Os manguezais são ecossistemas costeiros das regiões de clima quente do planeta. Estão localizados na faixa entre a maré alta e a maré baixa, junto à foz dos rios, no interior de baías, estuários e outros locais protegidos da ação das ondas do mar, onde a água doce e a água salgada se misturam em diferentes proporções.
Os manguezais no Brasil se estendem desde o Oiapoque, no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina. Mais ao sul as temperaturas são muito baixas para o desenvolvimento das espécies do manguezal.
A faixa sul-sudeste da costa do Brasil apresenta manguezais exclusivamente em baías, estuários e áreas protegidas da grande energia do mar. É o caso do complexo estuarino da região de Iguape e Cananéia, no litoral sul do estado de São Paulo.
"Na região de Cananéia, temos três espécies de árvores de mangue. Uma delas é conhecida como mangue vermelho, Rhizophora mangle. A característica principal dela, e mais marcante, é a presença das raízes escora ou risóforos, que são adaptações a um sedimento pouco consolidado. Chama-se mangue vermelho porque, se rasparmos seu tronco, poderemos observar que por dentro ele é vermelho. A casca do mangue vermelho é utilizada para extração de tanino.
Outra espécie comum aqui na região é o mangue siriúba, ou mangue preto, que é a Avicennia schaueriana. A característica marcante dessa espécie - e que a difere do mangue vermelho - é a presença de pneumatóforos, que são as raízes respiratórias. O mangue preto tem um sistema de raízes que chamamos de raízes radiais, também uma adaptação a esse sedimento pouco consolidado. Quando a maré sobe, essa raiz começa a fazer as trocas gasosas.

A terceira espécie de árvore de mangue que ocorre na região de Cananéia é o mangue branco, a Laguncularia racemosa. Uma característica dessa espécie é a presença de um pecíolo vermelho, que é o cabo da folha. Essa espécie também tem um sistema radicular radial, adaptado ao sedimento pouco consolidado, só que difere um pouco pelo tamanho um pouco menor do pneumatóforo.

Essas espécies são predominantes também ao longo de toda a costa brasileira.
A principal diferença entre os manguezais brasileiros está em suas dimensões. Nas regiões norte e nordeste, onde a variação dos limites entre as marés é maior, o manguezal apresenta bosques com até 30 metros de altura. A ilha do Caju, no delta do Parnaíba, é uma área praticamente livre da ação humana. Apesar disso, os pesquisadores já detectam os sinais da falta de cuidado com as margens dos rios e com a ocupação das franjas dos manguezais.
"Isso aqui é mais um banco de areia em formação dentro do estuário. Perto daqui, temos um já formado. Esse sistema é danificado por causa da deposição de material silicoso. Essa deposição vem do assoreamento que se verifica ao longo do rio (rio Parnaíba, que acompanha a divisa entre Maranhão e Piauí), da derrubada de vegetação e conseqüente carreação desse material para o estuário. Com essa deposição, deixa de haver a presença das bactérias que deveriam fazer a decomposição de matéria orgânica para formar novas proteínas. "
E o material orgânico daqui - as folhas do manguezal e o próprio resíduo urbano, industrial e doméstico das cidades - é todo carreado para o mar. Esse tipo de delta de mar aberto (delta do rio Parnaíba) tem esse problema: por ser de mar aberto, o delta não tem pequenos igarapés, que favoreceriam o processo de transformação dessa matéria orgânica em nitrogênio e enxofre para as novas proteínas. O material orgânico é diretamente perdido para o mar. A falta de proteínas ocasiona a perda de biomassa e todas as populações são diminuídas. Isso quer dizer o seguinte: o hábitat natural de uma conchinha, por exemplo, é em sedimento lodoso. Nos locais em que já houve deposição de material silicoso, observa-se uma grande quantidade de valvas abertas, mortas. A população delas seria muito maior, não fosse a deposição irregular do material silicoso carreado pelo rio".
Ainda em função do trabalho de preservação da ilha do Caju, é possível encontrar uma fauna rica e bem desenvolvida, como os belos caranguejos-uçá. A produção dos manguezais do delta do Parnaíba ainda é muito grande: os catadores da região fornecem caranguejos para todo o norte e nordeste, com algumas sobras para exportação. Mas a maior parte da produção de carne de caranguejos na região é processada ainda em regime familiar, gerando uma renda insuficiente.

Manguezal em Recife (PE): ação predatória
Foi a exploração predatória do manguezal, associada à destruição do hábitat, que praticamente esgotou a produção de caranguejos na região de Recife, em Pernambuco. A captura é feita, muitas vezes, com redes de plástico que emaranham os animais e matam indiferentemente filhotes machos e fêmeas. O resultado é o empobrecimento da energia produtiva do ecossistema e da população que vive em torno do manguezal.

A lama escura do manguezal é banhada pelas águas salobras do estuário. Quando a maré recua, os caranguejos saem da toca. Eles realizam um importante trabalho de movimentação constante do sedimento do manguezal, construindo galerias e trazendo para a superfície parte dos sedimentos, rica em nutrientes, que vai ser transportada pelas águas do estuário na próxima maré.
Se a captura de caranguejos for muito superior à capacidade de reprodução das espécies, o manguezal perderá um elo muito importante da sua cadeia alimentar. É verdade que os caranguejos se reproduzem em boa quantidade, mas é importante encontrar um ponto de equilíbrio, uma forma sustentável de explorar esse recurso do ecossistema.
Fonte: www.tvcultura.com.br

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