Para a maioria das pessoas a meditação está relacionada a coisas como relaxamento físico, redução de estresse e paz de espírito. Embora esses sejam objetivos válidos, o verdadeiro propósito da meditação é algo superior e mais espiritual. Afinal, os iogues e os profetas que primeiro reconheceram e aperfeiçoaram os princípios da meditação já viviam bem relaxados nas montanhas nas quais se retiravam. Eles começaram a praticar a meditação para encontrar o self. Seu objetivo não era o descanso, mas a iluminação.
A viagem pelo self é a experiência mais importante e transformadora que você pode ter. Deixe-me explicar o que essa experiência impõe. Para começar, direi que o corpo é apenas a manifestação objetiva de nossas idéias, enquanto a mente é a manifestação subjetiva. O corpo está sempre mudando, e a mente, com os pensamentos, desejos e sentimentos também vai e vem. Tanto o corpo quanto a mente são fenômenos presos ao tempo e ao espaço, mas não são eles que experimentam as coisas. Mas, afinal, alguém passa pelas experiências ¾ alguém que está além do tempo e do espaço ¾ e esse alguém é o verdadeiro você. Esse "você" é a essência atemporal de todas as experiências relacionadas ao tempo, a entidade que existe por trás do sentimento, do pensamento. Esse "você" é nada mais nada menos que a alma.
A ciência moderna consegue isolar um pensamento ou uma intenção uma fração de segundo depois de eles nascerem. Mas nenhuma máquina criada pelo homem é capaz de revelar a verdadeira origem desse pensamento. É inútil procurar essa fonte no corpo ou na mente, porque ela simplesmente não está lá. É como desmontar o rádio na expectativa de encontrar lá dentro o intérprete da música que se está ouvindo. O cantor não estará dentro do rádio, que não passa de um conjunto de plástico e mental projetado para captar um campo de informações e convertê-las numa ocorrência no espaço e no tempo.
Da mesma maneira, o verdadeiro "você" é um campo não-localizado que o corpo e a mente captam no espaço e no tempo. A alma se expressa através do corpo e da mente, mas mesmo que essas duas entidades fossem destruídas, nada aconteceria ao verdadeiro "você" ¾ porque o que eu decidi chamar de "espírito incondicional" não se encontra em forma de matéria ou energia.
Na verdade, ele existe nos momentos de silêncio entre um pensamento e outro.
Há um intervalo entre cada pensamento em que você faz as escolhas. Esse intervalo é a porta de entrada do self superior ¾ o self cósmico. O verdadeiro "você" não está limitado pelas fronteiras físicas do corpo nem pela quantidade de anos que já viveu, mas pode ser encontrado no espaço infinitamente pequeno e ao mesmo tempo imenso que existe entre seus pensamentos.
Apesar de silencioso, esse espaço é cheio de possibilidades, um campo de potencialidade pura e limitada. Todas as diferenças entre mim e você resultam das diferentes escolhas que fizemos nesse espaço, e essas possibilidades são sempre renovadas. As ações geram lembranças... as lembranças geram desejos... e os desejos criam ações e assim por diante, num círculo que não tem fim. As sementes das lembranças e dos desejos continuamente buscam se expressar através de mecanismos mentais e corporais, criando assim o mundo que experimentamos a cada momento.
Vamos analisar melhor esse processo. Num sentido amplo, nossa existência pode ser entendida em três níveis distintos.
O primeiro nível, composto de matéria e energia, é o corpo físico.
O segundo, que é chamado de corpo sutil, inclui a mente, o raciocínio e o ego.
E o espírito e a alma existem no terceiro nível, que é chamado de corpo causal.
Através da meditação podemos retirar a consciência do caos interno e externo do primeiro nível ¾ o mundo de objetos físicos e pensamentos cotidianos ¾ e transportá-la para o estado de tranqüilidade e silêncio característicos da alma e do espírito. Com prática e dedicação, é possível alcançar o imenso conhecimento e desvendar as verdades definitivas da natureza.
A meditação pode assumir várias formas. As mais avançadas usam mantras. Os mantras são sons primordiais ¾ sons básicos da natureza ¾ que a mente pode usar como veículo para elevar a consciência. Geralmente, os mantras são selecionados por instrutores qualificados e ensinados individualmente. É assim que ensinamos a meditação dos sons primordiais no Centro de Medicina Mental / Corporal de San Diego. Mas há também outras formas de meditação, menos específicas mas ainda assim muito eficazes. A meditação atenciosa, o método que apresentado aqui, é uma excelente maneira de começar.
Trata-se se uma técnica simples de desencadear um estado de relaxamento profundo de corpo e mente. À medida que a mente se aquieta ¾ e permanece desperta ¾ você vai se beneficiar de um estado de consciência mais profundo e tranqüilo.
Antes de começar, encontre um local silencioso em que não vá ser pertubado.
Sente-se e feche os olhos.
Concentre-se na respiração, mas inspire e expire normalmente. Não tente controlar ou alterar a respiração deliberadamente. Apenas observe.
Ao observar a respiração, vai ver que ela muda. Haverá variações na velocidade, no ritmo e na profundidade, e pode ser que ela pare por um momento. Não tente provocar nenhuma alteração. Novamente, apenas observe.
Pode ser que você se desconcentre de vez em quando, pensando em outras coisas ou prestando atenção aos ruídos externos. Se isso acontecer, desvie a atenção para a respiração.
Se durante a meditação você perceber que está se concentrando em algum sentimento ou expectativa, simplesmente volte a prestar atenção na respiração.
Pratique esta técnica durante quinze minutos. Ao final, mantenha os olhos fechados e permaneça relaxado por dois ou três minutos. Saia do estado de meditação gradualmente, abra os olhos e assuma sua rotina.
Sugiro a prática da meditação atenciosa duas vezes ao dia, de manhã e no final da tarde. Se estiver irritado ou agitado, pode praticá-la por alguns minutos no meio do dia para recuperar o eixo.
Na prática da meditação você vai por uma de três experiências. Mas deve resistir à tentação de avaliar a experiência ou sua capacidade de seguir as instruções, porque as três reações são "corretas".
Você pode se sentir entediado ou inquieto, e a mente vai se encher de pensamentos. Isso significa que emoções profundas estão sendo liberadas. Se relaxar e continuar a meditar, vai eliminar essas influências do corpo e da mente.
Você pode cair no sono. Se isso acontecer durante a meditação, é sinal de que você anda precisando de mais horas de descanso.
Você pode entrar no intervalo dos pensamentos... além do som e da respiração.
Se descansar o suficiente, mantiver a boa saúde e devotar-se todos os dias à meditação, você vai conseguir um contato significativo com o self. Vai poder se comunicar com a mente cósmica, a voz que fala sem palavras e que está sempre presente nos intervalos entre um pensamento e outro. Essa é a sua inteligência superior ilimitada., seu gênio supremo e verdadeiro, que, por sua vez, reflete a sabedoria do universo. Tudo estará a seu alcance se confiar na sabedoria interior.
Fonte: www.golfinho.com.br
A meditação consiste na prática de focar a atenção, freqüentemente formalizada em uma rotina específica. É comumente associada a religiões orientais. Há dados históricos comprovando que ela é tão antiga quanto a humanidade. Não sendo exatamente originária de um povo ou região, desenvolveu-se em várias culturas diferentes e recebeu vários nomes.
Sua maior divulgação se deu pelo oriente, desenvolvendo-se em inúmeras culturas dessa parte do globo. Uma das escolas em que ela evoluiu independentemente foi o Sufismo.
Apesar da espiritualidade associada com essa prática, a meditação pode também ser usada para o desenvolvimento pessoal em um contexto não religioso.
A meditação costuma ser definida da seguinte maneira:
um estado que é vivenciado quando a mente se torna vazia e sem pensamentos
prática de focar a mente em um único objeto (por exemplo: em
uma estátua religiosa, na própria respiração,
em um mantra)
uma abertura mental para o divino, invocando a orientação de
um poder mais alto
análise racional de ensinamentos religiosos (como a impermanência,
para os Budistas)
É fácil se observar que nossas mentes encontram-se continuamente
pensando no passado (memórias) e no futuro (expectativas). Com a devida
atenção, é possível diminuir a velocidade dos
pensamentos, para se observar um silêncio mental em que o momento presente
é vivenciado. Através da meditação, é possível
separar os pensamentos da parte de nossa consciência que realiza a percepção.
Vinte a trinta minutos é provavelmente a duração típica de uma sessão de meditação. Praticantes experientes frequentemente observam que o tempo de suas sessões de meditação se prolongam com o tempo.
Os objetivos podem variar, assim como as técnicas de execução. Ela pode servir simplesmente como um meio de relaxamento da rotina diária, como uma ténica para cultivar a disciplina mental, além de ser um meio de se obter insights sobre a real natureza ou a comunicação com Deus. Muitos praticantes da meditação têm relatado melhora na concentração, consciência, auto-disciplina e equanimidade.
Nas filosofias religiosas do oriente, como, Bramanismo, Budismo e suas variações como o Budismo Tibetano e Zen, Tantra e Jainismo, bem como nas artes marciais como I-Chuan e Tai Chi Chuan, a meditação é vista como um estado que ultrapassa o intelecto, onde a mente é posta em silêncio para dar lugar à contemplação espiritual. Esse "calar a mente" induz uma volta ao centro (meio, daí m), para o vazio interior.Posturas na Meditação Sentada
É importante saber que estas posturas de meditação são uma ajuda para que a mente se acalme com mais facilidade, não são a finalidade meditação em si. Na Escola Kwan Um, a finalidade da meditação é manter uma mente clara e serena momento a momento, tanto durante a meditação formal como durante a vida cotidiana, por isso se insiste em não nos apegarmos a nenhuma técnica de meditação concreta e sim compreender que são técnicas de ajuda para poder manter a mente clara. Não devemos tentar nenhuma postura se com isso corremos perigo de lesionarmo-nos, é preferível sentar-se tranqüilamente em uma cadeira, ou mesmo meditar deitado. Se houver algum impedimento físico pode-se usar as técnicas de meditação descritas em Técnicas de meditação mantendo qualquer postura física, sentado, deitado ou caminhando.
Forma Básica:
1.Coloque uma almofada (zafu em japonês) sobre um colção,
ou esteira (zabuton) e sente-se na posição simples de pernas
cruzadas.
2.Deixe sua coluna reta, ombros para trás e relaxados; deixe sua cabeça levemente inclinada para trás.
3.Olhe em um ângulo de 30 graus a sua frente. Seus olhos devem estar entre-abertos, pousados a sua frente no chão.
4.Posicione suas mãos no mudra universal –( a mão esquerda sobre a mão direita, os polegares aproximando-se, sem se tocar.
Sentar-se com ambos os pés sobre as suas coxas.
Sentar-se com um dos pés sobre a coxa.
Sentar-se com um pé abaixo da panturrilha contraria e com o outro pé abaixo da coxa oposta.
Sentar-se com ambos pés tocando a o chão ou o que estiver sobre o chão.
Empilhe várias almofadas uma sobre a outra lateralmente (a parte mais cheia da almofada para trás), sente-se nelas. Esta sem dúvida, é a posição mais confortável para os iniciantes. Mas não é uma posição estável, se você tiver tendência a dormir enquanto estiver meditando.
Sente-se sobre as panturrilhas e coloque uma almofada entre as pernas, sente-se nela.
Usar um 'banquinho de meditação’ – consiste em color o banco sobre as duas pernas e sentar-se nele.
Sentando em uma cadeira: Coloque uma ou mais almofadas sobre a cadeira. Mantenha a coluna reta. Use um apoio para os pés caso eles não alcancem o chão.
Ficando de pé – atrás da almofada, com as mãos em gesto de oração (gasshô).
Erros Comuns:
- Não sentar-se com a coluna reta. Isso pode ser resolvido usando mais almofadas. As pernas devem estar na posição simétrica – O que uma faz, a outra também deve fazer.
- O sentar passa a ser um desafio físico então mente se concentra na posição física dificultando um trabalho eficaz.
-Tentar qualquer postura além da que estamos fisicamente preparados. É preferível não forçarmos nunca e evitar qualquer excesso que possa lesionar-nos. Antes de chegar a tal extremo é preferível sentar-se em uma postura mais confortável, em uma cadeira ou continuar meditando de pé.
Fonte: ezine.tiosam.com