
O termo " Mangue " origina-se do vocábulo Malaio, "Manggimanggi" e do inglês mangrove, servindo para descrever as espécies vegetais que vivem no manguezal, ou seja, a árvore.
O termo "Manguezal" é utilizado para descrever uma variedade de comunidades costeiras tropicais dominadas por espécies vegetais, arbóreas ou arbustivas que conseguem crescer em solos com alto teor de sal, ou seja, um terreno cheio de mangue (o ecossistema).
São regiões próximas ao mar, que recebem tanto água salgada, pela ação das marés, como água doce dos rios que ali desembocam. É um ecossistema costeiro, de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, característicos de regiões costeiras tropicais e subtropicais estabelecendo-se nas zonas entre marés e sujeito ao regime das marés. Faixa de transição entre a terra e o mar, quase sempre, abrigados por rios e estuários. É constituído por uma vegetação lenhosa e arbórea, que coloniza solos lodosos, adaptados às condições específicas deste ambiente. No solo do lodo salgado e pouco arejado é rico em matéria orgânica e com baixo teor de oxigênio, desenvolvem-se plantas com adaptações muito especiais. Algumas árvores, pôr exemplo, têm raízes que permitem a fixação nesse tipo de solo ou que se protejam para fora da água, absorvendo assim o oxigênio do ar.
Apresentam uma grande variedade de espécies de microorganismos, macro-algas, crustáceos e moluscos, adaptados ás constantes variações de salinidades e fluxo das marés. É o local favorável, à proteção, alimentação, reprodução e desova de muitos animais. No que diz respeito à energia e à matéria, são sistemas abertos, recebendo, em geral, um importante fluxo de água doce, sedimentos e nutrientes do ambiente terrestre e exportando água e matéria orgânica para o mar ou águas estuarinas. É um importante transformador de nutrientes em matérias orgânicas e gerador de bens de serviços.
Os manguezais são ecossistemas que devem ser preservados, pois além de contribuir para a produtividade das regiões costeiras, permitem a reprodução e a criação de espécies comercialmente importantes, como peixes, camarões e ostras.
Pesquisas indicam que as várias espécies de árvores de mangue originaram-se nas regiões do Indo-Pacífico, uma vez que nestas regiões há uma maior diversidade de espécies. Teorias sugerem que a sua migração para outras regiões do mundo, inclusive para a costa do Brasil, ocorreu há alguns milhares de anos atrás, através do transporte de propágulos de mangue (sementes germinadas) pelas correntes marítimas, quando os continentes encontravam-se mais próximos uns dos outros.
O Manguezal é composto por plantas lenhosas, mas também existem espécies herbáceas epífitas e aquáticas. A maioria das angiospermas, típicas do manguezal apresentam reprodução por viviparidade (as sementes permanecem na árvore mãe até se transformarem em embriões), conhecidas como propágulos.
Existem cerca de cinqüenta espécies de árvores de mangue. Na região do Indo-Pacífico, concentra-se a grande maioria. Nas Américas e costa brasileira, são encontradas sete espécies pertencentes a quatro gêneros: Rhizophora, Avicennia, Lagunculária e Conocarpus.
Rhizophora mangle (Mangue-Vermelho) É a espécie mais conhecida ao longo do Litoral Brasileiro, por apresentar características exóticas bem aparentes. É uma árvore de casca lisa e clara, que ao ser raspada mostra cor vermelha. Suas raízes escoras são visíveis a longas distâncias e crescem rapidamente para atingir o solo lamoso e dar estabilidade à planta. O sistema radicular é formado por raízes chamadas rizóforos e possui membranas permeáveis que filtram a água, não permitindo a passagem do sal para o interior da planta. É uma espécie tolerante ao alagamento por longos períodos. A sua estrutura reprodutiva (vivíparo) se dá através de propágulos que ao amadurecer se desprendem da árvore mãe e caem como lanças, apontadas para baixo, vindo a enterrar-se na lama na baixa mar. Sua casca é bastante rica em tanino, substância de cor vermelha e impermeabilizante.
No início da colonização do Brasil foi muito explorada pelos curtumes para tingir couro e hoje tem sua exploração restrita e regulamentada, apesar da grande utilização pelas ceramistas artesãos do Espírito Santo, para tingimento e impermeabilização das panelas de barro e utensílios domésticos. Na Malásia, está sendo utilizada para a produção de álcool, repelentes naturais e remédios. Na Flórida e Equador, é utilizada para a proteção de hidrovias e projetos de desenvolvimento e urbanização litorâneas.
Lagunculária racemosa (Mangue-Branco, mangue verdadeiro) É uma árvore pequena cujas folhas têm pecíolo vermelho com duas glândulas em sua parte superior, junto à lâmina da folha. Apresenta pneumatóforos menores do que os da Avicennia em média 10 cm de altura. Sua reprodução a exemplo dos outros gêneros, se dá através de propágulos e sementes. Seu poder germinativo pode durar aproximadamente 30 dias. É a espécie mais utilizada pelo caranguejo-uçá, para o cultivo de fungos e microorganismos, depois do apodrecimento das folhas no interior das tocas .
Avicennia schaueriana (Conhecida também como Siriba, siriúba ou mangue preto) É uma árvore de casca lisa castanho-claro, que quando raspada mostra cor amarelada e apresenta folhas esbranquiçadas por baixo devido a presença de pequenas escamas. Localiza-se geralmente na parte protegida do manguezal, próxima a interface entre a água e a terra. Esse gênero é mais tolerante ás altas salinidades, elimina o sal do interior da planta através de estômatos localizados na superfície das folhas. O sistema radicular desenvolve-se horizontalmente, a poucos centímetros da superfície da lama e dessas raízes axiais saem ramificações que crescem eretas (aéreas), conhecidas como pneumatóforos, com a função de fazer a troca gasosa entre a planta e o meio ambiente. De reprodução vivípara através de sementes, que podem manter o seu potencial germinativo por até 100 dias, flutuando na água até encontrar local apropriado para o seu desenvolvimento.
Avicennia germinas (Mangue Preto) São manguezais que desenvolvem-se melhor em ambientes de baixa salinidade. Possuem folhas com forma lanceolada e brilho bastante intenso.
Conocarpus erectus (Mangue-de-Botão, Bolota) É uma árvore cuja as folhas apresentam pecíolos ligeiramente alagados além das duas glândulas, semelhantes às da Lagunculária. Esta planta não apresenta grande tolerância a salinidade típica dos manguezais. Gênero menos comum e geralmente ocorre em local pedregoso ou com a presença de areia de praia e a maré ocorre ocasionalmente. São poucas as ocorrências dessa espécie no litoral brasileiro.
Nas faixas de transição entre o manguezal e o sistema de terra firme, ou em manguezais alterados, podem ocorrer outras espécies vegetais, tais como :
O algodoeiro da praia ou embirra do mangue gênero Hybiscus, é um arbustos ramificado, com folhas em forma de coração, flores grandes e vistosas de cor amarelada. É uma planta muito usada na arborização de ruas nas cidades litorâneas. O algodoeiro de praia ocorre nos limites interiores do manguezal, em substratos mais firme e sob menor influência da água do mar.
A Samambaia do mangue ou avenca, gênero Acrostichum, é uma
terrestre cujas frondes (ou folhas) podem chegar a 2 m de comprimento.
Quando a maré está baixa pode-se ver o praturá, gramínea
do gênero Spartina, muito comum associada aos manguezais; assim como
algumas ciperáceas (Scirpus, Eleocharis, Grenea). Geralmente forma
uma franja frontal, entre o rio e o manguezal propriamente dito.
Crescendo sobre a vegetação a cima citada podemos encontrar diversas epífitas, erroneamente denominadas parasitas pela população. São as diferentes espécies de liquens, musgos, samambaia, gravatás, filodentros, orquídeas e cactos, como também as algas que ocorrem na parte inferior dos troncos e nas raízes do mangue. Sobre troncos e ramos das árvores observa-se, com certa freqüência, uma semi parasita, a erva-de-passarinho, gêneros Struthanths e Phoradendro, cujo os frutos são apreciados pelos pássaros.
Não podemos nos esquecer das bactérias e dos fungos como componentes importantes do manguezal onde exercem destacado papel, atuando como agente decompositores da matéria orgânica produzida por todo esse conjunto de produtores primário-vegetais
Fonte: www.manguezais.vilabol.uol.com.br
O termo manguezal é utilizado para descrever uma variedade de comunidades costeiras tropicais dominadas por espécies vegetais, arbóreas ou arbustivas que conseguem crescer em solos com alto teor de sal.
O termo "mangue" origina-se do vocábulo Malaio, "manggimanggi" e do inglês mangrove, servindo para descrever as espécies vegetais que vivem no manguezal.
Os manguezais são ecossistemas de grande importância no equilíbrio ecológico, sendo um berçário favorável para o desenvolvimento de muitas espécies de animais e plantas. É muito valioso o estudo do manguezal, principalmente para a preservação deste meio. O primeiro contato com um ecossistema de manguezal pode deixar muitas pessoas desapontadas, porém, com o conhecimento desse local tão cheio de vida pode-se ter uma visão completamente diferente. Só quem vivencia diariamente das riquezas de um manguezal sabe o quanto é importante a sua preservação.
Vários produtos podem ser obtidos dos manguezais como remédios, álcool, adoçantes, óleos, tanino, etc... Sua área pode ser utilizada para turismo ecológico, educação ambiental, apicultura, piscicultura e criação de outras espécies marinhas, além de sua principal função que é o de ser berçário de várias espécies vegetais e animais.
As áreas dos manguezais são, portanto, de extrema importância para as populações, uma vez que delas provém boa parte das proteínas (mariscos e peixes), tão essenciais para a subsistência. Curandeiras empregam diferentes produtos vegetais fazendo uso de suas propriedades bactericidas e adstringentes na cura de várias moléstias comuns ao ambiente. O tanino, produto obtido da casca das árvores, serve para proteger as redes e as velas das embarcações.
Como se pode notar o manguezal tem muito a oferecer porém, o seu potencial deve ser utilizado de maneira racional, de forma sustentada, atendendo às suas necessidades de recomposição como período de desovas, perfloração das espécies vegetais, entre outras...
Em todo litoral brasileiro, a pesca do camarão é uma das importantes atividades econômicas, tanto no campo da pesca artesanal como no da industrial. Além dos camarões, outros invertebrados são explorados comercialmente como Iphigenia brasiliensis, Lucina pectinata, Anomalocardia brasiliana, Mytella falcata, Crassostrea brasiliana, Tagelus plebeius, Ucides cordatus, Cardisoma guanhumi e Callinectes danae, todos oriundos dos manguezais.
Embora seja um ecossistema tropical, também pode ocorrer em climas temperados, sendo normalmente substituído por outros ecossistemas mais adequados às altas latitudes, como as marismas. Quanto a temperatura e a precipitação pluvial, as condições ideais para desenvolvimento dos manguezais estão próximas às seguintes:
Temperaturas médias acima de 20o C;
Média das temperaturas mínimas não inferior a 15o C;
Amplitude térmica anual menor que 5o C;*
Precipitação pluvial acima de 1.500 mm/ano, sem prolongados
períodos de seca.
* Este item ainda esta sobre estudo, pois há manguezais bem representativos
com maiores amplitudes térmicas.
A salinidade intersticial é um parâmetro de grande importância uma vez que pode interferir no desenvolvimento de plantas, altura das árvores e diminuição das folhas. As espécies vegetais dos manguezais são plantas halófitas, próprias de ambientes salinos. Embora essas plantas possam se desenvolver em ambientes livres da presença do sal, em tais condições não ocorre formação de bosques, pois perdem espaço na competição com plantas de crescimento rápido, melhor adaptadas à presença de água doce.
As espécies constituintes dos manguezais correspondem a um número limitado de famílias (umas 13) que compreendem de 18 a 20 gêneros. Cada gênero pode estar representado por uma ou por várias espécies e neste último caso as espécies diferem morfologicamente pouco entre sí, isto indica que o fator ecológico é uma força tão considerável, que conseguiu imprimir a espécies de diversas origens taxonômicas, uma morfologia especial e bastante homogênea que as distingue das demais. Por outro lado o extremismo das condições ecológicas e sua homogeneidade através da imensa área tropical e a especialização pouco desenvolvida.
As espécies variam latitudinalmente, em decorrência do clima e índices pluviométricos.
Fonte: www.geocities.com