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Estresse Oxidativo

RESULTADOS

Os dados referentes aos efeitos do exercício realizado na esteira rolante sobre parâmetros utilizados com o objetivo de monitorar a sua intensidade estão descritos na tabela 1.

Pode-se notar a partir de suas análises que o exercício físico foi efetivo em promover grande exigência física em função da concentração de lactato obtida no final do teste, assim como o valor do quociente respiratório.

Todos os resultados comparados com o repouso na tabela 1 são significativamente maiores (p < 0,01).

Os dados referentes aos efeitos do exercício sobre a quimioluminescência urinária estão descritos na tabela 2.

Pode-se notar nessa tabela que o único efeito significativo obtido para esse parâmetro foi o de redução (28%) três horas após o término do exercício.

Na tabela 2 observa-se aumento significativo no MDA plasmático, principalmente aos 6min (33%), 23min (714%) e 26min (761%) de exercício físico.

Verifica-se, também, nesse experimento, que o MDA plasmático foi reduzido entre os tempos 9 e 12min, sendo significativamente menor (24%) aos 12min de corrida.

A capacidade antioxidante plasmática total (tabela 2) aumentou significativamente aos nove (34%) e aos 12min (36%) de exercício, enquanto que foi reduzida significativamente aos 23 (52%) e 26min (59%) de exercício.

Os resultados obtidos com o grupo de maratonistas estão descritos na tabela 3.

Para esse grupo, obtiveram-se tanto os resultados pré-treino (31,5%) como os pós-treino (41,5%) significativamente superiores aos do grupo de sedentários.

No grupo de corredores de 400m rasos (tabela 3) não foi encontrada diferença significativa na quimioluminescência urinária, tanto no pré como pós-treino, na comparação com o grupo de sedentários.

Na verdade, verifica-se certa tendência de redução desse parâmetro nesse grupo relativamente aos sedentários.

TABELA 3

Quimiluminescência urinária (cpm/mg de creatinina) de atletas antes e após a realização de exercício físico e treinamento intenso

Grupos Antes Depois
Sedentários 0.9260. ± 39
Maratonistas 1.3520. ± 23
( 31,5%) #
1.582,0 ± 69
( 41,5%)#
Corredores de 400m 0.900,0 ± 97 0.890,0 ± 97
Futebol (1) 0.965,5 ± 34 1.465,0 ± 37
( 58%)# ( 52%)*
Futebol (2) 0.955,5 ± 30 1.640,4 ± 26
( 77%)# ( 71%)*
Treino de força (1) 0.955,0 ± 29 1.630,0 ± 23 (76%)# (71%)*
Treino de força (2) 0.956,5 ± 28 1.135,4 ± 20 ( 43%)**

# Comparado com sedentários p < 0,01.
* Depois comparado com antes p < 0,01.
** Treino de força 2 (depois) comparado com treino de força 1 (depois); p < 0,01.

Os resultados estão expressos como média ± desvio-padrão. Corredores de maratona: foram analisadas 284 amostras em 10 atletas após correrem 20km na freqüência cardíaca de 180-185 bat/min. Corredores de 400m rasos: 10 atletas e 10 sedentários, todos do sexo masculino (média de 24 análises em cada grupo). Futebol (1): partida de futebol simulada de 50min (média de 24 análises de 10 jogadores); Futebol (2): treino de força de jogadores de futebol (média de 24 análises de 10 jogadores). Treino de força (1): antes e após com placebo; treino de força (2): antes e após com creatina, com nove alunos em cada grupo. queda; aumento.

Os resultados obtidos de jogadores de futebol (tabela 3) em jogo simulado com 50min de duração revelam que nesta condição o exercício físico pode elevar significativamente a quimioluminescência urinária, comparado com o repouso (52%) e com sedentários (58%).

Ou seja, apesar de se constatar no teste de esforço físico máximo na esteira que a quimioluminescência urinária não aumenta significativamente após o teste, é possível que após o jogo de futebol isso ocorra.

O mesmo se observa no período de treinamento de força dos mesmos atletas (tabela 3), em que se observou aumento significativo na quimioluminescência urinária desses indivíduos de forma muito acentuada, comparado com sedentários
(77%) e o repouso (71%).

Nos estudos realizados com treinamento de força/hipertrofia associado ao consumo de creatina (tabela 3) como suplemento energético, os resultados sugerem a existência de efeitos protetores dessa substância sobre a quimioluminescência urinária.

De fato, verificou-se que, comparativamente ao grupo treinado suplementado com placebo, que a quimioluminescência urinária é significativamente menor (43%) no grupo tratado com creatina.

DISCUSSÃO

A intensidade e a duração do exercício são fatores determinantes do tipo de substrato energético utilizado.

No caso do exercício realizado na esteira rolante (tabela 1), que foi conduzido até a exaustão dos atletas, o principal substrato energético utilizado foi o glicogênio muscular.

Essa conclusão baseia-se no fato de que tanto o lactato plasmático como o quociente respiratório aumentaram significativamente na comparação com valores pré-exercício.

Portanto, essa forma de exercício caracteriza-se por ser de alta intensidade.

Nessa condição, verificou-se diminuição na concentração plasmática de MDA (tabela 2) após o começo do exercício e queda na quimioluminescência urinária (tabela 2) durante e após a sua realização; esses efeitos podem refletir a presença de capacidade antioxidante suficiente para proteger o organismo nos momentos iniciais do exercício físico realizado, mas não após esta fase.

De fato, constata-se diminuição no MDA plasmático no início do exercício em consonância com presença de alto teor de antioxidante plasmático (tabela 2).

Por outro lado, a elevação no MDA plasmático após 12min de exercício ocorre em paralelo à queda na sua capacidade antioxidante total.

Ressalta-se que a alta concentração plasmática de lactato detectada no sangue dos indivíduos nesta forma de exercício é propícia à capacidade antioxidante plasmática, porque já se verificou que o mesmo possui propriedades antioxidantes.

Mesmo assim, pode-se dizer que a elevação no plasma de produtos de peroxidação lipídica durante o exercício físico intenso prolongado pode retratar falta de capacidade do organismo em suportar o estresse oxidativo contínuo por longo tempo.

Os valores de quimioluminescência urinária reduzidos detectados após o término do exercício apóiam a afirmação anterior quanto ao organismo possuir capacidade antioxidante suficiente para se proteger no inicio do exercício, mas não concorda com o alto teor de MDA detectado após os 12min de exercício.

De fato, apesar de a queda na quimioluminescência urinária (tabela 2) imediatamente após o exercício não ter sido significativa, isso se torna mais evidente quando se verifica que esse parâmetro apresenta queda ainda maior três horas após o seu término.

Portanto, é possível que órgãos presentes na região esplênica possam ter capacidade antioxidante suficiente para se proteger contra os efeitos do exercício sobre os seus sistemas de produção de EROs, o que pode refletir-se no menor índice de quimioluminescência detectado na urina(15).

Lipoperóxidos podem ser transferidos de um órgão ou tecido para outro e ser metabolizados por aqueles com alta capacidade oxidante(16-18).

Isso é particularmente importante durante o exercício intenso porque a região esplênica tem seu fluxo sanguíneo grandemente diminuído nessa condição, enquanto é aumentado nos músculos esqueléticos.

Assim, além da possibilidade de lipoperóxidos serem metabolizados por órgãos na região esplênica, fatores hemodinâmicos podem dificultar o transporte dos mesmos para essa região, elevando suas concentrações no plasma e demais tecidos onde os lipoperóxidos são produzidos durante o exercício físico intenso.

Essas afirmações apóiam-se em dados obtidos por Maugham et al.,que demonstraram que lipoperóxidos possuem suas concentrações aumentadas no plasma até seis horas após o exercício intenso semelhante ao realizado neste trabalho.

Portanto, devido à recuperação do fluxo sanguíneo renal nesse tempo, faz-se necessária a avaliação da quimioluminescência urinária dos atletas submetidos ao exercício intenso num tempo ainda maior do que o utilizado neste trabalho.

Apesar das afirmações feitas anteriormente sobre o exercício em esteira realizado por atletas, verifica-se na tabela 3 elevação na quimioluminescência urinária em jogadores de futebol após realização de uma única sessão de treinamento em jogo simulado (50min), assim como na quimioluminescência urinária após as sessões de treinamento de força na fase de preparação física geral dos mesmos (tabela 3).

A medida de quimioluminescência urinária ocorreu antes e após uma única sessão de treinamento; o treinamento não exerceu efeito supressor na quimioluminescência urinária, que se manteve elevada durante todo esse período, provavelmente porque o objetivo era elevar a força máxima dos jogadores.

Ou seja, esse tipo de treinamento físico não deve ter propiciado efeito significativo em estimular as defesas antioxidantes de forma a proteger o organismo do atleta durante o período de treinamento.

O exercício físico intenso de média duração utilizado nesse experimento, assim como a maratona e ultramaratona(20,21), promove aumento no MDA plasmático, mas não se conhece o efeito do exercício prolongado sobre a quimioluminescência urinária.

Com efeito, além do MDA plasmático elevado detectado pelo grupo de Kanter et al.,em estudos envolvendo ultramaratonistas, atletas especialistas em maratona apresentam quimioluminescência urinária aumentada após o treinamento com exercício físico intenso (tabela 3).

Os dados apresentados na tabela 3 sugerem que atividades físicas intensas de longa duração, praticadas por humanos, promovem mais estresse oxidativo do que atividades de curta e média duração realizadas em alta intensidade.

Além disso, os dados mostram que o treinamento físico diário não desenvolve a capacidade antioxidante de atletas especialistas em maratona de forma a protegê-los de lesões oxidativas por EROs, principalmente quando comparamos os seus resultados de quimioluminescência urinária pré-treino com os do grupo de sedentários e velocistas (tabela 3).

Estudos com corredores de maratona e ultramaratona, como os realizados por Kanter et al., encontraram nesses corredores no repouso correlação significativa entre as concentrações plasmáticas de lipoperóxidos e as enzimas creatina quinase e lactato desidrogenase muscular (LDH-M).

Esse mesmo grupo observou que as concentrações de lipoperóxidos e a atividade destas enzimas aumentam no plasma após 50 milhas de corrida.

Em função desse aumento no plasma obtido para essas enzimas após a corrida, os pesquisadores concluíram que houve lesão oxidativa nas fibras musculares desses indivíduos durante o exercício.

Assim, tanto o MDA plasmático aumentado, como sugerem os trabalhos de Kanter et al., como a quimioluminescência elevada detectada na urina, no presente trabalho, podem indicar ocorrência de danos oxidativos nos tecidos de indivíduos que se exercitam em atividades prolongadas intensas, mostrando a necessidade de suplementação dietética com antioxidantes químicos para esses indivíduos.

Com relação ao treinamento de força e estresse oxidativo, encontram- se poucos estudos disponíveis.

Em um deles foi constatado que, quando a contração isométrica predomina no treino de força, ocorrem lesões oxidativas em biomoléculas demonstradas com mensurações sanguíneas de lipoperóxidos(22).

Assim, é possível que o treinamento de força também induza estresse oxidativo.

Além disso, verifica-se, nos estudos realizados com treinamento de força associado ao consumo de creatina como suplemento energético (tabela 3), que a menor quimioluminescência urinária detectada nesses indivíduos sugere a existência de efeitos protetores antioxidantes dessa substância.

Isso provavelmente porque a creatina consumida concomitantemente ao treino de força pode manter por mais tempo os valores de ATP intramusculares sem favorecer a maior ativação do ciclo de degradação de purinas, principal processo catabólico independente de O2 responsável pela produção intramuscular de EROs(23).

Existem poucos dados sobre a quantificação de indicadores metabólicos da ativação do ciclo de degradação de purinas no exercício físico intenso associado ao consumo de creatina.

Portanto, mais experimentos são necessários para avaliar se essa hipótese é plausível.

Entretanto, foi constatado que o rendimento físico é elevado durante repetidas sessões de exercício máximo associadas à ingestão de 20g/dia por 5-7 dias de creatina(23).

Além disso, verificou-se queda tanto na amônia como na hipoxantina durante o exercício intenso precedido do consumo de creatina.

Embora o efeito da suplementação com creatina e estresse oxidativo durante o exercício intenso não tenha sido ainda estudado de forma sistemática, como afirmado acima, é possível especular que a menor produção de hipoxantina em decorrência desse procedimento pode reduzir o seu catabolismo em xantina e urato, com menor produção paralela de O2 •-, H2O2 e HO•.

Portanto, é possível que o consuconsumo adicional de creatina previamente à realização do exercício intenso, efetuado em curto espaço de tempo envolvendo contrações musculares vigorosas, possa atuar como antioxidante.

CONCLUSÃO

A corrida em esteira rolante por humanos mostra que a atividade física de média duração (20-30min) realizada em alta intensidade, ao contrário da de curta (treino de força) e de longa duração (corrida de 20km e 50min de futebol), reduz a quimioluminescência urinária.

O primeiro tipo de exercício, por outro lado, aumenta a concentração plasmática de MDA.

Portanto, o exercício intenso estimula o estresse oxidativo em humanos de forma diferente, dependendo da sua duração.

Apesar de o treinamento de força/ hipertrofia elevar os valores urinários de quimioluminescência, o consumo de creatina associado a essa forma de treinamento pode ser benéfico na proteção antioxidante.

Souza Junior TP, Oliveira PR, Pereira B. Exercício Físico e estresse oxidativo - Efeitos do exercício físico intenso sobre a quimiuluminescência urinária e malondialdeído plasmático. Rev Bras Med Esporte 2005; 11: 91-96.

Fonte: www.scielo.br

estresse oxidativo

Mulheres sofrem estresse oxidativo mais intenso que homens

Tomar um copo de suco de laranja ou uma pílula de vitamina pela manhã pode ser mais importante para as mulheres que para os homens?

Ainda é prematuro afirmar, mas, por razões desconhecidas, os resultados de um novo estudo sugerem que as mulheres sofrem oxidação mais intensa - processo suspeito de aumentar o risco de doença cardíaca, derrame e vários outros distúrbios. Como contrapartida, a vitamina C e outras vitaminas antioxidantes poderiam neutralizar esse processo.

O estresse oxidativo resulta do acúmulo de radicais livres, substâncias que danificam as células. Essa forma de estresse pode ser provocada por elementos externos, como o consumo de cigarros, ou por fatores em nível celular.

Acredita-se que o dano causado pelo estresse oxidativo contribua para o envelhecimento e o surgimento de muitas doenças. Com a finalidade de avaliar a influência da oxidação sobre o desenvolvimento de doenças, muitos estudos grandes mediram a ingestão de antioxidantes como a vitamina C na dieta. Poucas pesquisas, porém, determinaram a extensão do dano oxidativo em seres humanos.

Esse foi justamente o objetivo da equipe de Gladys Block, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. No trabalho, os pesquisadores mediram o dano oxidativo em 298 adultos saudáveis, na faixa etária dos 19 aos 78 anos. A pesquisa incluiu a participação de 138 fumantes, 92 não-fumantes e 68 pessoas que relataram exposição ao fumo passivo.

A equipe de Block determinou os níveis sanguíneos de duas substâncias - o malondialdeído e os isoprostanos F2 -, subprodutos da oxidação de substâncias gordurosas (lipídios) e marcadores do dano oxidativo.

Com base nas taxas desses indicadores, os pesquisadores constataram que o dano oxidativo foi significativamente maior entre as mulheres que entre os homens, segundo artigo publicado no American Journal of Epidemiology. Na realidade, pertencer ao sexo feminino foi um indicador mais importante de dano oxidativo que o tabagismo.

A ocorrência de dano oxidativo em nível mais elevado entre as mulheres foi uma surpresa, e os pesquisadores não têm uma boa explicação para o fato. No princípio, a equipe supôs que a maior porcentagem de gordura corporal das mulheres pudesse ser a causa. No entanto, quando os cientistas levaram em consideração o índice de massa corporal (IMC) - proporção entre peso e altura -, as mulheres ainda apresentaram níveis mais elevados de oxidação.

A descoberta de níveis mais altos de estresse oxidativo em mulheres é particularmente interessante pois "elas correm um risco maior de desenvolver câncer de pulmão que os homens quando expostas a níveis semelhantes de fumaça de cigarro," informaram os autores.

Pessoas com níveis maiores da proteína C-reativa -- um marcador de inflamação associado à doença cardíaca -- também tenderam a apresentar estresse oxidativo mais intenso, de acordo com os pesquisadores.

Por outro lado, o estresse oxidativo foi menor entre os voluntários que consumiam mais frutas e entre aqueles com níveis sanguíneos mais elevados de vitamina C e de carotenóides - pigmentos encontrados em frutas e vegetais usados pelo organismo para produzir vitamina A, explicaram os autores.

O fumo, a idade, o consumo de álcool ou outros fatores associados à dieta não influenciaram os níveis de estresse oxidativo. Uma forma de vitamina E chamada alfa-tocoferol pareceu não produzir efeito sobre o estresse oxidativo, segundo o trabalho.

Fonte: www.terra.com.br

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