Desde 1943 era treinado o Esquadrão 509 para a missão derradeira. Um dos melhores pilotos de bombardeiro foi escolhido para comandar o B-29 até Hiroshima, Paul Tibbets Jr. O avião foi escolhido por ele mesmo na fábrica da Boeing em Seattle. O alvo seria Kyoto, ex-capital e centro religioso, mas Henry Stimson, secretário da Guerra norte-americano, preteriu-o por Hiroshima. "Resultado preciso, efeitos visuais superiores aos do teste de TR (Trinity), e missão bem sucedida em todos os aspectos. O aparelho manteve condições normais depois do lançamento", disse ele depois de lançar a bomba que detonou a 576 m de altura do Hospital Cirúrgico Shima. Naquele dia, 6 de agosto, o Enola Gay, nome da mãe do piloto que batizava o avião, voou 2.735 km, desde a pequena ilha Tinian até Hiroshima.

Às 02:45 o avião decolou. Logo depois levantaram vôo outros dois B-29 que tinham a missão de medir e fotografar a missão.
Às 05:45 os aviões se encontram sobre Iwo Jima, e seguiram para Hiroshima, cidade em que entrariam pelo nordeste.

Às 08:15:17, o Enola Gay lançou a bomba sobre a cidade.
Às 08:16 a bomba foi detonada a 500 m de altitude.

Primeiro, um clarão brilhante, depois um cogumelo de devastação de 9.000 m de altura. Era o "pikadon", o raio-trovão. Ventos de 644 a 965 km/h e poeira são sugados para cima criando uma nuvem em forma de cogumelo, espalhando material radioativo.

Em Hiroshima morreram na hora 70 mil habitantes. Outros 70 mil morreram nas semanas seguintes de radiação e queimaduras. Cerca de 92% dos edifícios e casas foram destruídos, num raio de 3,2 km e 221.893 mortos (total das vítimas da bomba reconhecidas oficialmente). "Hiroshima não se parece com uma cidade bombardeada. Parece como se um rolo-compressor-monstro tivesse passado sobre ela e a esmigalhado por completo." Little Boy, primeiro chamada de Thin Man, em alusão a Franklin Roosevelt e depois chamada de Little Boy quando a carcaça foi diminuída tinha 3,2 m, 74 cm de diâmetro, 4,3 t e potência equivalente a 12,5 t de TNT, provido de uma bala de 2,26 kg de U-235 disparada num alvo de 7,71 kg de U-235. Quando as duas peças se encontram ocorre uma reação em cadeia. Fat Man, alusão a Winston Churchill, de 3,25 m e 1,52 m de diâmetro, 4,5 t e potência equivalente a 22 mil t de TNT, consistindo de dois hemisférios de plutônio, unidos por explosivos convencionais, destinava-se originalmente a cidade de Kokura, mas o piloto do avião encontrou artilharia anti-aérea e neblina naquela área e seguiu para o alvo secundário, que era Nagasaki, no vale Urakami. A bomba foi detonada às 12:01 de 9 de agosto a 503 m acima da cidade.

Nagasaki em menos de 1 s teve a população reduzida de 433.000 para 383.000 pessoas, 39.000 morreram e mais de 25.000 sofreram os efeitos secundários da bomba lançada pelo avião Bock's Car. Uma serra que atravessa o centro desta cidade montanhosa protegeu a outra metade. "Centenas de pessoas ficaram estiradas nas ruas, nos campos, nos destroços, e gritavam pedindo água. Criaturas que dificilmente se assemelhavam a seres humanos perambulavam tontas, com a pele pendurada em grandes retalhos, com troncos enegrecidos." Físicos nucleares afirmam que estas bombas usaram apenas um décimo de 1% de seu potencial. Os sobreviventes da radiação térmica e nuclear ficaram conhecidos como "hibakusha" (expostos à bomba). Os estragos materiais foram menores que em Hiroshima, mas as vítimas em número bem maior. Doze horas depois era visível uma pira de fogo em Nagasaki a mais de 320 km de distância.

A ação americana foi criticada por alguns, que nela viram uma demonstração desnecessária de crueldade contra a população civil japonesa. O governo dos Estados Unidos justificou-se, alegando que essa era a forma mais rápida de encerrar, de uma vez por todas, a Segunda Guerra Mundial. Se a garantia de sobrevivência do Imperador e sua dinastia tivessem sido dadas antes, os japoneses teriam aceitado a rendição e evitado a destruição.
A maioria dos homens que trabalharam neste projeto estavam empolgados por suas dificuldades técnicas e o desafio de vencê-las e não se deram conta das consequências de suas ações. O teste em Trinity e as notícias sobre Hiroshima e Nagasaki eram suficientemente graves para qualquer um poder dormir em paz e pensar que poderia surgir dali um futuro brilhante para a Humanidade. O ataque acontecia 41 dias após a criação da ONU que deveria promover o desarmamento.

De acordo com uma pesquisa publicada pelo Ministério da Saúde e do Bem-Estar do Japão, a partir de 1988, 295.956 mortes têm sido atribuíveis às bombas. Destas, 25.375 pessoas em Hiroshima e 13.298 em Nagasaqui morreram, alegadamente, no dia do bombardeio; as demais morreram desde então, muitas alguns dias após o bombardeio, em decorrência das doenças causadas pela radiação.
Fonte: www.energiatomica.hpg.ig.com.br