As conseqüências da Desertificação podem ser divididas em 4 grandes grupos, como mencionado a seguir:
Atribui-se a criação do termo "Desertificação" a Aubreville (Aubreville, A. 1949. Climats, forets et desertification de l'Afrique tropicale. Paris: Geogr. Marit. & Col., 351 p) em fins dos anos 40 para caracterizar aquelas áreas que estavam ficando "parecidas com desertos" ou desertos que estavam se expandindo.
Posteriormente, muitos estudiosos atribuíram a Desertificação ora a processos naturais, ora a processos induzidos pelo homem. Essa polêmica, longe de ser puramente acadêmica, teve, e ainda tem, importância prática significativa, pois pode influenciar tanto na formulação de políticas como na destinação de investimentos.
Pesquisadores da Universidade de Lund-Suécia, realizaram vários estudos e se esforçaram em mostrar que o processo de degradação na região do Sahel, nas franjas do Sahara, tem raízes mais climáticas do que no mal manejo dos recursos naturais. A tese básica da Universidade de Lund é a de que o Sahara obedece a um processo cíclico de expansão e contração natural, derivado de processos climáticos mais amplos.
Outros pesquisadores, especialmente os da Universidade do Arizona, reafirmaram a importância dos fatores antrópicos na degradação das terras áridas, mostrando como essa degradação estaria criando a percepção de expansão dos desertos.
Ainda hoje diferentes correntes de opinião questionam a ocorrência concreta dos processos de Desertificação. Do ponto de vista prático, no entanto, essa polêmica foi resolvida quando da negociação do documento da Agenda 21 e da Convenção da Desertificação pelas Nações Unidas. Conforme acordos firmados pelos governos dos países reunidos para a discussão dos mencionados acordos, os processos de Desertificação foram atribuídos simultaneamente a atividades humanas (mal manejo dos recursos naturais) e a fatores climáticos, como as secas.
A Desertificação foi definida pelas Nações Unidas como sendo "a degradação da terra nas zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas resultantes de fatores diversos tais como as variações climáticas e as atividades humanas" sendo que, por degradação da terra se entende:
a) Degradação dos solos e recursos hídricos
b) Degradação da vegetação e
biodiversidade
c) Redução da qualidade de vida da população
afetada
Esta definição foi adotada durante a Rio 92 e incorporada à Agenda 21. Durante a realização da Rio-92, os países então reunidos em assembléia geral autorizaram a negociação de uma Convenção Internacional sobre Desertificação e Seca, que já está vigorando e o Brasil é país signatário.
O escopo de aplicação da Convenção restringe-se, portanto, às regiões semi-áridas e sub-úmidas secas do mundo. Estas regiões somam 1/3 de toda a superfície do planeta. São mais de 5 bilhões de ha (51.720.000 km2) em cerca de 100 países que podem ser afetados direta e indiretamente pela Desertificação.
Fonte: www.desertdesmat.hpg.ig.com.br

A comunidade internacional deu passos decisivos para o que hoje poderia ser chamado de globalização dos problemas ambientais, quando há quase sete anos, as atenções do mundo se voltaram para o Rio, onde acontecia a Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. Na época um assunto de crucial importância ficou em segundo plano: a desertificação.
Temas como biodiversidade e mudança global climática foram largamente discutidos, pois afetavam diretamente países desenvolvidos. As convenções da biodiversidade e a da mudança climática foram logo assinadas porque envolviam interesses de laboratórios e indústrias.
Na 2ª Cúpula Mundial sobre Desertificação realizada pela ONU em dezembro 98 em Dacar no Senegal, os delegados dos cerca de 150 países representados, dando continuidade aos debates de outubro de 97, em Roma, consideraram também que a desertificação é uma ameaça à biodiversidade e está associada à mudança climática. O fenômeno se caracteriza pela perda da produtividade do solo em regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, devido principalmente ao mau uso, associado à ocupação humana.
Atinge especialmente a Ásia e África e está claramente ligado à sobrevivência humana, por causar a fome que mata e ameaça a vida de milhares de pessoas em lugares onde a terra racha e nada cresce.
Este ano as atenções estarão voltadas para o Brasil e desta vez a desertificação também será o centro das discussões, na terceira conferência sobre o tema, que se realizará em novembro em Recife, PE. Um dos principais assuntos a serem debatidos é a sinergia que deve haver entre as convenções de meio ambiente. Ou seja, as convenções de biodiversidade e de mudança global climática devem estar intrinsecamente ligadas à convenção de desertificação. O fator humano também estará em discussão.
A desertificação tem desencadeado importantes fluxos migratórios do campo para as cidades. A conferência tentará estabelecer metas de contenção do processo, propondo formas de conservar os bosques em áreas rurais e diminuir o consumo de água nas urbanas. Com base em planos de ação que nações africanas apresentarão, países desenvolvidos avaliarão também a criação de um fundo para projetos. Além disso, até novembro os EUA terão assinado a convenção de desertificação, o que pode aumentar consideravelmente a ajuda financeira.
A ONU calcula que sejam necessários de US$ 10 bilhões a 22,4 bilhões por ano para conter a desertificação em 20 anos. Nenhum dos delegados presentes em Dacar no Senegal, foi contra a afirmação de que a convenção da desertificação só adotada em 94, é a prima pobre do programa da ONU. Os recursos até agora obtidos não passam de US$ 200 milhões por ano.
A cada minuto, 12 hectares de terra viram deserto no mundo...
O desmatamento desenfreado e as práticas erradas de uso do solo fazem com que a cada minuto, 12 hectares de terra virem deserto no mundo. O fenômeno da desertificação já afeta quase um terço da superfície do planeta Terra. Segundo estudos feitos pela ONU, há mais de 10 milhões de refugiados ambientais, ou seja, pessoas que foram obrigadas a migrar para outros países devido à seca e à perda da fertilidade do solo. A África é o continente mais afetado, notadamente na região subsaariana, mas o problema é também particularmente grave na América Latina. No Brasil, grandes áreas estão se transformando em desertos, principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul. Especialistas que estudaram o assunto chegaram a conclusões pessimistas. Serão necessários 40 bilhões de dólares por ano para aplicar em obras que possam conter a desertificação em todo o mundo. O dobro da previsão da ONU.
Cerca de 70 países são afetados pela perda acelerada da fertilidade dos solos. Se a erosão do solo e a desertificação continuarem nos níveis atuais, 75 milhões de hectares de terras agricultáveis serão retirados da cadeia de produção até o ano 2000. A América do Norte, com 74% de terras áridas ou semi-áridas, e a África, com 73%, são as regiões onde a situação é mais preocupante. Mas, a médio prazo, processos de desertificação ameaçam áreas onde isso pareceria impensável há algumas décadas. A intensidade das secas registradas recentemente na Espanha e no Sul da Itália causa temores. Na Ásia, com sua alta densidade populacional, se calcula em quase 1,5 milhão o número de hectares em que já não se pode cultivar, devido à desertificação.
O fenômeno climático El Niño, que, inicialmente, causa fortes inundações e em seguida grandes períodos de seca, agrava o problema, cuja seriedade a ONU compara com a ameaça do aquecimento global. De acordo com alguns especialistas, porém, a relação entre desertificação e mudanças climáticas pode ser ainda mais complexa. Alguns acreditam que a desertificação está alterando o clima, muito mais do que sendo afetada por ele.
Os especialistas salientam também que nas áreas suscetíveis à desertificação e à seca em todo o mundo, vivem hoje cerca de 900 milhões de pessoas e, destas, cerca de 200 milhões já estão em zonas diretamente afetadas por este processo. Grande parte dessas áreas coincidem do ponto de vista sócio-econômico com os maiores bolsões de pobreza nos países do Terceiro Mundo, fazendo parte da baixa produtividade agrícola e da má qualidade de vida resultantes, um quadro dramático. Esse processo vem colocando fora de produção anualmente cerca de seis milhões de hectares (60 mil km2), devido ao pastoreio incorreto, salinização dos solos por irrigação e processo indevidos de uso intensivo e manejo inadequado da água disponível.
No Brasil, a região mais afetada é o Nordeste...
No Brasil, o fenômeno atinge 180 mil quilômetros quadrados de terras, a maior parte no Nordeste. O governo brasileiro tem um plano de combate à desertificação que até o momento está somente no papel. Há quatro projetos-piloto à espera de recursos, em quatro áreas críticas, além de benefícios indiretos de projetos para instalação de poços e dessalinização de águas.
Em alguns estados do Nordeste, o modelo de produção baseado em intenso desmatamento, provocou mudanças climáticas que evoluíram para um tipo de desertificação somente visto no continente africano.
De acordo com a ORSTOM - instituição francesa de pesquisa -, embora haja uma situação de alto risco à economia daqueles estados, a degradação ambiental não é irreversível, pois as áreas afetadas necessariamente não se transformarão em áridos desertos de areia.
Mas existem grandes áreas dentro de cada estado que se não se tranformarem em deserto, perderão ainda mais sua fertilidade e com isso sua capacidade produtiva ficará seriamente ameaçada. São eles: Paraíba, 63%; Ceará, 52%; Rio Grande do Norte, 36% e Pernambuco, 25%. Também estão ameaçadas pela desertificação diversas áreas do estado da Bahia, especialmente aquelas localizadas no sertão e no semi-árido baianos.
É preciso saber manejar e defender o solo...
Os ecologistas protestam contra a poluição do ar, dos rios e dos mares, defendem a flora e a fauna, mas raramente se preocupam com um tema da maior importância, a defesa do solo. É nele que as raízes se fixam para que os vegetais possam crescer, à custa da água e dos nutrientes disponíveis. Existe uma dependência recíproca. Sem vegetação para protegê-lo, o solo sofre o impacto direto das chuvas, cujas águas correm pela sua superfície causando a erosão. Arrastam a matéria orgânica essencial para o desenvolvimento das plantas e provocam sulcos que se aprofundam e algumas vezes acabam se transformando em grandes voçorocas.
Os solos perdidos com a erosão desembocam nas nascentes de água, como rios, lagos, etc, causando efeitos internos e externos à unidade agrícola de produção. Os internos são a baixa fertilidade do solo e uso cada vez maior de corretivos. Os danos externos são o assoreamento das nascentes, alagamentos, dificuldade do tratamento de água, redução na capacidade de armazenamento de água nos reservatórios e contaminação dos rios, prejudicando a produção de peixes.
As conseqüências diretas e indiretas da erosão acarretam prejuízos muitas vezes irreversíveis que expressam as perdas de solo e água, quando o homem passou a explorar intensivamente os solos. Por exemplo, quando eliminou a mata começou a produzir de maneira intensiva culturas comerciais que oferecem pouca proteção aos solos, sem a preocupação do manejo racional e de medidas adicionais de preservação da integridade química, física e biológica do solo.
As características do solo para se adotar um tipo de cultura não são consideradas. A maioria dos agricultores adota apenas as curvas de nível para evitar a erosão do solo. Porém, o manejo de sistemas de preparo da terra - o tipo de máquina agrícola - e de cultivo, também são fundamentais para sua conservação. Além disso, técnicas como a rotação de culturas, o plantio direto na palha e o plantio em faixas são outras opções menos prejudiciais ao solo.

De acordo com especialistas, a erosão é um fenômeno geológico natural e planetário, sem a qual dificilmente a vida teria se instalado na Terra. Em sentido amplo, a erosão é a desnudação dos solos e seu transporte. Esse fenômeno rebaixa superfícies, libera elementos e possibilita o surgimentos de organismos.
O problema da erosão conduzido para a desertificação se torna sério e preocupante quando temos a erosão acelerada provocada por ações antrópicas, ou seja, de fora do ambiente, as feitas pelo homem, como o uso incorreto do solo, sem precaução, que resulta em áreas degradadas por excessivo cultivo, contrariando assim as recomendações das boas técnicas agronômicas.
O homem precisa plantar e colher em escala crescente, para produzir alimentos que atendam às necessidades de uma população que cresce desordenadamente. Seremos 6 bilhões de seres humanos no mundo já no final deste século. As demandas de cereais e carne aumentam constantemente, exigindo o cultivo de extensas lavouras e a manutenção de grandes pastagens, com índices elevados de produtividade. No entanto, para que isso seja possível, é preciso que os agricultores e pecuaristas adotem práticas adequadas de manejo e uso dos solos, de modo a evitar a erosão e a perda da fertilidade.
O uso correto dos solos é um dos principais itens dos currículos adotados nas escolas de agronomia. É importante, portanto, que todos que se dedicam e prescindem do uso da terra para sobreviver, que ao plantar lavouras ou formar pastagens peçam orientação a engenheiros agrônomos, que podem ser contratados, quando os custos de produção permitirem , ou ser consultados nas Casas de Agricultura mantidas pelo poder público. O uso correto dos equipamentos agrícolas, principalmente dos arados, é mais uma exigência que caberia aos ecologistas fazerem. Os responsáveis pelo uso desses equipamentos devem ser profissionais bem treinados em escolas de mecanização agrícola que o governo mantém em várias cidades. Os solos desprovidos de vegetação ficam muito vulneráveis às práticas inadequadas, como por exemplo a aração feita em sentido perpendicular às curvas de nível do terreno. Esse procedimento danoso aos solos oferece à água das chuvas a oportunidade de correr declives abaixo, avolumando-se, rasgando os sulcos feitos pelo arado, transformando-os em valas que comprometem irremediavelmente os solos.
Apesar disso a agricultura brasileira atingiu notável nível de desenvolvimento, fazendo com que o país esteja entre os três maiores exportadores mundiais de frango, café, soja, suco de laranja, além de outros produtos. Mas a sociedade e seus dirigentes ainda não se perguntaram o quanto e o que precisam produzir para garantir o suprimento de alimentos, tendo em vista os crescentes desafios da degradação ambiental e a necessidade de retirar grande parte da população da miséria e da fome.
Fonte: www.comciencia.br
Desertificação é o fenômeno que corresponde à transformação de uma área em um deserto.
O termo desertificação tem sido muito utilizado para a perda da capacidade produtiva dos ecossistemas causada pela atividade antrópica. Devido às condições ambientais, as atividades econômicas desenvolvidas em uma região extrapolam a capacidade de suporte e de sustentabilidade. O processo é pouco perceptível pelas populacões locais. Há também erosão genética da fauna e flora, extinção de espécies e proliferação eventual de espécies exóticas.
Origina-se, no caso de desertos arenosos, a partir do empobrecimento do solo e conseqüente morte da vegetação, sendo substituída por terreno arenoso. No caso dos desertos polares, a causa evidente é a temperatura extremamente baixa daquelas regiões. Conforme a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a desertificação foi definida como sendo a degradação da terra nas zonas áridas, semi-áridas e sub-húmidas secas resultantes de factores diversos tais como as variações climáticas e as actividades humanas.
17 de Junho é o Dia Mundial de Combate à Desertificação - Adotado pela ONU.

Navio encalhado no Mar de Aral
Fonte: pt.wikipedia.org