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Espécie para Manejo

Palmito (Euterpe edulis Martius) - Ocorre na Floresta Ombrófila Densa e nas Florestas Estacionais, do Rio Grande do Sul até o Sul da Bahia. É uma espécie chave para a conservação e recuperação da Mata Atlântica, por apresentar grande densidade de indivíduos, atingindo populações com cerca de 750 plantas maiores do que 1,3 metros de altura, podendo atingir cerca de 10.000 indivíduos por hectare, incluindo as plântulas.

Devido a produção de frutos durante 6 meses no ano e estes serem muito procurados pela fauna, o enriquecimento de áreas com esta espécie representa uma fator positivo para o aumento da biodiversidade das florestas secundárias, uma vez que o palmito atrairá muitos animais para a comunidade florestal, aumentando as probabilidades de chegada de sementes de outras espécies florestais de estádios mais avançados, contribuindo para um maior potencial econômico da área (REIS 1995).

Por ser uma espécie de ciclo florestal considerado curto, cuja colheita pode começar 8 anos após o plantio, associada a um bom rendimento econômico, tem grande potencial para enriquecer as florestas secundárias, que em geral apresentam baixa produtividade de produtos de interesse econômico e normalmente são consideradas de pouco valor pelos proprietários.

Por ser uma planta esciófila exige a existência de um dossel arbóreo contínuo, com sombra, alta umidade relativa do ar e do solo, para que suas sementes possam germinar e crescer.

O enriquecimento de florestas secundárias pode ser feito através da semeadura de sementes ou através do plantio de mudas produzidas em viveiros. O processo mais barato e mais eficiente no sentido de favorecer a uma seleção edafo-climática de cada indivíduo, é o lançamento de sementes recém-coletadas, em torno de 2 kilogramas por hectare, durante, no mínimo, nos primeiros 5 anos. Isto vai contribuir para uma menor predação, e uma estimativa de sobrevivência de 30% das sementes lançadas, ou seja, a emergência de mais ou menos 750 plântulas/ha/ano. Outro método barato, é o plantio de mudas de raízes nuas, que podem atingir sobrevivência de até 60%. Neste caso, sugere-se um plantio mais denso, cerca de 3.000 plantas/ha/ano, durante os primeiros 3 anos, ou um plantio alternado, ano sim, ano não, em três plantios ( REIS, 2002).

O método de grande eficácia, porém um pouco mais caro, é o plantio de mudas produzidas em viveiros. Este método garante resultados em menor prazo e é recomendado para áreas onde já não existam mais exemplares de palmito na natureza.

Segundo Reis, 2002:

"o palmiteiro é um grande centro de alimentos para os animais da floresta o que sugere que esta espécie pode ser um tipo de gatilho capaz de mudar os rumos da dinâmica sucessional, quando a espécie está presente na comunidade florestal. Ao potencial ecológico do palmiteiro, devido aos seus complexos níveis de interação dentro das comunidades florestais, soma-se seu valor como uma das principais alternativas econômicas da Floresta Ombrófila Densa, principalmente para a subsistência das comunidades humanas tradicionais. Estas suas potencialidades, conciliando aspectos de ecologia e economia, requerem uma drástica mudança nos moldes em que esta espécie vem sendo atualmente explorada. A manutenção da estrutura populacional e dos níveis de interação é, dentro da floresta, a única forma de garantir a sustentabilidade das populações naturais desta espécie".

Fonte: www.apremavi.com.br

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