A febre tifóide é uma doença infecciosa potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Salmonella typhi. Caracteriza-se por febre prolongada, alterações do trânsito intestinal, aumento de vísceras como o fígado e o baço e, se não tratada, confusão mental progressiva, podendo levar ao óbito. A transmissão ocorre principalmente através da ingestão de água e de alimentos contaminados. A doença tem distribuição mundial, sendo mais freqüente nos países em desenvolvimento, onde as condições de saneamento básico são inexistentes ou inadequadas.
A S. typhi causa infecção exclusivamente nos seres humanos. A principal forma de transmissão é a ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes humanas ou, menos freqüentemente, com urina contendo a S. typhi. Mais raramente, pode ser transmitida pelo contato direto (mão-boca) com fezes, urina, secreção respiratória, vômito ou pus proveniente de um indivíduo infectado.
A acidez gástrica é o primeiro mecanismo de defesa do organismo contra a S. typhi. Quando consegue resistir à acidez do estômago, a S. typhi chega ao intestino delgado, onde compete com as bactérias da microbiota normal do intestino. Se sobreviver, a S. typhi invade a parede intestinal e alcança a circulação sangüínea. A presença da bactéria no sangue determina o início dos sintomas. A S. typhi pode invadir qualquer órgão e multiplicar-se no interior de células de defesa (células fagocíticas mononucleares), sendo mais freqüente o acometimento do fígado, baço, medula óssea, vesícula e intestino (íleo terminal). O tempo entre a exposição e o início dos sintomas (período de incubação) pode variar de 3 a 60 dias, ficando entre 7 e 14 dias na maioria das vezes. A infecção pode não resultar em adoecimento.
Uma pessoa infectada elimina a S. typhi nas fezes e na urina, independente de apresentar ou não as manifestações clínicas. O tratamento adequado diminui o tempo de eliminação da bactéria nas excreções humanas, que pode ser de até três meses em indivíduos não tratados. Cerca de 2 a 5% das pessoas, mesmo quando tratadas, tornam-se portadoras crônicas, o que é particularmente mais comum em menores de 5 anos, idosos e mulheres com patologias biliares. Os portadores crônicos podem eliminar a S. typhi nas fezes até por mais de um ano, tendo importância na manutenção da transmissão da doença.
Em geral, a água contaminada tem uma baixa concentração
de bactérias, resultando numa taxa de infecção menor
entre os expostos e, naqueles em que a infecção se desenvolve,
o tempo de incubação é habitualmente mais prolongado.
A S. typhi pode sobreviver em águas poluídas por até
4 semanas e é resistente ao congelamento. Não resiste, entretanto,
a temperaturas maiores que
57 oC, nem ao tratamento adequado da água com cloro ou iodo.
Os alimentos podem ser contaminados diretamente pela água utilizada para lavá-los ou prepará-los, através de mãos não adequadamente limpas de portadores crônicos e, mais raramente, pela exposição aos insetos (como moscas). Embora a concentração inicial de bactérias nos alimentos recém-contaminados possa ser insuficiente para causar doença humana, sob condições ambientais favoráveis ocorre significativa multiplicação bacteriana, resultando em grandes inóculos por ocasião da ingestão.
A distribuição da doença é universal, porém
é mais prevalente em países e regiões onde o saneamento
básico é inadequado. Estima-se a ocorrência de 12 a 33
milhões de casos por ano no mundo, com aproximadamente 600 mil óbitos.
Cerca de 60% dos casos notificados ocorre na Ásia e 35% na África.
Nos países desenvolvidos ocorrem apenas surtos ocasionais de febre
tifóide. Nos países em desenvolvimento, principalmente no subcontinente
Indiano, sudeste Asiático, África, América Central e
do Sul, a doença é endêmica. No Brasil, são registrados
casos em todas as Regiões do país, principalmente no Norte e
Nordeste. A Bahia é o estado brasileiro com o maior número de
casos notificados nos últimos dez anos.
O risco durante viagens depende do roteiro, das condições de
estada e da história clínica do viajante. Indivíduos
com diminuição da acidez gástrica, gastrectomizados,
portadores de doenças crônicas intestinais ou imunodeficientes
têm um risco maior de adquirir a febre tifóide. O uso de antibiótico
também aumenta a susceptibilidade à doença, pois altera
a microbiota intestinal que normalmente compete com as bactérias patogênicas.
Nos países desenvolvidos, com saneamento adequado, o risco de aquisição
da febre tifóide é significativamente menor. Na maioria dos
casos diagnosticados, a infecção ocorreu durante estada em outros
locais (casos importados) com estrutura sanitária precária.
É possível, entretanto, a ocorrência de casos associados
à fonte alimentar, visto que uma parcela não desprezível
dos alimentos consumidos nos países desenvolvidos origina-se de outras
regiões e podem ser contaminados na origem ou sofrerem contaminação
durante o preparo, se não houver higiene adequada. Alimentos como leite,
manteiga, queijo e peixes são considerados de alto risco, pois possuem
o pH ideal (4,4 a 7,8) para o crescimento da S. typhi.
Nos países em desenvolvimento, além de ser mais comum a contaminação dos alimentos na origem e no preparo, existe a possibilidade de contaminação da água para consumo, pois a inexistência ou o tratamento inadequado de esgotos favorecem a contaminação dos reservatórios de água.
A identificação de S. typhi resistente a vários antibióticos, principalmente no Subcontinente indiano, está ocorrendo com freqüência crescente. A emergência de bactérias resistentes dificulta o tratamento, aumentando a letalidade e a disseminação da doença.
Os viajantes que se dirigem para uma área onde exista transmissão
de febre tifóide devem adotar as medidas de proteção
para evitar doenças transmitidas através da ingestão
de água e alimentos. O consumo de água tratada e o preparo adequado
dos alimentos são medidas altamente eficazes.
A seleção de alimentos seguros é crucial. Em geral, a
aparência, o cheiro e o sabor dos alimentos não ficam alterados
pela contaminação com agentes infecciosos. O viajante deve alimentar-se
em locais que tenham condições adequadas ao preparo higiênico
de alimentos. A alimentação na rua com vendedores ambulantes
constitui um risco elevado. Os alimentos mais seguros são os preparados
na hora, por fervura, e servidos ainda quentes.
O Cives não recomenda a vacinação sistemática
contra a febre tifóide. As vacinas disponíveis apresentam baixa
eficácia e foram melhor testadas em indivíduos que vivem em
áreas endêmicas, o que não permite avaliar de forma inequívoca
sua eficácia em viajantes. A vacina injetável tem eficácia
entre 50 e 70%. A vacina oral contra a febre tifóide, tem eficácia
entre 40 e 90% e não pode ser utilizada em indivíduos imunodeficientes
e gestantes, uma vez que é produzida com bactérias atenuadas.
Quando o risco de infecção é muito elevado, a utilização
de uma das vacinas como medida complementar deve ser avaliada individualmente
após consulta médica.
Em locais onde existe saneamento básico adequado, a ocorrência de casos é apenas episódica. A forma mais efetiva de impedir a instalação e a disseminação da febre tifóide em uma localidade é a existência de infra-estrutura de saneamento básico adequada. Devem ser implementadas melhorias do sistema de armazenamento e distribuição de água tratada e a construção de redes de esgoto. A população deve continuamente receber informações sobre a forma de transmissão da doença e como evitá-la e ser estimulada a mudar hábitos, assegurando práticas higiênicas cotidianas, que incluam limpeza das mãos, uso regular de sanitários, correto acondicionamento e despejo de lixo. Cabe ainda ressaltar que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a diminuir o aparecimento de novos casos.
A vacinação e o uso profilático de antibióticos são ineficazes para evitar a disseminação da febre tifóide. O uso indiscriminado de antibióticos aumenta o risco do surgimento de resistência na S. typhi (e em outras bactérias intestinais), o que pode dificultar o tratamento das formas graves. Durante as inundações não parece haver risco significativo de epidemias, visto que o esperado é maior diluição da bactéria no meio líquido, e a vacina contra a febre tifóide não está indicada para evitar a ocorrência de epidemias. A profilaxia mais efetiva é feita através do tratamento correto da água e da preparação adequada de alimentos.
A maioria das pessoas infectadas pela S. typhi, permanece assintomática durante o período de incubação, usualmente 10 a 14 dias após ingestão de água ou alimentos contaminados, embora seja possível (em 10 a 20% dos casos) a ocorrência de diarréia transitória. Ao término deste período, coincidindo com a fase de bacteremia contínua, surge a febre que inicialmente é baixa, mas torna-se progressivamente mais alta. Nesta fase inicial, é comum a ocorrência simultânea de dor de cabeça (cefaléia intensa frontal ou difusa), dores pelo corpo, dor no abdome, fadiga, perda de apetite, náuseas e alteração do trânsito intestinal, manifesta por diarréia ou constipação ("prisão de ventre") intestinal. É também freqüente a queixa de dor de garganta transitória e, por vezes, o surgimento de tosse seca.
Ao final da primeira semana, já é possível, numa parcela significativa de doentes, detectar o aumento do baço e do fígado e a febre, já elevada, tende a torna-se contínua e assim se manter ao longo da segunda semana, que é marcada por intensificação da fadiga e da prostração. O surgimento de manchas róseas no tórax (roséola tífica) pode ser observado mais facilmente nos indivíduos de pele clara. Em 10 a 25% dos casos, as manifestações neuropsiquiátricas tornam-se progressivamente exuberantes, incluindo desorientação, delírio, rigidez de nuca, crises convulsivas e mais raramente estupor e coma.
Se não tratada, a doença pode evoluir por semanas ou até meses, resultando em óbito em 15% dos acometidos. Na maioria, no entanto, ocorre defervecência a partir da terceira semana, com retorno da temperatura a normalidade na quarta semana, quando parte dos infectados recuperam-se. Ressalta-se que, na ausência de tratamento específico, as recaídas são comuns.
Complicações (perfuração intestinal, hemorragia) decorrentes das lesões causadas pela S. typhi na mucosa intestinal podem ocorrer em qualquer fase da doença, sendo mais comum após a terceira semana e em pessoas não tratadas. O sangramento intestinal é a complicação mais comum e resulta da erosão da parede intestinal pela S. typhi. Na maioria das vezes, o sangramento é pequeno e cessa espontaneamente. A perfuração intestinal, que ocorre em até 3% das pessoas internadas, é uma complicação mais grave. Geralmente, se manifesta com piora da dor abdominal, aumento da freqüência cardíaca e queda da pressão arterial. O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado imediatamente.
A febre tifóide tende a ser mais grave em pessoas que permaneceram doentes por tempo mais prolongado, em desnutridos, em imunodeficientes, em portadores de doenças da vesícula biliar e em indivíduos com certas características genéticas. Adicionalmente, peculiaridades da cepa infectante e a quantidade (inóculo) de bactérias ingeridas podem influenciar a apresentação e evolução clínica.
Especialmente na primeira semana de doença, as manifestações
da febre tifóide podem ser semelhantes a de outras doenças febris
como a malária. Mesmo que tenham história de risco para febre
tifóide, pessoas que estiveram em uma área de transmissão
de malária, e que apresentem febre, durante ou após a viagem,
devem ter essa doença investigada. A medida que a febre tifóide
progride, é mais facilmente confundível com infecções
que podem ter evolução lenta como a endocardite bacteriana,
a tuberculose ou, ainda, com as doenças de natureza auto-imune, como
o lupus eritematoso sistêmico.
A confirmação do diagnóstico de febre tifóide
é feita através de isolamento da bactéria em cultivo,
feito geralmente a partir de sangue, fezes, urina ou biopsia das lesões
de pele. O cultivo do aspirado de medula óssea é menos utilizado,
a despeito do elevado rendimento, pois a obtenção do material
traz desconforto para o doente, mas pode ter seu uso justificado nos casos
mais graves e com diagnóstico mais difícil. O isolamento de
amostras da bactéria é fundamental, pois torna possível
determinar a sua susceptibilidade aos antimicrobianos.
O tratamento da febre tifóide consiste basicamente em antibióticos e reidratação. Nos casos leves e moderados, o médico pode recomendar que o tratamento seja feito em casa, com antibióticos orais. Os casos mais graves devem ser internados para hidratação e administração venosa de antibióticos. Sem tratamento antibiótico adequado, a febre tifóide pode ser fatal em até 15% dos casos.
Fonte: www.cives.ufrj.br
Causada pela bactéria Salmonella Typhi, a febre tifóide é transmitida pela ingestão de alimentos ou água contaminados, ou pelo contato com os portadores. Seja como for, a única porta para a sua entrada é a via digestiva. A doença também é exclusiva do homem, não sendo encontrada manifestações dela em nenhuma outra espécie animal.
Uma vez no organismo, a Salmonella atravessa as paredes intestinais e multiplica-se no tecido linfático. A doença leva de 10 a 14 dias para se estabelecer, depois disso, surgem os primeiros sintomas, caracterizados por dor de cabeça, fadiga, febre e agitação durante o sono. A seguir, o enfermo pode apresentar falta de apetite, hemorragia nasal, tosse, diarréia, delírios e estado de torpor. Se não for tratada, a febre tifóide pode complicar a situação do doente, causando hemorragia ou até perfuração intestinal e inflamação da vesícula biliar. A possibilidade de morte chega a 25% nos casos não tratados.
A Salmonella Typhi é mais vulgarmente conhecida como bacilo de Elberth, assim chamado em homenagem a Karl Joseph Elberth que o descreveu em 1880.
A febre tifóide deve ser tratada com antibióticos específicos, mais comumente o cloranfenicol e ampicilina, também deve-se tratar as complicações, caso hajam, e isolar o paciente, que mesmo curado pode tornar-se portador do bacilo por meses, até mesmo anos.
Além da vacinação, para evitar o contágio da febre tifóide é necessário tratar a água e os alimentos, controlar o lixo, observar boas condições de higiene, identificar e vigiar os portadores dos bacilos.
Fonte: www.fiocruz.br
A febre tifóide é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Salmonella Typhi. É doença de distribuição mundial, associada à baixos níveis sócio-econômicos relacionando-se com precárias condições de saneamento e de higiene pessoal e ambiental.
Salmonella Typhi, bacilo gram negativo não esporulado.
Febre alta e duradoura, dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite, obstipação intestinal ou diarréia.
O Homem doente ou portador.
Faz-se pelas mãos do doente ou portador assintomático e pela água e/ou alimentos contaminados. É conhecida como doença das mãos sujas.
A transmissibilidade se mantém enquanto os bacilos estiverem sendo eliminados nas fezes ou urina, o que ocorre geralmente desde a 1ª semana da doença até o fim da convalescença.
A susceptibilidade é geral, sendo maior nos indivíduos com acloridria gástrica. A imunidade adquirida após a infecção ou vacinação não é definitiva.
O tratamento é feito com antibióticos após coleta do material (sangue ou fezes) para coprocultura . O paciente é considerado curado após três exames consecutivos negativos para a bactéria.
Todos os contatos domiciliares de doentes ou portadores devem ser submetidos
à exame (cultura de fezes para S. Typhi).
Observação: Os doentes que manipulam alimentos devem ser afastados
dessa função até a alta (cura).
· Determinar a(s) provável(eis) fonte(s) de infecção
e adotar condutas pertinentes.
· Pesquisar a existência de casos semelhantes.
· Afastar o paciente da manipulação de alimentos.
· Orientar medidas de higiene principalmente em relação
às mãos.
Lavagem cuidadosa das mãos com água e sabão antes de preparar alimentos e fazer as refeições. É importante na transmissão a presença de pessoas sadias que podem ser portadoras da bactéria, por este motivo, a higiene pessoal e os cuidados com os alimentos são sempre necessários.
Destino adequado dos dejetos, limpeza de banheiros com água sanitária ou similar.
Fonte: www.saude.df.gov.br
É uma doença infecciosa aguda, febril e de comprometimento sistêmico, causada por uma bactéria (Salmonella typhi) que é eliminada principalmente através das fezes, mas também pela urina de pessoas contaminadas (doentes ou portadores).
Ela é adquirida por via oral devido ao consumo de água ou alimentos contaminados, seja por falha (ou inexistência) de saneamento básico, falta de higiene pessoal ou preparo inadequado dos alimentos.
Praticamente todos os alimentos podem transmitir a doença. Leite, sorvetes, cremes, iogurtes e outros laticínios, constituem excelentes meios de transmissão (a bactéria chega a sobreviver dois meses na manteiga, por exemplo). A sobrevida da bactéria também é grande em ostras, mariscos e outros moluscos. - Veja em "Material Educativo", o item "Regras de Ouro da OMS para a Preparação Higiênica dos Alimentos".
A água pode ser contaminada em qualquer ponto do seu trajeto, desde
o manancial até o domicílio.
No encanamento a contaminação pode ocorrer por rachaduras nos
canos, pressão negativa devido a interrupções no fornecimento
de água, poluição por água de superfície,
fossas mal construídas e canos de esgoto deficientes.
A água do poço pode ser contaminada por falta de fechamento
apropriado do mesmo, por águas de chuva que vêm pelo chão
invadindo o poço caso ele tenha sido construído fora dos padrões
adequados ou, ainda, por contaminação do lençol d'água.
Quando a cloração da água encontra-se adequada (quantidade de cloro e tempo suficiente de contato) não há perigo de infecção por Febre Tifóide. Veja em "Material Educativo", o item "A Água que Bebemos - Orientações Importantes para Obtenção de Água Potável".
Os alimentos podem ser contaminados de várias formas, entre as quais destacam-se: a água contaminada utilizada para irrigação, a utilização de fezes humanas como fertilizante, a manipulação por parte de doentes ou portadores com inadequados hábitos de higiene pessoal e o contato de insetos que atuam como vetores depositando os microorganismos nos alimentos.
Após um período de incubação (tempo decorrido entre a contaminação e o início dos sintomas) de mais ou menos 2 semanas, surge febre, geralmente alta, acompanhada de dor de cabeça, mal-estar geral, astenia (cansaço), aumento do baço e dor abdominal. Poderá ocorrer, sobretudo em crianças, diarréia, sendo freqüente, entretanto, a constipação intestinal (prisão de ventre).
Em alguns doentes nota-se o aparecimento de exantema (manchas ou pápulas) de 1 a 5 mm de diâmetro, em ombros, tórax e abdome, raramente envolvendo membros; são as roséolas tíficas. Pode-se observar também a presença da dissociação pulso-temperatura (freqüência de pulso normal em presença de febre elevada).
Atualmente este quadro clássico completo é de observação rara, sendo mais freqüente um quadro em que a febre é a manifestação mais expressiva (de início abrupto se repetindo por dias consecutivos), acompanhada por alguns dos sinais e sintomas citados anteriormente. Como a doença tem uma evolução gradual (embora seja uma doença aguda), a pessoa afetada é muitas vezes medicada com antibiótico simplesmente por estar apresentando uma febre de etiologia não conhecida. Dessa forma, o quadro clínico não se apresenta claro e a doença deixa de ser diagnosticada precocemente.
A complicação mais freqüente é a hemorragia intestinal (ocorre em 3% a 10% dos casos), podendo haver perfuração intestinal (3% dos casos). Esta última é a complicação mais temida, devido à sua gravidade, surgindo por volta do vigésimo dia da doença, particularmente nas formas graves e tardiamente diagnosticadas.
Vários órgãos e tecidos podem ser atingidos por complicações da febre tifóide, no entanto, isso não ocorre de forma habitual e sim ocasionalmente.
O diagnóstico laboratorial baseia-se no isolamento e identificação da Salmonella typhi, que rotineiramente, é feito através do sangue (Hemocultura) e das fezes (Coprocultura).
O exame de Reação de Widal, embora muito realizado em nosso meio, não é indicado atualmente, já que não é suficiente para confirmar ou descartar um caso - consiste em contagem de anticorpos e não em isolamento do agente, podendo seu resultado sofrer interferência de uma série de fatores, o que dificulta sua interpretação.
O tratamento é quase sempre ambulatorial, reservando-se a internação para os casos de maior gravidade. Além do tratamento de suporte para se manter estável o estado geral do paciente, deve-se proceder ao tratamento específico com antibioticoterapia adequada, que é feita, preferencialmente, com Cloranfenicol, considerada a droga de primeira escolha em caso de febre tifóide. Outros antimicrobianos, porém, podem ser escolhidos em casos de doenças que contra-indiquem o uso de Cloranfenicol ou no caso de resistência bacteriana.
Para maiores detalhes quanto a exames laboratoriais e tratamento consultar o "Manual Técnico" sobre Febre Tifóide.
Sim, este é o chamado portador, o qual é definido como o indivíduo que após enfermidade clínica (com sintomas) ou subclínica (sem sintomas), continua eliminando bacilos por vários meses. Desempenha importante papel na manutenção e disseminação da doença, particularmente no caso de manipuladores de alimentos. Sabe-se que 2 a 5% dos pacientes após a cura se transformam em portadores (a maioria dos casos são mulheres adultas).
A Febre Tifóide é uma doença de notificação compulsória e, portanto todo caso suspeito deve ser investigado por profissionais de Saúde Pública. Veja neste site"Manuais Técnicos", e em seguida "Febre Tifóide".
Fonte: www.saude.rj.gov.br
A Febre Tifóide é uma doença contagiosa causada pela bactéria Salmonella typhi. A febre tifóide é uma doença distinta e não relacionada com o Tifo.
As Salmonella são bacilos Gram-negativos, móveis e anaérobios facultativos, pertencentes à familia Enterobacteriaceae. Tem altos niveis de metabolismo em comparação com outras bactérias.
Na verdade Salmonella typhi não é uma espécie, mas antes a designação comum do serovar Salmonella enterica typhi (S.enterica subespécie typhi), que inclui vários outras subespécies que não causam esta doença. O serovar Salmonella enterica paratyphi causa uma doença semelhante, a febre paratifóide.
Como todas as bactérias Gram-negativas, elas têm lipopolissacarideo (LPS) que é um poderoso indutor de resposta imunitária despropositada, com vasodilatação sistémica e possivel morte por choque séptico. Além disso a sua disseminação e multiplicação nos orgãos pode causar danos graves.
A doença é exclusiva do ser humano, não sendo encontrada em nenhuma outra espécie animal. É sempre transmitida via oral-fecal, ou seja pela contaminação por fezes de alimentos ou objectos levados à boca.
Muitos casos são devidos à preparação não higiénica da comida, em que um individuo portador (com a bactéria no intestino mas saudável e sem sintomas por períodos prolongados) suja os dedos com os seus próprios detritos fecais e não lava as mãos antes de manusear os alimentos. A personagem Maria Tifóide, que trabalhava numa pastelaria infectando os clientes, é famosa. Cerca de 5% dos doentes não tratados com antibiotico tornam-se portadores após resolução da doença.
É transmitida através da ingestão de alimentos ou água contaminados, o mais comum, ou então pelo contato direto com os portadores através de um beijo por exemplo. Seja qual for a origem a única porta para a sua entrada é a via digestiva.
As bactérias são ingeridas e a partir do lúmen intestinal invadem um tipo especializado de célula do epitélio do orgão, a célula M, por mecanismos de endocitose ou invasão directa, passando depois à subserosa. Aí são fagocitadas por macrófagos, mas resistem à destruição intracelular. Como estas células linfáticas são altamente móveis, são transportadas para tecidos linfáticos por todo o corpo, como gânglios linfáticos, baço, fígado, pele e medula óssea. A sua disseminação é inicialmente pela linfa, e depois sanguinea.
Os primeiros sintomas, aumentando ao longo da primeira semana, são febre de cerca 40ºC, dores de cabeça, fadiga, bradicardia, e agitação durante o sono. Podem aparecer manchas rosas na pele. Após cerca de 3 semanas, o enfermo pode apresentar falta de apetite (anorexia), hemorragia nasal (epistaxe), diarreia e vómitos, esplenomegália, tosse, delírios e estado de torpor, surgindo depois quadros de septicémia, com possivel choque séptico mortal.
Se não for tratada, a febre tifóide pode complicar-se em hemorragia ou até perfuração intestinal e inflamação da vesícula biliar. A mortalidade chega a 25% nos casos não tratados, sendo frequentemente cuasada pela septicémia e choque (perda catastrófica da tensão arterial com isquémia fatal dos orgãos).
É feito por analise de amostras de sangue, fezes ou da medula óssea com um teste serologico de Widal (demonstração de anticorpos anti-salmonela). Em países pobres é usado o teste de detecção de diazo na urina.
A febre tifóide deve ser tratada com antibióticos específicos, mais comummente o cloranfenicol, ampicilina ou quinolonas. São tratadas as complicações de acordo com a sua condição, caso hajam.
Os doentes que se tenham curado sem tratamento antibiótico devem ser isolados, já que que mesmo curados podem tornar-se portadores do bacilo por meses, até mesmo anos. São-lhes administrados antibióticos que eliminam as bactérias remanescentes.
Além da vacinação, para evitar o contágio da febre tifóide é necessário tratar a água e os alimentos, controlar o lixo, observar boas condições de higiene. É importante no seguimento de qualquer epidemia identificar os portadores e eliminar as bactérias que transportam com antibióticos.
Por ser uma doença altamente contagiosa, normalmente isola-se o infectado, isolando assim também a doença em locais de prá(c)tica clínica e de higiene adequada evitando sua proliferação através da água, um dos mais importantes vetores de contágio em todo mundo.
A Salmonella typhi é também conhecida como bacilo de Elberth, assim chamado em homenagem a Karl Joseph Elberth que o descreveu pela primeira vez em 1880.
Em 1907, Mary Mallon (a original "Maria Tifóide") foi o primeiro portador a ser identificado após uma epidemia, nos EUA.
A tifóide matou várias personagens famosas, incluindo o compositor Franz Schubert, o consorte da Rainha Vitória do Reino Unido Alberto de Saxe-Coburg-Gotha e Wilbur Wright, um dos primeiros aviadores.
Fonte: pt.wikipedia.org