Em 1500, quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil, a Mata Atlântica cobria 15% do território brasileiro, área equivalente a 1.306.421 km2. Atualmente está reduzida a 7,84%, cerca de 102.000 km2 de sua cobertura florestal original. É, após as quase extintas florestas da ilha de Madagascar na costa da África, o segundo Bioma mais ameaçado de extinção do mundo.
Mesmo reduzida e muito fragmentada, a Mata Atlântica ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são endêmicas, ou seja, espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo. É a floresta mais rica do mundo em árvores por unidade de área, com 454 espécies/ha no sul da Bahia.
Comparada com a Floresta Amazônica a Mata Atlântica apresenta, proporcionalmente, maior diversidade biológica. Estima-se que no Bioma existam 1,6 milhão de espécies de animais, incluindo os insetos. No caso dos mamíferos, por exemplo, estão catalogadas 261 espécies no Bioma Mata Atlântica, das quais 73 são endêmicas, contra 353 espécies catalogadas na Amazônia, apesar desta ser quatro vezes maior do que a área original da primeira. Existem 620 espécies de aves, das quais 181 são endêmicas, os anfíbios somam 280 espécies, sendo 253 endêmicas, enquanto os répteis somam 200 espécies, das quais 60 são endêmicas.
Aproximadamente 120 milhões de pessoas vivem na área de domínio do Bioma Mata Atlântica. A qualidade de vida deste contingente populacional depende da preservação dos remanescentes, os quais mantêm nascentes e fontes, regulando o fluxo dos mananciais d'água que abastecem as cidades e comunidades do interior, ajudam a regular o clima, a temperatura, a umidade, as chuvas, asseguram a fertilidade do solo e protegem escarpas de serras e encostas de morros.
A crítica situação da Mata Atlântica fez com que a Conservation International incluísse o Bioma entre os cinco primeiros colocados na lista de Hotsposts, 25 biorregiões selecionadas em todo o mundo, consideradas as mais ricas em biodiversidade e ao mesmo tempo, as mais ameaçadas.
Essas 25 biorregiões foram estabelecidas por um grupo de mais de 100
especialistas a partir de um conceito criado em 1998 pelo Dr. Norman Myers
e aperfeiçoado pelo Dr. Russell A. Mittemeier em 1996. Na escolha de
um Hotspot considera-se que a biodiversidade não está uniformemente
distribuída ao redor do planeta, ou seja, 60% das plantas e animais
estão concentradas em apenas 1,4% da superfície terrestre (CONSERVATION
INTERNATIONAL, 1999).
volta início
A existência de espécies endêmicas, aquelas que são restritas a um ecossistema específico e, por conseqüência, são mais vulneráveis à extinção, é o principal critério utilizado para escolher um Hotspot. Além disso, consideram-se os biomas onde mais de 75% da vegetação original já tenha sido destruída. Alguns desses biomas possuem menos de 8% de remanescentes em relação à sua área original como é o caso do Bioma Mata Atlântica. Mesmo assim, a Mata Atlântica contribui muito para que o Brasil seja o campeão em Megadiversidade do mundo, país com maior quantidade de espécies de plantas e animais em relação a qualquer outro país.
Segundo CONSERVATION INTERNATIONAL, (1999) a Mata Atlântica tem também diversas "espécies bandeira", que simbolizam a região e podem ser utilizadas em campanhas de conscientização da sociedade para a proteção e conservação do bioma. Dentre as espécies mais conhecidas estão o mico-leão-dourado, o mico-leão-da-cara-dourada, o mico-leão-preto e o mico-leão-da-cara-preta (gênero Leontopithecus) e as duas espécies de muriquis (gênero Brachyteles), maior macaco das Américas e também o maior mamífero endêmico do Brasil. Estas espécies tem ajudado a população do Brasil e do Mundo a valorizar e a proteger a floresta. Os muriquis, sobrevivem hoje em alguns remanescentes de Mata Atlântica nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo e suas populações não passam de 2.000 animais.
É também da Mata Atlântica a árvore que deu origem ao nome do país, o pau-brasil (Caesalpinia echinata). Explorado ao extremo para uso como corante e construção de navios, o pau-brasil praticamente desapareceu das matas nativas. Estima-se que cerca de 70 milhões de exemplares tenham sido enviados para a Europa. A Mata Atlântica é ainda rica em muitas outras espécies de árvores nobres e de porte imponente e ímpar como as canelas, o cedro, o jequitibá, a imbuia e o pinheiro brasileiro.
Fonte: www.apremavi.com.br