rápida usando-se máquinas de lavar, a limpeza da casa é mais bem feita com o uso do aspirador. E os meios de transporte, os carros, os ônibus, que tanto facilitam a vida do trabalhador? Podemos citar o cinema, a televisão, o rádio, diversões tão populares, e que só são possíveis devido ao conhecimento e domínio da energia.

Como imaginar uma fábrica dependendo apenas do trabalho manual dos operários? Ou a abertura de uma estrada sem tratores ou máquinas de terraplanagem? Ou ainda a construção sem guindastes, as siderúrgicas sem fornos e as fazendas sem máquinas agrícolas?

O homem moderno depende da energia elétrica e do combustível fóssil como o homem do século XIX dependia do cavalo e o homem primitivo dependia de seus próprios braços.

Veja, no quadro a seguir, como o consumo de energia pelo homem foi aumentando e se modificando ao longo de sua história.

A energia elétrica é produzida atualmente no mundo pela queima de petróleo (43%), de carvão e outros combustíveis sólidos (31%), de gás natural (21%), e reação nuclear e queda d'água (5%)7.

No Brasil, atualmente, ao contrário do que acontece na maioria dos outros países do mundo, a maior fonte de energia são as hidrelétricas. O consumo de energia proveniente dessa fonte cresceu muito nas últimas décadas, com a construção de usinas gigantescas como a de Itaipu e Tucuruí.

Em 1994, as usinas hidrelétricas produziam 91% da energia elétrica do país.

(Fonte: IBGE, Anuário Estatístico do Brasil –1994)

Para implantação das hidrelétricas, muitas vezes é necessário construir-se barragens, canais fluviais e outros recursos da engenharia hidráulica, que intensificam problemas ambientais como a destruição de matas galerias, desmoronamento das margens do rio, assoreamento do leito, poluição das águas etc.

Na construção da Hidrelétrica de Tucuruí, por exemplo, o fechamento das comportas de sua barragem formou um imenso lago de 2430 km2, cobrindo a floresta, que entrou em processo de putrefação. Nesse processo é consumido o oxigênio dissolvido na água e ocorre a produção de gás sulfídrEnergia, desenvolvimentoi e Problemas Ambientaisico, que é tóxico para os peixes e outros organismos vivos.

Em termos mundiais, a queima dos combustíveis fósseis é a fonte principal de energia elétrica, que são também empregados em muitos outros processos que requerem energia, como para movimentar carros, máquinas, aquecer caldeiras etc.

No entanto, as fontes não renováveis de energia estão se esgotando e sua exploração excessiva está gerando desequilíbrios ambientais muito graves.

A formação dos combustíveis fósseis deveu-se a processos que ocorreram na natureza em condições muito particulares num certo período da história da Terra que dificilmente voltariam a se repetir. Assim, esgotadas as reservas naturais, não há como regenerá-las. A busca de combustíveis alternativos é uma preocupação e necessidade do mundo atual.

Os danos ambientais causados pela queima dos combustíveis são um sério problema hoje em dia. Ocorre, nesse processo, a formação de gás carbônico (CO2), de monóxido de carbono (CO), de fuligem (carvão) e ainda uma parte do combustível evapora para a atmosfera.

Emissão de gás carbônico e aumento da temperatura da Terra. A linha de cima mostra a variação da emissão de gás carbônico (em ppm) e a linha de baixo mostra o aumento da Temperatura da Terra (em C). (referência 8)

O excesso de gás carbônico na atmosfera está causando o agravamento do "efeito estufa", isto é, o aquecimento anormal do planeta.

Uma elevação de dois ou três graus Celcius na temperatura média do nosso planeta não parece, à primeira vista, causar graves conseqüências. Mas, na verdade, os efeitos desse pequeno aquecimento podem ser catastróficos em alguns lugares do mundo. Muitos tipos de vegetação não suportariam esse aumento de temperatura e os períodos de chuva seriam alterados.

Porém, efeitos de maiores proporções poderiam ser esperados como resultado do derretimento das geleiras que podem levar a submersão de várias cidades costeiras.

O monóxido de carbono que pode se formar na combustão também é muito danoso à vida. Não só ao homem, como às plantas. O monóxido de carbono causa dores de cabeça, perda de visão, e se sua concentração for alta, pode levar à morte.

Também, muitos tipos de petróleo contêm compostos de enxofre como impurezas, que reagem com oxigênio do ar, formando dióxido de enxofre (SO2). Esse gás ao interagir com o ar e a umidade, transforma-se em ácido sulfúrico. Assim, as chuvas em regiões de altas concentrações de SO2, tornam-se mais ácidas, causando a corrosão de metais, o desgaste de monumentos de mármore, de construções, e aumentando a acidez das águas doces, podendo causar a morte de espécies da vida aquática.

O dióxido de enxofre pode causar ainda, problemas respiratórios. É também tóxico às plantas, inibindo a fotossíntese e causando, quando presente em altas quantidades, a destruição de folhas.

Nas atmosferas das grandes cidades formam-se também os óxidos de nitrogênio. A alta temperatura, o nitrogênio presente no ar interage com oxigênio, formando-se os óxidos mencionados. As temperaturas alcançadas nas caldeiras industriais ou nos motores dos carros, são suficientemente altas para provocarem essa reação. Os óxidos de nitrogênio também causam o aumento de acidez das chuvas.

As usinas nucleares também causam problemas ambientais. A fissão nuclear é acompanhada pela emissão de radiações como os raios-X. Os fragmentos formados no processo de fissão são altamente radioativos, chamados de "lixo atômico", sendo um problema sério pois são nocivos aos seres vivos.

Com isso, existem ainda algumas dúvidas sobre o aproveitamento da energia do átomo, que foram acentuadas por acidentes ocorridos em grandes centrais nucleares. O acidente de Chernobyl, na ex-URSS, resultou em trinta e uma mortes num intervalo de três meses após o acidente, muitos internamentos, e remoção de mais de cem mil pessoas das áreas mais contaminadas.

Problemas como risco de contaminação por compostos radioativos, o que fazer com o lixo atômico que se acumula, a fabricação de armas nucleares, são questões que devem ser levadas em conta quando se pensa em utilizar a energia atômica.

Entretanto, na realidade, não existem fontes limpas de energia. Mesmo a energia solar é poluente.

Não se pode comparar um reator nuclear como o de Angra, inicialmente projetado para produzir 600 MW (megawatts) de energia, com um painel solar que produz 2 kW (kilowatts) de energia. É preciso igualar a produção para fazer a comparação. A comparação justa seria entre um reator nuclear de 600 MW e 300.000 painéis solares, cada um produzindo 2 kW.

A quantidade de materiais que precisam ser minerados, processados e fabricados até que se tenham os 300.000 painéis solares e mais as baterias para acumular a energia para os horários em que não há sol, é muito grande. Alguns desses materiais podem ser muito poluentes e perigosos, como o chumbo, o mercúrio e o cádmio das baterias, e no final das contas, quando se vai comparar o risco real das duas fontes pode-se chegar a conclusão de que não são muito diferentes.

Todos esses fatores devem ser levados em conta quando se trata de avaliar a utilização da energia atômica como fonte de energia elétrica.

Fonte: www.eciencia.usp.br