Ao General Juarez
Juarez! Juarez! Quando as idades,
Fachos de luz que a tirania espancam,
Passarem desvendando sobre a terra
As verdades que a sombra escurecia;
Quando soar no firmamento esplêndido
O julgamento eterno;
Então banhado do prestígio santo
Das tradições que as epopéias criam,
Grande como um mistério do passado,
Será teu nome a mágica palavra
Que o mundo falará lembrando as glórias
Da raça mexicana!
Quem se atreve a medir-te face a face?
Quem teu vôo acompanha nas alturas,
Condor soberbo que da luz nas ondas
Sacode o orvalho das possantes asas,
E lança um grito de desprezo infindo
Aos milhafres rasteiros?
Que destemido caçador dos ermos
Irá te cativar, ave sublime,
Nessas costas bravias e tremendas
Onde o Grande Oceano atira as vagas
E os vendavais sem peias atordoam
O espaço de rugidos?
Que sicário real, nas matas virgens,
Amplas, sem marcos, sem batismo e data,
Te apanhará, jaguar das soledades?...
Ah! tu espreitas os vulcões que dormem!
Quando a cratera encher-se, à luz vermelha
Rebentarás nas praças!
Trarás contigo os raios da tormenta!
Da tormenta serás o sopro ardente!
Mas a tormenta passará de novo
E o golfo mexicano iluminado
Refletirá teu vulto gigantesco.
O’águia do porvir!
Teu nome está gravado nos desertos
Onde pés de mortal jamais pisaram!
Quando pudessem deslembrá-lo os homens,
As selvas despiriam-se de folhas,
Para arrojá-las do tufão nas asas
As multidões ingratas!
Como as de um livro imenso elas compõem
Teu poema sublime, a pluma eterna
Do invisível destino, e não rasteira,
Mísera pena de mundano bardo,
Nelas traçou as indeléveis cifras
De teu nome imortal!
Os pastores de Puebla e de Xalisco,
As morenas donzelas de Bergara
Cantam teus feitos junto ao lar tranqüilo
Nas noites perfumadas e risonhas
Da terra americana. Os viajantes,
Que os desertos percorrem, pensativos
Param no cimo das erguidas serras,
Medem com a vista o descampado imenso,
E murmuram fitando os horizontes
Vastos, perdidos num lençol de névoas:
Juarez! Juarez! em toda a parte
Teu espírito vaga!...
Falam de ti as fontes e as montanhas,
As ervinhas do campo e os passarinhos
Que, abrindo as asas no azulado céu,
Como um bando de sonhos esvoaçam.
Mas esse nome que ameniza o canto
Do torvo montanhês, e mais suave
Que um suspiro de amor, parte dos lábios
Da virgem sonhadora das campinas,
Faz tremer o tirano que repousa
Nos macios coxins do leito de ouro,
Como o brado do arcanjo no infinito
Ao fenecer dos mundos!
Deixa que as turbas de terror escravas
Junto de falso trono se ajoelhem!
Os brindes e os folguedos continuam...
Mas a mão invisível do destino
Na sala do banquete austera escreve
O aresto irrevogável!
Fonte: www.dominiopublico.gov.br