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Diabetes Gestacional

Na gravidez, duas situações envolvendo o diabetes podem acontecer: a mulher que já tinha diabetes e engravida (leia mais a respeito) e o diabetes gestacional. O diabetes gestacional é a alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece ou é detectada pela primeira vez na gravidez. Pode persistir ou desaparecer depois do parto.

Causas

Como nos outros tipos, a causa exata do diabetes gestacional é desconhecida. Contudo, os especialistas acham que o diabetes gestacional pode ser uma etapa do diabetes tipo 2, pelas semelhanças clínicas existentes entre ambos.

Os Fatores de Risco são Parecidos com Aqueles do Diabetes Tipo 2 e Incluem

Idade acima de 25 anos;
Obesidade ou ganho excessivo de peso na gravidez atual;
Deposição central excessiva de gordura corporal (gordura em excesso no tronco);
História familiar de diabetes em parentes de 1o grau;
Baixa altura (1,50cm);
Crescimento fetal excessivo, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual;
Antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal, de macrossomia (peso excessivo do bebê) ou de diabetes gestacional.
Hormônios

No período da gravidez, a placenta (órgão responsável pela nutrição do feto) produz algumas substâncias (hormônios) em grande quantidade. Embora imprescindíveis para o desenvolvimento do bebê, os hormônios criam resistência (dificuldade) à ação da insulina no organismo materno. Todas as mulheres grávidas têm algum grau de resistência insulínica, mas as mulheres com diabetes gestacional apresentam uma resistência mais exagerada. O diabetes gestacional costuma aparecer por volta da vigésima quarta semana de gravidez, exatamente quando a placenta começa a produzir grandes quantidades de hormônios. Por isso o rastreamento para o diabetes gestacional ocorre nesse período.

Genética

Acredita-se que os genes do diabetes gestacional e do diabetes tipo 2 são semelhantes. Em ambos, o que ocorre não é a deficiência acentuada na produção da insulina, mas uma resistência à ação dessa substância. Além disso, o diabetes gestacional aumenta as chances de a mulher desenvolver o diabetes tipo 2 no futuro.

Os médicos acreditam que algumas mulheres com níveis glicêmicos mais elevados no início da gravidez (primeiro trimestre) provavelmente já estavam com diabetes antes do início da gravidez. Por esse motivo, e pela semelhança que o diabetes gestacional apresenta com o diabetes tipo 2, todas as mulheres que tiveram diabetes são orientadas a fazer a reavaliação das taxas de glicose após o parto.

Tratamento

Existem vários critérios para se fazer o diagnóstico do diabetes gestacional. De uma maneira geral, a indicação do tratamento inclui desde elevações mais leves das taxas de glicose até o diabetes franco, como diagnosticado fora da gravidez.
O tratamento do diabetes gestacional tem por objetivo diminuir a taxa de macrossomia (peso elevado do bebê ao nascer), evitar a queda do açúcar ao nascer (hipoglicemia) do bebê e diminuir a taxa de cesareana.

No passado, esses bebês podiam apresentar outras complicações no nascimento, mas essas complicações estão menos freqüentes hoje em dia. Para o lado materno, além de aumento do risco de cesareana, o diabetes gestacional pode estar associado à toxemia, uma condição da gravidez que provoca pressão alta e geralmente tem como acompanhante a inchação de pernas e que pode causar um parto mais prematuro.

O diabetes gestacional, é inicialmente tratado com planejamento alimentar, que idealmente deve ser orientado por nutricionista. Os exercícios físicos podem fazer parte do tratamento e serão orientados por seu médico. De maneira geral, mulheres que já faziam atividade física podem continuar a fazê-la normalmente. . Caso essas medidas não surtam os efeitos esperados por seu médico, será indicado o tratamento com insulina. Isso ocorre porque os efeitos dos antidiabéticos orais não estão bem estabelecidos na gravidez, então eles não podem ser usados nesse momento.

Outra observação importante está relacionada aos objetivos glicêmicos. No diabetes gestacional está recomendado um controle mais estreito das taxas de glicose. Seu médico combinará com você quais são as metas de tratamento.

Terapia Nutricional

A terapia nutricional é um aliado importante. Para muitas mulheres é suficiente para manter a glicemia dentro dos valores recomendados pelo médico. Na gravidez, a mulher deve ganhar um mínimo de peso, em geral entre 10 e 12 quilos para mulheres que estão com o peso adequado. Suas escolhas alimentares devem ser saudáveis.

Elas terão um papel singular para o tratamento do diabetes gestacional. Provavelmente, será necessário relembrar os conhecimentos básicos de nutrição. Por isso, a procura por um nutricionista torna-se interessante.

A dieta pode ser acompanhada de exercícios leves. Mesmo pessoas com algumas carências especiais durante a gravidez podem nadar ou caminhar. Seu médico orientará sobre as contra-indicações à prática de atividade física.

Entre os objetivos da terapia nutricional pode constar, também, um limite para ganhar peso, recomendado às mulheres obesas. Isso é imprescindível, porque é mais freqüente que mulheres obesas desenvolvam diabetes durante a gestação. O ganho de peso mínimo recomendado para essa situação é de 6,8kg.

Terapia Insulínica

O médico poderá recorrer à terapia insulínica caso haja dificuldade para atingir resultados satisfatórios somente com dieta. É comum que a resistência à insulina atinja o auge durante o terceiro trimestre.

O tratamento com insulina está, em geral, indicado quando as taxas de glicose em jejum fiquem acima de 105 mg/dl e as taxas de glicose medidas 2 horas após as refeições acima de 130 mg/dl. O momento de iniciar a insulina será orientado por seu médico, dependendo de cada situação.

O uso da insulina pode incluir uma mistura de insulinas de ação curta e intermediária. Em geral, está recomendado o uso fracionado das doses de insulina. Seu médico combinará com você o melhor esquema de tratamento para o seu caso.

É comum haver a necessidade de aumento das doses de insulina mais no final da gravidez (a partir do terceiro trimestre). Isso simplesmente significa que a sua resistência à insulina está aumentando.

No terceiro trimestre da gravidez, os níveis baixos de glicose que levariam à hipoglicemia chegam a ser raros. Contudo, mulheres que usam insulina estão em risco de apresentar hipoglicemia. Para prevení-la, siga seu planejamento alimentar com atenção aos horários e faça as adequações necessárias à prática de exercício em função das alimentações.

Exames

O controle do tratamento do diabetes gestacional é feito com a monitorização da glicose. Isso pode ser feito em laboratório com a retirada de sangue ou em casa, com as tiras reagentes e glicosímetro. Recomenda-se que as mulheres em uso de insulina façam o controle das taxas de glicose com maior freqüência, para ajuste do tratamento. Seu médico indicará a melhor maneira de monitorizar as taxas de glicose.

Nas mulheres que usam insulina, pode ser necessário examinar o sangue com freqüência, talvez quatro ou mais vezes por dia. As medidas integradas de glicose (a mais importante é a taxa da glico-hemoglobina) em geral são de pouca utilidade no diabetes gestacional, pois elas estão, na grande parte das vezes, normais. Lembre que o diabetes gestacional é de duração curta, então isso faz com que a glico-hemoglobina não se modifique nesse período curto.

No final da gravidez você será orientada a fazer exames que avaliam o bem estar do bebê com mais freqüência. Seu médico conversará com você a respeito de quando iniciar essa avaliação. Ela depende do tipo de tratamento que você faz.

Lembre, por fim, que a mulher que apresenta diabetes gestacional precisa ser reavaliada após 2 meses do parto com um exame das taxas de glicose.

Apesar de o diabetes gestacional ser considerado uma situação de gravidez de alto risco, os cuidados médicos freqüentes e os cuidados tomados pela pessoa que o apresenta possibilitam que a gestação corra tranqüila e que os bebês nasçam no momento adequado e em boas condições de saúde.

Fonte: www.diabetes.org.br

DIABETES GESTACIONAL

A paciente na qual é estabelecido o diagnóstico de diabetes gestacional deve ser incluída no grupo de gestação de alto risco, visto que o diabetes quando associado à gravidez pode provocar na paciente e no concepto alterações transitórias ou definitivas de graus variados e elevar fortemente os níveis de morbimortalidade perinatal.

Diabetes gestacional é definido como qualquer de intolerância aos carboidratos diagnosticada pela primeira vez durante a gestação.

A patogênese do diabetes gestacional ainda não foi claramente delineada , porem é fato que a gestação esta associada a um certo grau de resistência insulínica e acredita-se que as gestantes que desenvolvem o diabetes gestacional possuem uma resistência maior associada a diminuição da reserva insulínica.
As gestantes que apresentam fatores de risco devem ser rastreadas para se acompanhar de perto o comportamento da glicemia durante a gravidez.Entre os fatores de risco mais comuns devemos destacar: 1- Idade > que 25 anos. 2- Obesidade ou ganho excessivo de peso na gestação atual. 3-Disposição central da gordura corporal. 4- Baixa estatura. 5- História familiar de diabetes em parentes de 1º grau. 6- Hipertensão, pré-eclâmpsia, polidrâminio e crescimento fetal excessivo na gravidez atual. 7- Antecedentes obstétricos de macrossomia, morte fetal ou neonatal e diabetes gestacional.

O diagnostico é feito através da realização da glicemia de jejum, solicitada na primeira consulta pré-natal para todas as gestantes.A partir daí se o resultado for < 90 mg/dl e a gestante não apresentar dois ou mais fatores de risco, o rastreamento é considerado negativo.Se apresentar dois ou mais fatores de risco, será repetida a glicemia de jejum a partir da 20ª semana; se o resultado for < 90 mg/dl o rastreamento é negativo, se > 90 é positivo.As gestantes com glicemia de jejum > 90 mg/dl na primeira consulta são consideradas positivas para rastreamento, para valores de 90-109 mg/dl serão solicitadas TTG-75g-2h a partir da 20ª semana, se o resultado for < 140 mg/dl o rastreamento é negativo, se for > 140 mg/dl é positivo.As gestantes com glicemias de jejum > 110 mg/dl devem ser submetidas ao TTG-75-2h, se o resultado for < 140 mg/dl será repetido a partir da 20ª semana, se for > 140 mg/dl o rastreamento é positivo.

As gestantes com rastreamentos positivos devem ser acompanhadas no pré-natal de alto risco.
O tratamento da gestante com diabetes gestacional consiste de início em controle dietético com mais ou menos 30-32 kcal/kg /dia, limitando-se a ingestão de carboidratos a 40% do total de calorias.A partir do 2º trimestre acresenta-se 300 kcal/dia. Os adoçantes artificiais podem ser usados com cautela.Se com o controle dietético os níveis de glicemia de jejum não se estabilizarem em torno de 95 mg/dl e 2 h pós-prandial em torno de 120 mg/dl a aplicação de insulina de ação lenta deve ser iniciada com doses em torno de 0,3-0,5 U/kg/dia, de preferência em mais de uma dose diária.Outros esquemas com aplicação de insulinas de ação intermediária e rápida podem ser adaptados individualmente.O uso de antiglicemiantes orais esta formalmente contra-indicado na gravidez.Outro critério de avaliação para o uso de insulina no diabetes gestacional é a circunferência abdominal maior ou igual ao percentil 75 na ultra-sonografia entre 29 e33 semanas de gestação.A atividade física é uma conduta que pode fazer parte do tratamento do diabetes gestacional ,devendo serem incentivadas as caminhadas regulares.Exercícios de alto impacto devem ser evitados.

A conduta obstétrica deve seguir o protocolo de uma gestação de alto risco.A via de parto é uma decisão obstétrica porem deve-se levar em conta o risco de macrossomia, que após a 38ª semana é maior.

A amamentação deve ser estimulada e em caso de hiperglicemia nesta fase a insulina deve ser usada para controle.A partir da 6ª semana pós-parto a glicemia de jejum deve ser realizada e o resultado avaliado pelos critérios de rotina.

A paciente portadora de diabetes gestacional tem maior risco de desenvolver hipertensão, pré-eclâmpsia e de necessitar de cesariana.Os riscos de macrossomia fetal, hipoglicemia, hipocalcemia, policitemia, icterícia prolongada também estão aumentados para estes fetos, além de uma chance maior de serem obesos e desenvolverem diabetes.Gestantes com diabetes gestacional têm maiores probabilidades de no futuro desenvolverem diabetes melitus tipo II, principalmente as obesas.

Diante do exposto estamos convencidos de que a abordagem de uma gestante com diabetes gestacional deve ser multidisciplinar e humanizada, devendo envolver o trabalho e a atenção do obstetra, endocrinologista, assistente social, enfermeira, bioquímico, nutricionista e outros visto que se trata de uma patologia complexa que demanda cuidados especiais.O que constatamos na prática é que a maioria dos serviços de pré-natal em nosso país, principalmente os do interior não estão preparados para diagnosticar nem acompanhar os casos de diabetes gestacional.

Fonte: www.portaldeginecologia.com.br

DIABETES GESTACIONAL

Diabetes Gestacional é uma patologia que acomete subitamente mulheres não-diabéticas que engravidam.

No Diabetes Gestacional, a mulher desenvolve o Diabetes somente durante a gestação porque produz uma quantidade insuficiente de insulina para ela e seu bebê.

Ao término da gestação, a mulher volta ao seu estado normal de produção de insulina. Isto ocorre porque, neste período, a placenta produz substâncias que bloqueiam a ação da insulina, o que pode provocar a elevação de glicose.

Mas não é preciso se alarmar. Essa é uma situação passageira em sua vida e seu bebê vai se desenvolver normalmente se forem seguidas todas as recomendações do seu médico.

Ao término da gestação a mulher volta ao seu estado normal e vai experimentar a emocionante tarefa de ser mãe.

FATORES DE RISCO DO DIABETES GESTACIONAL

Idade acima de 30 anos;
Obesidade ou ganho excessivo de peso na gestação;

Parentes próximos com Diabetes;
Gestação anterior com bebê pesando mais que 4 Kg ao nascer;
Aborto ou morte fetal anterior (não-esclarecidos);
Tratamento para "Pressão alta" ;
Diabetes presente em gestações anteriores;
Presença de glicose na urina.

SINTOMAS DO DIABETES GESTACIONAL

Urinar muito
Ter sede exagerada
Comer muito
Perda ou aumento exagerado de peso
Cansaço, fraqueza e desânimo.
0 Diabetes Gestacional pode estar presente mesmo sem que a mulher apresente quaisquer desses sintomas.

CONSEQUÊNCIAS DO AUMENTO ANORMAL DA GLICOSE PARA A MÃE E 0 BEBÊ

Macrossomia - a criança cresce muito e pode nascer pesando mais que 4 Kg;

Parto cesariano em função do tamanho da criança ;
Bebê com hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue);
Morte fetal intra-útero;
Infecções urinárias freqüentes na gestação;
Parto prematuro em função de excesso de líquido amniótico no útero, causando, inclusive, aumento exagerado da barriga e do peso corporal.

Mantendo os níveis de glicose em valores normais, a gestante evita todas as consequências do Diabetes Gestacional.

Quando o Diabetes Gestacional for diagnosticado, seria ideal o acompanhamento de uma equipe composta por médicos obstetra e endocrinologista, nutricionista e enfermeira. Caso contrário, siga corretamente as instruções do seu médico.

Fonte: www.anad.org.br

DIABETE GESTACIONAL

É a intolerância aos carboidratos, de graus variados de intensidade
(diabetes e tolerância diminuída à glicose), diagnosticada pela primeira vez durante a gestação, podendo ou não persistir após o parto.

O diagnóstico do diabete gestacional é por definição transitório,
devendo ser reavaliado no período pós-parto.

O tratamento inicial consiste de uma dieta para diabetes, como na não gestante, mas com acréscimo de aproximadamente 300 Cal no segundo e terceiro trimestre dependendo do ganho de peso. A necessidade energética é bastante individualizada variando de acordo com o peso pré-gravidez, estágio da gestação e com o objetivo de manter os níveis glicêmicos dentro dos padrões de normalidade.

Alguns cuidados são necessários para que o risco de complicações seja reduzido, e a mulher possa desfrutar o período de gravidez com tranqüilidade.

Recomenda-se

Evitar o consumo de açúcares em geral, mel, melado, doce, refrigerante e bebidas adoçadas com açúcar, se necessário, pode-se utilizar, qualquer tipo de adoçante. Não existe comprovação científica de que possam fazer mal à saúde da mãe ou causar danos ao feto, mas é melhor usá-los sob a supervisão de um médico ou nutricionista.

Alimentos ricos em amido (cereais e leguminosas) e frutas (ricas em açúcar simples) diariamente, porém com controle das quantidade para não alterar a glicemia e evitar ganho de peso excessivo.

As frutas contêm vitaminas extremamente necessárias para a gestante.

Hortaliças cruas e cozidas, 4 a 5 porções ao dia para garantir o fornecimento de vitaminas, minerais e fibras. As fibras insolúveis, farelo de trigo, grãos integrais e hortaliças, ajudam a combater a obstipação causada pela diminuição da atividade física e pelo aumento da pressão do útero.

Água - 6 a 8 copos ao dia, nos intervalos das refeições principais.

Laticínios magros - 4 porções ao dia para garantir proteínas e calorias adicionais necessárias ao crescimento do feto, aumento das necessidades metabólicas da gravidez e fornecimento de cálcio necessário para o desenvolvimento adequado de esqueleto fetal.

A moderação no uso do sal e dos alimentos ricos em sódio é indicada para todos as pessoas, inclusive na gravidez. Quando ocorre retenção de líquidos ou aumento da pressão arterial, esta restrição deverá ser mais severa.

É importante que o acompanhamento da evolução ponderal e níveis glicêmicos seja feito durante toda a gestação por profissionais especializados, para garantir a saúde da futura mamãe e de seu filho.

O ideal e procurar a orientação de um profissional especializado para que a orientação seja direcionada para "você", de acordo com as suas necessidades nutricionais, peso, exames laboratoriais e semana de gestação.

Fonte: www.clubedobebe.com.br

Diabetes gestacional

O diabetes é uma das doenças sistêmicas que pode complicar o período de gestação. Na população brasileira, a forma gestacional acomete até 7% das grávidas. Assim como na hipertensão arterial, onde existe uma forma exclusiva da gravidez, o diabetes gestacional apresenta características próprias desta fase, provocando distúrbios no metabolismo da mãe e do feto que podem levar a sérias conseqüências a ambos.

O diabetes é causado por um distúrbio na utilização de glicose pelas células do organismo. De etiologia ainda desconhecida, mas com forte componente genético, indivíduos com história da doença na família têm chance bastante aumentada de desenvolver os sinais e sintomas após os 40 anos de idade.

Existem 3 formas principais de diabetes:

Diabetes tipo I ou insulino-dependente

Diabetes tipo II ou insulino-independente

Diabetes gestacional

O diabetes tipo I geralmente surge na infância ou adolescência, e requer utilização de insulinoterapia subcutânea como tratamento. O diabetes tipo II é controlado com dieta, atividade física e hipoglicemiantes orais, sem necessidade de uso de insulina. O diabetes gestacional refere-se a qualquer forma de diabetes diagnosticado durante a gravidez.

Na gravidez, ocorre uma resistência bastante aumentada à utilização de glicose pelo organismo materno. Esta resistência é provocada por hormônios produzidos na placenta (hormônio lactogênio placentário, progesterona, glucagon, prolactina), e tem a função de possibilitar que a glicose permaneça elevada no sangue materno, facilitando seu transporte e difusão pela placenta até o feto. Estes hormônios dificultam a captação e a utilização celular de glicose promovida pela insulina, o hormônio responsável por “diminuir” a glicose no sangue. Este efeito é mais intenso a partir da metade da gestação, quando o feto adquire um forte ritmo de crescimento e demanda uma quantidade elevada de proteínas, carboidratos e elementos minerais para sua utilização.

Apesar de conhecermos o diabetes como elevação do açúcar no sangue, a alteração no metabolismo de insulina agride também o metabolismo de gorduras e proteínas no organismo.

Quais as conseqüências do diabetes durante a gestação?

Gestantes com diagnóstico de diabetes anterior à gestação, ou que receberam este diagnóstico no início do pré-natal, têm risco aumentado de problemas relacionados ao seu metabolismo e ao crescimento do bebê. O excesso de glicose no sangue, sem utilização adequada pelas células, faz com elas busquem outra fonte alternativa de produção de energia, de forma a sustentar suas funções vitais. A partir deste momento, elas entram em uma fase chamada de metabolismo anaeróbio.

Nesse processo, as células utilizam fontes de energia menos eficazes, e que deixam “detritos” no sangue. Estes detritos são conhecidos como cetonas, e uma seqüência complexa de reações químicas leva o organismo a um quadro de acidose, a cetoacidose diabética, que pode inclusive provocar a morte. Esta acidose representa uma queda importante do pH no sangue, que deve manter-se em níveis bastante restritos para garantir o adequado funcionamento dos diversos órgãos e sistemas.

E o bebê pode ser afetado pela doença?

Durante os períodos de elevação da glicose no sangue materno, há uma passagem bastante elevada da substância para o feto, através da placenta. O organismo fetal tem dificuldade em lidar com um ambiente tão aumentado de glicose, e produz mais insulina no pâncreas, de forma a normalizar seus níveis sanguíneos.

A glicose não “some” simplesmente no organismo, ela é levada pela insulina para o interior das células que têm receptores na sua superfície. Estas células são representadas principalmente pelo tecido adiposo, fígado, daí o processo de obesidade que ocorre nas pessoas com ingestão elevada de calorias. No feto, este tecido adiposo concentra-se no abdome e na região cervical, próximo aos ombros.

Com o aumento dos depósitos de glicose, o feto torna-se “gordo”. O agravamento deste acúmulo provoca alterações no fígado e coração, que têm suas funções comprometidas. Para complicar, gestantes que mantém níveis de glicemia elevados por grandes períodos, obrigam o feto a manter grande produção de insulina pancreática, que não pode ser interrompida rapidamente. Se o organismo da mãe entra em hipoglicemia, a quantidade de glicose no sangue fetal também cai, sem redução da quantidade de insulina no seu sangue. Ele entra, secundariamente, em um grave quadro de hipoglicemia. Após um período variável de manutenção destas condições adversas, geralmente semanas, o feto pode, inclusive, evoluir para óbito.

Este processo pode ser detectado na gravidez?

Toda gestante deve receber um teste de screening para diabetes gestacional. O método mais empregado é a dosagem de glicemia plasmática na primeira consulta pré-natal e um teste de sobrecarga de glicose por volta do 6º mês, o chamado teste de O’ Sullivan (GPD). Ele representa a medida da glicemia após a ingestão de líquido com grande quantidade calórica (dextrosol). Gestantes com resultado normal nos dois testes apresentam baixíssima possibilidade de desenvolver diabetes posteriormente na gravidez.

Se um destes testes está anormal, um teste de confirmação deve ser realizado, variando conforme o protocolo do serviço médico. Na primeira consulta, o diagnóstico é realizado com duas glicemias superiores a 105 mg%. No GPD, outro teste de sobrecarga é recomendado, a curva glicêmica, medida em jejum, uma, duas e três horas após a ingestão de 100 mg de dextrosol.

Como o feto deve ser avaliado em casos de diabetes gestacional?

O feto da gestante com diabetes está predisposto ao quadro de macrossomia, que é o crescimento exagerado do seu organismo. Este diagnóstico é firmado com o achado de feto com peso acima do percentil 90 para uma dada idade gestacional. Isto significa que apenas 10% dos fetos, na mesma idade, possuem peso igual ou maior que aquele mensurado. Alterações mais sutis, como aumento do volume de líquido amniótico, podem ser o primeiro sinal de anormalidade no crescimento do feto.

Em casos onde o diabetes materno está associado à presença de doença vascular proliferativa, seja no rim, retina ou coronárias, o crescimento fetal pode sofrer um processo de restrição intra-uterina, desenvolvendo um peso abaixo do normal. Este quadro também está relacionado a pior prognóstico gestacional.

O crescimento anormal do feto pode ser identificado a partir do 2º trimestre, aproximadamente na 26ª semana. Recomendamos a realização de um estudo morfológico adequado entre a 20ª e 24ª semana, uma vez que níveis aumentados de glicose no período peri-concepcional estão relacionados a maior incidência de malformações fetais.

Uma ultra-sonografia de avaliação de crescimento deve ser realizada quinzenalmente a partir do diagnóstico de diabetes. As conseqüências metabólicas da doença sobre o organismo fetal são mal avaliadas pelos testes de vitalidade mais utilizados, a dopplerfluxometria e o perfil biofísico fetal. O doppler tem maior utilidade nos quadros de doença associada a vasculopatia.

É importante lembrar que quadros de crescimento fetal aumentado ocorrem sem qualquer relação com o diabetes, principalmente em famílias com indivíduos de grande estatura.

Como tratar o diabetes na gestação ?

Como o metabolismo de insulina e carboidratos está bastante modificado durante a gravidez, mesmo gestantes com diagnóstico anterior à gravidez devem ter seu tratamento reavaliado. Mesmo durante o período gravídico, este metabolismo modifica-se a cada idade gestacional.

De forma genérica, o tratamento impõe uma dieta alimentar com baixos teores calóricos. Dietas até 1.800 Kcal/dia não trazem danos ao feto. A quantidade de calorias diárias, bem como o tipo de alimentação, são ditados pelo peso atual da gestante, seu ritmo de ganho de peso e da magnitude de alterações do feto ao ultra-som.

O desenvolvimento de atividades físicas é muito importante, porque aumenta a passagem de glicose do sangue para o interior da célula, reduzindo seus níveis sanguíneos. Esta atividade deve ser controlada e autorizada por profissional médico especializado.

Em casos onde a glicemia não consegue ser normalizada com a introdução de dietas controladas e atividade física, o uso de insulina deve ser considerado. O esquema de insulinoterapia deve ser rigorosamente controlado, uma vez que desvios de alimentação e exercícios podem desencadear quadros graves de hipoglicemia, nestes pacientes.

Fonte: www.planetabebe.com.br

Diabetes Gestacional

O diabetes gestacional é aquela hiperglicemia diagnosticada pela primeira vez na gestação. É uma situação relativamente freqüente, podendo atingir cerca de 3 a 8% das grávidas. Esse quadro de diabetes ou intolerância à glicose pode ou não persistir após o parto. As mulheres que apresentaram diabetes gestacional apresentam maior risco para o desenvolvimento posterior de diabetes tipo 2 e também de novos episódios de diabetes gestacional, se houverem novas gestações. Por essas razões, todas as mulheres que apresentaram esse tipo de diabetes devem ser testadas esporadicamente após o parto. O primeiro teste deve ser feito seis semanas após o nascimento do bebê.

Como fazer o diagnóstico do diabetes gestacional?

O diagnóstico é feito pela dosagem da glicemia de jejum ou após a ingestão de sobrecarga com açúcar (curva glicêmica). Apenas as mulheres com menos de 25 anos e sem antecedentes familiares para diabetes não precisam realizar o teste. Nas outras, o rastreamento do diabetes gestacional deve ser feito entre a 24ª e a 28ª semana de gestação.

Como o diabetes gestacional afeta a mãe e o bebê?

Esse tipo de diabetes afeta a mãe em uma fase que os órgãos do bebê já estão formados, em fase de crescimento. Por essa razão, o diabetes gestacional não causa taxa maior de defeitos de formação, como pode ocorrer na mãe que já tinha diabetes e ficou grávida (se mal controlada). No entanto, o diabetes gestacional mal controlado pode ser prejudicial, promovendo problemas para o bebê especialmente no período perinatal (após o nascimento). As altas taxas de glicose passam pela placenta e chegam para o bebê, que pode secretar muita insulina fazendo com que ele fique muito grande (mais de 4 Kg). É o que se chama de macrossomia. Pelo excesso de insulina, esses bebês podem ter hipoglicemia depois que nascem. A mãe com diabetes gestacional tem maior chance de apresentar alterações na pressão arterial (hipertensão). Além disso, os partos via cesariana são mais freqüentes.

Como se trata o diabetes gestacional?

Uma vez diagnosticado o diabetes gestacional, é fundamental o controle das taxas de glicose para evitar problemas na saúde fetal e materna. A introdução de uma dieta balanceada e de atividade física podem, em muitos casos, controlar a hiperglicemia. No entanto, se houver elevação inadequada das taxas, devem ser introduzidas aplicações de insulina durante a gestação. A forma de controle do diabetes gestacional será determinada pelo médico, incluindo a realização de glicemias capilares (ponta de dedo) e de testes de A1C e frutosamina, e de cetona na urina. Mantendo-se as taxas bem controladas e seguindo as orientações do médico, a gestação pode seguir um curso normal, com saúde para a mãe e para o bebê.

Fonte: www.fleury.com.br