A Floresta Atlântica é o segundo conjunto de matas especialmente expressivas na América do Sul, perdendo apenas para a Floresta Amazônica, a maior do planeta. Denominada de Floresta Pluvial Atlântica, está localizada na Serra do Mar, que faz parte do Domínio Florestal Tropical Atlântico. Este Domínio Florestal estende-se por uma faixa relativamente paralela à costa brasileira, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, e constitui-se por "mares de morros" e "chapadões florestados", com solos profundos de drenagem perene.

O clima, na região compreendida pelas florestas pluviais atlânticas, tem duas estações, definidas principalmente pelo regime de chuvas, embora seja latitudinalmente bastante variável. Enquanto no Nordeste brasileiro as temperaturas médias anuais variam em torno de 24ºC, nas regiões Sudeste e Sul as médias anuais são mais baixas e a temperatura pode ocasionalmente chegar a -6ºC.
A Serra do Mar, representada por uma cadeia de montanhas costeiras, apresenta uma série de interrupções, onde o cinturão das matas pluviais também se interrompe. A altitude média nesta cadeia de montanhas é de 800 a 900 metros, com picos emergentes com cerca de 1.400 metros e escarpas de até 2 mil metros. Nos topos das montanhas ocorrem campos de afloramentos rochosos e, excepcionalmente, acima de 1.700 metros, a floresta dá lugar a campos de altitude.
A Floresta Atlântica estende-se ao longo das montanhas e das encostas voltadas para o mar, bem como na planície costeira. Ela deve sua existência à elevada umidade atmosférica trazida pelos ventos marítimos. O vento úmido se condensa na costa, sob a forma de chuvas, ao subir para as camadas frias de maior altitude.
Além da alta pluviosidade, nos topos dos morros há condensação de água em forma de neblina. Isto ocorre até mesmo durante os meses de primavera e verão, nas horas quentes do dia.
Nem toda a costa oriental do Brasil, porém, apresenta condições climáticas idênticas e índices pluviométricos compatíveis com a existência de matas pluviais. Por esta razão, também ocorrem interrupções naturais das florestas, ao longo da Serra do Mar.
Atualmente, as florestas atlânticas brasileiras encontram-se quase completamente devastadas, restando apenas cerca de 5% de matas preservadas de sua extensão original, da época do descobrimento do Brasil. A parcela mais representativa do que restou encontra-se nas regiões Sul e Sudeste, onde o relevo de escarpas íngremes dificulta o acesso e a devastação.
A pujante Floresta Atlântica, com vegetação arbórea em torno de 30 metros e árvores que ultrapassam o dossel, atingindo 40 metros de altura, apresenta intensa vegetação arbustiva no estrato inferior. É uma floresta de grande diversidade vegetal, com muitas samambaias, inclusive as arborescentes, além de orquídeas terrestres e palmeiras, entre as quais se encontra a Euterpes edulis, com cerca de 10 metros de altura e de cujo tronco se extrai o palmito. Além dos tapetes de musgos e inúmeros fungos, a Floresta Atlântica é muito rica em lianas e epífitas, entre as quais as samambaias, orquídeas e bromélias. Estas últimas, com suas folhas dispostas em roseta, retêm sempre uma certa quantidade de água, condicionando um habitat propício ao desenvolvimento de uma fauna particular, como por exemplo a de larvas e adultos de várias espécies de artrópodes e de sapos.
De um modo geral, a fauna nesta floresta é predominantemente ombrófila, isto é, adaptada à sombra e pouco tolerante às variações de umidade, temperatura e insolação. Como conseqüência direta ou indireta da derrubada das matas, muitas espécies têm sido atingidas.
Além da fauna terrestre, a Mata Atlântica tem também uma rica fauna de peixes que habitam os pequenos riachos que permeiam as áreas florestadas. Muitos destes peixes orientam-se pela visão para localizar alimento ou parceiros reprodutivos, bem como para seus comportamentos sociais, e são incapazes de sobreviver em águas turvas ou claras, sujeitas à luminosidade intensa, quando ocorre a remoção da floresta. Além disso, a manutenção de temperaturas amenas nos riachos e no solo só é possível graças à intensa cobertura vegetal.
Além da riqueza em invertebrados, principalmente artrópodes, a Floresta Atlântica possui uma importante fauna de vertebrados. No entanto, muitas espécies ainda são desconhecidas pela ciência e correm o risco de nem serem descobertas se o processo de destruição das matas tiver prosseguimento.
Uma das principais características da fauna que vive na Floresta Atlântica, assim como em outras florestas tropicais do mundo, é o fato de ser diversificada e marcada pela presença de muitas espécies endêmicas. Várias destas espécies possuem baixas densidades populacionais, o que caracteriza um grande número de espécies raras.
A preservação das espécies endêmicas da Floresta Atlântica é extremamente preocupante, face à situação atual de devastação. Mesmo as espécies endêmicas que ainda não possuem suas populações reduzidas a um número crítico merecem atenção especial para sobreviverem. Como exemplo pode-se mencionar que há um grande número de espécies endêmicas na avifauna, que têm como centro evolutivo a Serra do Mar e que, com distribuição geográfica extremamente restrita, encontram-se em situação de vulnerabilidade. Este é o caso do pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa), nas florestas dos Estados de Pernambuco e Alagoas.
Entre os primatas brasileiros estão relacionadas cerca de 25 espécies ameaçadas de extinção e alguns deles são endêmicos da Floresta Atlântica. Esta é, por exemplo, a situação de quatro espécies de mico-leões (Leontopithecus spp) e do muriqui (Brachyteles aracnoides), o maior dos macacos neotropicais.
As áreas mais prejudicadas da Floresta Atlântica são justamente as mais importantes do ponto de vista conservacionista. São as remanescentes das matas do sul da Bahia e do Espírito Santo, que abrigam os últimos exemplares de gêneros e espécies de plantas e animais ameaçados de extinção. Na região Sudeste, onde se desenvolveram grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro em áreas outrora de Floresta Atlântica, ainda existem trechos relativamente grandes onde recentemente foram criadas áreas de proteção ambiental e transformados, inclusive, na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Nelas estão os últimos refúgios de um dos ecossistemas mais ricos do mundo.
Fonte: www.mre.gov.br,
A beleza e a diversidade da fauna e da flora, existentes na natureza de toda a superfície terrestre, são as principais riquezas do homem. Entretanto, poucos lugares na Terra abrigam tantas formas de vida como a Mata Atlântica Brasileira, uma das florestas tropicais mais ameaçadas do mundo. Para se ter uma idéia da situação de risco em que a floresta se encontra, basta saber que na época do descobrimento do Brasil ela tinha uma área equivalente a um terço da Amazônia.
Naquela época período, a Mata Atlântica cobria 1 milhão de Km2, estendendo-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Hoje essa área está reduzida e, apesar da devastação sofrida, a riqueza das espécies animais e vegetais que ainda se encontram é espantosa. Nela podemos encontrar milhares de espécies de animais, plantas e microorganismos que vivem nas encostas das montanhas, nos rios, nos mangues, nas restingas, nas ilhas, nas cavernas, nos campos de altitude e nos outros ambientes que formam os seus ecossistemas.
Muitas das espécies encontradas na floresta ainda não foram descritas pela Ciência. De forma geral, não se sabe ao certo quantas espécies diferentes de plantas e animais existem no planeta. As estimativas variam dos 10 aos 50 milhões, sendo que deste total apenas 1,5 milhão foram classificados pelos cientistas.
A nossa Mata Atlântica possui tanta riqueza de vida que foi apontada como um dos mais importantes refúgios da biodiversidade em todo o planeta e declarada pela UNESCO como Reserva da Biosfera, um verdadeiro Patrimônio da Humanidade.
A Mata Atlântica pode ser comparada a uma grande quebra-cabeça com mais de 3 mil quilômetros de extensão, em movimento permanente em todas as direções e sentidos formado por um incontável número de peças que variam de forma, cores e tamanhos que mantêm entre si complexas e ao mesmo tempo delicadas ligações que asseguram sua existência. Uma cumplicidade tão extrema, que a perda de qualquer uma das partes é uma ameaça para o conjunto.
Durante muito tempo o planeta passou por diversas transformações que deram origem aos atuais continentes. Com a Mata Atlântica a situação não foi diferente. Ela é formada por vários tipos de vegetação (Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional, Manguezais e Restinga) e está associada à separação dos continentes africano e sul americano (antigamente eles formavam um único continente chamado Gondwana), ocorrida há aproximadamente 80 milhões de anos.
Com a acomodação das terras e águas e a formação do Oceano Atlântico, a Terra sofreu um período de grande agitação geológica. Vulcões e grandes acomodações na crosta terrestre levantaram inúmeros blocos de montanhas.
Os blocos de montanhas formaram uma barreira para os ventos carregados de umidade que vinham do Oceano. Sob forma de chuva, a umidade ajudou a criar as condições necessárias para que as formações atlânticas se instalassem e evoluíssem numa velocidade alucinante. As variações climáticas e seus diversos fatores contribuíram para a sua expansão que chegou a ultrapassar os limites da Floresta Amazônica.
Espalhada pela faixa litorânea de Norte a Sul e expandindo suas fronteiras para o interior, em extensões variadas, a Floresta Atlântica ocupou regiões de diferentes relevos, clima e solo. Todo seu espaço abrange as bacias dos rios Paraná, Uruguai, Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco. Estão encaixadas assim as peças básicas sob as quais vão se ligar outras milhares na forma de novas espécies de plantas, microorganismos e animais, num processo dinâmico de crescimento e evolução que caracteriza a fantástica diversidade biológica da Mata Atlântica. Nossa Mata é um laboratório vivo do tempo.
Na diversidade da Mata Atlântica são encontradas matas de altitude, como a Serra do Mar (1.100 metros) e Itatiaia (1.500 metros) onde a neblina é constante. Paralelamente a riqueza vegetal e a fauna é o que mais impressiona a região.
A maior parte das espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção são originários da Mata Atlântica. Centenas de pesquisas procuram conhecer a biodiversidade da Mata Atlântica para melhor protegê-la. Estes estudos já revelaram que a destruição da floresta está provocando o desaparecimento de muitas espécies: das 202 espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção, 171 são originários da Mata Atlântica.
Essa riqueza natural é demonstrada por números que impressionam: 50% das espécies de árvores só são encontradas na floresta. Este fenômeno, que a Ciência dá o nome de endemismo, chega a 70% no caso de espécies como as orquídeas e bromélias. No caso da fauna, 39% dos mamíferos que vivem na floresta são endêmicos. Mais de 15 espécies de primatas habitam a floresta, a maioria endêmica.
Durante 500 anos a Mata Atlântica propiciou lucro fácil para o homem. Nesse período, o impacto da colonização, do extrativismo, da expansão das fronteiras agropecuárias e da urbanização sem controle, deixaram um rastro de destruição dramático. Segundo o levantamento mais recente feito, em 1995, pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) e pela SOS Mata Atlântica, concluiu que cerca de 10% dos remanesces foram destruídos na primeira metade de 90.
A Mata Atlântica é o ecossistema brasileiro que mais sofreu os impactos ambientais dos ciclos econômicos da história do país. A destruição não se limita às espécies de flora e fauna. O patrimônio étnico, cultural, histórico, arqueológico, arquitetônico, construídos ao longo de séculos pelas comunidades tradicionais que viviam na mata como os indígenas, os caiçaras, os quilombolas, os caboclos correm o risco de desaparecer junto com estas populações cada vez mais descaracterizadas ou expulsas de seus locais.
Para que nada disso desapareça, entram em cena outras peças como inúmeras leis destinadas a proteger o meio ambiente, como a Constituição Federal, a Constituição Estadual e o Código Florestal. E são as Unidades de Conservação, criadas através de leis municipais, estaduais e federais, um dos mais importantes instrumentos de proteção da Mata.
Grande parte da floresta está concentrada na faixa litorânea e na região do Vale do rio Ribeira de Iguape. Os principais remanescentes da Mata Atlântica estão sob proteção legal em Parques Nacionais e Estaduais, Reservas, Estações Ecológicas, Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e áreas tombadas. Em São Paulo, as Unidades de Conservação de uso indireto são administradas pela Secretaria do Meio Ambiente, através do Instituto Florestal, órgão ligado à Coordenadoria de Informação e Pesquisa Ambiental (CINP) e também pela Fundação Florestal.
Para tentar interromper o rastro de destruição e aprofundar os conhecimentos sobre a floresta e criar alternativas para o desenvolvimento sustentável, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo tem buscado parceiros no Brasil e no exterior.
É na união dessas forças e no esforço pela vida que está o Projeto de Preservação da Floresta Tropical (Mata Atlântica) no Estado de São Paulo, denominado Projeto de Preservação de Mata Atlântica (PPMA), resultado do Convênio de Cooperação Financeira Brasil-Alemanha.
Além desse, existem vários outros programas prioritários, que visam articular as ações relacionadas a eles dentro e fora do Sistema Estadual de Meio Ambiente (SISEMA). Entre eles está o Programa Estadual para a Conservação da Biodiversidade - PROBIO/SP.
O PROBIO/SP trata, na escala estadual, de um tema muito importante para o País que é a diversidade biológica. O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade, o que em muito se deve por abrigar cerca de 28% do que resta das florestas tropicais do planeta. O Estado de São Paulo, que possui o maior remanescente de Mata Atlântica do País, é o único Estado da Federação que tem uma equipe e uma linha de ação voltada para o tema biodiversidade.
Fonte: www.unisantos.br
A extensão total aproximada da Floresta Amazônica é de 5,5 milhões de km², sobrepondo-se à área da bacia hidrográfica amazônica com 7 milhões de km² (incluindo a bacia dos rios Araguaia e Tocantins). A floresta amazônica distribui-se mais ou menos da seguinte forma, dentro e fora do território nacional: 60% no Brasil, e o restante (40%) pela Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela
Estes 60% correspondentes ao Brasil constituem a chamada Amazônia Legal, abrangendo os Estados do Amazonas, Amapá, Mato Grosso, oeste do Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Além destas "divisões", a floresta amazônica ainda engloba 38% (1,9 milhões de km²) de florestas densas; 36% (1,8 milhões de km²) de florestas não densas; 14% (700 mil km²) de vegetação aberta, como cerrados e campos naturais, sendo 12% da área ocupada por vegetação secundária e atividades agrícolas.
A Amazônia possui grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta. Nela estão fixadas mais de uma centena de trilhões de toneladas de carbono. Sua massa vegetal libera algo em torno de sete trilhões de toneladas de água anualmente para a atmosfera, via evapotranspiração, e seus rios descarregam cerca de 20% de toda a água doce que é despejada nos oceanos pelos rios existentes no globo terrestre.
Além de sua reconhecida riqueza natural, a Amazônia abriga expressivo conjunto de povos indgenas e populações tradicionais que incluem seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, babaçueiras, entre outros, que lhe conferem destaque em termos de diversidade cultural. Este patrimônio socioambiental brasileiro chega ao ano de 2002 com suas características originais relativamente bem preservadas. Atualmente, na Amazônia, ainda é possível a existência de pelo menos 50 grupos de indígenas arredios e sem contato regular com o mundo exterior.
A Amazônia, como floresta tropical, apresenta-se como um ecossistema
extremamente complexo e delicado. Todos os elementos (clima, solo, fauna e
flora) estão tão estreitamente relacionados que não se
pode considerar nenhum deles como principal.
Durante muito tempo, atribuiu-se à Amazônia o papel de “pulmão
do mundo”. Hoje, sabe-se que a quantidade de oxigênio que a floresta
produz durante o dia, pelo processo da fotossíntese, é consumida
à noite. Mas, devido às alterações climáticas
que causa no planeta, a Floresta Amazônica vem sendo chamada como “o
condicionador de ar do mundo”.
A importância da Amazônia para a humanidade não reside apenas no papel que desempenha para o equilíbrio ecológico mundial. A região é o berço de inúmeros povos indígenas e constitui-se numa riquíssima fonte de matéria-prima (alimentares, florestais, medicinais, energéticas e minerais).
Hápredomínio de temperaturas médias anuais entre 22 e 28ºC. Há uniformidade térmica e, normalmente, não se percebe a presença de variações estacionais no decorrer do ano. O total de chuvas varia de 1.400 a 3.500 mm por ano. O clima é distribuído de maneira a caracterizar duas épocas distintas: a seca e a chuvosa.
O clima é equatorial úmido e sub-úmido, controlado pela ação dos alísios e baixas pressões equatoriais (doldrums) e pela ZCIT - Zona de Convergência Intertropical. Na Amazônia Ocidental, o clima sofre a interferência da massa equatorial continental (mEc); na Amazônia Oriental, região do médio e baixo Amazonas e litoral, o clima sofre interferência da massa equatorial marítima (mEm) e da ZCIT. A massa polar atlântica (mPa) atua no interior da Amazônia, percorrendo o território nacional no sentido S - NW através da depressão do Paraguai, canalizando o ar frio e provocando queda da temperatura. O fenômeno é conhecido como "friagem". Predomina o clima equatorial, com pluviosidade média anual de 2.500 mm e temperatura média anual de 24 ºC.
Os rios amazônicos diferem quanto à qualidade de suas águas e sua geomorfologia. Os principais rios, baseando-se na coloração de suas águas são:
•De água preta: Negro
•De água clara: Tapajós
•De água barrenta: Solimões e Amazonas
Os rios de água preta apresentam esta coloração devido à presença de ácidos húmicos e fúlvicos resultantes da decomposição incompleta do húmus do solo. Já os rios de água clara têm suas cabeceiras nos escudos cristalinos pré-cambrianos. Drenam solos muito intemperizados e suas águas não são tão ácidas; a carga de material em suspensão é pequena tornando suas águas claras. Os rios barrentos originam-se em regiões montanhosas (Cordilheira dos Andes) carregando elevadas quantidades de material em suspensão, garantindo uma coloração amarronzada.
Rios que fazem parte da hidrografia da Amazônia:
Com 2.627 km de extensão, o Araguaia nasce na divisa dos Estados do Mato Grosso e Tocantins e deságua na margem esquerda do Tocantins. Na época da estiagem, aparecem inúmeras praias. O rio oferece também uma grande variedade de peixes.
O Nhamundá divide os estados do Pará e Amazonas, tem um leito arenoso e águas claras. No curso superior possui várias cachoeiras e na confluência com o rio Paracatu atinge uma largura tão expressiva que forma um lago com 40 km de comprimento e 4 km de largura.
Tem águas muito escuras devido à decomposição da matéria orgânica vegetal que cobre o solo das florestas e é carregada pelas inundações. Quando o Solimões encontra o Rio Negro, passa a chamar-se de Amazonas.
Rio Solimões
O rio fica bicolor quando há o encontro dos Rios Negro e Solimões; as águas com cores contrastantes percorrem vários quilômetros sem se misturar.
As águas do Tapajós, devido às diferenças de composição, densidade e temperatura, não se misturam com às do Rio Amazonas. Tem 1.992 km de extensão, nasce nas divisas dos Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso.
Nasce no Estado de Tocantins, na serra dos Pirineus e deságua no Oceano Atlântico, formando o estuário do rio Pará.
Nasce na fronteira do Brasil com a Guiana e tem 750 km de extensão. Quando se encontra com o Paraná de Sapucuá, ganha o nome de baixo Trombetas e chega a atingir 1.800 m de largura. Seu leito divide-se em várias ilhas estreitas e compridas.
Tem 1.980 km de extensão, mas é navegável em apenas 900 km. Tem um curso sinuoso e várias cachoeiras, algumas com mais de 50 m.
Nasce no norte da Cordilheira dos Andes peruano; sua altitude na nascente é de 5,3 mil metros com aproximadamente 1.100 afluentes.
O volume de água do rio Amazonas é tão grande que sua foz, ao contrário dos outros rios,consegue empurrar a água do mar por muitos quilômetros. O oceano atlântico só consegue reverter isso durante a lua nova quando, finalmente, vence a resistência do rio. O choque entre as águas provoca ondas que podem alcançar até 5m de altura, avançando rio adentro. Este choque das águas tem uma força tão grande que é capaz de derrubar árvores e modificar o leito do rio. É no Rio Amazonas que acontece um curioso fenômeno da natureza, a pororoca. No dialeto indígena do baixo Amazonas, o fenômeno da pororoca tem o seu significado exato: Poroc-poroc significa destruidor. Embora a pororoca aconteça todos os dias, o período de maior intensidade no Brasil acontece entre janeiro e maio e não é um fenômeno exclusivo do Amazonas. Acontece nos estuários rasos de todos rios que desembocam no golfo amazônico e no rio Araguari, no litoral do Estado do Amapá. Verifica-se também nos rios Sena e Ganges.
Geologicamente, limita-se ao norte e ao sul com os escudos cristalinos brasileiros
e das guianas, respectivamente; ao longo da borda oeste, com a Cordilheira
dos Andes. Entre as feições antigas existentes, encontra-se
uma depressão preenchida por uma cobertura sedimentar de caráter
fluvial e lacustre. Ao norte e ao sul da calha do médio e baixo rio
Amazonas, os escudos cristalinos e os sedimentos terciários. Todas
estas e outras formações geológicas datam de milhões
de anos.
Ainda falando nos períodos antecessores ao nosso, quando o nível
do mar esteve baixo, o rio Amazonas, juntamente, com seus afluentes, alargou
e escavou vales; quando o nível do mar estava alto, estes vales foram
aterrados com sedimentos originários da região andina, formando
as várzeas.
O relevo amazônico não apresenta altitudes acima de 200 metros, porém, nesta região (fronteira do Brasil com a Venezuela) localiza-se o ponto culminante do País, o Pico da Neblina, com 3.014 metros, mais precisamente na Serra do Imeri. Baseando ainda na estrutura geológica acima descrita, surgem as principais unidades de relevo amazônicas:
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Devido às precipitações e as temperaturas elevadas, o solo sofre alterações em seu material de origem (minerais) e lixiviação em suas bases, tornado-se profundos e bem drenados, apresentando coloração vermelha ou amarela, pouco férteis e ácidos. Caracteriza-se, então como:
•Oxissolo (latossolo) - excelente textura granular, baixíssima fertilidade natural, propriedade uniforme em sua profundidade, ocupando 45% da área.
•Ultissolo (pdzólico vermelho-amarelo) - horizonte de acumulação de argila, propriedade física menos favorável para agronomia e baixa fertilidade natural, ocupando 30% da Amazônia.
Aproximadamente 6% da área são ocupados por solos férteis
bem drenados; 2% por solos de espessos horizontes de areias quartzosas e solos
aluviais, alguns muito férteis
A grande biodiversidade é característica reconhecida das florestas
úmidas da Amazônia; abrange espécies biológicas,
ecossistemas, populações de espécies diversas e uma grande
diversidade genética. Como exemplo, pode-se citar o fato de serem conhecidas
2.500 espécies de árvores na Amazônia.
Em uma análise por satélite da Amazônia, foram identificados 104 sistemas de paisagens, o que revela uma alta diversidade e complexidade de ecossistemas. A biodiversidade torna-se cada vez mais valorizada como fonte potencial de informações genéticas, químicas, ecológicas, microbiológicas, etc
A diversidade de árvores na Amazônia varia entre 40 e 300 espécies diferentes por hectare. Das 250.000 espécies de plantas superiores da terra, 170.000 (68%) vivem exclusivamente nos trópicos, sendo 90.000 na América do Sul.
Florestas de Igapó: ocorrem em solos que permanecem alagados durante cerca de seis meses, em áreas próximas aos rios. As árvores podem atingir até 40 metros de altura e raramente perdem as folhas - geralmente largas para captar a maior quantidade possível de luz solar. Nas águas aparecem as folhas da vitória-régia - que chegam a ter 4 metros de diâmetro. Ocorrem associadas aos rios de água branca.
Florestas de Várzea: as árvores são de grande porte (até 40 metros de altura) e apresentam características semelhantes ao igapó - embora a várzea apresente maior número de espécies. Ocorrem associadas aos rios de água preta.
Florestas de Terra Firme: apresentam grande porte, variando entre 30 e 60 metros; o dossel é contínuo e bastante fechado, tornando o interior da mata bastante úmido e escuro. Esta formação está presente nas terras altas da Amazônia e mescla-se com outros tipos de associações locais, como os campos e os cerrados amazônicos.
Campinaranas ou Caatingas do Rio Negro:caracterizadas pela presença de árvores mais baixas, com troncos finos e espaçados. Situadas sobre areias brancas, lavadas e pobres do rio Negro.

A principal explicação para grande variedade na Amazônia é a teoria do refúgio. Nos últimos 100.000 anos, o planeta sofreu vários períodos de glaciação, em que as florestas enfrentaram fases de seca ferozes. Desta forma as matas expandiram-se e depois reduziram-se. Nos períodos de seca prolongados, cada núcleo de floresta ficava isolada do outro.
Os invertebrados constituem mais de 95% das espécies dos animais existentes
e distribuem-se entre 20 a 30 filos. Na Amazônia, estes animais diversificaram-se
de forma explosiva, sendo a copa de árvores das florestas tropicais
e o centro da sua maior diversificação. A pesar de dominar a
Floresta Amazônica em termos de números de espécies, números
de indivíduos e biomassa animal e da sua importância para o bom
funcionamento dos ecossistemas, por meio de sua atuação como
polinizadores, agentes de dispersão de sementes, "guarda-costas",
de algumas plantas e agentes de controle biológico natural de pragas,
e para o bem-estar humano, os invertebrados ainda não receberam prioridade
na elaboração de projetos de conservação biológica
e raramente são considerados como elementos importantes da biodiversidade
a ser preservada. Mais de 70% das espécies amazônicas ainda não
possuem nomes científicos e, considerando o ritmo atual de trabalhos
de levantamento e taxonomia, tal situação permanecerá.
Então os grupos animais dessas áreas isoladas passaram por processos
de diferenciação genética, muitas vezes se transformando
em espécies ou subespécies diferentes das originais e das que
ficaram em outros refúgios.
A riqueza da biodiversidade de animais cresce a cada dia com as novas descobertas, mas está ameaçada pela caça, pela degradação e devastação das florestas e de seus vários ecossitemas. Ainda há muitos animais e plantas ainda não catalogados. Na Amazônia só se conhece 30% das espécies do reino animal.
Um total de 163 registros de espécies de anfíbios foi encontrado para a Amazônia Brasileira. Esta cifra equivale a aproximadamente 4% das 4.000 espécies que se pressupõem existir no mundo e 27% das 600 estimadas para o Brasil. O número total de espécies de répteis no mundo é estimado em 6.000, sendo 465 espécies identificadas no Brasil. Das 550 espécies de répteis registrados na bacia Amazônica 62% são endêmicos. Existem, na Amzônia, 14 espécies de tartarugas de água doce e duas espécies de tartarugas terrestres, sendo cinco endêmicas e uma ameaçada. Há ainda, três espécies de tartarugas marinhas que aninham em ilhas e praias ao longo da costa de estados da Amazônia, mas que não são consideradas como parte da fauna da região. Quanto aos lagartos, existem pelo menos 89 espécies na região, distribuídas em nove famílias, das quais entre 26 e 29% ocorrem também ocorrem fora desta região. A distribuição, a abundância das populações de serpentes são bem menos conhecidos do que dos outros grupos de répteis na Amazônia, e os estudos existentes não permitem tecer recomendações seguras para a conservação.
As aves constituem um dos grupos mais bem estudados entre os vertebrados, com o número de espécies estimado em 9.700 no mundo, sendo que, deste total, 1.677 estão representadas no Brasil. Na Amazônia, há cerca de 1.000 raras, considerando as que ocorrem em apenas uma das três grandes divisões da região (do rio Negro ao Atlântico; do rio Madeira ou rio Tapajós até o Maranhão; e o restante ocidental, incluindo rio Negro e rio Madeira ou do rio Tapajós às fronteiras ocidentais do País).
O número total de espécies de mamíferos existentes no mundo é estimada em 4.650, com 502 representantes no Brasil. Na Amazônia, são registradas anualmente 311 espécies, sendo 22 de marsupiais, 11 edentados, 124 morcegos, 57 primatas, 16 carnívoros, dois cetáceos, cinco ungulados, um sirênio, 72 roedores e um lagomorfo.
Esses números, entretanto, devem ser considerados apenas como aproximados, pois certamente serão modificados na medida em que revisões taxonômicas forem realizadas e novas áreas sejam amostradas.
Os habitantes da amazônia, desde o início da colonização em 1500 até os presentes dias, dedicaram-se a atividades extrativistas e mercantilistas, inserindo entre 1840 e 1910 o monopólio da borracha. Todo esse processo de colonização gerou mudanças como a redução da população indígena, redução de algumas espécies de animais e plantas e outras consequências.
Vários personagens surgiram da miscigenação de povos que trabalharam nas terras amazônicas como os caboclos, os ribeirinhos, os seringueiros e os balateiros, que até hoje residem no local.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Amazônia passou a integrar o processo de desenvolvimento nacional. A criação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa (1952), a implantação das agências de desenvolvimento regional como a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia – Sudam (1966) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa (1967) passaram a contribuir na execução de projetos voltados para a região. Destacam-se: a) o Projeto Jari; b) os projetos agropecuários incentivados pela Sudam; c) a colonização ao longo da Transamazônica e da Rodovia Cuiabá-Porto Velho; do aproveitamento hidrelétrico de Tucuruí e Balbina; e) Programa Grande Carajás; f) exploração de petróleo na Bacia do rio Urucu.
Convém lembrar que, independentemente do porte do projeto executado, certamente produzirão algum impacto ambiental. Estes impactos irão provocar destruição à floresta, porém, a floresta amazônica não está sendo destruída somente por este motivo. Para os agentes econômicos atuantes na área, mais interessa o uso alternativo do solo do que as riquezas naturais da floresta.
Busca-se apenas o interesse econômico dos recursos renováveis
e não renováveis, não se leva em conta, por exemplo,
o grande potencial hidrelétrico da região; os recursos minerais,
por sua vez, são amplamente explorados.
A biomassa e a produtividade bruta primária vêm despertando interesses.
Trata-se de recursos naturais que geram riquezas e propiciam o desenvolvimento
sócio-econômico da região. Em contrapartida, a agricultura
continua sendo um desafio. Questiona-se, então, uma alternativa para
a floresta que está em pé e a exploração consciente
das riquezas distribuídas em aproximadamente 90% do território
amazônico.
As reservas extrativistas constituem-se em uma alternativa interessante para
a região, pois estimulam a utilização dos recursos naturais
renováveis, conciliando o desenvolvimento social e a conservação.
Estas reservas, que são protegidas pelo poder público, destinam-se
à auto-sustentação e, como já dito, à conservação
dos recursos naturais renováveis. Trabalham nas reservas populações
tradicionalmente extrativistas, regulados por contratos de concessão
real de uso.
Segundo o Censo de 1980, 304.023 famílias se ocupavam com a produção
extrativista vegetal e animal. Considerando-se 5 pessoas por família,
aproximadamente 1.520.115 pessoas sobreviviam na época do extrativismo.
O extrativismo, em particular da borracha, não pode ser visto somente
do ponto de vista econômico, já que este sistema desempenha funções
sociais. Gera empregos e renda, além da função ambiental,
não degradando áreas extensas e possibilitando a fiscalização
feita pelos próprios seringueiros. Além destes exemplos, a madeira,
a castanha e outros produtos não madeireiros podem ser trabalhados
neste sistema, propiciando melhores condições de vida à
população local.
Fonte: www.ambientebrasil.com.br