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Júpiter

Não há certeza se o núcleo de Júpiter (ou qualquer outro planeta gasoso) é rochoso. No entanto, parece que o centro do planeta é quente (talvez 30.000° C) visto que Júpiter irradia para o espaço 2,5 vezes mais energia do que recebe do Sol. Devido à pressão de milhões de atmosferas os átomos de hidrogênio devem está comprimidos em estado líquido. O hidrogênio em tais condições adversas adquire propriedades metálicas, gerando corrente elétrica e conseqüentemente um forte campo magnético.


Imagens de tempestades e relâmpagos capturadas pela Cassini em 01/jan/2001. No lado noturno (esquerda) vemos que os raios se relacionam com as manchas brancas no lado diurno (direita). As imagens foram realçadas no contraste e foram tirada com 2 horas de diferença. (Crédito NASA/JPL/Universidade do Arizona)I

Isto explicaria porque o campo magnético de Júpiter é intenso (cerca de 14 vezes o da Terra), sendo que produzem ondas de rádio tão potentes, que no Sistema Solar é apenas superada pelo próprio Sol. O eixo desse campo está inclinado 11 graus em relação ao eixo de rotação, afastado 10.000 km do centro. O interessante é que como os pólos estão invertidos em Júpiter, se levássemos uma bússola para o planeta a agulha apontaria para o sul. A magnetosfera é gigantesca: mais de 7 milhões de quilômetros em direção ao Sol e até 700 milhões de quilômetros na direção oposta, ou seja, além da órbita do planeta Saturno!


Imagem das nuvens de Júpiter obtida em 29/jun/1979 quando a Voyager 2 estava a 9,3 milhão km do planeta. As características menores tem 172 km. Todas as nuvens de forma oval marrons e brancas visíveis nesta imagem foram observadas pela Voyager 1 em março do mesmo ano, ilustrando a estabilidade deste tipo de característica na atmosfera joviana. (Crédito JPL/NASA)

Em vista destas características extremas de Júpiter, o astrofísico Isaac Asimov escreveu em O Colapso do Universo: "É possível que Júpiter ainda esteja se contraindo ligeiramente, e que a energia cinética daquela contração seja transformada em calor. É ainda possível que os átomos no centro de Júpiter estejam submetidos a uma temperatura e a uma pressão que os estejam levando à beira do ponto de ruptura, que um pouco de fusão de hidrogênio esteja correndo - apenas o suficiente para explicar aquela pequena emissão extra de calor do planeta. Se isso estiver acontecendo, Júpiter está à beira da ignição nuclear. Não há perigo de ignição real, naturalmente; Júpiter não é bastante grande e permanecerá para sempre à beira da ignição, apenas."


Imagem em cor falsa dum temporal em Júpiter obtida pela Galileo em 26/jun/1996 a 1,75 milhões do planeta. A mancha branca (no centro) é uma nuvem alta, medindo 1.000 km de comprimento, estando 25 km acima da maioria das nuvens circunvizinhas. A extensão em vermelha indica que a base da nuvem é muito profunda na atmosfera, cerca de 50 km abaixo das outras nuvens. (Crédito JPL/NASA)


Gravura artística do colossal sistemas de nuvens e de tempo de Júpiter. Não há nenhuma montanha, vales, vulcões ou rios, e não há limite entre a terra e o ar – apenas um oceano vasto de gás e nuvens densos. Tudo que vemos em Júpiter está flutuando no céu. (Crédito Andrew C. Stewart)

Júpiter é o primeiro e o maior dos planetas gasosos, feitos basicamente de hidrogênio. No caso de Júpiter, a composição química da atmosfera é de 90% de hidrogênio e 10% de hélio, com traços de amônia, metano e outros compostos químicos. Então por que há faixas coloridas na atmosfera de Júpiter? As cores vivas são o resultado complexo de temperaturas diferentes e reações químicas de vários elementos químicos que existem em pequena quantidade na atmosfera. Elas também ajudam a identificar a altitude das nuvens: as azuis são as mais baixas, seguindo as marrons, as brancas e as vermelhas, estas últimas nas camadas mais altas. É provável que três camadas de nuvens composta de gelo de amônia, hidrossulfeto de amônia e mistura de gelo e água. (No entanto, no local da descida da cápsula da Galileo só foi constatada a camada de nuvens formada por hidrossulfeto de amônia; além disso, a quantidade de água e hélio encontrados foram menos do que o previsto).


Uma das primeiras imagens obtidas por uma sonda espacial do planeta Júpiter, pela Pioneer 10 em dezembro de 1973. (Crédito JPL/NASA) água e hélio encontrados foram menos do que o previsto).

Na atmosfera do planeta são vistas diversas formações. As faixas de latitudes (ou paralelas) são bem nítidas em Júpiter. São resultados dos ventos em alta velocidade que sopram em direções opostas em faixa adjacentes. A diferença de direção parece depender das correntes quentes ascendentes e das correntes frias descendentes. As faixas claras são chamadas de zona e as faixas escuras são chamadas de cinturões. Nas regiões próximas das faixas estão os vórtices ou redemoinhos, complexos sistemas de ventos, descobertas pelas sondas Voyager. Às vezes aparecem buracos (furacões em alta velocidade) que dão acesso a informações das camadas mais internas da atmosfera.


Luzes no lado noturno de Júpiter são mostrados nesta imagem capturada pela Voyager 1 em 05/mar/1979 a 200.000 km. A raia brilhante (superior direito) é uma aurora próximo ao pólo norte do planeta e os outros pontos brilhantes são relâmpagos, mas poderiam ser características aurorais. (Crédito JPL/NASA)

Até auroras foram vistas nas regiões polares de Júpiter, que parecem está relacionadas à matéria do satélite Io, que cai na atmosfera do planeta, movendo-se em espiral segundo as linhas do campo magnético. A temperatura registrada nestes locais foi de 700° C!

Também foram observadas relâmpagos acima das nuvens. Numa única imagem da Voyager 1 distingui-se 19 relâmpagos que iluminavam ao mesmo tempo regiões diferentes do planeta! Ondas de rádio da sonda atmosférica da Galileo também indicaram raios 100 vezes mais fortes que os terrestres a 10.000 quilômetros de distância da descida.


Mosaico em cor pseudo-verdadeira no limite das faixas no equador de Júpiter montada pela Galileo em 5/nov/1996 a uma distância de 1,2 milhões de km. Usou-se a luz violeta e a luz próximo ao infravermelho porque fornecem informações sobre a composição e a altura das nuvens. A definição é de 10 km para os menores detalhes. (Crédito JPL/NASA)

Em Júpiter, os ventos sopram ora do leste ora do oeste e de maneira mais forte que na Terra. Para se ter uma idéia, a cápsula lançada pela Galileo indicou ventos de mais de 640 km/h, e intensa turbulência durante sua descida. Na verdade, os astrônomos ficaram surpresos com a temperatura alta (152° C) e a densidade das partes superiores da atmosfera de Júpiter.

Na realidade, o sistema meteorológico do planeta é bem complexo, conforme observado em imagens e vídeos produzidos pela sonda Galileo. Há mudanças que ocorrem tanto em intervalos curtos - poucos "dias" jupiterianos - quanto em períodos mais longos.