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Barcelona

Moderna como as formas de Gaudí, ela é hoje a cidade mais animada da Europa

O que parecia impossível aconteceu: Barcelona ficou ainda melhor. Anos após a grande transformação para as Olimpíadas de 1992, quando cresceu e apareceu para o mundo, a capital da Catalunha está mais uma vez de cara nova. Para abrigar o Fórum Mundial das Culturas, em 2004, a cidade passou por um projeto de reurbanização que custou 3 bilhões de euros. A reforma representa a maior transformação urbanística realizada na Europa nos últimos tempos. Depois do evento, a área se transformou num grande complexo de lazer e cultura. No embalo do Fórum, a cidade ainda ganhou mais de sessenta novos hotéis de três, quatro e cinco estrelas.

Com sol o ano inteiro, diversão garantida e uma vida cultural riquíssima, muita gente não resiste aos encantos de Barcelona e acaba ficando de vez. Por causa disso, ela é hoje uma das mais cosmopolitas cidades da Europa. No entanto, o jeito de ser do catalão permanece marcante e notável. Orgulhoso de seu idioma e de sua cultura, ele não se considera espanhol e, como prova disso, odeia touradas, por exemplo. Se você quiser desfrutar plenamente Barcelona, relaxe e deixe-se levar. Perca-se no Bairro Gótico. Viaje nas formas de Gaudí. Caia na balada sem remorso. Durma até tarde e acorde querendo repetir o programa. Tudo bem, em Barcelona é assim mesmo. Só não seja um turista afobado. Ou você corre o risco de perder o melhor da cidade: seu astral descompromissado.

Fonte: viajeaqui.abril.com.br

Barcelona

Barcelona é uma das mais vibrantes cidades europeias. Pelo seu cosmopolitismo; pela gastronomia e movida, sobretudo na passerelle ininterrupta de Las Ramblas; pela moda que nela se dita e pelo design que nela se cria; pelos ares da montanha Montjuic e pelas irresistíveis águas do Mediterrâneo.

E, sobretudo, pela obra ímpar de Antoni Gaudí. Esta é uma viagem à Barcelona de Gaudí.

BARCELONA DE GAUDÍ

Gaudí trabalhou quase sempre em Barcelona ou nos seus arredores, e ocupou grande parte da sua vida a construir aquele que é hoje considerado o principal símbolo da capital catalã: o Templo Expiatório da Sagrada Família.

Fachada da Casa Batlló, Barcelona, uma das mais extraordinárias obras de Antoni Gaudí
Fachada da Casa Batlló, Barcelona, uma das mais extraordinárias obras de Antoni Gaudí

Em construção há mais de um século, continua inacabada mas surpreendente. Cada vez que se lá entra, há um pormenor que antes os andaimes escondiam e que a luz deixa agora revelar. Diz-se que a Sagrada Família é a súmula de todo o trabalho de Gaudí, ele que foi responsável por uma obra arquitectónica a todos os títulos notável, embora os seus méritos nem sempre tenham sido reconhecidos. Nos anos 20 a sua obra estava votada ao desprezo, com poucos a perdoar-lhe tamanhas excentricidades.

Hoje em dia, as opiniões são unânimes. Os profissionais da arquitectura respeitam-no, não só pela originalidade das suas criações, mas também muitas pelas descobertas que fez e pelas formas engenhosas com que conseguia fazer cálculos e ensaios, numa época em que os computadores eram ficção científica. Os restantes, não especialistas em arquitectura (tal como a autora destas linhas), acabam invariavelmente por se render à imaginação delirante de Antoni Gaudí.

A cidade de Barcelona, aproveitando esse facto, organizou em 2002 um ano de comemorações em honra do seu filho pródigo. Chamaram-lhe o Ano Internacional Gaudí, a pretexto de passarem 150 anos do seu nascimento, e os seus edifícios mais emblemáticos franquearam as portas ao turismo. Turistas de todo o mundo responderam em massa ao apelo. Estava descoberto um filão valioso.

Em 2006, o nome do arquitecto é usado em nova efeméride. A extraordinária casa Battlo comemora 100 anos de existência e os seus donos decidem mostrar espaços antes raramente visitáveis. Aos poucos, Barcelona vai-se tornando, cada vez mais, a cidade de Gaudí.

O IMAGINÁRIO DE GAUDÍ NA BARCELONA DO SÉCULO XXI

Não é preciso ser arquitecto para apreciar a obra de Gaudí, nem é preciso andar de guia na mão para entender a complexidade da sua obra. Nem sequer é necessário imaginar quão complexos seriam os exercícios matemáticos que Antoni Gaudí fazia, no início do século, para calcular pesos de estruturas e engendrar a forma de fazer com que uma simples coluna se transformasse numa árvore, ou que um muro de um jardim nos faça lembrar uma onda marítima.

Aspecto do interior da Casa Milá, no Paseo de Grácia, Barcelona
Aspecto do interior da Casa Milá, no Paseo de Grácia, Barcelona

Basta andar pelas ruas - o obrigatório Paseo de Gracia, o Parque Güell, pelas perpendiculares de Las Ramblas - para tropeçarmos em obras arquitectónicas que, não só nos obrigam a congelar os apressados passos, como nos impelem a voltar a cabeça para o ar e contemplar as suas fachadas.

O mais leigo dos leigos perceberá que estamos perante uma obra de difícil classificação convencional: não é gótico, não é art nouveau, não é modernista... Talvez seja tudo isso, mas talvez seja também uma outra coisa qualquer. É Gaudí, seguramente. E é sempre, sempre impressionante.

Em todo o caso, ter a percepção do que foi a vida de Gaudí e a forma como a plasmou na sua obra, acaba por ser importante para melhor apreciarmos as suas criações. Foi essa, pelo menos, a sensação que tive ao visitar a Casa Milá (também conhecida por La Pedrera), uma das mais importantes obras civis de Antoni Gaudí - e também a última que executou - e que, em boa hora, a Fundação Caixa Catalunya comprou, restaurou e ofereceu à cidade, transformada num magnífico centro cultural.

É numa exposição permanente patente nesse edifício que é possível perceber como coexistiam em Gaudí o hiper-racional e a irracionalidade; como as suas vidas profissional e pessoal se fundem e confundem, como se fossem uma unidade orgânica; como a estrutura arquitectónica se baralha com a natureza e obedece às suas leis.

Uma visita à Casa Milá acaba por ser obrigatória para quem quiser perceber um pouco mais da vida e obra de Antoni Gaudí, seja a começar ou a culminar um pequeno roteiro às obras do mestre catalão existentes em Barcelona. Como as que aqui sugerimos, ordenadas cronologicamente, numa tentativa de dar uma sequência lógica a um inventário que não se deixa facilmente catalogar por critérios de importância.

PALÁCIO GÜELL

Fica bem próximo de Las Ramblas, numa das suas perpendiculares, à Carrer Nou. Construída entre 1886 e 1890, foi encomendada pelo primeiro conde de Güell, aquele que acabaria por ser o principal mecenas e impulsionador da obra de Gaudí. Eusébio Güell encomendou a Gaudí uma ampliação da residência da família, e acabou por permitir o aparecimento do primeiro edifício moderno a ser distinguido pela UNESCO como património da humanidade (1985). O que fica na memória mais imediata deste magnífico palácio é, desde logo, a sua entrada, com um vestíbulo duplo, para facilitar entrada e saída de carruagens; e também as antigas cocheiras e cavalariças. Mas também o terraço, o primeiro em que Gaudí testou algumas das soluções que agora o imortalizam, e que passa por “decorar” as chaminés, que teima em individualizar com revestimentos variados (cerâmicas coloridas, mármore, vidros).

PARQUE GÜELL, UM PULMÃO EM BARCELONA

O Palácio não foi a primeira nem a última encomenda do conde Güell a Gaudí. Mas a mais marcante dessas encomendas foi o desafio feito a Gaudí para que construísse uma cidade-jardim, nos arredores de Barcelona. Sempre pioneira em matérias de urbanismo, a capital catalã foi, também aqui palco de uma importante experimentação. Queria Güell que Gaudí desenvolvesse uma nova urbanização, em que as casas e espaços públicos homenageassem a natureza, em contraponto com a industrialização que as cidades europeias começavam a sentir.

Edifício à entrada do Parque Güell, Barcelona
Edifício à entrada do Parque Güell, Barcelona

Manda a verdade dizer que o projecto fracassou, se em conta tivermos o objectivo inicial de Güell de ali construir uma urbanização. Casas, só existe aquela que hoje está transformada em Casa Museu de Gaudí, e outros edifícios existem apenas os dois que ladeiam uma das entradas principais do parque. Mas não são duas casas vulgares, mas sim construções oníricas que parecem saídas de um contos de fadas, onde colocaríamos sem dificuldade os irmãos devoradores de chocolate Hensel e Gretel.

Güell desistiu da ideia da urbanização quando esbarrou no seu insucesso comercial: não apareciam compradores para os terrenos já loteados. Mas não poderemos nunca pensar em rótulos de fracasso quando, afinal, a cidade de Barcelona acabou por ganhar um magnífico jardim, e a Humanidade tem ali importante património (como reconheceu a UNESCO em 1984).

Do que ficou do parque Güell, sobressai a Gran Plaza Circular, uma esplanada com um banco em toda a sua volta coberto por mosaicos coloridos - a praça foi executada por um dos principais colaboradores de Gaudí, Josep Jujol, também ele um nome a reter. O contorno serpenteante desta esplanada é justificado pelo “templo Dórico” que a sustenta: cerca de uma centena de colunas de mármore, intervaladas por aplicações de mosaicos também elas surpreendentes.

Gaudí trabalhou neste parque entre 1900 e 1914, e pode dizer-se que foi com ele que entrou naquilo que os especialistas declaram ser o seu período de maturidade, numa altura em que deixaram de o chamar modernista, para lhe colocar o epíteto de surrealista.

Seja de que traça arquitectónica for, a verdade é que é difícil não reter a forma invulgar como, no Parque Güell, o cimento segue de mãos dadas com a natureza, de forma bela e totalmente harmoniosa.

Fonte: www.almadeviajante.com

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