Um dos fenômenos mais interessantes que acontecem na superfície do Sol, e que é muito fácil de ser observado, como veremos depois, são as manchas solares.
Embora já tivessem sido vistas desde a remota antiguidade por astrônomos chineses, o primeiro europeu a observá-las e descrevê-las sistematicamente foi Galileu Galilei, em 1613.

Uma mancha solar parece escura mas não é. A temperatura na região da mancha é menor que a temperatura nos seus arredores. Enquanto a temperatura média do disco solar chega perto de 6000 K, nas manchas a temperatura é uns 1000 K mais baixa.
Isso significa que uma mancha é muito brilhante, na verdade, e só aparece como escura por causa do contraste com sua vizinhança, que é ainda mais brilhante.
Uma mancha típica pode ter o tamanho da Terra (ou mais) e viver por alguns dias ou semanas. Observando o deslocamento das manchas é possível medir o período de rotação do Sol em torno de si mesmo. Se você fizer essa experiência, achará um período em torno de 27 dias.
Por volta de 1850, o astrônomo amador alemão Heinrich Schwabe constatou que o número de manchas solares segue um padrão periódico. A cada 11 anos, aproximadamente, o número de manchas solares atinge valores máximos. No capítulo seguinte falaremos um pouco mais sobre esses ciclos.
Associadas às manchas solares ocorrem outras espetaculares manifestações no disco solar:
As erupções e as protuberâncias. As erupções são gigantescas cusparadas que o Sol dá em seus períodos de maior atividades, lançando uma enorme quantidade de matéria no espaço (elétrons, prótons, neutrons e outras partículas mais pesadas). Se esse material vem em nossa direção e atinge a atmosfera terrestre, vários fenômenos ocorrem.

Outro dramático fenômeno que pode ocorrer no Sol durante seus períodos de atividade são as protuberâncias, enormes arcos de gás excitado que se extendem por centenas de milhares de quilômetros na coroa solar. Na figura ao lado, o pequeno círculo branco à direita representa o tamanho relativo da Terra para você comparar com o tamanho do Sol e de uma protuberância.
As protuberâncias estão intimamente ligadas a campos magnéticos presentes na superfície do Sol e às manchas solares. As observações mostram que as manchas costumam andar aos pares, com linhas de campo magnético saindo de uma e entrando na outra.
Aparentemente, as protuberâncias seguem as linhas de campo magnético, originando-se em uma mancha de uma polaridade e passando para outra, de polaridade oposta.

É curioso que os pares de manchas se deslocam diferentemente nos hemisférios norte e sul do Sol.
Durante um certo período de atividade, acima do equador solar, as manchas de polaridade norte vão à frente das manchas de polaridade sul. Abaixo do equador solar, dá-se o inverso (Fig. A).
11 anos depois, no período seguinte de atividade solar, o quadro se inverte (Fig. B). Se você quer saber a razão de tantos fenômenos curiosos, considere a possibilidade de se dedicar à astrofísica e estudar o Sol.
Atualmente, ainda não existe nenhum modelo satisfatório, nem para o ciclo de 11 anos nem para essa desconcertante inversão descrita acima.

Fonte: www.fisica.ufc.br