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Em 1934, o elemento químico de maior número atômico conhecido eras o Urânio (Z = 92). Dois cientistas italianos, Enrico Fermi e Emílio Segrè, fizeram experiências bombardeando átomos de urânio com nêutrons, na tentativa de obter elementos com número atômico maior que 92. Eles encontraram, como produto, quatro espécies e radioativas, sendo que uma delas apresentava 93 e sua formação foi explicada da seguinte maneira:
Porém, eles não conseguiram explicar, nem identificar as outras espécies radioativas.
Em 1938, aos químicos alemães Otto Hahn e Fritz Strassman, repetindo as experiências de Enrico Fermi, conseguiram determinar átomos de bário (Ba) entre os produtos formados. Como esse elemento apresentava um número atômico pouco maior que a metade do número atômico do urânio, eles concluíram que, nesse fenômeno, não estavam ocorrendo simples emissões de partículas, mas que os átomos de urânio estavam, na realidade, sendo divididos.
Como os núcleos do urânio estavam sendo fissionados, produzindo 2 fragmento ou dois núcleos, esse fenômeno foi chamado fissão nuclear.
Lise Meitner, ex-assistente de Hanh, repetiu suas experiências e pode determinar que, no processo, ocorria a liberação de uma quantidade muito grande de energia e que, simultaneamente, havia a formação de nêutrons. Esses novos nêutrons produziam a fissão de outros átomos de urânio e assim, sucessivamente, até o término de toda massa de urânio, o que significava que toda a fissão do urânio era uma reação em cadeia. Essas descobertas foram levadas para os Estados Unidos pelo físico dinamarquês: Niels Bohr.
A possibilidade de produção de energia, em quantidades antes inimagináveis, levou muitos cientistas a trabalhar com a fissão do urânio e, a partir desses trabalhos foram feitas duas novas descobertas:
a fissão só ocorre com o isótopo 235 do urânio;
para que a reação ocorra em cadeia liberando uma grande quantidade de energia em um tempo muito pequeno, é necessária uma quantidade mínima de material fissionável, denominada massa crítica;
o enorme esforço dos Estados Unidos, no sentido de fabricar, antes do que a Alemanha, uma bomba que utilizasse a fissão nuclear (bomba atômica) . Na época estava ocorrendo a II Guerra Mundial;
o desenvolvimento de um método que permitisse aumentar o teor de , pois o urânio é formado de uma mistura de dois isótopos, o e o, sendo que este se apresenta em um porcentagem em massa igual a 0,7% apenas.
m agosto de 1939, um dos mais conceituados cientistas mundiais, Albert Einstein, baseados em informações de Fermi, enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, na qual afirmava existirem evidências de que a Alemanha já estaria trabalhando para produzir uma bomba que utilizava a fissão nuclear do urânio. Para obter mais rapidamente esta bomba, os Estados Unidos mostraram um esquema secreto denominado Projeto Manhattan.
Em 1945, os Estados Unidos conseguiram obter as massas críticas do urânio e de plutônio necessárias para produzir a reação em cadeia. Foi produzida, então a primeira bomba atômica, detonada em 16 de julho de 1945 no deserto do Novo México, perto de Alamogordo. O calor liberado vaporizou um torre de ferro de 30 metros de altura, na qual a bomba estava colocada, e derreteu, vitrificando, a areia ao redor numa extensão de muitos hectares ( 1ha = 10 mil m²).
A idéia de apressar o término da Guerra, evitando a morte de muitos soldados americanos e o gasto com milhões de dólares que seriam necessários para invadir o Japão, levou o presidente americano Harry Truman a ordenar o lançamento de bombas atômicas sobre o Japão. Em 6 de agosto de 1945 foi lançada sobre Hiroshima uma bomba de urânio chamada Little-boy.
A bomba detonada sobre Hiroshima continha uma massa de enriquecido igual a 7 quilos, com um poder destrutivo equivalente a 20 mil toneladas de TNT, ou seja, uma bomba de 20 kiloton, que provocou a morte imediata de aproximadamente 100 mil pessoas. Três dias depois, foi lançada outra bomba atômica de plutônio sobre a cidade de Nagasaki, provocando a morte imediata de 20 mil pessoas.
A guerra terminou e 14 de agosto de 1945 com a rendição incondicional do Japão e com a morte imediata e posterior de cerca de 200 mil pessoas, sem considerar as possíveis variações genéticas transmitidas aos descendentes pelas pessoas que escaparam vivas do Holacausto.
m 1939, Einstein informou ao presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, que talvez fosse possível construir uma bomba atômica. Mas, as tragédias de Hiroshima e Nagasaki, apesar de terem assinalado o fim da guerra, marcaram para sempre o coração do cientista, um conhecido pacifista. Assim começou uma nova era.
Em 1945 Dizzie Gillespie criava o Bepop. Também nesse ano foram inventados o suco de laranja congelado e a caneta esferográfica. No mesmo ano, um homem genial inventava uma bomba capaz de destruir toda a vida no planeta.
No início da década de 40, um grupo de cientistas foi ao Novo México para tentar detonar uma bomba atômica, antes de que os alemães construíssem a sua. Hitler ameaçava toda a Europa. Muitos cientistas, tentando escapar do nazismo e do fascismo, encontraram abrigo nos Estados Unidos, onde continuaram suas pesquisas. Enrico Fermi era um deles. Em 1942, foi o primeiro físico a produzir uma reação atômica em cadeia, sob controle, comprovando assim a teoria de Einstein. O experimento secreto aconteceu em Chicago.
Na Alemanha, uma experiência semelhante havia fracassado. Em silêncio, os americanos continuaram as pesquisas em Los Alamos, Novo México.
A pergunta que os cientistas precisavam responder era a seguinte: uma reação em cadeia, não controlada, poderia ser usada para fazer uma bomba?? Eram muitas as incógnitas. Não se sabia como determinar o impacto de uma explosão desta natureza. Havia quem temesse que a bomba faria explodir todo o planeta, transformando-o numa estrela. Ao mesmo tempo, os americanos anteviam a possibilidade de usar a bomba contra o Japão, forçando, assim, o fim da guerra.
Em julho de 1945, dois aparelhos foram levados, secretamente, até o deserto do Novo México. Os americanos estavam ansiosos para testar a nova invenção. Sucesso! A explosão foi tão poderosa que chegou a ser vista de três Estados americanos. Pouco após os testes, em 6 de agosto de 1945, os americanos lançaram a bomba sobre Hiroshima; três dias mais tarde, uma segunda bomba foi usada, dessa vez sobre Nagasaki. A destruição provocada pelos dois ataques levou o Japão a capitular.
Havia começado a era nuclear. Pouco depois da bomba atômica ser lançada sobre o Japão, outra arma, ainda mais poderosa, foi inventada pelos cientistas: a bomba de hidrogênio. Em 1957, a bomba H explodia em Bikini. Tinha um poder de destruição cinco vezes maior do que todas as bombas convencionais detonadas durante a Segunda Guerra Mundial. Depois dela viriam a bomba inglesa, a francesa, a soviética, a chinesa. Estava sendo fundado um novo e assustador "clube dos grandes". Albert Einstein havia declarado, em 1945, que tudo havia mudado... menos o espírito humano.
reator nuclear é um dispositivo que permite controlar o processo de fissão nuclear. A energia liberada durante o processo é usada para transformar água em vapor, o que faz girar uma turbina, gerando energia elétrica. Existe um circuito primário de produção de vapor, que transporta o calor para outro circuito secundário, onde a água proveniente de um rio é transformada em vapor e, finalmente, produz energia elétrica.
O uso desse reatores apresenta como principal vantagem o fato de a poluição da atmosfera ser muito menor do que em usinas onde a energia elétrica é produzida a partir de combustíveis fósseis (derivados do petróleo).
Os reatores de fissão nuclear podem garantir, no mínimo, a poluição de energia elétrica com pequena poluição atmosférica, pelo menos enquanto não se desenvolvem tecnologias que permitam obter energia a partir do Sol e do vento, em quantidade e custo convenientes. Suas instalações, em geral são pequenas, assim como é baixo o custo com o transporte de combustível, e sua utilização permite que sejam conservadas as reservas de combustíveis fósseis, como o petróleo, que não são renováveis.

Também chamadas de bombas de "fusão", são bem mais complexas e poderosas. Geralmente, a "espoleta" é também uma bomba atômica, de material fóssil. É possível combinar fusão e fissão nas armas, criando bombas mais poderosas. Como a fusão libera menos material contaminado com radioatividade, estas bombas são consideradas menos "sujas".
Apenas cerca de 15% da energia liberada pela explosão de uma bomba vem na forma de radiação, ou seja, como partículas atômicas energizadas, que podem afetar organismos vivos. Cerca de 10% das vítimas iniciais nas cidades japonesas atacadas em 1945 morreram pela radiação.
Na prática, a maior parte da energia da bomba se converte numa onda fortíssima de choque e de calor. Depois da explosão, também surge o subproduto característico, as partículas radioativas na forma de uma poeira contaminada, que mantêm o perigo por muito tempo.
ome popular da arma de radiação ampliada, é um modelo de arma nuclear na qual é privilegiada a emissão de radiação, através dos nêutrons rápidos e letais. Há uma menor emissão de calor ou energia de choque. Com isso, ela preserva edifícios, mas é letal para os seres vivos, por provocar reações em cadeia que destroem as estruturas celulares.
primeira bomba de hidrogênio explodiu em 1952 no atol de Bikini, produzindo uma nuvem característica na forma de uma bola de fogo. Seu poder destrutivo é muito maior do que o de uma bomba atômica, que é usada para iniciar o processo de fusão dos isótopos do hidrogênio.
primeira explosão nuclear da História aconteceu na madrugada chuvosa do dia 16 de julho de 1945, numa área de testes de bombardeios do exército americano, em Alamogordo, Novo México. Uma luz dura, vinte vezes mais brilhante que a do Sol, acendeu a noite e fez o céu, o deserto e as montanhas próximas ficarem brancos como papel. Apesar da hora, milhares de pessoas, em cinco estados vizinhos, viram o flash sem ter idéia do que estava acontecendo. Não se ouviu o som.
Muito mais lento que a luz, o som veio muitos minutos depois. Um estalo seco como um tiro, seguido de um trovão. E uma imensa bola de fogo, com 2 mil metros de diâmetro, levantou-se de repente. Mudando de amarelo para laranja e depois para vermelho, a bola em poucos minutos alcançou 15 quilômetros de altura.
Numa reação automática, manifestou-se o gênio do físico italiano Enrico Fermi (1901-1954). Ele calculou quase a olho a energia da detonação : Deixando cair pequenos pedaços de papel, quando a onde de choque passou pela casamata em que estava escondido, mediu a distância a que os papéis foram lançados e estimou o poder da energia liberada em pelo menos 10 quilotons. O equivalente a 10 mil toneladas de dinamite. Uma conta excelente, naquelas circunstâncias: o número preciso, como se verificou mais tarde, era de 18 quilotons. De longe, a maior quantidade de energia já produzida de um só golpe pelo homem.
Foi um instante de imenso orgulho e alegria. Os cientistas, técnicos, militares e políticos reunidos em Alamogordo pularam, gritaram e se abraçaram na lama que a chuva tinha deixado por toda parte. A montagem final da bomba, a partir do segundo semestre de 1944, e o teste em julho de 1945 tinham sido apenas as últimas etapas de uma longa corrida contra o tempo.
Nos três anos anteriores, centenas de milhares de americanos tiveram que ser mobilizados, de engenheiros a trabalhadores da construção civil. Acima de tudo, exigiu-se a colaboração disciplinada de dezenas de físicos, químicos e matemáticos. Um time de cérebros que contava com dez ganhadores do Prêmio Nobel. Sete já haviam sido premiados : o italiano Fermi, o dinamarquês Niels Böhr (1885-1962), o austríaco Isidor rabi (1898-1988), o alemão Otto Hahn (1879-1968) e os americanos Arthur Compton (1892-1962), Ernest Lawrence (1901-1958) e Harold Urey (1893-1981). Três eram futuros escolhidos: o alemão Hans Bethe (1906- ), o húngaro Eugene Wigner (1902-1995) e o americano Richard Feynman (1918-1988). Além deles, outros figuravam entre os melhores cientistas da época, como o húngaro John von Neumann (1903-1957), um dos maiores matemáticos do século, e o próprio chefe científico do projeto, o americano Julius Robert Oppenheimer (1904-1967).
O time aceitou trabalhar voluntariamente, num regime de disciplina militar. Em Alamogordo, uma região seca e arenosa, habitat de escorpiões e cobras, quase deserta de gente, ficava apenas uma parte da equipe. Juntando cientistas, técnicos e soldados, a população chegava a 200. Vida duríssima e sigilo absoluto. Ninguém podia telefonar para fora sem autorização. Nem sair do alojamento, um punhado de barracos levantados às pressas pelo exército em 1944. Aí, durante 10 meses, os pesquisadores trabalharam alegremente, com toda a boa vontade.
No final de 1938, o físico italiano Enrico Fermi aproveitou uma ocasião extraordinária para escapar da ameaça de perseguição que sentia em seu país, então sob domínio fascista. Numa quebra de sigilo sem precedentes, mas justificável naquelas circunstâncias, ele havia sido informado de antemão que ganharia o Prêmio Nobel de Física daquele ano. Então, sabendo que conseguiria autorização para ir a Estocolmo, na Suécia, receber a láurea, planejou secretamente não voltar mais para a Itália. Fugiu com toda a família para os Estados Unidos.
A chegada de Fermi foi decisiva para que a tecnologia do átomo fosse dominada em apenas três anos um feito, na época, inimaginável para a ciência. Ninguém conhecia melhor do que ele a ação de partículas recém-descobertas no núcleo atômico, chamada nêutrons, que teoricamente poderiam escapar de seu núcleo original e entrar em outro para quebrá-lo. Assim, liberariam a energia estocada lá dentro. Na prática, não era tão simples. O próprio Fermi sabia apenas que os nêutrons penetravam facilmente nos núcleos: Não sabia que os núcleos se quebravam. A fissão nuclear, nome dado a esse fenômeno, foi comprovada em 1939, um ano depois da sua fuga para os Estados Unidos.
Mas Fermi tinha certeza, desde o início do século, de que o núcleo representava a mais densa concentração de matéria, seja do que for, representa 20 trilhões de calorias, o suficiente para fazer ferver 900 mil toneladas de água. É o que diz a fórmula descoberta por Albert Einstein em 1905, E = mc². Energia (E) é igual à massa (m) multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado (c²). Em 1939, a alemã Lise Meitner usou a fórmula de Einstein para calcular a força gerada durante a fissão do núcleo de urânio. Nem toda a matéria virava energia (a conversão não chega a 20%, ainda hoje), mas dava de sobra para projetar uma super arma.
Só faltava demostrar que, quando um átomo de urânio se quebra, seus fragmentos provocam sucessivamente a quebra de outros núcleos. Ou seja, uma reação em cadeia, que foi demonstrada por Fermi em 1942. Daí em diante, a construção da bomba já não dependia tanto da ciência. Era um problema de tecnologia e de dinheiro, especialmente para produzir e transformar o urânio comum em combustível (ele precisa ser enriquecido com variedades mais raras de urânio).
A própria guerra, então, daria o empurrão final para a conquista da energia nuclear. Em meados de 1942, os ditadores Adolf Hitler, da Alemanha, e Benito Mussolini, da Itália, haviam dominado toda a Europa continental, da França à Polônia. Diante de tamanha demonstração de força, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, resolveu encomendar a arma atômica a uma unidade de engenharia do exército. A ordem foi dada em junho Em agosto, nasceu o Projeto Manhattan, cuja função era coordenar o trabalho de todos os físicos, químicos, engenheiros, técnicos e operários necessários para executar a ordem.
O gatilho da revolução atômica foi a ciência pura. Mas, depois de iniciada, teve de ser sustentada por uma mobilização monumental de recursos. Até cidades foram construídas. Algumas saíram do nada, em locais isolados, justamente para garantir o segredo. Existem até hoje. Outras, que também permanecem, foram refeitas. Hanford, então um povoado insignificante e perdido do mundo no estado de Washington, foi invadida, em 1943 por 25 mil trabalhadores. Em menos de um ano, construíram 250 quilômetros de ferrovias, 600 quilômetros de estradas, casas para 40 mil operários e suas famílias, e uma fábrica de plutônio, combustível nuclear como o urânio.
As cidades cresceram em diversos pontos do país, sempre com o mesmo fim: alimentar a superbomba. Das novas fábricas, saíam peças ou combustível. Dos laboratórios, números e medidas. Quantos quilos de urânio ou plutônio seriam necessários? Como detonar a explosão no momento exato? Até que ponto o urânio comum, extraído das minas, precisaria ser misturado com o urânio-235, mais radioativo? Em resumo, os cientistas já não faziam Física pura. Mas só eles eram capazes de manipular as equações descobertas na década anterior para desenvolver a tecnologia que estava nascendo.
A direção geral do Projeto Manhattan, que coordenava toda a operação foi entregue a um general do setor de engenharia do exército chamado Leslie Groves. Era um administrador competente e autoritário, conhecido por ter levantado o prédio do Pentágono, a secretaria militar do governo americano. O general estava fora da luta, mas queria combater. Então, deram-lhe a função de "construir o armamento que acabaria com a guerra".
Groves teve o bom senso de escolher um cientista brilhante para comandar o time de gênios: o físico Robert Oppenheimer, que também revelou admirável capacidade gerencial. Voluntariamente, os pesquisadores se submeteram a uma disciplina militar. Confinados aos locais de trabalho, moravam longe de suas famílias. Foram divididos em equipes para que uns não soubessem o que os outros estavam criando. Usavam nomes falsos e escreviam tudo em código. Ficavam proibidos até de pronunciar palavras denunciadoras, como "físico". A vontade de vencer a Alemanha gerou um espírito de cooperação fora do comum.
Houve erros e contratempos. A divisão de tarefas por equipes que não se comunicavam não funcionou pois, entre cientistas, pensar significa trocar e debater idéias. O húngaro Leo Szilard simplesmente não obedeceu as restrições de segurança. E, apesar de ter sido o primeiro a propor a construção da bomba, foi ameaçado por Groves com a acusação de traidor. O americano Richard Feynman, outro rebelde incorrigível, se divertia quebrando códigos secretos e abrindo os mais complicados cofres com perícia de arrombador. Edward Teller, da Universidade da Califórnia, futuro idealizador da bomba de hidrogênio, muito mais poderosa que a atômica, brigou com Oppenheimer também por causa da disciplina. Queria mais autonomia.
Nada disso, porém, comprometeu a eficiência prodigiosa do projeto.
A euforia com o teste de Alamogordo, nos Estados Unidos, durou muito pouco. Foi uma emoção passageira. O estado de espírito dos cientistas era péssimo. Eles já sabia que o governo americano planejava um ataque nuclear ao Japão, o último inimigo ainda de pé (alemães e italianos já estavam vencidos na Europa).
Numa carta à mãe, o físico Richard Feynman descreveu os sentimentos de quase todos : "Tudo estava perfeito, menos o objetivo". Oppenheimer, chefe da equipe científica, lembrou de um antigo texto hindu : "Eu me tornei morte / Destruidor de mundos". O moral da equipe de gênios caía vertiginosamente nos últimos dias do Projeto Manhattan.
O ânimo já vinha despencando desde a morte do presidente Franklin Roosevelt, em 12 de abril de 1945, com quem os cientistas haviam concordado em trabalhar. Eles não se entenderam bem com o novo presidente, o vice de Roosevelt, Harry Truman. Em seguida, com a rendição dos alemães no dia 7 de maio de 1945, a tensão aumentou ainda mais. A derrota nazista, que o resto do mundo recebeu como uma boa notícia, virou fator de preocupação dentro do Projeto Manhattan. O que é fácil de explicar : Foi contra Hitler que eles tinham se unido e, com o ditador nazista fora do conflito, desapareciam as justificativas para a construção de uma arma tão arrasadora. E ainda faltava um mês para o teste de Alamogordo. Foi então que, para tornar tudo ainda mais torturante, às vésperas do teste, veio a informação que o governo americano estudava a hipótese de empregar a nova arma contra o Japão.
Era o início do pesadelo. Até ali, os cientistas alimentavam a ilusão de que o poder nuclear jamais seria de fato empregado. Na pior das hipóteses, aceitariam lançá-lo contra os nazistas. Truman vacilou entre argumentos contra e a favor. Por fim, decidiu-se. Era o final de julho.
Dois anos antes, a máquina militar já começava a se mover. Desde 1943, a Força Aérea treinava o chamado Esquadrão 509, chefiado por um dos melhores pilotos de bombardeiro do país, o coronel Paul Tibbets. Na Boeing, em Seatle, ele escolheu pessoalmente o seu avião, o gigantesco quadrimotor B-29. O que havia de melhor na indústria americana. O objetivo do 509 era lançar uma bomba de 4 mil quilos sobre Hiroshima, fazer uma curva de 180 graus, mergulhar, acelerar e dar o fora.
Hiroshima havia sido escolhida depois que o ministro da Guerra, Henry Stimson, descartou a opção por Kyoto, ex-capital e maior centro religioso do Japão. Na madrugada de 6 de agosto de 1945, já a caminho do Japão, mas sem saber bem por quê, a tripulação recebeu a ordem de lançar a bomba. Ela partiu do avião às 8h16min da manhã e 43 segundos depois explodiu.
A cidade ficou coalhada de incêndios. Perto do hipocentro, foco da detonação, gente virava cinza. Quase ninguém, a menos de 5 mil metros do hipocentro, sobreviveu. Em toda a cidade, 50 mil edifícios ruíram. Mais tarde, durante anos, a radiação continuou matando. Até hoje surgem novas vítimas fatais do pikadon, o "raio-trovão", neologismo criado para descrever o indescritível. Elas já são mais de 200 mil.
"Os físicos conhecerão a vergonha". A maldição poderia ter vindo de uma das vítimas de Hiroshima ou de Nagasaki. Mas seu autor, paradoxalmente, foi um dos arquitetos da bomba, o físico americano Robert Oppenheimer. Que nunca se arrependeu do que fez. Essa ambigüidade - a mistura de desonra com a falta de arrependimento - foi uma marca que pairou sobre a ciência e dividiu a sua história em duas partes. Antes e depois da bomba.
"Bombas são bombas, existem para matar gente", conformam-se alguns.
a manhã de 28 de março de 1989, falhou o sistema de refrigeração a água de um dos reatores da usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, Estados Unidos. Apesar do sistema ter sido imediatamente desligado, o intenso calor fundiu o miolo do reator, a água pressurizada inundou a área de contenção do reator, e uma quantidade desconhecida de radioatividade escapou para a atmosfera. Não houve mortes, mas 200 mil pessoas foram evacuadas de um raio de aproximadamente 70 km ao redor do reator.
U crânia, Leste Europeu, madrugada do dia 26 de abril de 1986. Começa uma tragédia até então inédita na história da humanidade. O reator número 4 de uma central nuclear da qual ninguém tinha ouvido falar explode à primeira hora da madrugada. Horas depois o nome da usina correu o planeta: Chernobyl virou sinônimo de drama e medo. Enquanto os aparelhos medidores de radioatividade de toda a Europa enlouqueciam, as autoridades soviéticas levaram três dias para reconhecer que um acidente, por eles considerado "de importância menor", tinha acontecido.
Oficialmente, os mortos foram apenas 31, entre bombeiros e técnicos da usina. Mas aos poucos a verdade foi aparecendo. Sete anos depois, o governo da Ucrânia reconheceu a morte de 7 a 10 mil pessoas. Hoje se sabe que o incêndio do reator durou pelo menos dez dias e houve duas explosões. A primeira, nuclear, equivalente a 250 quilos de TNT, e a segunda, de hidrogênio. O teto do reator e parte do prédio voaram pelos ares. A nuvem radioativa subiu a uma altura média de 1,5 quilômetros para, em seguida, se espalhar por quase todo o hemisfério norte. Os alimentos contaminados deram a volta ao mundo e acabaram sendo consumidos por gente que nem sabia onde fica Chernobyl. Ainda hoje existem regiões da Bielorrússia, a 200 km de Chernobyl, que estão mais contaminadas que o "perímetro vermelho" de 30 km em torno do reator. Traços de reatividade foram registrados até no Japão e no Himalaia. O nível de contaminação é irregular e depende de onde caiu a chuva carregada de radiação. Mesmo fechado no chamado "sarcófago" que ameaça desabar, até hoje o coração do reator continua queimando e corre o risco de explodir a qualquer momento. Não existem meios de resfriamento nesses casos: a água poderia provocar uma explosão ou uma nuvem de vapor radioativo.
Oito anos depois, o nível de radiação das zonas contaminadas é praticamente o mesmo que na época da catástrofe, a não ser pelo iodo, que tem uma vida curta. Ninguém sabe quantas pessoas contaminadas vão morrer de câncer. O cálculo é difícil porque não se conhece exatamente as doses de radiação recebidas. As variáveis a considerar são inúmeras e não há nenhum precedente do gênero, a não ser a bomba de Hiroshima, que expôs as vítimas a uma radiação externa. Um acidente nuclear representa uma radiação interna acumulada muito mais longa. Além disso, os sobreviventes de Hiroshima só começaram a ser estudados cinco anos após a explosão. Ninguém sabe o que aconteceu com as quase 700000 pessoas que trabalharam todos esses ano na limpeza e manutenção da central. Para se ter idéia, só para apagar o incêndio do reator trabalharam 37 brigadas de bombeiros. Um mês depois do acidente, 40000 soldados foram utilizados. Nas primeiras semanas, pelo menos 300 morreram de diarréia. Verdadeiro pesadelo saído dos livros de ficção científica, surgiram as primeiras cidades-fantasma pós-nucleares. Pripiat, a 3 km da central, tinha 55000 habitantes em 1986. Hoje não há o menor sinal de vida. Somente as janelas, batendo ao vento. A cidade foi evacuada tão às pressas que muitos nem tiveram tempo de fechar as portas.
Chernobyl foi um dos maiores crimes do sistema soviético e acabou, segundo muitos, sendo uma das causas do seu desmoronamento. A catástrofe mostrou que o império soviético era incapaz de agir numa crise grave e proteger o cidadão. Raramente a mentira - sob o disfarce científico - foi tão assassina. Poucas horas depois da explosão do reator, as crianças de Pripiat brincavam nas escolas e nas praças. Era um sábado de sol e calor que todos queriam aproveitar. A população fez os programas normais de fim de semana: passeios a pé, caminhadas pelos bosques, futebol e banhos de sol. Cinco dias depois da explosão, com o reator queimando a poucos quilômetros dali, as autoridades obrigaram crianças e adultos a participar dos desfiles de 1º de maio em várias cidades próximas de Chernobyl. "Não há risco nenhum", garantia a rádio estatal. Mas uma das primeiras providências do governo foi confiscar todos os contadores de radioatividade, inclusive dos institutos de pesquisa. Até 1989, a posse de um desses contadores era considerada um crime.
"Chernobyl acabou com qualquer ilusão de que pudéssemos ter um sistema totalitário", afirma Iouri Kostenko, atual ministro da Ecologia da Ucrânia. "Agora é a Ucrânia que paga a conta. Dois terços dos 52 milhões de habitantes do país tiveram a saúde afetada", garante Kostenko. "O terrível é saber que o pior poderia ter sido evitado. Milhares de pessoas foram sacrificadas inutilmente", acredita Solange Fernex, deputada ecologista no parlamento europeu, encarregada das questões de energia. Se algumas providências tivessem sido tomadas, como não deixar crianças saírem de casa, não tomar leite, recolher as vacas aos currais, não teriam recebido doses altíssimas de radiação. Oficialmente, as autoridades nada fizeram para não assustar as pessoas.
A testemunha número um da tragédia de Chernobyl, Anatoli Diatlov, só agora começou a falar. Ele tem 62 anos, mas aparenta muito mais. Gravemente doente, Diatlov saiu há pouco tempo da prisão, condenado a 10 anos por negligência e incompetência, mas liberado por questões humanitárias. Ele era o engenheiro responsável pelo reator número 4 no momento da explosão. Sua versão é bem diferente da verdade oficial. "As autoridades políticas e científicas da época conheciam perfeitamente os riscos e a gravidade da situação", confirma o engenheiro. A jornalista da região de Chernobyl, Alla Yaronshinskaya, uma das primeiras a denunciar a verdade, consegui eleger-se deputada e usou a condição de parlamentar para ter acesso aos arquivos secretos das medidas que foram tomadas. As conclusões, publicadas no jornal Izvetia, ultrapassaram tudo que se podia imaginar. Uma delas: o Bureau Político, dirigido por Mikael Gorbatchev, (posteriormente Prêmio Nobel da Paz) decidiu multiplicar por dez a quantidade de radiação considerada tolerável, "curando" por decreto milhares de pessoas. A população sob controle médico permanente (160 mil pessoas na época) deveria ser dez vezes maior. O mesmo bureau proibiu a destruição da carne e do leite contaminados. A ordem foi misturá-los com produtos não afetados pela radiação, numa proporção de um para dez. Assim, 47 mil toneladas de carne e dois milhões de toneladas de leite contaminados foram consumidos. Mas a venda foi proibida em Moscou, onde vivem as famílias dos dirigentes.
O número oficial de mortos agora admitido diz respeito apenas aos "liquidadores", pessoas que trabalharam na descontaminação da central. Mas entidades ecológicas e organizações de defesa das vítimas da catástrofe calculam que as vítimas são cerca de 16000. Como esconder uma hecatombe dessas proporções? O que foi feito dos corpos? Em boa lógica deveria haver cemitérios gigantescos dos "mortos de Chernobyl". Isso é menosprezar a criatividade de um sistema totalitário quando se trata de manter um segredo. A resposta é fácil. As autoridades fizeram vir gente de todos os pontos do imenso território da ex-URSS, principalmente de repúblicas distantes. Eles fizeram o trabalho, receberam doses desconhecidas de radiação e voltaram para casa.
Ao morrerem, a causa nunca é Chernobyl, mas leucemia, anemia, ataque cardíaco ou outras doenças contagiosas. Isso quando não morrem de "envenenamento por substância desconhecida", como revelou, indignada, a mãe de Leonid, morto em 1988, dois anos após ter trabalhado na central, depois de ter perdido 12 quilos e 22 dentes. Os sintomas apareceram na semana em que o jovem soldado, cumprindo o serviço militar, voltou de Chernobyl. Mais de 300 morreram nas primeiras semanas de diarréia aguda. Os liquidadores são enterrados no cemitério de suas cidades discretamente, um de cada vez. Isso explica por que ninguém sabe quantos já morreram.
A maioria dos liquidadores eram jovens entre 18 e 30 anos cumprindo serviço militar obrigatório. Poucos deles vão chegar à idade de 40 anos. Quase todos ignoravam os riscos que corriam e não dispunham de equipamento especial de proteção. Alguns chegaram a recolher o grafite radioativo do reator com as próprias mãos. A radioatividade era tão alta que as máquinas e robôs de alta tecnologia se recusaram a funcionar. Dos que ainda não morreram, a maioria apresenta problemas de saúde graves e não está mais em condições de trabalhar. O governo fez monumentos à glória dos liquidadores, mas se recusou a reconhecê-los como inválidos da catástrofe. Para as autoridades, não existe nenhuma relação entre as doenças e as mortes atuais e a missão que eles desempenharam anos antes. Dispersos por todo o território da ex-União Soviética, a situação desses heróis destruídos depende das autoridades locais.
Na Ucrânia a situação é tal que eles fizeram várias greves de fome. O ex-ministro da Saúde na época do acidente, Anatoli Romanenko, que fez tudo para esconder o desastre da população, é o atual diretor do Centro de Medicina Radiológica e como tal é ele quem julga os processos de invalidez dos liquidadores. De qualquer maneira a atribuição da pensão por invalidez não depende do estado de saúde, mas da quantidade de radiação que foi inscrita no cartão do liquidador. Dose que nunca ultrapassa 25 rem (radiação equivalente no homem) e - segundo testemunhos - era determinada no "olhômetro". Mesmo agonizante, um liquidador que recebeu uma "pequena dose" tem direito a uma pequena pensão, que não paga nem os remédios.
Hoje, milhões de pessoas ainda vivem em regiões altamente contaminadas, na Ucrânia. Com a desorganização econômica da ex-URRS, praticamente não existe abastecimento em gêneros não contaminados, a não ser a preços exorbitantes. As famílias são obrigadas a cultivar o solo condenado para obter alimentação. Segundo denúncia da organização ecológica européia Green Help, nessas regiões praticamente não existe serviço médico. Como os médicos e enfermeiras foram os primeiros a se dar conta do risco que representava viver em territórios irradiados, eles foram embora. Os habitantes vivem aterrorizados, têm que trocar de roupa pelo menos duas vezes por dia, as crianças saem o menos possível e é proibido andar nos bosques mais de duas horas por mês.
As 135 000 pessoas evacuadas logo nos primeiros dias receberam doses de radiação de 12 rem, em média. Outros milhares foram expostos a 50 rem ou mais. Os sobreviventes de Hiroshima, por exemplo, tinham recebido 20 rem. No ano passado, os cientistas afirmaram que não havia nenhuma alta anormal do número de casos de câncer e doenças do sangue. Os médicos ucranianos afirmam que a mortalidade é cinco vezes maior que a normal. "A contaminação provoca o envelhecimento precoce. Temos pacientes de menos de 30 anos com arteriosclerose, catarata e tumores", confirma Nadiejda Romanienko, chefe do Serviço de Patologia Radiológica de Kiev. Na Ucrânia, as doenças da tireóide em crianças foram multiplicadas por dez, as anemias, por oito. Sem contar os vários casos de mutação genética.
Kolkoze Petrovski é uma pequena fazenda, na Ucrânia. Ali vivem apenas 350 vacas e pouco mais de 80 porcos. Nos cinco anos antes do acidente haviam sido registrados apenas três casos de deformações entre porcos e nenhum em bezerros. Agora, o dr. Pietr Koudine, o veterinário, administra um verdadeiro "circo dos horrores". No ano seguinte a Chernobyl nasceram 64 monstros, 37 porcos e 27 bezerros. Em 1988, mais 41 porcos e 35 bezerros, esses últimos sem cabeça, extremidades e costelas. Perto da usina nuclear, pesquisadores estudam mutações genéticas também nos vegetais. Mesmo com tudo isso, há quem ainda tenha argumentos para defender a energia nuclear. Como a dra. Angelina Ivanovna, neurologista do Hospital de Poushka, na Ucrânia. Ela ousou afirmar que as doses de radiação recebidas pelas vítimas são muito fracas: "As pessoas sofrem é de stress crônico, causado pelo medo. Não se deve chamar a atenção para Chernobyl, mas ajudar a criar um instituto de correção psiquiátrica".
A Ucrânia herdou a construção mais perigosa do mundo: o chamado sarcófago de Chernobyl. Feito às pressas, em condições dramáticas para "enterrar" o reator em plena fusão sob toneladas de areia e chumbo, essa gigantesca caixa ameaça desabar. Na época, Valeri Legasov, diretor das operações, afirmou que a construção deveria durar vários séculos. Hoje, as avaliações mais otimistas falam em sete anos. "Do ponto de vista técnico, ninguém sabe o que vai acontecer com o sarcófago na próxima meia hora", acredita Nikola Steinberg, chefe da Comissão de Energia Atômica da Ucrânia. Alexander Borovoy, atual chefe da equipe que estuda as conseqüências da catástrofe, prevê o escapamento em massa da poeira radioativa para daqui a 5 anos. O sarcófago é uma construção retangular de 200 por 100 metros de largura, com uma altura de 50 metros. Mesmo enterrado sob 600 mil metros cúbicos de cimento, o reator que explodiu continua queimando (o magma em fusão permanece a uma temperatura de 180º C) e deixa escapar radioatividade. Sob o efeito do calor e da radiação o concreto se desagrega e as fissuras são cada vez mais freqüentes. Para se ter uma idéia de como foi a construção do sarcófago, mais de 1 minuto de permanência no local poderia causar a morte dos operários, que recebiam a dose máxima de radiação tolerada para 10 anos. Em algumas fases, eles só tinham 5 segundos para operar. Uma construtora francesa ganhou a concorrência para fazer um novo sarcófago, mas não se sabe como vai ser a construção. A radioatividade no teto é de 50 rem por hora e na sala central chega a 1000 rem por hora. O nível permitido para um trabalhador é de 5 rem por ano.
m Goiânia, em setembro de 1987, dois catadores de papéis encontraram uma cápsula contendo césio-137, que fora usada no tratamento do câncer e depois abandonada num hospital desativado, e a venderam a um ferro-velho. Na cápsula, o césio-137 estava envolto por cerca de 100kg de chumbo, que servia como blindagem protetora das radiações. Os funcionários do ferro-velho destruíram, a cápsula a marretadas, para vender o chumbo, e começaram a brincar com o césio-137, encantados com o brilho característico que esse radioisótopo emite no escuro (inclusive, porções do pó foram "dadas de presente" a outras pessoas). Centenas de pessoas foram contaminadas (uma criança chegou a ingerir o material radioativo, ao comer um sanduíche com as mãos sujas do pó) e os pacientes mais gravemente atingidos foram submetidos a tratamentos especiais (algumas pessoas sofreram exposições de 600 rad, o equivalente a 4000 radiografias do pulmão), mas, apesar do tratamento, quatro pessoas morreram no primeiro mês após o acidente. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) demorou vários meses para conseguir descontaminar a região do acidente. Convém observar aqui que o problema foi agravado porque o césio-137, além de suas características nucleares perigosas (emite partículas ß com energia de 0,5 MeV e tem vida-média de 30 anos), estava na forma de cloreto, que é um sal solúvel em água, muito semelhante ao sal comum e que, portanto, é absorvido pelo organismo com extrema facilidade. No final de 1987, cerca de 15t de lixo radioativo foram transferidas para um depósito no bairro de Abadia, a 20 km do centro de Goiânia. As pessoas envolvidas com o acidente sofreram, também, discriminação social, perda de emprego, etc; e até hoje devem fazer exames médicos periódicos.
Tipo especial de luz, ou o aparelho que a produz. O nome é uma abreviatura do inglês light amplification by stimulated emission of radiation, ou amplificação de luz por emissão estimulada de radiação. O feixe de laser difere da luz comum porque é "coerente", isto é, as ondas ou partículas de luz ("fótons") se movem juntas, como uma fileira de soldados marchando na mesma direção e com o mesmo passo. A luz comum, incoerente, lembra uma multidão, onde cada pessoa segue em uma direção.
Essa simultaneidade de propagação permite que o laser possa ser intenso, precisamente focado e de cor pura. A freqüência, ou cor, da luz laser pode variar muito. Existem lasers de radiação infravermelha, ultravioleta ou raio x, por exemplo.
O processo de produção do laser consiste basicamente em usar uma fonte de energia para "excitar" os átomos ou moléculas de um cristal, um gás ou um líquido, de modo a ficarem em um nível de energia mais alto. Quando um átomo excitado é atingido por um fóton, ao retornar a um estado de menor energia ele emite um outro fóton. O fóton emitido – cuja freqüência depende do tipo de átomo – pode também "bombardear" outro átomo. O resultado dessa "emissão estimulada", como diz o nome, é um feixe de radiação coerente. O processo de emissão foi descrito já em 1917 por Albert Einstein (1879-1955), mas só no final da década de 50 sua percepção foi aproveitada e construídos os primeiros lasers.
As aplicações dos lasers são variadíssimas. Servem para furar metais, fazer microcirurgias delicadas autocicatrizantes ou bombardear tumores em estágio muito avançado, soldar aparelhos minúsculos etc. São empregados em aparelhos para leitura de CD-ROMs ou toca-CDs. Muito úteis em pesquisa científica, foram usados, por exemplo, para medir com precisão a distância da Terra à Lua. O cálculo foi feito contabilizando o tempo empregado para que os raios laser percorressem a distância entre os dois astros e voltassem depois de refletidos por um espelho deixado na Lua por uma das missões Apolo.
Fonte: www.escolainterativa.com.br