
Imagens em cores verdadeiras (acima) e falsas (abaixo) de uma mancha na região equatorial de Júpiter. Foram produzidas em 17/dez/1996 pela Galileo a uma distância de 1,5 milhões de km. Essas imagens cobrem uma área 34.000 km por 11.000 km. As diferenças na coloração são devido à composição e à abundância compostos químicos na atmosfera do planeta. As menores características são de 10 km de tamanho. (Crédito JPL/NASA)

Esta imagem digital sugere um limite desobstruído entre a atmosfera e o oceano de hidrogênio líquido em Júpiter. Como está muito profundo para que a luz solar penetre, a única luz é do fulgor dos relâmpagos que são constantes. (Crédito Walter Myers)
Além disso, foram observadas em Júpiter algumas manchas ovais e embranquecidas, enormes ciclones que giram no sentido anti-horário no hemisfério sul e no sentido horário no hemisfério norte.
No entanto nenhuma se destaca como a Grande Mancha Vermelha (GMV), um enorme furacão de alta pressão. De formato oval, mede 12.000 quilômetros de largura por 25.000 quilômetros de comprimento, ou seja, cabem quase dois planetas iguais ao nosso! Está ativa há pelo menos 3 séculos e a matéria próxima as bordas tem rotação de 4 a 6 dias, enquanto no centro o período é menor e aleatório. A Galileo observou que enquanto a parte externa gira no sentido anti-horário, a região central gira no sentido horário. A temperatura é de cerca -150° C e os ventos podem chegar aos 480 km/h. É a maior tempestade conhecida do Sistema Solar! No infravermelho foi observado que as partes externas da GMV estão 10 quilômetros mais altas que as regiões circunvizinhas. A coloração avermelhada pode ser por causa do fósforo. Sua origem e funcionamento ainda intrigam os cientistas.

Sequência de 8 imagens de alta resolução da GMV obtida pelo Hubble entre 1992 e 1999. Com este acompanhamento é possível perceber as mudanças na forma, no tamanho e na cor, que às vezes são dramáticas. (Crédito Hubble Heritagem Team e Amy Simon)
"Gostaríamos de entender por que o clima de Júpiter é tão estável, enquanto o da Terra está sempre em transformação", afirma o cientista Andrew Ingersoll, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. As imagens de Júpiter sugerem que suas imensas tempestades se alimentam da energia de outros fenômenos similares, mas de menor intensidade, que ocorrem no planeta, com pequenas tempestades se formando apenas para depois serem absorvidas por outras maiores.
Espetacular imagem de uma aurora no pólo norte de Júpiter obtida pelo Hubble em 26/nov/1998. Foi usado o ultravioleta para realçar as partículas altamente carregadas que se chocam com a atmosfera. São vistos as marcas deixadas pela corrente elétrica das luas de Júpiter: Io (à esquerda, próximo do limbo), Ganimedes (próximo ao centro) e Europa (abaixo à direita).(Crédito NASA/ESA, John Clarke da University of Michigan)
Mosaico de 4 imagens obtidas em épocas, em distâncias e por sondas espaciais diferentes. Portanto nota-se as constantes mudanças que ocorrem não somente na GMV como em toda a atmosfera de Júpiter.

Imagem de Júpiter e a GMV capturada em 8/out/2000 pela Cassini, a uma distância de 77,6 milhões de km do planeta gigante. Os pontos brancos brilhantes são tempestades de relâmpagos na atmosfera do planeta. (Crédito NASA/JPL/Universidade do Arizona)
Vista da GMV e dos arredores obtida pela Voyager 1 em 25/fev/1979, quando a sonda estava 9,2 milhões de km de Júpiter. Os detalhes das nuvens são de 160 km de ponta a ponta. As manchas embranquecidas à esquerda da GMV é uma região de extraordinária complexidade e movimento variável. (Crédito JPL/NASA)

Imagem obtida pela Voyager 2 em 06/jul/1979 apenas a 2,6 milhões de km da GMV. Também é bem visível uma nuvem oval branca. (Crédito JPL/NASA)

Imagem da GMV capturado em 26/jun/1996 pela Galileo. Usando imagens reais de três filtros de cor, a equipe de Galileo pode montar o que uma pessoa veria se fosse capaz de flutuar pouco acima deste antigo sistema de nuvens. (Crédito JPL/NASA)

Mosaico composto de duas imagens obtidos em 09/nov/1996 pela Galileo a cerca 2.300.000 km. A sonda estava 0,5 graus acima do plano do anel e a definição da imagem é de 46 km. (Crédito JPL/NASA)
Os anéis de Júpiter são tão opacos e rarefeitos, que os instrumentos da Pioneer 11 não registrou nada ao atravessá-los! Por esta razão o responsável das imagens enviadas pela Voyager 1 à imprensa em 07 de março de 1979, ao anunciar a descoberta de um dos anéis disse: "A descoberta do anel não era esperada, já que as teorias que tratam da estabilidade, a longo prazo, dos anéis planetários, não previam sua existência." A Voyager 2 pode estudá-la com mais cuidado quando estava a 1,5 milhões de quilômetros do anel em 10 de julho de 1979. Como estava do lado noturno de Júpiter, o anel apareceu bem visível contra o fundo escuro.
É formado por poeira e minúsculos fragmentos de rocha escura proveniente de algumas luas de Júpiter. O albedo é muito baixo (0,05), mas da Terra são visíveis no infravermelho.

Mosaico de duas imagens dos anéis de Júpiter obtida pela Galileo. A parte superior destaca o Halo, um raro anel que envolve o anel Principal, produzido por forças eletromagnéticas. A imagem inferior mostram o anel Principal. A resolução é de 24 km. (Crédito JPL/NASA)
Geralmente são citados pelo menos 4 anéis. O halo que é muito débil, está mais próximo ao planeta (cerca de 29.000 quilômetros das nuvens), tem de cor alaranjada e formato de toróide. O anel principal que é o mais brilhante, porém é o menor, com 7.000 quilômetros de extensão; os 600 quilômetros mais externos refletem 10% mais que o resto da estrutura, tendo pequenas "divisões" entre as órbitas das menores luas de Júpiter. O anel Gossamer que a Galileo revelou que na realidade são dois anéis entrelaçados: o interno (que é o mais largo com 52.800 quilômetros) e o externo (que é o mais afastado de Júpiter, sendo que seu limite está a 153.500 quilômetros da atmosfera). Aparentemente a colisões constantes com meteoros nas 4 pequenas luas próximo a Júpiter fornecem o material para o anel. Tanto o anel como essa luas estão dentro de um cinturão de radiação intensa capturada pelo campo magnético de Júpiter.

Esquema dos componentes do anel de Júpiter. Mostra a geometria dos anéis com relação a Júpiter e aos satélites pequenos internos, que são a fonte da poeira que formam os anéis. (Crédito Cornell University)