PortalSaoFrancisco.com.br
Fale Conosco    Indique o Portal             

FILO PLATELMINTOS

Os vermes apresentam considerável progresso em relação aos poríferos e celenterados. Podemos constatar isso caracterizando os platelmintos: trata-se de animais de simetria bilateral, triblásticos, acelomados, com sistema nervoso centralizado, sistema digestivo incompleto e dispondo de sistema excretor e gônadas permanentes.

Compreendem cerca de 15.000 espécies, a maioria da classe Trematoda. Possuem o corpo achatado dorso-ventralmente. A maioria das espécies é parasita, vivendo no trato digestivo de muitos animais, especialmente vertebrados. Os de vida livre encontram-se nos mais variados ambientes: em todos os mares, na água doce e mesmo na terra, onde preferem a umidade encontrada sob pedras, troncos podres e cascas de árvores. Os platelmintos marinhos de vida livre, que freqüentemente exibem cores vistosas, são carnívoros e saprófagos; vivem também em locais protegidos, geralmente embaixo de pedras e seixos, em fendas e entre algas. Os que parasitam organismos marinhos, como peixes, podem ter um impacto econômico negativo.

Os Turbelária são de vida livre, apresentam o corpo achatado dorso-ventralmente, ovalado ou alongado, comumente com projeções cefálicas; usualmente têm boca em posição ventral e não possuem ventosas. A epiderme é ciliada e rica em glândulas mucosas. Os Trematoda, todos parasitas, são também achatados dorso-ventralmente, o corpo é ovalado ou arredondado, revestido por uma cutícula (sem epiderme ou cílios) e com uma ou mais ventosas para fixação. Subdividem-se em duas subclasses: Digenea, com cerca de 11.000 espécies, endoparasitas de todas as classes de vertebrados e Monogenea, com cerca de 1.100 espécies, a maioria ectoparasitas de vertebrados aquáticos. Os Trematoda marinhos são comuns em brânquias e na cavidade bucal de peixes. Copepodas parasitas também têm tremátodes parasitas. Os Cestoidea, com cerca de 3.400 espécies, têm o corpo despigmentado, sem epiderme ou cílios, mas revestido por uma cutícula. A região anterior possui estruturas de fixação: escolex, ventosas ou ganchos. São todos endoparasitas, geralmente com hospedeiros intermediários, os adultos no intestino de vertebrados de todas as classes.

Um dos mais conhecidos platelmintos é a planária (Dugesia tigrina). Ela será o exemplo considerado no estudo das características gerais desse filo. Os platelmintos parasitas apresentam alguns aspectos bastante peculiares, próprios dessa forma de vida, e serão abordados oportunamente.

Dugesia tigrina

As planárias são encontradas com facilidade em locais de água limpa, sob folhas ou pedras. Medem cerca de 1 a 2 centímetros de comprimento, e a sua largura oscila entre 2 e 5 milímetros. Apresentam simetria bilateral, e têm uma extremidade anterior e outra posterior. A face voltada para baixo é a face ventral, e a face voltada para cima, a face dorsal.

Na face ventral, está a boca, orifício de entrada de alimentos e de saída de dejetos da digestão. Os platelmintos são enterozoários incompletos, e o seu tubo digestivo possui apenas um orifício.

Durante o desenvolvimento embrionário dos platelmintos, as células que surgem por mitoses consecutivas do zigoto formam três camadas, os folhetos embrionários ou germinativos. No desenvolvimento dos poríferos e dos celenterados, formam-se apenas dois folhetos e, por isso, são chamados animais diblásticos. Como os demais animais se desenvolvem a partir de três folhetos, são triblásticos.

O folheto mais externo, o ectoderma, origina a epiderme, tecido de revestimento e que secreta um muco que mantém o corpo úmido. O endoderma forma o revestimento interno do sistema digestivo. O folheto intermediário, ou mesoderma, origina a massa muscular do corpo desses animais. Essa musculatura inclui dois tipos de fibras: as fibras longitudinais e as fibras transversais. A contração desses dois tipos de fibras pode fazer o corpo do animal se encurtar ou se alongar, o que permite o seu deslocamento.
O mesoderma também forma o mesênquima, massa esponjosa formada por células indiferenciadas e com capacidade de se transformar em outras células do corpo. A presença do mesênquima explica o grande poder de regeneração desses animais.

Organização Estrutural

O intestino dos platelmintos é incompleto e muitos deles são bastante ramificados. Essas ramificações facilitam a distribuição dos alimentos entre as células do corpo, dentro das quais a digestão se encerra. A digestão é extra e intracelular. No revestimento interno do intestino, há células secretoras que produzem enzimas digestivas.

As trocas gasosas ocorrem por difusão, pela superfície corporal. Como o corpo é achatado, a entrada do O2 e a saída do CO2 ocorrem com facilidade e rapidamente.

Grande parte dos resíduos metabólicos, como a amônia, é eliminada por difusão, pela superfície corporal. Todo o corpo é percorrido por um sistema de finos canalículos que possuem, em uma extremidade, um orifício que se abre no exterior, e na outra extremidade células chamadas solenócitos (ou células-flama). O batimento contínuo dos cílios estabelece um fluxo permanente de água para fora do corpo, o que é útil na regulação osmótica e auxilia na eliminação de resíduos metabólicos.
Nos platelmintos, as células nervosas se agrupam, formando dois cordões nervosos, localizados ventralmente. Essa posição do sistema nervoso é uma característica comum a todos os invertebrados. Os cordões nervosos se comunicam por meio de fibras transversais , e o sistema nervoso assume o aspecto de uma escada. Na região anterior, estão dois grandes gânglios cerebróides, regiões de maior condensação de células nervosas. Outros gânglios são encontrados ao longo dos cordões nervosos. Esse tipo de sistema nervoso é chamado ganglionar.

A tendência evolutiva de se agrupar células nervosas na região anterior do corpo é conhecida como cefalização, e se inicia com os platelmintos.

Os platelmintos são avasculares, ou seja, desprovidos de sistema circulatório. Isso é compensado pelo formato achatado do seu corpo, o que torna pequenas as distâncias entre as diversas partes do corpo e facilita a difusão de substâncias.

Reprodução

Os platelmintos de menor porte podem se dividir por fissão. As planárias sofrem fissão longitudinal, e cada metade se regenera e forma uma nova planária. Trata-se de uma forma de reprodução assexual.

As planárias apresentam um gradiente de regeneração. Se uma planária for dividida transversalmente (perpendicularmente ao seu comprimento) em 3 partes, todos os fragmentos irão formar uma planária inteira. Entretanto, quanto mais anterior for esse fragmento, mais rapidamente a regeneração se processa.

As planárias são hermafroditas, mas incapazes de realizar a autofecundação. Portanto, são hermafroditas dióicos. Duas planárias se aproximam e colocam em contato orifícios que possuem na superfície ventral, os poros genitais. Por esses poros, elas trocam espermatozóides mutuamente. A fecundação é cruzada e interna.

O zigoto, junto com células ricas em substâncias nutritivas, é expelido do corpo e se desenvolve sem passar por estágio larval (desenvolvimento direto).

Os platelmintos parasitas se reproduzem sexualmente. O Shistosoma mansoni tem sexos separados. É dióico e apresenta um evidente dimorfismo sexual. As tênias são hermafroditas monóicos e fazem autofecundação. A reprodução dos platelmintos parasitas será estudada juntamente com o ciclo evolutivo das respectivas parasitoses.

O Filo é tradicionalmente subdividido em 3 classes: Turbellaria, Trematoda e Cestoidea. Os Turbellaria são de vida livre, apresentam o corpo achatado dorso-ventralmente, ovalado ou alongado, comumente com projeções cefálicas; usualmente têm boca em posição ventral e não possuem ventosas. A epiderme é ciliada e rica em glândulas mucosas. Os Trematoda, todos parasitas, são também achatados dorso-ventralmente, o corpo é ovalado ou arredondado, revestido por uma cutícula (sem epiderme ou cílios) e com uma ou mais ventosas para fixação. Subdividem-se em duas subclasses: Digenea, com cerca de 11.000 espécies, endoparasitas de todas as classes de vertebrados e Monogenea, com cerca de 1.100 espécies, a maioria ectoparasita de vertebrados aquáticos. Os Trematoda marinhos são comuns em brânquias e na cavidade bucal de peixes. Copepoda parasitas também têm tremátodes parasitas. Os Cestoidea, com cerca de 3.400 espécies, têm o corpo despigmentado, sem epiderme ou cílios, mas revestido por uma cutícula. A região anterior possui estruturas de fixação: escolex, ventosas ou ganchos. São todos endoparasitas, geralmente com hospedeiros intermediários, os adultos no intestino de vertebrados de todas as classes.

CLASSE TREMATODA

São todos parasitas, principalmente de vertebrados. Usualmente possuem uma ventosa ao redor da boca e uma ou mais na superfície ventral. O corpo é recoberto por espessa cutícula.

ORDEM MONOGENEA

É representada por ectoparasitas que habitam apenas um hospedeiro, que pode ser: peixes, anfíbios ou répteis. Na extremidade superior do corpo possuem um aparelho adesivo, constituído por ventosas e ganchos quitinosos.

Ex. Gyrodactylis sp - vive na nadadeira, pele e brânquias de peixes, podendo causar a morte de muitos deles.

ORDEM DIGENEA

São endoparasitas que necessitam de 2 ou 3 hospedeiros para completar o seu ciclo vital. As larvas geralmente ocorrem em invertebrados. São providos de uma ventosa oral e uma ventral.

Fasciola hepatica

É um trematodo que possui o corpo em forma de folha, atingindo quando adulto, cerca de 3 cm de comprimento. Parasita o fígado e canais biliares de ovinos, caprinos, bovinos e suínos; podendo ocasionalmente ocorrer no homem.

O parasita é encontrado em pastos com áreas pantanosas, onde os hospedeiros intermediários (caramujos do gênero Lymnea) ocorrem. O homem se infesta quando ingere água ou verduras cruas contaminadas (agrião por exemp.)

Schistosoma mansoni

É um trematodo de sexo separado e nítido dimorfismo sexual, o macho é longo, cerca de 1 cm de comprimento. Largo na porção mediana, afilando-se nas extremidades. Distingue nitidamente no corpo duas porções distintas, uma anterior onde estão as duas ventosas, oral e ventral; outra posterior que forma ventralmente uma dobra, o canal ginecóforo onde se aloja a fêmea. Esse canal tem importante papel na cópula, pois o macho não possui órgão copulador . O esperma é derramado no canal atingindo assim o orifício genital da fêmea. A cutícula que reveste o corpo é provida de pequenos espinhos que favorecem a locomoção no interior das veias, mesmo contra a corrente sangüínea.

A fêmea é bem mais longa que o macho, cerca de 1,5 cm de comprimento e sua cutícula é lisa.

Atacam o homem causando esquistossomose ou barriga d'água.

CLASSE CESTOIDEA

Os cestóides são parasitas obrigatórios de muitos grupos de vertebrados. Seu ciclo vital inclui um ou mais hospedeiros intermediários (invertebrados e/ou vertebrados). Maior ênfase é dada à subclasse Eucestoda, em virtude da pouca informação sobre representantes da subclasse Cestodaria no Brasil. O padrão de distribuição das diversas espécies de eucestóides marinhos está associado ao padrão de distribuição geográfica e temporal dos seus hospedeiros, sejam estes intermediários ou definitivos. A importância ecológica está relacionada à associação parasitária. A alta especificidade dos adultos por um hospedeiro definitivo nem sempre ocorre na forma imatura, cujo grau de especificidade varia. Presença de formas imaturas de eucestóides em pescados constitui um fator depreciativo, comprometendo a comercialização do produto. A grande maioria das espécies brasileiras é conhecida apenas pela forma imatura retirada de peixes de interesse comercial, enquanto que o conhecimento das formas adultas é muito menor. À medida que os estudos envolverem novos hospedeiros intermediários e definitivos, de interesse comercial ou não, o número de espécies de eucestóides marinhos para o Brasil certamente será muito superior aos valores conhecidos.

Taenia solium - ocorre no porco e no homem, medindo normalmente de 2 até 8 metros de comprimentos quando madura; seu corpo é constituída por 3 porções:

ESCÓLEX OU CABEÇA - porção anterior destinada a fixar a tênia na superfície da parede intestinal. É globosa com cerca de 1mm de diâmetro, apresentando 4 ventosas e um rostro ou rostelo com uma coroa de ganchos quitinosos, para fixação no hospedeiro.

ZONA BROTAMENTO ou PESCOÇO - é uma porção mais fina e não segmentada que liga o escólex ao corpo.

ESTRÓBILO ou CORPO - consiste de uma série de anéis ou proglotes (800 a 1000). Na parte anterior ocorrem os anéis mais jovens ou imaturos, seguindo-se anéis maduros e facilmente os grávidos.

FECUNDAÇÃO - um conjunto de órgãos masculinos e femininos desenvolve-se em cada proglote, quando já está a certa distância do escólex. A fecundação é cruzada e pode ser realizada entre anéis diferentes de um mesmo indivíduo que entram em contacto através de movimentos do animal; ou de contacto de anéis de dois indivíduos diferentes. Os ovos passam para o útero que gradualmente se torna um saco ramificado repleto de milhares de ovos.

Classe Turbellaria

A primeira citação para o Brasil foi de um verme desenhado por Fritz Müller em carta enviada a Max Schultz, datada 13 de março de 1864 (Möller, 1921). O verme desenhado foi determinado posteriormente por Marcus (1949) como Stenostomum bicaudatum Kennel.

Grande estudioso de Turbellaria brasileiros, Marcus descreveu 84 espécies entre 1944 e 1949, das quais 52 são novas. Apresentam vida livre, epitélio ciliado, sistema digestivo incompleto e ramificado, “olhos” (ocelos), aurículas (quimiorreceptoras).

São hermafroditas (monóicos), com fecundação cruzada e desenvolvimento direto. Podem também fazer regeneração.

Posição Sistemática

Reino: Animalia

Sub reino: Metazoa

Filo Platyhelminthes

.Classe Turbellaria

.Classe Trematoda

.Classe Cestoidea

Número de espécies

No mundo: 15.000

No Brasil: não disponível

grego: platys = achatado; helmis = verme

nome vernáculo: platelminte

Fonte: www.biomania.com.br

voltar 123456avançar