Pintor italiano, foi o maior retratista de seu tempo; nenhum artista antes dele havia capturado de maneira tão convincente a vivacidade das feições e o espírito individual.

Virgem e o Menino com Sant'Ana
1508-10
Leonardo da Vinci resumiu o ideal renascentista do polímata - artista, contador de anedotas, músico, cientista, matemático e engenheiro -, um homem de muitos talentos, com uma insaciável curiosidade e sede de conhecimento.
Nasceu em Anchiano, um vilarejo perto da cidadezinha de Vinci, em 15 de abril de 1452. Filho de um tabelião e de uma camponesa, Catarina, com quem o pai tinha uma ligação um tanto irregular. Leonardo cresceu no campo, onde desenvolveu um grande amor pela natureza. Quando menino pediram-lhe que desenhasse um escudo para um amigo do pai. Dizem que ele fez um bestiário extraordinário, baseado na observação real de lagartos, grilos, cobras, borboletas, gafanhotos e morcegos. Segundo os registros, foi nesta ocasião que ele revelou seu fascínio pelas formas móveis, retorcidas e vivas. Está registrado também que ele gostava de cavalos e os conhecia profundamente. Eles aparecem com tanto destaque nos seus trabalhos da maturidade que isto parece ser bastante provável.
Algum tempo antes de 1469, Leonardo foi com pai morar em Florença e, em 1472, foi aceito como membro da guilda de São Lucas, a guilda dos pintores. Seu mestre foi Andrea Verrocchio, e os registros mostram que ele continuava empregado na oficina de Verrocchio, na vila dell'Agnolo, em 1476.
É difícil avaliar a influência de Verrocchio sobre o jovem Leonardo. As formas curvas e retorcidas usadas pelo mestre certamente encontraram eco no seu aluno. As pinturas de Verrocchio possuem uma certa grandiosidade, mas não despertam realmente a imaginação, enquanto que as esculturas são mais fortes e parecem ter influenciado mais Leonardo.
A Dama com Arminho
c.1483-8
Não existem provas consistentes de quando Leonardo foi para Milão, mas a primeira encomenda lá, documentada, é de 1483. O motivo da sua ida para aquela cidade não está claro; mas ele pode ter se sentido atraído pela estimulante atmosfera da corte dos Sforza, com muitos médicos, cientistas, engenheiros militares e matemáticos. Havia outros motivos para ele deixar Florença: os altos impostos faziam com que alguns mecenas nunca pagassem pelo trabalho que encomendavam; a competição profissional era extremamente dura; e a guerra e a peste eram fortes ameaças físicas.
Leonardo se estabeleceu na corte do Duque Lodovico, onde, além de pintar, seu protetor exigia seus serviços para diferentes tarefas - supervisionar pagens e instalar "aquecimento central", por exemplo. Este tipo de papel deve ter agradado imensamente tanto ao caráter quanto ao intelecto de Leonardo. De fato, numa carta, ele se descreve como engenheiro e, só de passagem, faz uma referência às suas pinturas. Durante este período também pintou retratos, executou uma importante encomenda, A Última ceia, e terminou grande parte do trabalho preliminar para o monumento aos Sforza, que nunca chegou a ser fundido.
Em 2 de outubro de 1498, Leonardo recebeu um propriedade fora da Porta Vercellina de Milão e foi indicado ingenere camerale. Esperava-se uma invasão dos franceses e ele ficou muito ocupado planejando a defesa da cidade, embora dois outros grandes trabalhos datem deste mesmo período. Colaborou também com o matemático Luca Pacioli na Divina Proprotione - os dois homens tinham ficado muito amigos desde a chegada de Pacioli a Milão.
A última ceia - 1947
Os franceses invadiram Milão em 1499 e Lodovico foi preso e enviado para França. Leonardo, junto com Luca Pacioli, deixou Milão depois de 18 anos com os Sforza. Provavelmente foi direto para Mântua, onde fez o retrato de Isabella D'Este. Em 24 de abril de 1500, ele voltou para Florença e encontrou uma cidade diferente da que tinha deixado cerca de 20 anos antes, passando por uma onda de revitalização do interesse religioso e com idéias republicanas na política. Leonardo conquistou quase de imediato o agrado do público, após exibir o seu cartão da Virgem e Sant'Ana planejado para ser um retábulo. Nesta época, Michelangelo tinha já assegurada a sua reputação em Florença. Estes dois gigantes nunca gostaram um do outro e Leonardo não fazia segredo do fato de considerar a escultura inferior à pintura, mas a fama de Michelangelo era um fator de atrito.
Monalisa Óleo - 1508
Novamente, Leonardo trabalhou como engenheiro; drenando pântanos, desenhando mapas e projetando um sistema de canais. Em Urbino, conheceu Nicolò Machiavelli, e este encontro levaria a uma íntima associação e a sua mais importante encomenda. Enquanto isso, produzia magníficos desenhos a pastel vermelho de Cesare Borgia.
Em 1503, entrou nos seus três anos de maior produção como pintor. Seu quadro mais famoso, Monalisa, com seu sorriso enigmático, pode ter sido pintado nesta época. Grande parte dos trabalhos de Leonardo em Florença, feitos no período de 1503 e 1507, se perdeu, inclusive Leda. Achava a mecânica da pintura uma coisa entediante e preferiu concentrar suas habilidades imaginativas no desenho e no planejamento de suas composições.
Como resultado da sua florescente associação com Machiavelli, Leonardo recebeu uma encomenda para pintar um afresco na Sala del Gran Consiglio do Palazzo Vecchio. Começou trabalhar no cartão para o afresco - a Batalha de Anghiari - em outubro de 1503, mas parece que o progresso foi lento. Leonardo terminou seu cartão no final de 1504 e começou a pintar usando uma técnica incomum e possivelmente incáustica. A tinta secou de forma desigual e a pintura não deu certo. O aresco ficou inacabado mas, depois, foi feita uma moldura especial para a parte terminada e há quem a considere a melhor coisa a se ver numa visita a Florença . Posteriormente foi repintada por Vasari.
Cabeça de Guerreiro
1475
Desenho a ponta de prata
Durante o ano de 1507, Leonardo trabalhou para o Rei da França, embora seu mecenas imediato fosse Charles d'Amboise , lord de Chaumant e governador de Milão. De muitas formas, d'Amboise reinstalou as glórias da corte dos Sforza. Leonardo estava no seu elemento, trabalhando como pintor, engenheiro e conselheiro artístico em geral. D'Amboise morreu em 1511, mas Leonardo permaneceu em Milão até 24 de setembro de 1513. Depois foi para Roma, levado, como tantos, por Giovani de Medici que havia se tornado recentemente Papa Leão X.
Leonardo se instalou no Belvedere do Vaticano, mas a agitação provocada pelos principais artistas do país e suas comitivas, vivendo todos juntos, não lhe agradava. a incontestável posição de Michelangelo em Roma, resultante do seu trabalho na Capela Sistina, também lhe era intragável. Talvez a fascinação obsessiva de Leonardo pelo poder da água e os seus diversos esboços para o Dilúvio reflitam uma turbulência mental e espiritual.
O último quadro pintado por Leonardo que sobreviveu é, quase certamente, São João e deve ter sido feito em 1514-1515. Em março de 1516, Leonardo aceitou o convite de Francisco I para morar na França e ganhou uma propriedade rural perto de Cloux. Em 10 de outubro de 1517, recebeu a visita do Cardeal Luís
Roda d`Água com Taças Desenho - 1503
de Aragão, cujo secretário escreveu um relatório do encontro. Ele menciona três quadros, dois que podemos identificar como sendo Virgem e o Menino com Sant'Ana e São João, o terceiro é um retrato de uma dama florentina. Ele também afirma que Leonardo estava sofrendo de um tipo de paralisia na mão direita. Leonardo era canhoto, mas esta observação pode ter, na verdade, se referido à sua mão "de trabalho", significando a esquerda. Observando-se os manuscritos, fica óbvio que esta paralisia não impediu Leonardo de usar os dedos, porque sua letra estava clara e firme como sempre. Alguns desenhos, entretanto, mostram uma falta de firmeza e precisão que sugerem que o problema possa ter afetado o movimento do braço.
Em 2 de maio de 1519, Leonardo morreu em Cloux. Deixou os desenhos e manuscritos para o amigo fiel Francesco Melzi, enquanto viveu, Melzi guardou as obras com todo carinho, mas cometeu a insensatez de não incluir no seu testamento nenhuma cláusula que garantisse a continuidade deste cuidado. O filho, Orazio, que não tinha o mínimo interesse por artes ou ciências, deixou que esta inestimável coleção se deteriorasse, se perdesse, fosse roubada ou vandalizada de uma maneira que só se pode descrever como criminosa.
Fonte: www.pintoresfamosos.com.br

Leonardo da Vinci
Artista, arquiteto, inventor e escritor italiano nascido em Anchiano, na Toscana, conhecido como o mais versátil gênio da Renascença.
Filho ilegítimo de um advogado florentino, Piero da Vinci, com uma camponesa de nome Catarina, foi criado pelo pai.
Informalmente educado pelo pai, ao revelar vocação para a pintura e o desenho, a pedido daquele, empregou-se como aprendiz (1467-1477) do famoso artista florentino, Andrea del Verroquio, que além de pintor era também ourives e escultor, o que exigia manobras com máquinas como talhas, guinchos etc, que movimentavam grandes pesos, o que aguçou sua curiosidade pela mecânica.
Recebeu a proteção de Lorenzo de Medici e deixou Verroquio para trabalhar sozinho (1477) e iniciou-se na pintura (1480) quando começou a pintar São Jerônimo, que deixou inacabado.
No ano seguinte mudou-se para Milão e trabalhou na Adoração dos magos, encomenda dos monges de San Donato, em Scopeto, que também não acabou (1481).
Passando a trabalhar para Ludovico Sforza, desenvolveu vários projetos de engenharia militar, realizou estudos hidráulicos sobre os canais da cidade e, como diretor das festas promovidas pela corte, organizou competições, representações e torneios, para muitos dos quais desenhou cenários e figurinos.
Paralelamente dedicando-se ao estudo da anatomia, física, botânica, geologia e matemática, mas sem abandonar a pintura, nesse período pintou algumas de suas obras-primas: a primeira versão da Virgem dos rochedos (1483) e a Última ceia (1495-1497), decorou a Sala delle Asse (1498) e trabalhou numa estátua eqüestre de Francesco Sforza, além de redigir o Trattato della pittura, só publicado 50 anos depois (1651).
Com a invasão de Milão pelas tropas francesas (1499), voltou para Florença.
Acompanhou Cesare Borgia na campanha de Romagna, como arquiteto e engenheiro militar (1502).
De volta a Florença (1503), começou a pintar Mona Lisa, uma de suas obras mais conhecidas (1503-1506).
Durante o cerco de Pisa, desenvolveu um projeto para desviar o curso do rio Arno, de forma a cortar o acesso da cidade ao mar.
Novamente em Milão (1506-1513), tornou-se conselheiro artístico do governador francês, Charles d'Amboise, e projetou para ele um novo palácio.
Contratado por Giuliano de Medici, irmão do papa Leão X, após o restabelecimento da dinastia Sforza, morou em Roma (1513-1516), onde aprofundou suas pesquisas ópticas e matemáticas.
Com a morte de Giuliano (1516) e envolvido em intrigas do Vaticano, resolveu se mudar para Amboise, para trabalhar na corte de Francisco I, como primeiro-pintor, engenheiro e arquiteto do rei.
Continuou então os estudos de hidráulica, ao mesmo tempo em que organizou cadernos de apontamentos e preparou festas para a corte.
Essencialmente um filósofo, mas diante de toda sua versatilidade, é considerado também engenheiro, mecânico, arquiteto, projetista, escultor, desenhista, pintor, geólogo, botânico, filósofo, músico e conhecedor de anatomia acima do nível de sua época, praticando repetidas e cuidadosas dissecações de animais e de cadáveres humanos, desenhando o que via.
Na física, estudou os efeitos do atrito e enunciou definições para força, percussão e impulso.
Estudou ainda as condições de equilíbrio sobre um plano inclinado e enunciou o teorema do polígono de sustentação da balança.
Realizou pesquisas originais sobre os centros de gravidade, antecipando-se a Galileu, e idealizou uma máquina destinada a testar a resistência dos fios metálicos à tração.
Expressou os princípios elementares da continuidade, divulgou estudos básicos sobre escoamento de fluidos e sugeriu projetos de máquinas hidráulicas.
Projetou uma roda d'água cujo princípio seria posteriormente utilizado para a construção da prensa hidráulica (1510).
Aprofundou-se no estudo da reflexão e refração da luz, especialmente através do olho.
Na mecânica determinou os princípios da construção de um aparelho mais pesado do que o ar, capaz de voar com a ajuda da força do vento.
Entre seus desenhos incluem-se esboços de um aparelho bastante parecido com o helicóptero moderno e os esquemas de um pára-quedas e de um escafandro.
Como projetista militar elaborou vários desenhos de canhões, metralhadoras, carros de combate, pontes móveis e barcos, bem como estudos sobre a melhor maneira de abordagem de um barco grande por um pequeno e o esquema de um submarino.
Inventou também máquinas hidráulicas destinadas à limpeza e dragagem de canais, máquinas de fiar, trivelas, tornos e perfuratrizes.
Também antecipou-se aos urbanistas com seus projetos de cidades.
Na pintura conhecem-se apenas cerca de 12 telas de autenticidade indiscutível.
Muitas de suas obras se perderam, foram destruídas ou ficaram inacabadas.
Pouco antes de morrer, no castelo de Cloux, perto de Amboise, na França, em 2 de maio (1519), nomeou seu discípulo predileto, Francisco Melzi, herdeiro de todos os valiosos estudos, desenhos e anotações que deixava.
Melzi preservou cuidadosamente a herança, mas com sua morte, cerca de cinqüenta anos após a do mestre, os manuscritos se dispersaram.
Conservaram-se cerca de 600 desenhos, que representam talvez a terça parte de sua vasta produção.
Por falta de interesse e como não sabia latim e nem tinha instrução universitária que lhe dessem prática literária, não publicou nenhuma obra literária.
O que se conhece e se pode avaliar deste gênio é através de suas anotações particulares, repletas de projetos de aparelhos mecânicos.
Seu Tratado sobre a pintura é um dos livros mais influentes da história da arte.
Foi o maior representante do Renascimento, um movimento artístico, científico e literário que floresceu na Europa no período correspondente entre à Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna, do século XIII ao XVI, com o berço na Itália e tendo em Florença e Roma como seus dois centros mais importantes.
Sua principal característica foi o surgimento da ilusão de profundidade nas obras e, cronologicamente, pode ser dividido em quatro períodos: Duocento (1200-1299), Trecento (1300-1399), Quattrocento (1400-1499) e Cinquecento (1500-1599).

Mona Lisa (La Gioconda)
Fonte: www.dec.ufcg.edu.br