O manguezal é um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e aquático, característico de regiões tropicais e sub-tropicais e sujeito a regime de marés. É constituído por espécies vegetais lenhosas típicas adaptadas a flutuações de salinidade e a um sedimento predominantemente lodoso, com baixos teores de oxigênio. Ocorre em regiões costeiras principalmente abrigadas e apresenta condições propícias para a alimentação, proteção e reprodução de muitas espécies animais, sendo considerado importante gerador de bens e serviços.
No que diz respeito à energia e à matéria, são sistemas abertos recebendo, em geral, um importante fluxo de água doce, sedimentos e nutrientes do ambiente terrestre e exportando água e matéria orgânica para o mar ou águas estuarinas.
O manguezal é uma formação tropical, ocorrendo entre as latitudes 23°30' N e 23°30' S, com extensões subtropicais até 30°, quando há condições favoráveis. O maior desenvolvimento, no entanto, é encontrado na região equatorial.
A flora de manguezais no Brasil é constituída por 7 espécies em 4 gêneros:
Bosque de manguezal
As espécies do manguezal podem sobreviver num ambiente que apresenta diversas condições estressantes graças ao conjunto de adaptações que possuem, como raízes-escora para fixação em solo frouxo, lenticelas nas raízes respiratórias e nas raízes-escora, raízes com alta pressão osmótica, impedindo a entrada do sal, glândulas secretoras de sal, folhas suculentas que possibilita a diluição do sal, e folhas coriáceas que dificultam a perda de água.
Reconhece-se três tipos fisiográficos de manguezais os quais apresentam características estruturais diferentes: bosques ribeirinhos, bosques de franja e ilhotes, e bosques de bacia. Os outros tipos fisiográficos (anões e de rede) são considerados tipos especiais (CINTRÓN et al., 1980).
Os manguezais apresentam diferentes tipos de habitats disponíveis, tais como a copa das árvores, concavidades com água em árvores, poças d'água, superfície do solo, o próprio substrato e os canais de água desse ecossistema.
A fauna encontrada em manguezais é composta por espécies residentes, organismos marinhos jovens (criadouro) e visitantes marinhos e dulciaqüícolas. A proporção desses componentes numa área estuarina varia durante o ano segundo a salinidade. Peixes, aves, crustáceos, moluscos e outros invertebrados encontram nos manguezais alimento, refúgio contra predadores e área para reprodução e crescimento.
O manguezal é um dos ecossistemas mais produtivos do mundo em termos de produtividade primária bruta e produção de serapilheira, que é um dos componentes da produtividade primária líquida. A serapilheira foliar de manguezais é considerada uma importante base nutricional para cadeias alimentares de estuários, inclusive para espécies importantes comercialmente.
O manguezal apresenta grande importância ecológica, entre elas: a) amenização do impacto do mar na terra; b) controle da erosão pelas raízes de mangue; c) retenção de sedimentos terrestres do escoamento superficial; d) filtro biológico" de sedimentos, nutrientes e mesmo poluentes, o que impede o assoreamento e a contaminação das águas costeiras; e) abrigo da fauna, particularmente em estágios juvenis; f) exportação de matéria orgânica para cadeias alimentares adjacentes Como importância econômica reconhece-se: a) extrativismo; b) Agricultura; c) silvicultura.
Para GETTER et al. (1981), as diferenças físicas no ambiente, tais como o grau de exposição às ondas e correntes, as características geomorfológicas e a topografia da região, apresentam grande influência na distribuição e permanência do óleo nos diferentes tipos de manguezais.
Os manguezais são particularmente sensíveis a derrames de petróleo, pois normalmente crescem em condições anaeróbias e fazem as suas trocas gasosas através de um sistema de poros ou aberturas propensos a serem cobertos ou obstruídos; além disso, dependem das populações microbianas do solo para dispor de nutrientes e devem obter estes e a água por meio de suas raízes.
A recomposição de bosques mortos pode levar décadas se o óleo persistir no substrato, e isso é agravado pelo lento crescimento das árvores. Se não ocorrer uma morte imediata do bosque de mangue, numerosas respostas podem ser notadas, incluindo efeitos subletais nas árvores bem como nos organismos associados.
As marismas são áreas úmidas freqüentemente inundadas, caracterizadas por vegetação herbácea emergente adaptada às condições saturadas do solo. As marismas são encontradas no mundo todo em regiões costeiras protegidas nas médias e altas latitudes, sendo substituídos por manguezais nas costas tropicais e sub-tropicais. As plantas e animais desses sistemas são adaptados a estresses de salinidade, inundação periódica e extremos de temperatura.

Marisma
O ecossistema das marismas possui diversos componentes biológicos os quais incluemvegetação, comunidades animal e microbiana. Além disso, existem também o plâncton, os invertebrados, os peixes que habitam os canais, lagoas e estuários.
Com relação à estrutura das marismas propriamente ditas, estas são dominadas por uma comunidade vegetal predominantemente halófita e, na maioria das vezes, composta por uma ou poucas espécies de gramíneas.
A vegetação das marismas pode ser dividida em zonas relacionadas com a proximidade da linha de água, como marismas baixas (próximas à linha d' água) e altas (mais para o interior).
Os principais pontos relacionados ao funcionamento das marismas que já foram demonstrados em diversos estudos são: a) a produtividade primária bruta e líquida das marismas é alta; b) as marismas são grandes produtoras de detritos tanto para si próprias quanto para o estuário adjacente; c) a decomposição dos detritos é o caminho de maior fluxo de energia utilizado na marisma, causando um aumento do conteúdo protéico do detrito, o que aumenta o valor do alimento para o consumidor; d) folhas e caules servem como superfície para algas epífitas e outros organismos epibióticos; e) já foi demonstrado que as marismas funcionam como fonte e depósito de nutrientes, principalmente nitrogênio.
As marismas constituem sistemas ecológicos utilizados por larvas e jovens de numerosas espécies de peixes e invertebrados, grande parte de interesse comercial, que procuram nos canais de maré e nas depressões do substrato abrigo e alimento. Aves aquáticas migratórias procuram as marismas como escala para repouso e alimento.
O impacto do óleo nas marismas varia em função de vários fatores incluindo a quantidade de óleo, tipo e eficiência da atividade de limpeza, tipo de óleo, estrutura física e biológica da marisma, latitude, e estação do ano (BACKER, 1970; 1971 apud GETTER et al. 1984). A persistência do dano e recuperação do sistema também depende de fatores bióticos, químicos e físicos, incluindo taxa de intemperismo e grau de remoção ou retenção do óleo, disponibilidade de sementes, processos sucessional, de erosão/deposição, e atividade de restauração pelo homem.
As plantas podem ser afetadas de várias formas. A asfixia química pelo óleo pode levar a uma redução da transpiração, respiração e fotossíntese. A absorção da fração tóxica do óleo através de folhas ou raízes pode causar envenenamento das plantas pela ruptura das membranas celulares e organelas celulares.
Existe uma variação considerável com relação à sensibilidade ao óleo. Algumas espécies são resistentes a ele (ex: Oenantle lachenalii), enquanto que outras são muito menos resistentes (ex: Salicornia sp.).
Mudanças sazonais nas marismas podem afetar, consideravelmente, o efeito do óleo nesse ecossistema. Um derrame de óleo antes ou durante a floração pode causar uma redução na floração e produção de sementes.
Em alguns casos, o maior problema seguido ao dano do óleo na vegetação foi a perda da estabilização do sedimento por erosão.
As marismas variam consideravelmente em sua forma e função com relação a latitude, salinidade e altura da maré, sendo que os efeitos do óleo variam do mesmo modo. De particular importância são a altura da maré e salinidade, que podem limitar a distribuição de qualquer espécie.
As marismas, assim como os manguezais, estão nos níveis mais altos da escala de vulnerabilidade a derrames de óleo dos habitats da zona de entremarés. As marismas, em termos gerais, são consideradas como habitats altamente susceptíveis ao dano por óleo , requerendo proteção onde for possível, cuidados durante a limpeza e, em alguns casos, restauração.
Costões rochosos são afloramentos de rochas cristalinas na linha do mar, e sujeitos à ação das ondas, correntes e ventos, podendo apresentar diferentes configurações como , falésias, matacões e costões amplos.
Integrantes das zonas costeiras, os ambientes entre-marés encontram-se permanentemente sujeitos à alterações dos níveis do mar no local. Com isso, nos níveis mais altos dos costões prevalecem condições ambientais muito diferentes daquelas que ocorrem nos níveis mais próximos da água.
A despeito das diferenças espaço-temporais características destes ambientes, alguns grupos de organismos, devido às suas adaptações ao ambiente e em relação à sua habilidade competitiva em relação aos outros componentes da comunidade, são tipicamente encontrados em determinadas zonas do costão. Reconhecem-se três zonas: Supra-litoral - recebe apenas os borrifos das ondas e marés excepcionalmente altas; Médio-litoral - área sob ação direta das marés. O médio-litoral superior é delimitado pela franja do supra-litoral, e o médio-litoral inferior é delimitado pela franja do infra-litoral.; Infra-litoral - área que só fica emersa em marés excepcionalmente baixas.
Os costões rochosos comportam uma rica e complexa comunidade biológica, a qual representa um importante papel como ecossistema costeiro. O substrato duro favorece a fixação de larvas e esporos de diversas espécies de invertebrados e de macroalgas como citado acima. Estes organismos sésseis por sua vez, fornecem abrigo e proteção para uma grande variedade de animais, servindo também como substrato para a fixação de epibiontes. As macroalgas também abrigam uma rica comunidade animal e de epífitas, denominada comunidade fital.
O hidrodinamismo atua também como um fator no grau de diversidade dos costões. Ambientes com forte embate de ondas dificultam ou inviabilizam a instalação de esporos e larvas de diversas espécies, onde apenas aquelas mais adaptadas conseguem se essentar e colonizar o ambiente.
A configuração do substrato é também de elevada importância. Costões com grande quantidade de refúgios (fissuras, fendas, locais de ouriços, etc) tende a aumentar substancialmente a diversidade de espécies.
Em costões rochosos atingidos por petróleo, processos como o hidrodinamismo e marés são fatores importantes a serem levados em consideração. Assim como em praias de areia, o grau de contaminação do entre-marés está ligado à maré atuante durante o evento (maior exposição em marés vivas ou de sizígia).
Com relação ao hidrodinamismo, costões expostos à ação das ondas são pouco sensíveis a derrames já que o óleo é retirado rapidamente do ambiente. Costões rochosos abrigados da ação das ondas, entretanto, constituem ambientes sensíveis a impactos já que o tempo de residência do óleo pode ser muito alto.
Processos de interações biológicas são importantes no sentido de promover a estrutura da comunidade de costão rochoso. Impactos por óleo sobre certos componentes da comunidade, podem, indiretamente, influenciar outros componentes.
A constante emissão de pequenas quantidades de óleo ao ambiente marinho (poluição crônica), pode apresentar efeitos a longo prazo nas comunidades biológicas. A incorporação de baixos níveis de óleo pode ocasionar efeitos subletais, caracterizado pela interrupção de processos fisiológicos vitais dos organismos, ou então resultar na diminuição da resistência dos organismos a perturbações naturais.
Recifes de coral são estruturas calcárias tropicais, de água rasa, que dão suporte a uma variada associação de organismos marinhos (Barnes, 1984). São classificados em três tipos principais: recifes de franja, recifes de barreira e atóis. Os primeiros dois tipos são paralelos à linha de costa, com recifes de franja sendo localizados em águas rasas rente à costa e recifes de barreira mais afastados da costa, maiores e usualmente contínuos por grandes distâncias. Atóis constituem ilhas de coral em forma de anel contendo uma lagoa central (API, 1985).
Os corais formadores de recifes são animais pertencentes ao filo Cnidaria, grupo a que pertencem também as águas-vivas, anêmonas-do-mar, etc. Estes animais são capazes de secretar carbonato de cálcio, constituindo um esqueleto externo o qual abriga e protege seu corpo. No interior do corpo desses animais, são encontradas numerosas algas que são essenciais ao seu desenvolvimento.
Os recifes são ainda restritos em sua distribuição pela sua exigência de águas quentes e com pouca turbidez, ocorrendo apenas nos mares tropicais e semi tropicais.



Os recifes de coral são encontrados tipicamente em águas rasas. Há, entretanto, aqueles que se encontram parte do tempo expostos durante a maré baixa. Estes são muito susceptíveis a derrames, já que o óleo pode alcançar a zona costeira durante marés baixas e atingi-los diretamente.
O tipo do óleo é um fator muito importante a ser considerado. Óleos leves por apresentarem frações tóxicas solúveis, exibem elevado perigo aos recifes de águas rasas. Óleos mais grossos dificilmente entram em contato com corais das regiões do sublitoral.
Águas com altas temperaturas, necessárias ao desenvolvimento de corais, asseguram um rápido crescimento de microorganismos capazes de degradar hidrocarbonetos. Entretanto, a natureza calcária formadora do esqueleto desses animais, é um fator agravante pois nesse substrato o petróleo adere e é absorvido.
Recifes de coral são ambientes sensíveis, e os derrames podem causar impactos desastrosos. Gundlach & Hayes (1978) indicam a necessidade de estudos mais detalhados para determinar a vulnerabilidade dos recifes de coral a impactos por petróleo.
O fato dos recifes de coral necessitarem de muita luz para seu desenvolvimento os torna mais vulneráveis aos derrames de óleo, uma vez que o recobrimento afeta diretamente a incidência luminosa sobre os corais.
Entende-se por fundos marinhos, a porção do substrato oceânico permanentemente submersa. Esta região é normalmente subdividida em três zonas segundo sua profundidade: zona muito rasa (regiões com um metro ou menos); zona rasa (de um a 30 metros) e zona profunda (de 30 a 200 metros) (API, 1985). Segundo as características do substrato, os fundos marinhos podem apresentar-se como arenosos, lodosos ou rochosos.
Tanto os fundos moles (arenosos e lodosos) quanto os rochosos, apresentam uma rica comunidade biológica. A comunidade associada a fundos moles pode se encontrar sobre o substrato, dentro do substrato entre os grãos ou ainda em tubos e galerias. Em fundos rochosos, os organismos encontram-se permanentemente fixos, ou aderidos ao substrato rochoso, alguns porém com certa capacidade de locomoção.


De modo geral, em fundos de areia fina e lodo, encontra-se uma maior abundância e diversidade em espécies do que em fundos de areia grossa.
Por promover um local protegido (refúgios) devido à presença de tocas, fendas, rochas sobrepostas, etc., os fundos rochosos abrigam uma comunidade biológica associada igualmente rica sobretudo em peixes, moluscos e crustáceos, cnidários, poriferos e ascidias.
Devido à sua menor densidade e conseqüente flutuabilidade na água, o petróleo raramente atinge os ambientes de fundo diretamente. Com isso, em termos gerais, esses ambientes são pouco susceptíveis a derrames de óleo. Contudo, em águas rasas, os habitats de fundo podem eventualmente ser contaminados. Óleos pesados ou muito intemperizados podem também alcançar o fundo através da coluna d'água.
No caso de ambientes de fundo mole contaminados, a tendência do óleo se acumular ou se misturar com o sedimento assegura uma longa persistência do mesmo no meio. O petróleo pode persistir no sedimento por 5 a 10 anos ou mais, especialmente em locais abrigados.
Comparadas a outras comunidades marinhas, associações de animais e plantas de fundo recuperam-se rapidamente de distúrbios desde que o agente estressante tenha desaparecido do ambiente, uma vez que o repovoamento pode ocorrer por várias vias: distribuição passiva dos adultos ou jovens associados a sedimentos trazidos de outras áreas; através de larvas presentes na coluna d'água trazidas também de outras localidades e por migração ativa de adultos de áreas adjacentes. É importante ressaltar que a habilidade de um ambiente em se recuperar de uma situação de impacto, não requer somente um repovoamento eficiente.
Fonte: www.cetesb.sp.gov.br