Ave da fam. Peristerídeos, gên. Leptotila, que diferem das pombas chamadas "rôlas" por não terem manchas metálicas nas asas e além disto a primeira pena rêmige da mão é atenuada. São ainda "jurutis", porém com o qualificativo "pirangas", isto é, vermelhas, as espécies do gên. Geotrygon, as quais de fato se distinguem pelo lindo colorido roxo-purpúreo do pescoço posterior e do dorso.
Em tamanho as jurutis são intermediárias entre as pombas e as rôlas No Brasil meridional há duas jurutis Leptotila reichenbachi, cujo colorido é o seguinte: dorso bruno averinelhado, frente e garganta alvacentas, vértice cinzento, pescoço e peito roxos, barriga branca; L. ochroptera difere da precedente por ter o dorso pardo-cinzento e a nuca e o pescoço posterior tem brilho metálico, verde furta-côr. Da Bahia para o Norte há uma outra juruti, L. rufaxilla, aliás pouco diferente.
Como o bem-te-vi e a araponga, a juriti é também unia das aves mais características e conhecidas nas regiões onde ainda haja passaredo. De manhã cedo gosta de vagar pelos trilhos da capoeira, pois é aí que encontra seu almoço, ora unia semente, ora um inseto ou um verme. Sua voz é um ru-gu-gu-gu-hu melancólico como que soprado e no entanto audível a grande distância. É considerada boa caça, mas para surpreendê-la é preciso andar cauteloso à sua procura, pois em geral ela foge logo, e só se ouve o bater das asas por entre as moitas.
Na Amazônia designa uma pomba mística, encantada, que paralisa as suas vítimas (em tupi "pepena" - aquele que faz quebrar). J. Veríssimo, Cenas da Vida Amazônica, pág. 64 diz: "unia ave fantástica, que canta perto de vós e não a vêdes, que está talvez à vossa cabeceira e a não sentis; ouvireis o pio lúgubre da ave, sem que possais jamais descobri-la. Isto é para os índios objeto de grande terror, a ponto de não consentirem que se fale no Juriti-pepena com menosprezo. Aqueles a quem esse ente fabuloso acerta de escolher para vítima de seus malefícios, acaba paralítico".
Vermelha" ou "vevuia" - Do gên. Geotrygon, que difere de Leptotila, como já foi dito sob juruti, por não ter a primeira rêmige atenuada. G. montana é de todo o Brasil e estende-se também até o México; G. violacea, que só ocorre de São Paulo para o Norte, lhe é semelhante, mas o lado ventral é mais branco e o colorido do dorso mais vivo.
É pomba que pouco voa e que constantemente vemos catando seu alimento no chão, ao mesmo tempo que se distrai cantando, se assim se puder qualificar seu monótono ñ-ñ-ñ inteiramente nasal e um tanto prolongado; só o macho muda um pouco de voz, quando arrula.
Fonte: www.matlan.bio.br