
"Tudo aconteceu como nas melhores histórias em quadrinhos. Aguilar de óculos redondo, suéter em V, estudante da Faculdade de Economia, transformou-se em artista plástico e entrou com três telas na Bienal! Foi o início dos anos 60 e no cenário das artes de São Paulo, José Roberto Aguilar foi uma das figuras que irromperam na década de 60 com uma força explosiva. As artes plásticas do país nessa época navegavam no bateau ivre, na nau sem rumo, que não tinha muita certeza em que porto deveria parar.
A nova geração - a qual pertencia Aguilar, tinha uma cultura mais literária que visual e já não se afinava nem com a pintura lírico-abstrata - o prato do dia internacional dos anos 50 ou com a geometria racionalizada. No início dos anos 60 em São Paulo, a rua Augusta copiava a Via Veneto de Roma, o galerista Ralph Camargo era poeta, Aguilar ajudava Jorge Mautner e lançar seu livro Deus da Chuva e da Morte e havia um bar muito especial na cidade, o João Sebastião Bar onde - como nas biografias de artistas do início do século em Paris - Aguilar também trocava pinturas pela consumação. Mesmo com a Bienal e o MASP, a capital paulista ainda era uma cidade pequena, onde os diferentes circuitos culturais se intercruzavam e onde havia centelhas fulgurantes como Wesley Duke Lee ou Nelson Leirner desfraldando bandeiras como o movimento REX - Realismo Mágico. Apesar disso, a capital federal era o Rio de Janeiro e o grande prêmio das artes ainda era o Prêmio de Viagem do Salão Nacional.
Aguilar começou a pintar por compulsão, sem preocupações sobre quem seriam os seus padrinhos ou a sua ascendência artística, se devia pertencer ou não a algum movimento das artes. "A minha formação veio mais tarde, depois que comecei a fazer meus primeiros quadros", ele admite. "Foi depois de virar pintor que vim a conhecer o grupo COBRA, e que descobri a pintura de Dubuffet e de Alechinsky."
Com o enfraquecimento da pintura abstrata dos anos 50, os novos artistas ou partiram para uma figuração mágica ou enveredaram pelas artes gráficas, pelos quadrinhos, enfim, nas águas da POP ART norte-americana e inglesa que depois marcaria profundamente a década. A reflexão e o intimismo do final dos anos 50 tinham sido abolidos. Os artistas queriam uma explosão visual e imagens de um outro universo. Essa mudança, mesmo no Brasil aconteceu de maneira muito drástica. Ainda na Bienal de 1961, o grande prêmio foi dado à pintura delicada e sutil de Maria Helena Vieira da Silva, representando as França, o melhor pintor estrangeiro foi o japonês Yoshishige Saito e o melhor pintor nacional foi Iberê Camargo, que na época estava distante de fazer uma pintura figurativa. Dois anos depois, a situação já estava alterada. E José Roberto Aguilar conseguiu afirmar seus direitos de pintor e ser aceito com três telas na Bienal de 1963: uma Sagração da Primavera, A Atração e Os Amantes da Paz. Quem melhor percebeu o potencial de Aguilar dessa época foi o físico Mario Schenberg, uma figura fundamental na formação do gosto e da cultura visual de São Paulo daquela época. Schemberg como cientista conseguia ultrapassar as fronteiras do historiador ou do crítico de artes e com uma cultura de rara amplidão conseguia detectar o potencial de artistas que ainda sequer tinham noção da própria força."


Fonte: www.art-bonobo.com
José Roberto Aguilar (São Paulo, 11 de abril de 1941), gravador, pintor, escultor, músico, escritor, performer, artista multimídia e curador. Artista autodidata, irmão do curador e crítico de arte Nelson Aguilar, José Roberto cursou Economia na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo por alguns meses, mas saiu para se dedicar a pintura.
Realizou painéis na Estação Barra Funda do Metrô, na Fundação Pró-Memória e executou uma instalação de vidro no Teatro Politheama.
Em 1956, com Jorge Mautner e José Agripino de Paula, fundou o movimento performático-literário Kaos (manifestação vanguardista que incluia seções de poesia, filosofia e performances).
Após morar em Nova York por um ano, mudou para Londres, onde passou a fazer pinturas com pistolas de ar comprimido e fez experimentos com videotapes como novo meio de expressão. Com essa forma visual ele foi o pioneiro no campo da vídeo-arte e da figuração no Brasil.
Explorou as regiões Norte e Sul do país e passou mais um ano em Nova York. Ao retornar para o Brasil, organizou o 1º Encontro Internacional de Vídeo-Arte em São Paulo e participou do Festival de Vídeoarte de Tóquio.
Quando fixou residência no Rio de Janeiro (em 1981), criou um grupo musical chamado Banda Performática (realizaram montagens e espetáculos em praças públicas), que era formado por dançarinos, pintores, atores e músicos (como Arnaldo Antunes).
Morou em Oregon (EUA) onde visitou um centro espiritual do qual se tornou discípulo do líder indiano Raineesh e adotou o nome Swami Antar Vigyan (que significa “aquele que está no caminho de seu interior”) e passou a assinar Aguilar Vigyan.
Em São Paulo, para a comemoração do Bicentenário da Revolução Francesa (1998) organizou a performance Tomada da Bastilha, da qual participaram mais de 300 artistas.
Aguilar participou de diversas Bienais, exposições e megaexposições, tanto em território nacional como internacional – Japão, Paris e Londres, Estados Unidos e Alemanha (nesses dois últimos, é o artista brasileiro com maior participação em mostras) – , tendo sido premiado em muitas delas.
Nos anos 80, ele aplicou seu tempo na pintura produzindo grandes quantidades de obras com dimensões e qualidades grandiosas (pinturas, esculturas em vidro e cerâmicas – tudo com enormes metragens). Nos anos 90, novamente dividiu seu tempo entre várias técnicas de trabalho.
Por trabalhar com um amplo panorama artístico, Aguilar foi diretor e coordenador artístico de eventos e exposições (1990 a 1995) e diretor do espaço cultural (1995 a 2002) na Casa das Rosas, onde otimizou o espaço com exposições sobre a cultura brasileira, foi diretor do espaço cultural e em 2003, foi nomeado representante do Ministério da Cultura de São Paulo.
Fonte: www.pinturabrasileira.com
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